Lista de Poemas

A corda no pescoço

Brasil, gigante frouxo e sedentário.
Um armário de ratos, podridão,
A oração é dinheiro e pão diário,
Escapulário é pisado, chão.

A facção é quem dita o cabeçalho,
E se é falho, não adiante fé,
Não dá pé, no sistema me embaralho,
É sem atalho até o rodapé.

Qual é? Fora essa tal demagogia!
Anarquia em palavra que tapeia,
É teia capciosa. Ludibria.

Desconfia-se que isso está na veia
Areia movediça a fundo enfia,
_Confia não, com cão isso se pareia!

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG
http://raquelordonesemgotas.blogspot.com.br/
344

Homem Bonito

Eu negrito: é quem dá a atenção.
Coração leve, humor bem desprendido,
Evoluído, boa percepção,
Mão que ajuda. Sem ser um exibido.

É colorido o espírito, e verdade,
Seriedade enorme qual menino,
Peregrino saber; causa saudade,
Sem idade, seu riso em desatino.

Tem o tino em detalhes, sutileza,
Surpresa. Lembrar datas é perito.
No quesito ciúme não à mesa.

Com fineza, só ao fim, conflito,
Mito é perfeição, sem ser nobreza,
Acesa luz. E assim, homem bonito.

Raquel Ordones #Ordonismo
Uberlândia MG
173

Pinturas de si


E sai por ai com sua melhor cor,
Flor, todos os perfumes e texturas,
Partituras de voz, risos, calor,
Há dor, com apoucadas estruturas.

Loucuras sãs, cambotas, piruetas,
As borboletas ágeis, ventania,
Poesia provando silhuetas,
Em veneta, ora noite e ora ao dia!

Cria-se e sai por ai em seu melhor traje,
Reage em entretons da tal fineza,
Beleza descabida ao céu raje.

Viaje na pintura, tem riqueza,
Leveza, tinta da alma sem ultraje,
Age, então pinta a sua natureza.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG
172

“Fazer amor”


Um afago nos cabelos, um cafuné na cabeça,
Um ombro amigo, ou um sorriso confortador.
A palavra boa e nada faz com que a esqueça.
Um olhar de ternura, ou a oferta de uma flor.

Um passeio naquele parque com as crianças,
Um sorvete e a encanto no rosto estampado,
Um elogio que estabelece no ser esperanças,
Um beijo no rosto pode ser aquele estalado.

Atender um pedido de alguém, erguer a mão.
Doar-se; não só a quem com um olhar pede.
O mínimo afeto, extensão que não se mede.

Regar uma planta, demonstrar o seu coração.
Até mesmo beijo na boca, de jeito abrasador.
Não só necessariamente na cama se "faz amor".

ღRaquel Ordonesღ

251

das declarações...

O amor é um liquidificar de vários sentimentos bons:
Amizade, respeito, doação, desejo... dentre tantos.
Há os que preferem com açúcar,
Já outros, _"TE AMO, PORRA!" é o degustar da sensação
e da emoção com o mais requintado sabor...

#ordonismo
Raquel Ordones
205

Se eu fosse poesia

Se eu fosse poesia queria ter a efígie de soneto
Sem métrica e letras saltitassem em todos os sons
Sem negrito, em simples fonte e todos os entretons.
Se eu fosse poesia queria o amor como dialeto
E queria todas as rimas rimando "desrimadas"

Raquel Ordones
189

Se...

Se houver semente:
_Rama!
Se não houver vento:
_Reme!
Se houver versos:
_Rime!"
Se houver fé:
_Roma!
Se houver norte:
_Rume!

Raquel Ordones
Uberlândia MG
188

Meu eu desconhecido



Às vezes me sinto tomada por um silêncio ensurdecedor
E às vezes os tambores de mim rufam incessantemente
Ora mergulho na fundura da minha essência com ardor
E às vezes me pego em leviandade tão superficialmente.

Às vezes sou previsível e coloco embaixo do braço, tudo
E às vezes tudo que é me dado não é nada do que quero
E às vezes quero falar quando o instante quer ser mudo
Muitas vezes emudeço e me tranco mais do que espero.

Meu eu desconhecido sempre aparece e me surpreende
Ele me fez construir meu mundo às margens do universo
Às vezes tenho a resposta, mas o que respondo é inverso.

Meu eu desconhecido recorre meu pensamento, ofende.
E às vezes divago na superfície do que conheço de mim
E me perco no meu desconhecido conhecendo-o enfim.

ღRaquel Ordonesღ
187

Notas sobre ela



Ela quando escreve; a chama de Eu,
Soa tanta individualidade, mas não se preocupa,
Às vezes ela é a melhor companhia, ou não,
Às vezes se doa toda, que dela não faz mais parte,
Às vezes é solidão se ela quiser.
Às vezes se sente pedra,
Na maioria das vezes, coração.
Já se definiu em uma palavra,
E outras vezes em um dicionário inteiro
Não 'achou-se' definida.
Já foi círculo do abraço, já foi o soltar das mãos,
Já foi o grito, tanto era o volume,
Já foi canção em cada nota sentida no silêncio.
Já foi mais do que esperavam, já foi menos do que esperou.
Talvez ela seja somente a terceira pessoa do singular,
Apesar das pluralidades.
E quando passa a ser o Eu nos seus escritos,
Ela passa a ser quase tudo ou
Torne-se tão somente um ditongo.

ღRaquel Ordonesღ
212

Criatividade cavalar


(sonhando ser Pégasus)

.
Como corcel corta céu com calma, cometa,
Crina cavalga; convive constelação,
Contextualizando cores com cerceta?
Cria casta; compartilhando coração.

Corre cata cambiantes celestiais,
Cabresto castanho cai, corda corroída,
Coleta cercado; castelos colossais,
Cede chuva; cronometragem concluída

Claridade, circuito completo, consome,
Corre célere, constante corrupiar,
Cara contente com cerne comemorar.

Caminha cavalariça coberta, come,
Com corpo calmo, cocheira capim colchão,
Carinho, cujo casco combina com chão.

ღRaquel Ordonesღ
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ Uberlândia MG