Lista de Poemas

Tietê


Um rio cheio de lágrimas
que se escorre solitário
rumo ao sertão,
cheio de solidão.

Um rio que...
lentamente vai,
vai para bem longe do mar,
um rio que não aprendemos a amar.

Lá no fundo é um rio que respira,
tentando entender toda esta ira.
E reciclando todo descaso,
todo cinismo,
todo pecado.
se mantém escuro,
solitário,
pesado.

Salve! Meu rio tietê!
Um rio que todo mundo vê,
fingindo não entender.
174

Partida


Quando partimos
chegamos em algum lugar.
Quando chegamos em algum lugar,
ficamos na memória,
das pessoas que aprenderam a amar.

Nossa jangada tem a proteção de Yemanjá,
Nossa deusa!
Nossa rainha do mar.

E entre as águas de meu Deus,
olho para o céu,
vejo meu eu...
E cântico também para os teus.

Sou pescador,
guiado pelo senhor...
E mesmo com muita dor,
tenho que partir de meu amor.
183

Amando ela


Não a beijei
Simplesmente me gozei!
Apenas porque dancei.

Amei,
Sonhei,
Voei,
“namorei”

Dois para lá,
dois para cá.

Dentro do compasso!

O poeta
A deusa

Coladinhos no espaço...
250

Mãe


Ainda continua como uma menina.
Digo no bom sentido!
Ainda tem a delicadeza de escolher um belo vestido,
ainda tem um olhar revestido de amor.
Ainda cuida de nós como se cuida de uma flor.

Tem um sentido incalculável,
uma amizade verdadeira,
Mulher amável,
mulher guerreira.

Pena que o calendário te reserva só um dia!
Na real... Dia de mãe é todo dia.

Os pássaros cantam para você!
Você consegue perceber?
Assim como eu estou aqui para te dizer...
Com nobre licença,
e com verdadeira essência...
“Hoje compreendo a sua experiência”.
277

Minhas mãos


Minhas mãos queimam,
meu mundo queima,
meu suor fede,
minhas palavras tão pouco se evocam manifesto.

Desse mundo quero meu silêncio...
Das plantas quero o perfume,
das crianças quero o sorriso,
dos rios quero a água fluente,
da nossa gente, fico descontente.

Minhas mãos queimam,
minha pátria se divide,
meus companheiros se dividem.

Do amanhã nada duvido,
“o mundo está todo corrompido”.
214

Sem sentido


Estudamos com tudo,
no fim ganhamos um canudo.

Trabalhamos,
buscamos melhorar o mundo!
No fim das contas perdemos tudo.

Perdemos o direito,
perdemos o respeito,
perdemos até a moral!
E comemoramos tudo no carnaval.

Continuamos pelejando
e por fim alcançamos o natal.
151

Nossa velhice


A cada segundo
nossa velhice tira sarro de nossa juventude.
A curiosidade se desespera,
queremos ver o tempo passar.
Queremos ver o futuro.

Então modificamos nossos traços,
tentamos atingir uma maturidade,
avançamos na idade,
depois caímos em fragilidade.

Queremos que o segundo passe,
sem noção!
Sem direção.
Só queremos que o tempo passa.
Porque o futuro é estar sempre lá.
210

Sobre peido


Um peida daqui,
outro peida dali.
Em momento algum
deixamos de peidar.

Às vezes peidamos equivocados,
soltamos o aprisionado
e ficamos calados.  

Nos calamos também
com o peido alheio,
olha que tem peido alheio o dia inteiro.

Ninguém assume seu peido,
ninguém assume sua mão amarela,
mas comemos da mesma panela.

Se peido fosse informação,
estaria tudo fedido...
E nessa grande peidação,
soltar um peidão,
pode causar mais odor na informação.
142

Num sábado qualquer de abril


Os carros passam,
as pessoas passam,
os pássaros dormem,
as crianças dormem,
os minutos passam.
“A vida passa”.
O poeta fica e acompanha a solidão,
junto do frio e do gélido coração.
216

Demarcação já


Índio indigente!
Ha! Dá um tempo minha gente.
Sou um povo ancestral,
guerreiro, inteligente.

Da nossa terra sabemos cuidar.
Salve Xingu!
Salve Mãe terra!
Viva o povo tupinambá.

“Opressão nenhuma vai nos derrubar”.
Minha terra vou demarcar.
Europeu invadiu.
Agora quer nos exterminar.
Assim não dá.

Essa versão da história não vai nos derrubar.
Nossa pré-história sabemos contar.
Nossa cultura não tem ruptura.
Vamos derrubar esta ditadura.

Índio vive, índio morre.
Mas nossa terra ninguém vai tomar.
Demarcação já.
242

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Romildo de Souza Silva “nasci em Pontes e Lacerda – MT no ano de 1991, mas me mudei para Santana de Parnaíba-SP com menos de um ano de idade. Sou novo poeta Brasileiro e trago em meus poemas uma expressão literária, não muito culta, mas uma linguagem popular, a qual vivenciei tanto nos ambientes periféricos, quanto nos ambientes centralizados”. A energia poética começou a circular em minha vida desde muito cedo. “Sempre enfeitava as palavras para trazer um tom mais agradável e diferente daquele robusto e grosseiro do qual vivenciei”. Mas como não tinha muita prática de escrita, na maioria das vezes meus poemas ficavam soltos para o universo. Em 2010, quando estava terminando o ensino médio, na escola Prof. Ruth de Azevedo Silva Rodrigues, em Santana de Parnaíba – SP, passei a ter mais propriedade com o poema, tanto na parte escrita, quanto na parte declamada. Em 2011, comecei a fazer aulas de teatro no instituto SU-FRUTOVERDEUS, cheguei a participar de várias peças tea-trais, sendo que uma delas ficou muito popular pela região. A peça “UM MORRO E DUAS CIDADES NUM PLANETA ENFERMO”, do meu conceituado professor e diretor Weber Carvalho, o Teixeira. Então passei a atuar no instituto, com a realização de teatro nas escolas, tapete literário nas praças e em eventos artísticos. Isto é, levávamos os livros até as pessoas para que elas criassem gosto pela leitura. Com isso comecei a participar de saraus, pelos quais eu me apaixonei. “O sarau sem dúvida é a parte inicial para que qualquer artista que está se descobrindo, possa se encontrar, usando todas as ferramentas que atuam no sub-consciente de seu interior”. Em 2013, me retirei do instituto SUFRUTOVERDEUS, para seguir com a “COMPANHIA MOVIMENTO DE DRA-MATURGIA RURAL”, um grupo de educadores que começou a desenvolver a construção de suas próprias histórias e trazer o conceito de que cada um é capaz de produzir algo com grande poder de transformação. Nisso passei a dar aulas de teatro. Tive o maior prazer de montar a peça “QUE CHEIRO É ESSE SENHORES? ” Questionando o público, o porquê do rio TIETÊ ter um cheiro que nos mata aos poucos. E na apresentação tinha apenas atores mirins, sendo a maioria deles, os meus ir-mãozinhos. E no decorrer desse estágio artístico que tive o maior prazer de fazer parte, sensibilizei-me mais pela poesia, tanto na percepção, quanto na materialização do pensamento poético. Foi então que publiquei meu primeiro livro “PENSAMENTOS EM POEMA”, um trabalho que me deu base para continuar aprendendo. E agora chego no segundo livro “POESIAS” com sentimento de muita compaixão comigo mesmo e com o mundo.