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RAVIA

RAVIA

RAVIA. Entre queimaduras de gelo e chama.

n. , Natal

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Sem preocupações

Não quero insistir, não precisa me ver
Não ligue pra mim, é melhor pra você
Não faz diferença, você vai esquecer
Quarto escuro e bagunçado
Cerveja na cabeceira e livros jogados
Travesseiros caídos e roupas amassadas
Meu canto e refúgio
Ficam melhor desarrumados
Mas... não faz diferença
Fique distante, você vai esquecer
Não precisa se preocupar
Só tô um pouco cansada
Não tem nada de errado
Cansaço, é isso, só um pouco
Não precisa me ouvir, não quero falar
Só me deixa aqui, prometo que levanto
Só uma hora, talvez um pouco mais
Ou alguns dias, não sei, mas não se preocupe
É normal pra mim
São três da manhã, não consigo dormir
Seis da matina tento levantar
Meu coração aperta e esmaga meu peito
Outro dia normal pra sobreviver
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Poemas

31

Me ama só nas sextas

Talvez não me contente só com um beijo de sexta-feira
Dado por uma boca bêbada
Que diz que me ama
Me ama só nas sextas
Quando me tem ali no outro lado da mesa
Entre os olhares avulsos e alheios 
Nos cumprimentos

Com abraço pra disfarce
Enquanto a cevada não sobe pra mente

Enquanto fogo não invade
Contamos sobre a vida

Falando com os olhos vidrados sem abrir a boca
Esperando a hora da saída

333

Esperança de um encontro

Costumo acreditar que por acaso
Ou força do destino
Posso te encontrar pela rua
Por isso me perfumo
Com aquele que tu gosta
Mas me decepciono com minha própria imaginação
Por esperar que teu sorriso
Por mim passaria 

Quem sabe a minha procura
294

Queda aniosa

Me sinto cair mas não enxergo o chão
Escuro demais pra ver o quão fundo eu ainda posso chegar
E quanto mais eu caio
Anseio pela pancada
E isso não pausa
Até que eu me choque no fundo da terra
Com o teto de madeira
Nas chuvas de Genebra
286

Manchas

Desejo tanto não me deixar levar por isso
Mas eu gosto do gosto
Do drama que envolve
Da tensão que tempera
Por mais que fira
Masoquismo não decretado
Até que haja manchas roxas na pele
273

Atalho e retalho

Talvez eu não entenda
O que quisesse passar
Não deixa claro o que precisa
Não quero ser como um atalho
Retalho de lençol furado
Costurado com agulha afiada
E linha reforçada
Para segurar-me
Quando penso em ir
266

Só

Como já disse...
Baby, sou tão só
Quis que me chamasse pra dançar
Mas não é bem assim
Pessoas tem seu lar
Meu lugar é aqui
Só
Aqui
E
Lá
263

Asas que sentem

Eu não mereço amor
Não mereço amar
Sei que preciso da dor
A única a me acompanhar
Não me traga mais flor
Não me deixe sonhar
Me impeça de expandir
Antes que precise minhas asas cortar
228

Certeza a partir da dúvida

Não me apresses a escolher
Pois dá pressão se muta decisões
Das quais acabam sem certeza da sinceridade
Não há tempo limite para que decidas
Das dúvidas
Qual melhor a virar certeza
228

Perigos da sombra

Cão faminto da carne maciça do corpo cansado
Na espreita da falha distraída
Nos olhos que não alcançam a sombra
Perigos que esperam a oportunidade
De sugar as forças da carne maciça de um corpo cansado
226

O amor existe

Insisto em dizer que o amor existe
Mesmo quando não me cubro do seu calor
Mesmo quando vazo por suas palavras
Ou até quando desacredito viver
Existe
Talvez não um amor pra mim
218

Comentários (1)

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Márcio Barbosa

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!