INEXATO
Tenho medo.
Medo eu!
Se as vezes me fraquejo,
não significa nada.
Alias... não sou de ferro!
Também sei errar.
Qual resposta?
Durante vários anos
Durante a vida
perguntas me rodeiam:
Será que somos quem pensamos ser?
Eu, pessoa íntregra
pequeno sonhador.
A vida, o que significa?
Viver o tempo
buscando converter-se em vento.
Será que o azul é vermelho?
E o amarelo, é verde?
Vemos sem ver.
Vemos o que é conveniente.
Só mesquinharias!
Morremos ou apenas dormimos o sono da eternidade?
O que somos?
De onde viemos?
Do útero de uma mulher ou por um milagre divino?
Pra onde vamos?
Anjos ou demônios?
Ai meu deus, que confusão!
São tantas perguntas,
pra tão pouca resposta.
AMBIÇÃO HUMANA
Será que os fins justificam os meios?
Ou é preciso ter para ser?
A sobriedade humana impõe padrões de vida,
os vícios contrapõem com os desejos.
Ter dinheiro compra felicidade?
Traz saúde?
O que move o mundo é a ambição.
O que nos condiz é a beleza ou a riqueza?
Somos quem podemos ser,
ou emulamos o espelho?
Nada ou Tudo?
Ser ou ter?
Somente uma resposta: dê a Narciso ou que é de pertence!
Cantiga Angelical
Hoje os anjos cantam a sua glória,
solenemente cantam maravilhas.
Hoje os anjos cantam o seu nome
Maria, João, Júlia ou Margarida.
Hoje os anjos não mais cantam
desgraças, baú d'espantos, solidão!
Cantam tristezas, luto.
Palavras indecifráveis,
cadeados abertos.
Cantaram adeus!
Cronologia
No amanhecer daquela tarde
onde sol e lua se encontravam
numa incandescente luminosidade.
No bailar das estrelas
a noite transformava
num baile de debutantes.
No entardecer daquela manhã
onde sol e passarinhos entonavam
belas melodias de bom dia!
O despertador como sabiá
o acordar era alegremente sutíl.
Entre o dia, a tarde poria a noite
numa escuridão fantasmagorica.
Assim então sobreviveria as corujas,
os sapos à cantar
a melodia do bem-estar.
Entre um dia e outro
surgiu o tempo,
o inimigo da vida!
Fim de ano
No silêncio de uma sala
onde só o barulho dos ventiladores
era possível ouvir.
No compasso da professora
viamos o tempo passar.
Naquele momento, ponho-me
a escrever uma canção:
"onde o tempo não passa
onde a vida se vive
e o barulho se cala,
estarei lá!
descrevendo a vida
entre a caneta e o caderno..."
Olho para o lado e nada percebo
um simples aluno com sua vida
a escrever, tentando colar!
Como se tudo fosse igual
a de um qualquer.
Lamentando seu destino
ponjo-me a chorar...
Qual consequência isso o trará?
Passagem
A partir de hoje
tudo que acreditava passou de água a vinho.
Um futuro incerto, longíquo
vivido antecipadamente na amargurada ansiedade cruel.
Perdi uma parte da vida vendo o tempo passar,
pessoas a sorrir e chorar.
Porém, sem perceber
vi minha vida fluir como enchente debaixo de uma ponte.
Eu vi as horas passar e nada poder fazer,
vi meus sonhos desmoronar em questão de segundos.
Eu me vi envelhecer aos 16 anos.
Foi de tal forma inexplicável.
Eu vi a vida viver para mim.
Também vi, um futuro incerto a ruir!
Um dia qualquer...
A vida a cada dia sabe me surpreender!
A cada detalhe que deixo escapar,
Em cada segundo a se passar,
A cada batida a palpitar...
Sinto que algo se vai.
Da existência sobra somente as lembranças.
Sinto-me um estranho neste vasto universo
Nada faz sentido, exatamente nada.
Tantas coisas acontecem em segundos,
Piscar de olhos,
Uma lágrima a cair
Uma ferida a sangrar
Um eterno que se acaba
Um fim que recomeça...
Confusão, muita bagunça,
Gritos, berros, choro!
Risadas, palmadas, socos e pauladas.
Finais e recomeços.
Guerra e paz!
Amor e ódio, muito ódio!
Triste, me sinto infeliz.
Causa e consequência,
Ação e reação,
Raio e trovão.
Silêncio!
E volta a pulsar...
E começa a chorar...
E retorna a amar...
Confuso, muito confuso!
Amar, viver, sobreviver, morrer
Fim, término e acabou.
Pensar, agir e observar
Flutuar, sim flutuar!
Nas ondas dos sonhos...
Nas expectativas de ser feliz...
Na intenção de amar...
Na vontade de viver,
Perco tempo em detalhes
Preocupo com o tempo
Mas no final sempre esquecemos do básico
A coisa mais simples
Simplesmente... ser feliz!
E foi assim...
No balanço dos teus olhos
Me deixei perder
Entre as maresias
Que me engolia de corpo e alma.
Naquele doce balanço
No bailar da dança
Vi em ti o meu amor.
Mas, naquele mesmo instante
Me vi sozinho entre os escombros
Daquele que uma dia
Me deixei levar.
No balanço do teu olhar.
idas
O que é a vida perante aos olhos juvenis?
Só farra e diversão!
Ninguém nunca imagina o que está por acontecer.
Morte ou tragédia,
Tudo não passa de frações de segundos.
Sonhos que agora são cinzas.
E agora, o que ouvimos?
Só choro!
Lágrimas solitárias a pingar ...