Fragmentos do Quarto Dia de Abril
Desproposital e desnecessariamente cá, novamente, me exponho. Exposição esta que a ti permito o julgamento, caso julgues. Despreparado confundo-me com o gênero. Modesto, humilde ou frouxo já não, caso precipitadamente conceitues.
Prossigo, portanto, como quem anda por andar sem ter ou saber por onde ou pra onde ir. Jimi produzindo o som recorrente que me chama a atenção e me alegra por ele ser ele. Por ele existir e por estar aqui. Cuidamos um do outro com o que temos.
Teimoso, o sol logo lembrará que é tempo de produzir e mensuramo-nos, que obedientes rotulamo-nos, monitorados fazemo-nos convenientes. Exploramo-nos pela posse, para acumularmos. Lembrará - o astro - que estou aqui servente, talvez a melhor definição. Lembrará, contudo, que o dia nasce, que podemos nascer com ele. Lembrará também que logo verei minha mãe novamente e que tenho saudades dela e que a amo. Eu torço pra que seja legal, como deveria ser, mesmo sabendo que pra ela, eu faço tudo errado e talvez ela esteja certa.
Penso na Paula, minha pequena... que por vezes, algumas, me quer por perto. E renasço como o dia e bato, ou melhor, apanho. Penso no meu pai – que espera bem mais de mim – e que não sou o filho ideal, apesar do esforço, do pouquíssimo esforço que faço, por mera preguiça. Penso no Bruno que me faz companhia. Ouço a música, cuja língua não entendo, mas por ser música sinto.
Continuo pensando. Elton John rolando na vitrola que hoje é tv a cabo...
Bruno fala e eu escuto, concordo e não faço ideia do que seja, não é opção. Acho que é o fim, hoje vou dispensar o amanhecer e tentar dormir.
Devaneios de 2018
Apesar de todos os agentes que inevitavelmente influenciaram e provavelmente impulsionaram meus sentidos, fui contemplado por uma sensação que há muito não me ocorria. Uma coisa nova, pura, tentadora e inadiável. Tive nesse dia uma nova onda de vontade, uma força que vai arrastar tudo pra onde eu nao sei. Que seja! Que venha de qualquer forma e leve o que tiver que levar. Está afirmado assim. Sem certezas, como deve ser e da forma que for, continuará afirmado no infinito das suas repetições.
Devaneios Antigos
3:30h e pela minha fama, prefiro escrever aqui e não publicar, o que pensando melhor é bem mais sensato. Apesar da insônia não ser decorrente de nada químico, por mais difícil que pareça verdade para alguns que provavelmente nem tomarão conhecimento . So para esclarecer, a sensatez diz respeito ao conteúdo mesmo, que é desprezível. Até porque até agora nao pensei em nenhum. É que venho remoendo alguns fatos recentes e quanto mais tento entender mais distante fico da tal compreensão. Talvez não haja nem o que entender, mas mexeu comigo, com ego e minhas escolhas, meus caminhos. Não tenho encontrando um norte e filosoficamente não me incomoda, mas vai acabar incomodando por que as coisas são assim e a covardia a que somos submetidos me força a seguir esse caminho torto que a sociedade nos impõe. Me querem inserido, trabalhando no que não acredito mais, tributável e competitivo. E essa será minha batalha. Batalhar contra mim mesmo para satisfazer os desejos. Todos os desejos que nao tenho.
Ana Paula
Amor,
Do meu amor, dos amores que tive
Desses que fazem parte do que somos
Pelo menos comigo, faz parte do que sou
Desses que me lembro numa música, nos cotidianos
Dos que não lembro e não vou lembrar mais
Ou não, quem sabe...
Mas que também foram amados
Amáveis e belos e não menos amor
Se foram, é certo, mas foram
E o que é minha memória para decidir?
Mas o amor desta pequena tem uma coisa
Que é ela, que sempre será
Que me quer mais do que sei sentir
Que cuida de mim, que é mais minha amiga
Que meus melhores amigos, que sempre julguei
Que não se afoba, pois é eterno
Por que não é nosso, é livre
Que será sempre amável,
Que contraria o tempo
Não é linear, nem contínuo
Desmistifica a ciência, provando que nada se prova
E isso por que essa mulher é única
E mexe com o mundo, com o meu mundo
É dela que falo que sou muito
Sou do tamanho do que posso ver
Com a imodéstia que não me restringe
Eu afirmo que sou mais eu
Sou mais eu por que é nela que
Me vejo
Narciso cujo reflexo não me afogo
É nela que vejo amor dos encontros do mundo
É nela que me garanto
Nela que me afirmo
E que mais uma vez plagiando, repito
Amor, você já sabe!
“Sou mais eu por que sou você”
Devaneios Outros - De 2017, acho
La fora as coisas continuam a todo vapor, naquela correria ao nada. Todos em sentido horário e eu aqui sem saber que horas são. O que me inquieta é o pouco tempo que tenho até o desespero (o que já é um pouco de desespero). Não tenho escolha, minha vida sempre será seguir esse fluxo da massa e me inserir. Por mais covarde que isso seja.
Dos Sonhos e do Plágio
A beleza de saber que não sou nada
E que não posso nada querer
Esvaiu-se nessa minha certeza
De não ter mais os sonhos de outrora
E que o mundo sem eles nada tem a perder
Tudo isso é muito justo
O esforço que fiz foi enorme
Mesquinho, ridículo, infantil e esnobe
Quem discordar do que digo
Ou é só um amigo
Ou um coitado, pueriu e inculto
E assim, aos poucos e mais depressa
Progressivamente, talvez geométrica
Vou assim, caminhando inerte e sem rumo
Nao vejo mas os tais sonhos
Consolo do nada que somos pro mundo
Peço desculpas, e contudo me culpo
Assim mesmo, sem saber o que sou
E sem a força do poeta que sonha
Nada mais a fazer
Me recolho e me vou