RAVIA

RAVIA

RAVIA. Entre queimaduras de gelo e chama.

n. , Natal

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Sem contar teus números

Vou apagar seu número
Talvez assim
Não arrume uma desculpa pra te ligar
Falar que te quero
Contar da saudade
Para que não reforce lembranças
E dê vontade de encontrar-te mais tarde
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Poemas

31

Certeza a partir da dúvida

Não me apresses a escolher
Pois dá pressão se muta decisões
Das quais acabam sem certeza da sinceridade
Não há tempo limite para que decidas
Das dúvidas
Qual melhor a virar certeza
223

Asas que sentem

Eu não mereço amor
Não mereço amar
Sei que preciso da dor
A única a me acompanhar
Não me traga mais flor
Não me deixe sonhar
Me impeça de expandir
Antes que precise minhas asas cortar
225

Não para mim

Em constante recordações
Que à mim...
Não vale a pena
Que à mim não há amor
Que à mim não sentem
Soa como uma peça
Substituível
É inegável
Engulo a seco minhas palavras que não saem pela boca
Remoem na mente
Como o lixo devora as cartas
Como poço, as águas
Como a mim, as mágoas
197

Atalho e retalho

Talvez eu não entenda
O que quisesse passar
Não deixa claro o que precisa
Não quero ser como um atalho
Retalho de lençol furado
Costurado com agulha afiada
E linha reforçada
Para segurar-me
Quando penso em ir
262

O amor existe

Insisto em dizer que o amor existe
Mesmo quando não me cubro do seu calor
Mesmo quando vazo por suas palavras
Ou até quando desacredito viver
Existe
Talvez não um amor pra mim
215

Esperança de um encontro

Costumo acreditar que por acaso
Ou força do destino
Posso te encontrar pela rua
Por isso me perfumo
Com aquele que tu gosta
Mas me decepciono com minha própria imaginação
Por esperar que teu sorriso
Por mim passaria 

Quem sabe a minha procura
291

Perigos da sombra

Cão faminto da carne maciça do corpo cansado
Na espreita da falha distraída
Nos olhos que não alcançam a sombra
Perigos que esperam a oportunidade
De sugar as forças da carne maciça de um corpo cansado
222

Queda aniosa

Me sinto cair mas não enxergo o chão
Escuro demais pra ver o quão fundo eu ainda posso chegar
E quanto mais eu caio
Anseio pela pancada
E isso não pausa
Até que eu me choque no fundo da terra
Com o teto de madeira
Nas chuvas de Genebra
283

Manchas

Desejo tanto não me deixar levar por isso
Mas eu gosto do gosto
Do drama que envolve
Da tensão que tempera
Por mais que fira
Masoquismo não decretado
Até que haja manchas roxas na pele
269

Me ama só nas sextas

Talvez não me contente só com um beijo de sexta-feira
Dado por uma boca bêbada
Que diz que me ama
Me ama só nas sextas
Quando me tem ali no outro lado da mesa
Entre os olhares avulsos e alheios 
Nos cumprimentos

Com abraço pra disfarce
Enquanto a cevada não sobe pra mente

Enquanto fogo não invade
Contamos sobre a vida

Falando com os olhos vidrados sem abrir a boca
Esperando a hora da saída

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Comentários (1)

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Márcio Barbosa

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!