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Roberto Martins Gomes Junior

Roberto Martins Gomes Junior

n. 1983 BR BR

Escrevendo por teimosia Contrariando a arte Só por sentir alegria E também pela nuvem Diferente do físico Permite que fique Permite o arquivo

n. 1983-03-28, Rio de Janeiro

Perfil
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Fragmentos do Quarto Dia de Abril

Desproposital e desnecessariamente cá, novamente, me exponho. Exposição esta que a ti permito o julgamento, caso julgues. Despreparado confundo-me com o gênero. Modesto, humilde ou frouxo já não, caso precipitadamente conceitues. 
Prossigo, portanto, como quem anda por andar sem ter ou saber por onde ou pra onde ir. Jimi produzindo o som recorrente que me chama a atenção e me alegra por ele ser ele. Por ele existir e por estar aqui. Cuidamos um do outro com o que temos.
Teimoso, o sol logo lembrará que é tempo de produzir e mensuramo-nos, que obedientes rotulamo-nos, monitorados fazemo-nos convenientes. Exploramo-nos pela posse, para acumularmos. Lembrará - o astro - que estou aqui servente, talvez a melhor definição. Lembrará, contudo, que o dia nasce, que podemos nascer com ele. Lembrará também que logo verei minha mãe novamente e que tenho saudades dela e que a amo. Eu torço pra que seja legal, como deveria ser, mesmo sabendo que pra ela, eu faço tudo errado e talvez ela esteja certa.
Penso na Paula, minha pequena... que por vezes, algumas, me quer por perto. E renasço como o dia e bato, ou melhor, apanho. Penso no meu pai – que espera bem mais de mim – e que não sou o filho ideal, apesar do esforço, do pouquíssimo esforço que faço, por mera preguiça. Penso no Bruno que me faz companhia. Ouço a música, cuja língua não entendo, mas por ser música sinto.
Continuo pensando. Elton John rolando na vitrola que hoje é tv a cabo...
Bruno fala e eu escuto, concordo e não faço ideia do que seja, não é opção. Acho que é o fim, hoje vou dispensar o amanhecer e tentar dormir.
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Poemas

16

Que Tal Parar

E agora como parar
Sempre a mesma menção
Não existe mais tema

Sempre haverá

E aí,
Continuo?
Se fosse diálogo
A resposta era não
Monólogo. contudo
Que outra opção

Sábado de sol
Dia lindo
Escrevia ao nascer
É verão?

Crianças e velhos
Pioneiros no som
Panelas e gritos
Que bom

Escrevendo como nunca
Deveria ter começado
184

Devaneios Antigos

3:30h e pela minha fama, prefiro escrever aqui e não publicar, o que pensando melhor é bem mais sensato. Apesar da insônia não ser decorrente de nada químico, por mais difícil que pareça verdade para alguns que provavelmente nem tomarão conhecimento . So para esclarecer, a sensatez diz respeito ao conteúdo mesmo, que é desprezível. Até porque até agora nao pensei em nenhum. É que venho remoendo alguns fatos recentes e quanto mais tento entender mais distante fico da tal compreensão. Talvez não haja nem o que entender, mas mexeu comigo, com ego e minhas escolhas,  meus caminhos. Não tenho encontrando um norte e filosoficamente não me incomoda, mas vai acabar incomodando por que as coisas são assim e a covardia a que somos submetidos me força a seguir esse caminho torto que a sociedade nos impõe. Me querem inserido, trabalhando no que não acredito mais, tributável e competitivo. E essa será minha batalha. Batalhar contra mim mesmo para satisfazer os desejos. Todos os desejos que nao tenho.
181

Devaneios Outros - De 2017, acho

La fora as coisas continuam a todo vapor, naquela correria ao nada. Todos em sentido horário e eu aqui sem saber que horas são. O que me inquieta é o pouco tempo que tenho até o desespero (o que já é um pouco de desespero). Não tenho escolha, minha vida sempre será seguir esse fluxo da massa e me inserir. Por mais covarde que isso seja.
180

Desencantos

Triste noite de desencantos

Seria entendido caso você soubesse meus desejos?

E os riscos?

Meus medos seriam interpretados de que forma?

Pouco me importa o ridículo a que me exponho

O que me impede de te contar é que talvez queira me ajudar

E isso eu não aceito

Vaidade?

Não carrego esse fardo como os outros

É que sou assim

Solitário das minhas tristezas

E que elas façam o que se propõem a fazer

Só aqui

Só comigo
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Desses que Passam


O covarde se aproveita da condição de superioridade, quase sempre temporária, para se favorecer, ou simplesmente oprimir e humilhar. É cruel e está condenado sem fazer ideia disso.
O mesquinho possui algo que não precisa e mesmo assim não compactua, não divide. Não possui consciência contributiva e geralmente é infeliz, e não percebendo sua tristeza, permanece nela, só. 
O mal caráter abrange os anteriores e o mal caratismo que cada um, que todos já esbarramos. E assim como os tais, é irrecuperável!
Esses não passarão!!
O imbecil. O imbecil está aqui, ali, é a massa, o que mantém o status quo. É a manobra necessária aos meios. É o que temos pena, que passa pelo tempo sem que a ele afete. É o coitado que achamos...
173

Estações

Imenso quanto não é meu
Distante do fonema
Foram as palavras
Foram os versos
Que ela escolheu
E repete...

O motivo
Por que agradece?
Repara
Não lembro
E não continua
Para

E permanece
Companhia
Ah! sim
Queres término, seja por mim
Seja por nada, agora
Cala

É verão
Outono
O cigarro que apaga
“o fogo das coisas que são”
Sabe cantar
E conhece...
Canta suave
Menos que grave
Menos que sabe
Reconheço ou reconhece?

Se diz má
“olha o sopro do dragão”
E sente saudade
Voltou a falar
Não sei o que foi
Mas levou a sentir
Nem vou perguntar
Nem quero saber
Covarde!
Já sabe de mim

Vai chorar?
Nem vou ver
“sonhos semeando um sonho real”
Já disse
Não quero saber!
165

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