Lista de Poemas

Vi-me atrevida



Em rendas negras a transparecer-me
A silhueta se expõe através do tecido
Pele em cor morena a estremecer-se
Em leves arrepios se ouve o gemido.

Os cabelos aos cachos soltos a bailar
Os dedos que por entre eles correm
Os gestos e olhares vêm a provocar
Gostos de beijos na boca escorrem.

Em negligência toco-te lentamente
Sinto teu pescoço atiçar meu olfato
Meu corpo puxa, eu sinto o teu tato.

Atrevida, misturo minha pele na tua.
Tu'alma respira, mordisco teu queixo.
O prazer me aflora por tirar-te do eixo!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
224

Cheia de vazio



Base da sociedade falida,
Em nada altera pedir concordata,
É meio raso de nobreza infida,
Vive da aparência que maltrata.

Mas toda regra tem sua exceção,
Geralmente isso numa minoria,
As máscaras predominam então,
Segue em frente o mundo de fantasia.

E finge que a miséria não existe,
Faz de conta que reina a educação,
De caráter tem uma plantação.

Na tecla da falsa moral, insiste,
Ergue o recheio do existir humano,
Num mero vazio de embuste insano.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
265

E que doa a quem doer...

Talvez, verdade seja feita pra matemática,
A gramática em sua regra já aceita exceção.
O coração tem, às vezes nem põe em prática,
Elástica vida: a poesia usa imaginação.

Ilusão, uma verdade bem simpática,
Temática de muita gente, quase oração.
Interação com sua vida lunática,
Apática a quem pratica inversa ação.

Então, a verdade em si nem é mais aromática,
Antipática quem a versa, uma infração!
Sua estação aboliu a era agora é errática.

Tática talvez, a falsidade é a comunicação.
Coação da verdade na ligeireza da informática.
E midiática a prudência perde a visão.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
179

DoAr



Irrigo-te com vida; de mim a doação.
De coração aberto minh'alma se deita.

Rejeita-me inda que peça vida em oração,
A mão eu estendo, mas não é aceita.

Receita de vida; saúde, em Deus ser feliz!
Fiz do viver a leveza dum bumerangue.

Se langue não recebe, inda por um triz,
Quis teu bem; ao doar-te de meu sangue.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG



Doar sangue é ato de nobreza
A beleza da vida vale muito além,
E se tem; repartir é grandeza,
Fineza é não olhar a quem...

ღRaquel Ordonesღ
148

Matemática sexual



Se um quer e há solidão
Não tem porque desistir
Soma toda imaginação
Que o deleite irá existir.

Se nos dois há um querer
É só dividirem-se no ato
Sem subtração do prazer
Há uma potência de fato.

Dois corpos estão contidos.
Agrupam-se a multiplicação
Além disso, foge o padrão.

Sem precaução e distraídos
E sem ter cuidado com a tez
Já os dois tornar-se-ão três.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
210

Passou por mim feito tsunami



E quando eu percebi já estava toda revirada,
Cabeça voando sem rumo em pensamentos,
Olhos perdidos em uma procura sem parada,
Cacos de mim em mim e levados com ventos.

Quando eu percebi meus eus saíram de mim,
Um mais louco que o outro com sua presença,
Me senti só com tanto querer, alma carmim,
Vi em meio à agitação o quão faz a diferença.

Quando eu percebi já havia me levado junto,
Tudo de mim escorreu por entre o que é seu,
Agarrada não me desatei, então me rompeu.

Quando eu percebi, já éramos um conjunto,
E nossos alicerces se viraram em conchinhas,
E feito tsunami passou, despindo entrelinhas.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
247

Leitor de verdade



Leitor que se presa é como um raio- x
No ato da leitura cria a sua imagem
Sabe perfeitamente o que o texto diz
Ele vai bem no fundo, faz a drenagem.

Suga para si tudo que ali está escrito
Até se coliga com a saudade exposta
Ele ouve o sussurro e também o grito
Ele lê, ele vive, é essa a sua proposta.

Leitor de fato vai com o poeta à lua
Ele se muda para o cenário na hora
Veste a dor para si como se fosse sua.

Leitor de fato, a entrelinha entende.
Ainda questiona e quer muito mais
Ele é a parte do poeta que se estende!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
227

Das loucuras de mim



As malas das minhas ideias desarrumadas; arrumo,
Tento divisar uma ordem, qual a relevância de cada,
Dobro e desdobro, então aliso para sentir o aprumo.
Abstruso, cada uma tem valor, nenhuma descartada.

Algumas ideias passageiras, outras sempre martelam,
Algumas são meio insanas, outras são tão coerentes,
Algumas são rasas, outras na alma e coração anelam,
Umas são meio tolas; já outras tão surpreendentes.

Fico ali horas tentando nessa minha louca arrumação,
E coloco-as num canto, no meio, em cima e em baixo.
É tão melindroso, um quebra-cabeça, quase o encaixo.

E aparentemente em mim quase percebo a evolução,
E puxo o fecho éclair em torno dessa minha bagagem,
Inútil, sento em cima, tudo bagunçado, que bobagem!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
240

Escre(v i)ver



E estou eu aqui mais uma vez em meio aos meus versos,
Escrevendo coisas já escritas, mudando palavras de lugar,
Depositando tempero por todas as direções e anversos,
Ditando meus textos para mim, num constante requentar.

Às vezes tiro muitos sentimentos e mostro-lhes a caneta,
E ela entende perfeitamente e os translada para o papel,
Sinto-me vasculhada por mim, a alma é remexida gaveta,
Vejo-me em cores sentada no meio fio com tinta e pincel.

É... Então escrevo; a saudade de você me joga nesse jogo,
Do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou,
Não varro, no meu verso e reverso seu cheiro se tatuou.

Por vezes me sinto valente, pois engulo lágrimas de fogo,
Brigo com algumas, mas choro, porém o sabor não é bom,
Decidi, para você meu sorriso; orna mais com meu batom.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
241

Por quê?



E lá estão todos os porquês querendo saber: por quê?
Por que veio? A que veio? Porque agora? Porque eu?
é uma lista infindável de porquês que não dá para crê
E fica na mente martelando o porquê que lhe prendeu.

E porque eu? Porque você? O porquê dessa maneira?
E algumas respostas não existem, e é simples assim.
Esse tanto de porquês é sem razão, legítima besteira
Há coisas que são... Desde o início, no meio e no fim.

às vezes é melhor não perguntar o porquê, isso é fato.
O porquê não agrada, não é isso que queremos ouvir
Porquês certos e porquês tortos; fazem chorar e sorrir.

E às vezes o porquê está na gente, está no nosso tato
E a gente sempre foge; como dizem: a gente amarela
E às vezes sem os porquês nada nos descem na goela.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ Uberlândia MG