Romildo

Romildo

n. 1991 -- --

n. 1991-06-16, Pontes e Lacerda

Perfil
7 364 Visualizações

Tietê


Um rio cheio de lágrimas
que se escorre solitário
rumo ao sertão,
cheio de solidão.

Um rio que...
lentamente vai,
vai para bem longe do mar,
um rio que não aprendemos a amar.

Lá no fundo é um rio que respira,
tentando entender toda esta ira.
E reciclando todo descaso,
todo cinismo,
todo pecado.
se mantém escuro,
solitário,
pesado.

Salve! Meu rio tietê!
Um rio que todo mundo vê,
fingindo não entender.
Ler poema completo
Biografia
Romildo de Souza Silva “nasci em Pontes e Lacerda – MT no ano de 1991, mas me mudei para Santana de Parnaíba-SP com menos de um ano de idade. Sou novo poeta Brasileiro e trago em meus poemas uma expressão literária, não muito culta, mas uma linguagem popular, a qual vivenciei tanto nos ambientes periféricos, quanto nos ambientes centralizados”. A energia poética começou a circular em minha vida desde muito cedo. “Sempre enfeitava as palavras para trazer um tom mais agradável e diferente daquele robusto e grosseiro do qual vivenciei”. Mas como não tinha muita prática de escrita, na maioria das vezes meus poemas ficavam soltos para o universo. Em 2010, quando estava terminando o ensino médio, na escola Prof. Ruth de Azevedo Silva Rodrigues, em Santana de Parnaíba – SP, passei a ter mais propriedade com o poema, tanto na parte escrita, quanto na parte declamada. Em 2011, comecei a fazer aulas de teatro no instituto SU-FRUTOVERDEUS, cheguei a participar de várias peças tea-trais, sendo que uma delas ficou muito popular pela região. A peça “UM MORRO E DUAS CIDADES NUM PLANETA ENFERMO”, do meu conceituado professor e diretor Weber Carvalho, o Teixeira. Então passei a atuar no instituto, com a realização de teatro nas escolas, tapete literário nas praças e em eventos artísticos. Isto é, levávamos os livros até as pessoas para que elas criassem gosto pela leitura. Com isso comecei a participar de saraus, pelos quais eu me apaixonei. “O sarau sem dúvida é a parte inicial para que qualquer artista que está se descobrindo, possa se encontrar, usando todas as ferramentas que atuam no sub-consciente de seu interior”. Em 2013, me retirei do instituto SUFRUTOVERDEUS, para seguir com a “COMPANHIA MOVIMENTO DE DRA-MATURGIA RURAL”, um grupo de educadores que começou a desenvolver a construção de suas próprias histórias e trazer o conceito de que cada um é capaz de produzir algo com grande poder de transformação. Nisso passei a dar aulas de teatro. Tive o maior prazer de montar a peça “QUE CHEIRO É ESSE SENHORES? ” Questionando o público, o porquê do rio TIETÊ ter um cheiro que nos mata aos poucos. E na apresentação tinha apenas atores mirins, sendo a maioria deles, os meus ir-mãozinhos. E no decorrer desse estágio artístico que tive o maior prazer de fazer parte, sensibilizei-me mais pela poesia, tanto na percepção, quanto na materialização do pensamento poético. Foi então que publiquei meu primeiro livro “PENSAMENTOS EM POEMA”, um trabalho que me deu base para continuar aprendendo. E agora chego no segundo livro “POESIAS” com sentimento de muita compaixão comigo mesmo e com o mundo.

Poemas

35

O Samba de Bumbo


Damas Negras
com um belo coração branco de paz,
a parte escura que eles viveram
ganhou um basta e ficou para traz.

Lindas dançavam sem regras,
numa dança que eu também me entreguei.

Suei, mais foi um suor de alegria,
um suor de um homem que se sentiu sambador.
No Samba tinha Maria Ester;
No Samba tinha os mestres do Samba.

O Samba que carregava a minha, a sua, a nossa história.
O Samba é nosso, não deixe de sambar!
Viva o Samba de Bumbo.
305

Gente


Tem muita gente.
Gente contente...
Gente descontente.

Gente abstrata,
gente matraca,
gente cansada,
gente tarada.

Tem gente de mais,
tem gente até lá atrás.

Tem gente como a gente,
tem gente que odeia ser gente.
MEU Deus...
Tem gente.
239

Borboleta


Borboleta que voa,
que bate asas,
que faz redemoinho.

Que saúda a gente,
com amor
e com carinho.

O tempo todo te olho,
te admiro,
te namoro.

Menina bonita...
Borboleta dos meus olhos.
255

O futuro


O futuro é como a utopia,
serve para que continuamos caminhando,
nos putrificando dia a dia.

Construindo memórias,
fazendo parte das falsas histórias,
definindo o que é certo,
mesmo com opinião incerta.

“Certo é ver a lua...
Correr loucamente na rua,
falar com as estrelas,
navegar, dormir e poder recitar no luar”.

“Acordar na aurora,
ensinar as crianças,
reanimar a esperança.
Acreditando no presente,
na poesia consciente,
no sol que ainda brilha”.

“Em Alepo não tem mais sol,
não tem mais futuro,
apenas corpos duros”.
239

Manhã de Domingo


A neblina cai na mais suave brisa.
Na manhã lenta de um Domingo de cinza;
Onde o pássaro beija a flor...
Trazendo a sensação de um dia de amor.

Também tem o canto do galo,
o coçar do cachorro,
o espreguiçar do gato
e a preguiça do insensato.

O único dia para se viver;
o dia do churrasco,
o dia da música perfeita,
o dia do jogo...
Enfim, o dia de tudo.

O dia sem maquiagem,
o dia que não precisa acabar,
mas de repente acaba!

Bate o desespero,

a agonia,
a revolta.

Amanhã é segunda,
dia que o trabalho te prende
e só no outro Domingo... te solta.
241

Vida dura


Enquanto o povo
come rapadura
se reaviva
mais uma ditadura.

“O povo acha gostoso”
e vive discutindo...
Quem nasceu primeiro?
“A galinha ou o ovo? ”

Engraçado...

Querem ordem e progresso
de novo!
E nos desejam o feliz ano novo.
205

Humanismo que aflora


Eis me aqui,
um cidadão racional,
otimista e social.
Com fé no criador!
Sem cair na lábia do impostor.

Um ser de muitas ações,
de uma identidade única!
Que aqui está para dialogar,
com outras personalidades...
Que estão aqui para se transformar.

“O que ardia no interior,
agora sai sem pudor.
É visto pelo carrasco,
que até então...
Só conhecia a dor”.

A dor imposta pelo impostor,
um cego traidor.
Que por um milênio!

Conseguiu enganar o homem
e mantê-lo pequeno.
230

Minhas mãos


Minhas mãos queimam,
meu mundo queima,
meu suor fede,
minhas palavras tão pouco se evocam manifesto.

Desse mundo quero meu silêncio...
Das plantas quero o perfume,
das crianças quero o sorriso,
dos rios quero a água fluente,
da nossa gente, fico descontente.

Minhas mãos queimam,
minha pátria se divide,
meus companheiros se dividem.

Do amanhã nada duvido,
“o mundo está todo corrompido”.
233

Protesto


Acorda minha gente,
o governo está foda e valente.
Nossa memória está se apagando,
a política está fascista;
jogando bomba de gás,
espancando artista.

Vamos acabar!
“Com este governo golpistas.”
machistas,
racistas.
fascistas.

Trabalhamos depois caducamos!
E fingimos que nos educamos.

A memória popular está morrendo.
O que fazemos?
Viramos as costas e saímos correndo. 

Enquanto isso...

O governo está nos fodendo.

Estamos vivendo,
ou retrocedendo?
161

Sem sentido


Estudamos com tudo,
no fim ganhamos um canudo.

Trabalhamos,
buscamos melhorar o mundo!
No fim das contas perdemos tudo.

Perdemos o direito,
perdemos o respeito,
perdemos até a moral!
E comemoramos tudo no carnaval.

Continuamos pelejando
e por fim alcançamos o natal.
165

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.