Lista de Poemas

Feudalismo moderno


A tradição ainda prevalece,
o patrão mando,
o empregado obedece.

A terra tem dono!
Se quiser trabalhar,
metade do seu salário
vai ter que pagar.

A não ser que queira mudar,
saber se organizar
e então protestar;
não vandalizar.

Abra o olho!
Não seja mais um piolho.
Porque o tempo passa
e o povo só se rebaixa.
275

Gente


Tem muita gente.
Gente contente...
Gente descontente.

Gente abstrata,
gente matraca,
gente cansada,
gente tarada.

Tem gente de mais,
tem gente até lá atrás.

Tem gente como a gente,
tem gente que odeia ser gente.
MEU Deus...
Tem gente.
221

Brasil negro


Minha pele é negra,
meu coração é metralhado.
Minhas vestes, eles dizem que chocam,
tentando me deixar sem chão.

Corro todo dia,
sem ao menos uma companhia.
Choro lágrimas estranhas,
enquanto o opressor se assanha.

Meu povo virou caça
ou objeto sem valor,
nessa terra escassa.
Aumentando mais e mais a minha dor.

Brasil negro e guerreiro...
Não deixem a metrópole
revestir nosso corpo,
com nosso sangue vermelho.
232

Jovem de toca


O jovem que caminha de toca não é marginal.
É guerreiro, poeta, educador social.
Está à disposição da garotada viciada;
Na televisão, na propaganda enganosa,
na descabeçada de fio dental, que sabe apenas rebolar.

O jovem que caminha de toca sabe bem o que diz,
mas infelizmente está sendo rebaixado pelo juiz.
Que sem perceber é mais um manipulado,
por cobaias que circulam fardados.

O jovem que caminha de toca sabe a hora de usar a boca,
não fica dando toca, pra mesquinho infeliz.
Sabe a hora de chegar, sabe a hora de sair.
Por isso está sempre em todo lugar,
se apropriando das ideias, para poder dialogar.

O jovem que caminha de toca está sempre consciente,
conhece a necessidade de sua gente.
Pelos mais fracos ele briga de frente,
sabe a hora de bater, ele se prepara, para não correr.

O jovem que caminha de toca....
Bom o jovem que caminha de toca é filho da cidadania,
está sempre em harmonia
e precisa de sua companhia.
253

Paulo Freire


Sentia sede,
sede de informação.
Paulo Freire me deu educação.
Me fez integrar nessa nação.
Das mãos dos opressores me libertou,
libertou meu avô; que trabalhou porque muito apanhou.
Paulo Freire nos tirou do serviço monopolizado,
da terra de animais capitalistas,
aonde a classe da lavoura não era vista.
Paulo Freire não se esqueceu de nós,
não se esqueceu dos que estavam vindo.
“Paulo Freire”
um ser simples como nós!
Que usou a força interior,
a qual Deus proporcionou.
Aquele que se posicionou,
identificou-se com seu povo,
que quebrou todas as barreiras e falou:
“Está na hora de educar para transformar”.
Viva Paulo Freire...
162

Humanismo que aflora


Eis me aqui,
um cidadão racional,
otimista e social.
Com fé no criador!
Sem cair na lábia do impostor.

Um ser de muitas ações,
de uma identidade única!
Que aqui está para dialogar,
com outras personalidades...
Que estão aqui para se transformar.

“O que ardia no interior,
agora sai sem pudor.
É visto pelo carrasco,
que até então...
Só conhecia a dor”.

A dor imposta pelo impostor,
um cego traidor.
Que por um milênio!

Conseguiu enganar o homem
e mantê-lo pequeno.
217

Os ursos de ternos


Os ursos de ternos acordaram,
pegaram seus automóveis
e saíram para as ruas da cidade,
atrás de uma nova caçada.

Vão engolindo pequenas migalhas pelos caminhos,
e dando um abraço apertado.
Pois é, querem um bom alimento,
para hibernarem por mais um tempo...

Tome cuidado para não ser devorado,
ou ser manipulado,
“por essa força maior”.
Por esse abraço apertado.
175

Amor


O amor está no ar...
É um passarinho,
gosta de voar,
gosta de carinho.

Ele canta,
recita,
gosta da bela escrita;
homem nenhum... imita.

Ele é frágil fisicamente,
mas, se garante com o poder
de sua mente...
E conquista toda gente.

Ele é a própria poesia.
186

Um dia


Um dia chega,
um dia passa,
um dia vai,
um dia volta.

Um dia de muita revolta,
um dia de muita guerra,
“que gera lucro quase todo dia!”
Enriquecendo somente a burguesia.

E na boêmia
de mais um dia.
O riso vai ser por conta da euforia
Que será o acaso de mais um dia.
190

Protesto


Acorda minha gente,
o governo está foda e valente.
Nossa memória está se apagando,
a política está fascista;
jogando bomba de gás,
espancando artista.

Vamos acabar!
“Com este governo golpistas.”
machistas,
racistas.
fascistas.

Trabalhamos depois caducamos!
E fingimos que nos educamos.

A memória popular está morrendo.
O que fazemos?
Viramos as costas e saímos correndo. 

Enquanto isso...

O governo está nos fodendo.

Estamos vivendo,
ou retrocedendo?
149

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Romildo de Souza Silva “nasci em Pontes e Lacerda – MT no ano de 1991, mas me mudei para Santana de Parnaíba-SP com menos de um ano de idade. Sou novo poeta Brasileiro e trago em meus poemas uma expressão literária, não muito culta, mas uma linguagem popular, a qual vivenciei tanto nos ambientes periféricos, quanto nos ambientes centralizados”. A energia poética começou a circular em minha vida desde muito cedo. “Sempre enfeitava as palavras para trazer um tom mais agradável e diferente daquele robusto e grosseiro do qual vivenciei”. Mas como não tinha muita prática de escrita, na maioria das vezes meus poemas ficavam soltos para o universo. Em 2010, quando estava terminando o ensino médio, na escola Prof. Ruth de Azevedo Silva Rodrigues, em Santana de Parnaíba – SP, passei a ter mais propriedade com o poema, tanto na parte escrita, quanto na parte declamada. Em 2011, comecei a fazer aulas de teatro no instituto SU-FRUTOVERDEUS, cheguei a participar de várias peças tea-trais, sendo que uma delas ficou muito popular pela região. A peça “UM MORRO E DUAS CIDADES NUM PLANETA ENFERMO”, do meu conceituado professor e diretor Weber Carvalho, o Teixeira. Então passei a atuar no instituto, com a realização de teatro nas escolas, tapete literário nas praças e em eventos artísticos. Isto é, levávamos os livros até as pessoas para que elas criassem gosto pela leitura. Com isso comecei a participar de saraus, pelos quais eu me apaixonei. “O sarau sem dúvida é a parte inicial para que qualquer artista que está se descobrindo, possa se encontrar, usando todas as ferramentas que atuam no sub-consciente de seu interior”. Em 2013, me retirei do instituto SUFRUTOVERDEUS, para seguir com a “COMPANHIA MOVIMENTO DE DRA-MATURGIA RURAL”, um grupo de educadores que começou a desenvolver a construção de suas próprias histórias e trazer o conceito de que cada um é capaz de produzir algo com grande poder de transformação. Nisso passei a dar aulas de teatro. Tive o maior prazer de montar a peça “QUE CHEIRO É ESSE SENHORES? ” Questionando o público, o porquê do rio TIETÊ ter um cheiro que nos mata aos poucos. E na apresentação tinha apenas atores mirins, sendo a maioria deles, os meus ir-mãozinhos. E no decorrer desse estágio artístico que tive o maior prazer de fazer parte, sensibilizei-me mais pela poesia, tanto na percepção, quanto na materialização do pensamento poético. Foi então que publiquei meu primeiro livro “PENSAMENTOS EM POEMA”, um trabalho que me deu base para continuar aprendendo. E agora chego no segundo livro “POESIAS” com sentimento de muita compaixão comigo mesmo e com o mundo.