Romildo de Souza Silva “nasci em Pontes e Lacerda – MT no ano de 1991, mas me mudei para Santana de Parnaíba-SP com menos de um ano de idade. Sou novo poeta Brasileiro e trago em meus poemas uma expressão literária, não muito culta, mas uma linguagem popular, a qual vivenciei tanto nos ambientes periféricos, quanto nos ambientes centralizados”.
A energia poética começou a circular em minha vida desde muito cedo. “Sempre enfeitava as palavras para trazer um tom mais agradável e diferente daquele robusto e grosseiro do qual vivenciei”. Mas como não tinha muita prática de escrita, na maioria das vezes meus poemas ficavam soltos para o universo.
Em 2010, quando estava terminando o ensino médio, na escola Prof. Ruth de Azevedo Silva Rodrigues, em Santana de Parnaíba – SP, passei a ter mais propriedade com o poema, tanto na parte escrita, quanto na parte declamada.
Em 2011, comecei a fazer aulas de teatro no instituto SU-FRUTOVERDEUS, cheguei a participar de várias peças tea-trais, sendo que uma delas ficou muito popular pela região. A peça “UM MORRO E DUAS CIDADES NUM PLANETA ENFERMO”, do meu conceituado professor e diretor Weber Carvalho, o Teixeira.
Então passei a atuar no instituto, com a realização de teatro nas escolas, tapete literário nas praças e em eventos artísticos. Isto é, levávamos os livros até as pessoas para que elas criassem gosto pela leitura. Com isso comecei a participar de saraus, pelos quais eu me apaixonei. “O sarau sem dúvida é a parte inicial para que qualquer artista que está se descobrindo, possa se encontrar, usando todas as ferramentas que atuam no sub-consciente de seu interior”.
Em 2013, me retirei do instituto SUFRUTOVERDEUS, para seguir com a “COMPANHIA MOVIMENTO DE DRA-MATURGIA RURAL”, um grupo de educadores que começou a desenvolver a construção de suas próprias histórias e trazer o conceito de que cada um é capaz de produzir algo com grande poder de transformação. Nisso passei a dar aulas de teatro. Tive o maior prazer de montar a peça “QUE CHEIRO É ESSE SENHORES? ” Questionando o público, o porquê do rio TIETÊ ter um cheiro que nos mata aos poucos. E na apresentação tinha apenas atores mirins, sendo a maioria deles, os meus ir-mãozinhos.
E no decorrer desse estágio artístico que tive o maior prazer de fazer parte, sensibilizei-me mais pela poesia, tanto na percepção, quanto na materialização do pensamento poético. Foi então que publiquei meu primeiro livro “PENSAMENTOS EM POEMA”, um trabalho que me deu base para continuar aprendendo. E agora chego no segundo livro “POESIAS” com sentimento de muita compaixão comigo mesmo e com o mundo.
Não a beijei Simplesmente me gozei! Apenas porque dancei.
Amei, Sonhei, Voei, “namorei”
Dois para lá, dois para cá.
Dentro do compasso!
O poeta A deusa
Coladinhos no espaço...
266
Partida
Quando partimos chegamos em algum lugar. Quando chegamos em algum lugar, ficamos na memória, das pessoas que aprenderam a amar.
Nossa jangada tem a proteção de Yemanjá, Nossa deusa! Nossa rainha do mar.
E entre as águas de meu Deus, olho para o céu, vejo meu eu... E cântico também para os teus.
Sou pescador, guiado pelo senhor... E mesmo com muita dor, tenho que partir de meu amor.
205
Mãe
Ainda continua como uma menina. Digo no bom sentido! Ainda tem a delicadeza de escolher um belo vestido, ainda tem um olhar revestido de amor. Ainda cuida de nós como se cuida de uma flor.
Tem um sentido incalculável, uma amizade verdadeira, Mulher amável, mulher guerreira.
Pena que o calendário te reserva só um dia! Na real... Dia de mãe é todo dia.
Os pássaros cantam para você! Você consegue perceber? Assim como eu estou aqui para te dizer... Com nobre licença, e com verdadeira essência... “Hoje compreendo a sua experiência”.
298
Tietê
Um rio cheio de lágrimas que se escorre solitário rumo ao sertão, cheio de solidão.
Um rio que... lentamente vai, vai para bem longe do mar, um rio que não aprendemos a amar.
Lá no fundo é um rio que respira, tentando entender toda esta ira. E reciclando todo descaso, todo cinismo, todo pecado. se mantém escuro, solitário, pesado.
Salve! Meu rio tietê! Um rio que todo mundo vê, fingindo não entender.
194
Tempo sem fim
Preso num tempo, num tempo tempestuoso. Sem abrigo, sem amigo, sem amor. Um tempo de muita dor.
Não tendo social, somente discriminação racial; Brancos contra Negros Negros subordinados por poucos brancos.
Tipo cadeia alimentar, sem dialogar, sem saber se construir, sem se socializar.
Que tempo é esse? Tempo sem fim.
187
Sereias
BANHADAS PELAS sagradas águas Do mar. MORADIA De Yemanjá.
Em seu canto. Maravilhas, Poesias.
Coisas que poeta gosta de observar, Sereias do mar... A poesia mora nesse sagrado lar.
Por uma irei me apaixonar. Mas se quiser voar... PODE VOAR.
O poeta faz parte do céu. O poeta faz parte do mar. Ele é filho do Divino, ele é filho de Yemanjá.
182
Sobre peido
Um peida daqui, outro peida dali. Em momento algum deixamos de peidar.
Às vezes peidamos equivocados, soltamos o aprisionado e ficamos calados.
Nos calamos também com o peido alheio, olha que tem peido alheio o dia inteiro.
Ninguém assume seu peido, ninguém assume sua mão amarela, mas comemos da mesma panela.
Se peido fosse informação, estaria tudo fedido... E nessa grande peidação, soltar um peidão, pode causar mais odor na informação.
159
O futuro
O futuro é como a utopia, serve para que continuamos caminhando, nos putrificando dia a dia.
Construindo memórias, fazendo parte das falsas histórias, definindo o que é certo, mesmo com opinião incerta.
“Certo é ver a lua... Correr loucamente na rua, falar com as estrelas, navegar, dormir e poder recitar no luar”.
“Acordar na aurora, ensinar as crianças, reanimar a esperança. Acreditando no presente, na poesia consciente, no sol que ainda brilha”.
“Em Alepo não tem mais sol, não tem mais futuro, apenas corpos duros”.
239
A vida
A vida é simplesmente a vida, porém, várias interpretações o tempo todo, estão sendo impostas na vida.
Há aqueles que veem com clareza, há falantes que não entendem onde está sua beleza.
Há também, mórbidos cansados de ouvir... A sutil cantoria dos pássaros, que, em cada compasso, criam ritmo e a orquestra se faz por si só.
A vida é simplesmente a vida. Bom! E quando se trata da vida, sentimos o quanto somos delicados, nos policiamos, vemos que somos abusados.
Viver é simples. Agora entendo como é difícil ser simples, corremos, rastejamos, clamamos! Nos endeusamos...
Será que vivemos?! Ou nos escondemos?
272
Trabalhadores
Números, números, números. Sem alma, sem vida, números!
Prisioneiros, carrascos monótonos. Assalariados perdidos no tempo. Tempo planejado sem erro, sem piedade.
Números humanos, números domados.
Homens números! Números homens, uma mistura só; coisa da cidade.