Roberto Martins Gomes Junior

Roberto Martins Gomes Junior

n. 1983 BR BR

Escrevendo por teimosia Contrariando a arte Só por sentir alegria E também pela nuvem Diferente do físico Permite que fique Permite o arquivo

n. 1983-03-28, Rio de Janeiro

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Desses que Passam


O covarde se aproveita da condição de superioridade, quase sempre temporária, para se favorecer, ou simplesmente oprimir e humilhar. É cruel e está condenado sem fazer ideia disso.
O mesquinho possui algo que não precisa e mesmo assim não compactua, não divide. Não possui consciência contributiva e geralmente é infeliz, e não percebendo sua tristeza, permanece nela, só. 
O mal caráter abrange os anteriores e o mal caratismo que cada um, que todos já esbarramos. E assim como os tais, é irrecuperável!
Esses não passarão!!
O imbecil. O imbecil está aqui, ali, é a massa, o que mantém o status quo. É a manobra necessária aos meios. É o que temos pena, que passa pelo tempo sem que a ele afete. É o coitado que achamos...
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Poemas

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Desses que Passam


O covarde se aproveita da condição de superioridade, quase sempre temporária, para se favorecer, ou simplesmente oprimir e humilhar. É cruel e está condenado sem fazer ideia disso.
O mesquinho possui algo que não precisa e mesmo assim não compactua, não divide. Não possui consciência contributiva e geralmente é infeliz, e não percebendo sua tristeza, permanece nela, só. 
O mal caráter abrange os anteriores e o mal caratismo que cada um, que todos já esbarramos. E assim como os tais, é irrecuperável!
Esses não passarão!!
O imbecil. O imbecil está aqui, ali, é a massa, o que mantém o status quo. É a manobra necessária aos meios. É o que temos pena, que passa pelo tempo sem que a ele afete. É o coitado que achamos...
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Desencantos

Triste noite de desencantos

Seria entendido caso você soubesse meus desejos?

E os riscos?

Meus medos seriam interpretados de que forma?

Pouco me importa o ridículo a que me exponho

O que me impede de te contar é que talvez queira me ajudar

E isso eu não aceito

Vaidade?

Não carrego esse fardo como os outros

É que sou assim

Solitário das minhas tristezas

E que elas façam o que se propõem a fazer

Só aqui

Só comigo
175

Que Tal Parar

E agora como parar
Sempre a mesma menção
Não existe mais tema

Sempre haverá

E aí,
Continuo?
Se fosse diálogo
A resposta era não
Monólogo. contudo
Que outra opção

Sábado de sol
Dia lindo
Escrevia ao nascer
É verão?

Crianças e velhos
Pioneiros no som
Panelas e gritos
Que bom

Escrevendo como nunca
Deveria ter começado
182

Estações

Imenso quanto não é meu
Distante do fonema
Foram as palavras
Foram os versos
Que ela escolheu
E repete...

O motivo
Por que agradece?
Repara
Não lembro
E não continua
Para

E permanece
Companhia
Ah! sim
Queres término, seja por mim
Seja por nada, agora
Cala

É verão
Outono
O cigarro que apaga
“o fogo das coisas que são”
Sabe cantar
E conhece...
Canta suave
Menos que grave
Menos que sabe
Reconheço ou reconhece?

Se diz má
“olha o sopro do dragão”
E sente saudade
Voltou a falar
Não sei o que foi
Mas levou a sentir
Nem vou perguntar
Nem quero saber
Covarde!
Já sabe de mim

Vai chorar?
Nem vou ver
“sonhos semeando um sonho real”
Já disse
Não quero saber!
165

Amigos Cotidianos

São dias noturnos estes
Que aos pares
Poucos permanecem
E poupam a mim
Aos demais,
Entristecem

Convívios
Relapsos sorteios
Sortes oportunas
Tal qual suas vidas
Pureza entremeios
No mais,
Bem-vindas
 
Indecentes
Desacreditas
Os Imorais
Eu e você e quem mais?
Pouquíssimo respeito
Egoísta que sou
No mínimo,
Aproveito
198

Rose - escrito anteontem

Tentei o quanto pude desconsiderar a morte do meu tio. Ignorei comentários e passei pelo seu enterrar como quem ali não esteve.
Pensei muito na minha mãe e o quanto ela o amava e, covardemente fortalecido, me mantive imune, fugindo...
A pegadinha, os tombos do domingão, a comida da minha mãe, a música que toca – que tocava nossos corações -, o torresmo do bar, o robalo do meu e-mail, o sarcasmo da minha alma, o resto todo... tanta coisa cotidiana e nossa, tanta coisa! Hoje não consigo mais não querer acreditar. Pensar que nunca mais teremos esses momentos bobos, que só a gente entendia e que à mim, amenizava um pouco disso tudo que é a vida. Pensar que nunca mais verei meu tio me aperta o coração com tanta força que chega a doer por fora.
E acabo por remoer e relembrar que sou o que sou, muito do que sou, por ele, apesar do desinteresse natural por ensinar, proeminente da sua personalidade, – por mais que não seja aprender o que dele ficou comigo - aprendi. Naturalmente perspicaz se tornou minha referência, meu anti-herói.
Sorrio agora com ternura ao lembrar de ter dito isso a ele. A reação em seu rosto, em seus olhos contidos, e que aos meus embaraçam, não poderia ser mais nítida.
Sinto saudade do meu amigo, muita saudade! Assim como um vício, um saber que ele seguirá comigo até o final.
182

Devaneios

Não sei bem o que há, já não sei o que fazer porque não aceito nenhuma alternativa. Todas são pequenas ou mesquinhas, ou talvez eu que tenho sido. Fato que estou desanimado e socialmente perdido (nesta sociedade perdida). Não tenho me encaixado nas exigências e nem feito questão de me encaixar. Apelo novamente pela covardia do tempo, que finge saber tudo mas na verdade nunca aprende, um pouco como eu.
195

A vida

Com toda a certeza que nunca tive, mesmo antes de saber, afirmo: a vida é, foi e sempre será este eterno querer estar. Noutra sensação. Pera, não! Claro que não! To achando que sou quem? Explico: Explico? Ok, explico: pela primeira vez quis ser aqui e agora o que sou. E nisso derramei minha descoberta-devaneio pelo ralo. - Que descoberta, obtuso! Claro que nada disso aconteceu. Foda-se, quem saberá! Que escafandristas futuros descubram... Sim claro, serei objeto de pesquisas futuras.
Pausei, enchi o copo e voltei, ufa. A maioria não volta desse buraco negro.
Por incrível, continuo firmando que é isso mesmo, queremos do tempo o próximo e o anterior. Peço desculpas pela limitação da nossa ciência, que ao tempo, não permite mais do que antes e depois. O agora? Cadê? Pedir desculpas, quem sou eu perante a limitada ciência... Só sei que é isso mesmo. A vida é dos encontros e do não estar onde estamos.
Ou qualquer outra coisa...
206

De 2016, Pós Golpe e Sem Arte

E essa nossa classe média que respalda com afinco as "reformas" e privatizações, mas em sua grande maioria não fazem idéia da própria condição de meros proletários, e que estão a perder com tudo isso. Sequer percebem que são usuários e também beneficiados pelos serviços e poupanças públicas. Talvez nao diretamente da saúde ou educação, exceto universidades, mas dependem sim; da previdência, por mais que possuam seus PGBL's.; dos direitos trabalhistas, que por sinal conquistados pela luta desses tais vermelhos, os tais vagabundos e loucos, esses mesmos que se costumam mandar à Cuba. E assim nossos meritocráticos são traídos pela própria cegueira ao acharem que são eles os capitalistas e não, explorados. Contudo, iludidos por alcançar o andar de cima sao facilmente mantidos sob controle, adestrados e produzindo a riqueza que não usufruem. Ou pior, especulando essas ilusões que inevitavelmente acabam em bolhas, que de tempos em tempos explodem nos mais pobres, mas isso é outra onda. Voltando, e só para ilustrar, as marionetes do carnaval retrataram muito bem o burguês contemporâneo. E assim, nesse emaranhado de egoísmo, mesquinhez, burrice (burrice dos que tiveram oportunidade) e até ódio, os médios são levados a promover o individualismo das reformas e privatizações, aspirando não pagar pelo que concluem não precisar. São mais uma vez facilmente manipulados pois continuarão pagando, mas agora ao verdadeiro Capitalista. E perdem mais uma vez a oportunidade de tornarem-se parte, de comporem um todo, de viver numa comunidade unida e justa, generosa e solidária. É um pouco disso que a História ensina, que somos fortes quando juntos e talvez por isso, queiram tanto nos separar.
204

Bicho Homem

Passarinho curioso
Inevitável natureza
Ao sair do ninho
Espatifa no chão
Para nossa tristeza
Indiferente pra ti?
Malvadeza

Alimento pra cobra
No distrair da passarinha
Faz parte da obra
Mantém-se em linha
Perfeita a natureza
Pois necessário é o réptil
Cadeia alimenta
E tudo caminha
 
É feio e cruel
Quando flagrado por ti
Enquanto polui ou desmata
Alegra-te e sorri?  
Ou simplesmente ignora
É também que se mata
Não é triste nem trágico
É o capital que transforma
Emoções distorcidas
E sem sequer perceber
Retornas ao primata

Hipocrisia inerente
À natureza do homem
O pior animal
O que a si se engana
Não nos importamos 
Obedientes soldados
Fingimos não termos  
Consciência que somos
Das verdadeiras maldades
Os únicos culpados
211

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