Lista de Poemas

Me ama só nas sextas

Talvez não me contente só com um beijo de sexta-feira
Dado por uma boca bêbada
Que diz que me ama
Me ama só nas sextas
Quando me tem ali no outro lado da mesa
Entre os olhares avulsos e alheios 
Nos cumprimentos

Com abraço pra disfarce
Enquanto a cevada não sobe pra mente

Enquanto fogo não invade
Contamos sobre a vida

Falando com os olhos vidrados sem abrir a boca
Esperando a hora da saída

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Como já disse...
Baby, sou tão só
Quis que me chamasse pra dançar
Mas não é bem assim
Pessoas tem seu lar
Meu lugar é aqui

Aqui
E
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Nem num tantão

Eu trouxe uns versos pra tu
Mas se for pra falar tudo que tenho pra dizer
Num cabe nesse tanto de linha
Meu amor é maior que um mói de coentro
É lindo igual teus zói castanho da cor de palha seca
E xêroso feito chá de flor de maracujá 
Transparante como as águas do Riacho Doce
Amor, doce mesmo é teu beijo com gosto de cereja
Então deixa de besteira, bem
Se entrega pr'eu
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Swing natural

Tira do peito saudade que leva uma vida
De onde extraiu da terra os sais que alimentaram a maternidade
Sentiu debaixo do mar o vento que embola a massa de um corpo
Saugada maresia pra embaçar o óculos
Que vejo o vento 
O nada

Dançando junto ao swing da pipa
Com o balançado das correntes
Que puxam
E empurram
A todo momento.
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Coração frio na cidade do sol

Não me aguento
Esse coração frio numa cidade tão quente é estranho
Espero que ela não precise aquecer mais para que ele derreta
Do que jeito que eu me derreto por tu
Até nos dias gelados
Coração acelerado
Prestes a sair pela boca
Mão meio suada
Tu enxuga ela na roupa
Eu conheço teus sinais
Tuas marcas e tatuagens
Teus gostos musicais
O jazz que tu curte
E o amor pela arte
O blues que a gente embala
O tango que nos arriscamos dançar
Até tropeçar nos passos desajeitados.
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sentido aflito

 No leito debruça teu peito em mim
Aberto a nudez da alma
Enquanto tua voz carcome meu interior
Aflita de querer como se fosse meu
Faminta da tua carne enquanto mantenho jejum
Emocionada pela tua arte que atrai minha atenção...
Pra mim, em silêncio
Mantenho a sós
Trancafiado ao meu ego e ao medo.
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Um pouco de espera

Não me deixa esperar
Já não consigo manter
Por favor, não esconde
Diz o que tem que dizer
De uma vez!
Não me faz palpitar
Seu atraso me mata
Preciso de um pouco de ar
É que eu sinto demais
É intenso demais
Me maltrato bem mais
Do que me permito acalmar
Penso, já me volto a perder
O ar que uso pra viver
Esse aperto no peito que quase me leva
E amassa tão bruto
Como se quebrasse espelho com pedra
Não liga pra isso
Você não precisa saber
Eu consigo esperar
O que tens pra dizer.
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Farejando desejos

Não quero ter que pedir
Sua atenção ou favor
Eu vim pra sentir
E te dar o meu amor
Mas se não fazes questão
Eu guardo tudo pra mim
Meu amor que não jura
Não tenho estrutura
Pra poder mentir 
Meu faro sente teu cheiro
Que me atrasa e me faz reparar
Nas lembranças da cama
Me deixando louca
Fazendo arrepiar
Com olhos virados
Unhas cravadas no colchão
Pêlos arrepiados
Uma garrafa acabada na mão
E de goles em goles eu sinto que cada vez
Me aperta o peito 
E te trago na massa pesada em pedaço de descontração
Nos teus toques com calo
Trabalha pesado em me deixar louca no chão
Sempre bem empenhado
Em me fazer sentir
Cada toque virar erupção
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Vendas de carne

Vendas de carne sob meus olhos
Na cama
Me cego de ti
Teu corpo me acanha
Me puxa, me cede e a pouco me derrama
Teu olhar de noite escura
Me faz perder a meia noite
Admirar contigo as Marias e a lua
Encher o copo de quinta
Arranhar a coxa na quina
Secar teu corpo de suor
Sentir num todo adrenalina
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Dunas de areia

Areia arranha os olhos daqueles
Aqueles que insistem em mantê-los expostos
Não firma o alicerce nas dunas
Visa da ponte ao morro
E verás que teu lugar não consiste
É passageiro
É ligeiro igual lágrimas de um dia triste
E pode ser lindo não fixar-me
Encantar-me ao aprecia-lo
Só não firma teu alicerce nas dunas.
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Comentários (1)

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marciobar

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!