Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

44

Clepsidra

São Bernardo do Campo, 17 Nov. 2020 às 21hs30.
(Inspirado em: “Intervalos de Tempo” de Monike Sachie)
Poema de: Rerismar Lucena
  
Sou como cronógrafo quebrado...
Todas às vezes que tentei alçar voo, estive parado.
Com o ar rarefeito, escasso.
 
Viajei por montanhas, planícies e imagens
Em busca de sensações sutis, de paisagens
À margem do tempo e do espaço.                                
 
Minha bússola apontando horizontes
Eu exaltando as montanhas, os montes
Passando por debaixo de pontes
 
Onde sei que não me encaixo.
Onde meu relógio perde o compasso
Na estrutura de um corpo dormente.                         
 
Meu coração não mais no automático
Talvez já não me seja mais prático
Vibrar quão minúsculo cristal de quartzo.
 
Fenológicos processos se encerram
Já não habito planícies ou montanhas de ferro,
Cortados por rios de metais pesados de aço.
--------------------------------------------------------
Enfim, liberto das amarras do tempo.
 
                                           (Rerismar Lucena, 17 Nov. 2020)
527

O Sono do Corpo

São Bernardo do Campo, 01 dez. 2020 às 11hs34.
Poema de: Rerismar Lucena

Sob os olhos oclusos do tempo e do espaço
Além das abstrações e concretudes da vida
Sob a vigília da alma em seu eterno compasso
Cerram-se os olhos, à carne adormecida.
 
As diversidades das substâncias que o corpo compõe
Nas conjunções provisórias do ser e não vir a ser um ser
A potencialidade geradora de vida se impõe
Em processos de transformação, regeneração e poder.
 
Nos fluxos incessantes de renascimento e morte,
Em séries ininterruptas de mutações submetida
O homem perscruta o sentido das coisas e da vida
Sob o jugo do ego e da ilusão, onde a realidade é distorcida.
 
Como folhas que caem no outono anunciando o inverno que chega
O corpo enfim descansa, sob o prenuncio da colheita do espírito
Nos desígnios de seus mistérios em seu eterno devir.
-------------------------------------------------------------------------------------
A flor da alma se abre, e a vida, em silencio, renasce com a primavera.

"Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
 Não há nenhuma novidade debaixo do sol." (Eclesiastes 1:5-9)

                                                                                (Rerismar Lucena, em 01 dez. 2020)
410

A amálgama dos sentidos

São Bernardo do Campo, 12 ago. 2020 às 22hs00.
Poema de: Rerismar Lucena
  
Reconstruir o real, reimaginar o imaginado
Evocar a representação dos sentidos
No Jogo de espelhos, —“das verdades”
Da  ausência dos desapercebidos.
 
O surto imaginativo, que forja à realidade
E que,  da  ausência  nasce o  real.
No espelho turvo da representatividade
Surge imagem manifesta, factual.
 
Onde o real é representação e concretude
Na amálgama dos sentidos humano;
Do sujeito-objeto que tudo precede
A ação do pensamento mundano.
 
Contudo, o simbolismo da representação
Que pretende dar a realidade, definição
É mera “ilusão referencial” do fato;
 
Pois somos seres sensoriais, de pensamento e ação.
O mundo externo é o campo da representação
Onde um fato, nunca é o fato de fato. [ipso facto]
 
                                          Rerismar Lucena
762

O Substrato da utopia

São Bernardo do Campo, 12 jul. 2020 às 22hs40.
Poema de: Rerismar Lucena
 
Na base essencial, do ser que repousa
A utopia do normal do instante;
E que, todo o costume [ir]relevante
Torna-se acerba, e a moral obtusa.
 
Como domar o futuro Liquefeito
No suster da inflexão da vida:
Revirar árduas feridas? Ou,
Ressignificar normas e preceitos?
 
Se algo acontece, a partir de fatores
Da realidade positiva, de polos distintos
Na assumida batalha [...] dos instintos,
Nos confins da eclusa de tempos motores.
 
Ainda que, sofisticado seja a usura
Da esfera social que perdura
A singularidade gravitacional do sujeito.
 
Sendo que o altruísmo cultural que prospera,
Nada mais é que o desapontar de uma era
Da infalibilidade de tempos imperfeitos.
 
                                    (Rerismar Lucena, 12 jul. 2020)
747

O Substrato da utopia (soneto)

São Bernardo do Campo, 12 jul. 2020 às 22hs40.
Poema de: Rerismar Lucena

Na base essencial, do ser que repousa
A utopia do normal, — do instante;
O substrato da matéria [ir]relevante
Torna-se acerba, e a moral obtusa.
 
Se algo acontece, a partir de fatores
De uma realidade positiva, agravante
Num relativismo social, constante
Dos confins da eclusa, de tempos motores.
 
Como domar o futuro Liquefeito
No suster da inflexão da vida
Revirando, árduas feridas?
 
Se o altruísmo cultural que prospera,
Nada mais é que, o desapontar de uma era
Da infalibilidade de tempos imperfeitos.      
 
                                                 Rerismar Lucena
392

O néscio do amor

São Bernardo do Campo, 19 jun. 2020. Às 14h50.
Poema de: Rerismar Lucena

Algo que é a causa de outra coisa 
Aquilo que não se consegue evitar 
Não os temas, porque nada há encoberto 
N’aquilo que há de se revelar. 

O mundo recobraria clareza 
Se o amor, o eterno amor do amar 
Sujeitar alguém a alguma coisa 
Se se abrasar na vontade vulgar. 

Que então, hajas de se saber 
No cativo amor se revelar. 
Onde habita a cegueira do amor 
Na efígie ilusória do amar. 

Se pudesse te beijar, agora 
Numa experiência sensorial empírica 
O néscio do amor surgiria [em chama], 
Na sujeição das paixões humana. 
 
               (Rerismar Lucena, 19 jun. 2020.) 

_________________________
Sujeitar - Submeter; fazer com que se torne dependente ou submisso por meio de violência ou de persuasão. 
Abrasar - Transformar em brasa; aquecer muito; queimar. 
[Figurado] Ter sentimentos intensos; apaixonar: a felicidade abrasa minha vida; sua paixão me abrasa. 
Cativo - Sem liberdade; preso, encarcerado. Seduzido por algo ou por alguém; atraído. Que está sujeito a; obrigado. 
 Efígie - Representação, imagem de uma pessoa numa moeda, numa medalha. 
Empírico - Característica daquilo que se baseia na experiência ou dela resulta. Característica daquilo que é resultado da prática, da observação e não da teoria. 
 Néscio - Característica de quem não possui conhecimento, capacidade, sentido ou coerência. 
Sujeição - Ação de subjugar, de sujeitar alguém ou si próprio; submissão, subjugação, obediência.
442

Vontade que instiga o: “Animal de rebanho”.

 São Bernardo do Campo, 13 jun. 2020. Às 19h00.
 Poema de: Rerismar Lucena de Morais.
 
Vontade que instiga o animal,
Desnuda, Incita desejos primitivos.
Concita a mente dormente à perversão
Aduz  animalesco atos distintos.
 
Oh! maculada flor do desengano
Foi-se incutida de ira – ressentimento 
Infunde ideias, anseios e tormentos.
Enraivece o homem, do privilégio dos raros.
E, por não poder ser, dilapida as diferenças.
 
Más inclinações, desmedido instinto de altivez
Abalançamento de valores ou grei de fino trato?
Apenas aumento de reatividade, do manejo!
 
Alude autorrevelação de emoções motoras
- esperança e medo. Animal de manada, ou
Manifestação socialmente responsável dos disciplinados?
 
A sociedade oscila entre:
“Animal de rebanho” de Friedrich Nietzsche
                                    “Pretensão de igualdade que, tanto nas línguas como nas artes e nas ciências, falseia
                          o mundo para enquadrá-lo no previamente entendido. Marcado pela ausência de
                          pensamento próprio, origi­nal, o homem de rebanho tem apenas ideias vulgares”.
 
e “Lógica de rebanho” da revista – Super interessante.
                                   “Os animais nem sempre andam em manadas para aumentar as chances de
                          sobrevivência. Às vezes, o bando forma-se por puro acaso. Alguns seguem
                          estratégias impressionantes. Confia na experiência do líder”.
                                                                                   (Revista: Super Interessante. Lógica de rebanho)
 
Mas, a imunidade de rebanho nem sempre se aplica, pois existe sempre
uma alcateia travestida no rebanho.
 
                                                                                              Rerismar Lucena
411

O espírito cíclico da vida.

São Bernardo do Campo – SP. Domingo, 25 de maio de 2020 às: 14hs55.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
É fria a brisa que sopra
Quando o corpo indefeso está ao relento.
 
Olhar fixo no horizonte
A contemplar, os princípios da vida.
          [O nascer e pôr do sol].
 
Alma em aurora rosicler
Corpo sob o relustro do criador.
         [Espírito em Ascensão].
 
Mas, é o tempo que consome
A juventude de teu corpo.
         [nascer, viver, morrer].
---------------------------------------------------
As flores sempre renascem na primavera!
 
 
                                             Rerismar Lucena.
148

O poder existencial de algo (real ou abstrato)

São Bernardo do Campo – SP. Sexta-feira, 1 de maio de 2020 às: 13hs43.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Nota: nessa condição humana onde tudo é incerto, a religião, a existência, a vida [...} tudo é conceito de um pensamento finito moldado na razão ou num sentimento de temor. Gosto do pensamento difuso, confuso pois, na verdade, nada é absolutamente verdade ou mentira. Apenas buscamos uma razão para ser, nesse mar de incertezas quanto a “essência necessária”. 
 
Por inferência, verdade de uma proposição
Deduz-se alcançar à resposta manifesta
Ao perceber que o princípio vital
Se deslustra sobre a loisa fria.
 
Pacientemente algo suscinta  confuso
Do prover do nascer da agonia.
Lacônico comportamento difuso
Entre a morte e a razão, – a teosofia!
 
Ser ascendente, de condição inferior
Onde tudo se põe a declinar.
Símbolos exteriores, visíveis e tangíveis
Da sorte, do orgulho, do azar.
 
De baixo para cima, [o céu] transgrida                                              
De cima para baixo, [o inferno] inflija
À tríade: "pneuma, psykhē, sôma”, se reputa...
- Céu ou inferno? Vida eterna ou morte absoluta?!                              
                                                                                                                          
Ao Romper a nau de sua tormenta,
Em deriva, o Náufrago: a morte, a vida.
 
Na qualidade de candura exposta                                                            
Lençol de inocência, à mostra.
Romper da cornija, de ser promissor
Difusão de partículas de seu criador.
 
                                              (Rerismar Lucena, 01 mai. 2020)

_________________________
Inferência - 1. Raciocínio concluído ou desenvolvido a partir de indícios: a dedução é um tipo de inferência. 2. Processo intelectual segundo o qual é possível chegar a uma conclusão a partir de premissas. 3. Raciocínio através do qual uma proposição é considerada verdadeira pela sua ligação com outras já tidas como verdadeiras; a proposição que se assume como sendo verdadeira.
Proposição - 1. Aquilo que se propõe; sugestão que se faz acerca de alguma coisa; proposta: negamos a proposição do juiz. 2. Sentença passível de comprovação ou não; enunciação. 3. Ação ou efeito de propor, de apresentar, de colocar algo diante de.
Deslustrar - Tirar o lustre de; despolir. [Figurado] Infamar, desonrar.
Loisa - Lâmina de pedra. Ardósia. Lápide, que cobre uma sepultura.
Lacônico - Conciso ou breve; que se expressa através de poucas palavras: texto lacônico, discurso lacônico.
Difuso - 1. Que acabou por se difundir, tornar conhecido; que se consegue espalhar por várias ou todas as direções; disseminado, divulgado. 2. Que se utiliza excessivamente das palavras; prolixo: o discurso político foi difuso. 3. Por se refletirem de maneira confusa, diz-se dos raios (de luz) incapazes de produzir sombras claras.4. [Por Extensão] De contornos confusos e pouco claros.
470

Ao amor

Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 03 de junho de 1994 às 13h09.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Meu amor,
Meu coração busca a ti,
E meus olhos, tua ausência chora.
 
Te vejo em tudo.
Busco o teu cheiro
No leve vento que sopra.
 
Na brisa,
Sinto a ternura de tua face.
 
No sol,
O calor de teu corpo.
 
E na solidão,
A ausência de teu amor!
 
                       Rerismar Lucena
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