Lista de Poemas

MARICÁ

Maysa vitoriosa de Vitória
Seu refúgio foi o mar
Tua presença infinita
Encantam ainda as ruas de Maricá.

Maysa sol daquela terra
Dona de todo aquele mar
Cantava alto suas notas
Mostrando ao mundo Maricá.

Maysa é maré alta
Ondas fortes de um verde mar
Demitida dos amantes
Isolada em Maricá.

Maysa deixou o mundo
Exonerada sobre o mar
Teu canto de sereia
Ainda ecoa em Maricá.
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ESPERANÇA

Nada é como se espera
O que espera nunca vem
Esperar é paciência
Esperança de quem tem.

Tempo passa vem o tédio
Porta larga para pecar
O que sobra dessa espera
É somente esperar.

Cada minuto extrai do dia
Esperança que se vai
Amanhã é um novo dia
Hoje não volta mais.

Resta do inesperado
No futuro acreditar
Dessa vez fico sentado
Cansa muito esperar.
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SER

Deve ser bom
Ter o que quer
Na hora que bem queira
Quando bem quiser.
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VITÓRIA

Quem compete obcecado
Não concebe a frustração
De está classificado
Em segunda colocação.

Quem compete aliviado
Sem nenhuma pretensão
O prêmio vem adiantado
Já é um campeão.

Quem vive para vencer
Avizinha da derrota
Quando chega o dia “D”
Vida vira bancarrota.

Competir é vitória
Antecipada na largada
Coroado de oliveira
Antes da linha de chegada.
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ALMA INCOLOR

Deslizei sobre o mar

Tiraram-me de lá

Trazendo-me pra cá

Vontade minha não era

De vir para o lado de cá

Acho que enquanto vivo

Nunca mais vou voltar

Apesar de toda guerra

Que tinha na terra minha

Eu preferia a minha guerra

Onde liberdade eu tinha

Os meus inimigos

Tinham tudo a mesma cor

Aqui ficamos amigos

Agora nossos inimigos

São diferentes na cor.

Moramos todos juntos

E agora somos muitos

Várias tribos, uma cor

Trouxe comigo a fé dos santos

Não conheço os daqui

Que todos são brancos

Diferentes de onde eu vim

Nada trouxe comigo

E também nada juntei

Faço aqui o que eu não quero

Sendo o que eu não sou também

Já passaram tantas luas

Que até parei de contar

Cada lua que eu contava

Era mais tempo pra ficar

Fui jogado sobre a terra

Pelas mãos de um capataz

Que de tanto me surrar

Fui e deixei o corpo ficar

Deixo aqui meu corpo velho

Que não me pertence mais

Visitarei a minha terra

Que deixei tempos atrás

Está tudo diferente

Como nunca antes vi

Deixo nela minhas saudades

Vou dela de novo parti

Fui pra uma nova terra

Que agora eu herdei

Por uma estrada livre de pedras

Que nunca antes pisei

Com as flores tão cheirosas

E nenhuma tem espinhos

Notei outros do meu lado

Não caminhava sozinho

Diante de um descampado

Onde a luz adormecia

Todos os pássaros cantavam

E a noite não existia

Tinha uma linda cachoeira

E mal pude acreditar

Os Orixás ali presentes

Todos a nos esperar

Eu com lágrimas nos olhos

Sem ter o que falar

Quando vi estava nos braços

De Nosso Pai Oxalá

Ele falou ao meu ouvido

Filho vamos trabalhar

Voltar pra aquela terra

Que te obrigaram a ficar

Para ajudar todos aqueles

Que te obrigaram a trabalhar

Te bateram e te prenderam

Não te deixaram descansar

Eu fiquei muito confuso

Não querendo acreditar

Como eu tão ofendido

Poderia ajudar

Aqueles que me tiraram a vida

E me enviaram para cá

Oxalá enternecido

Apertou as minhas mãos

Pude ver duas feridas

Cada uma em cada mão

Fiquei tão envergonhado

Parei na hora de chorar

Beijei suas mãos divinas

E voltei para o lado de cá

Me deram uma bengala

Um cachimbo pra fumar

Um copo d’água

E uma vela

Um toco pra sentar

Reuni todos os filhos

Pra poder me apresentar:

Sou um velho da senzala

E vim aqui pra trabalhar

Vocês não estão sozinhos

Vim a todos ajudar

Atravessar esse caminho

Com as bênçãos de Oxalá
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A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA

Hoje!

Os hipopótamos levantaram primeiro

E lá se foram os meus travesseiros,

Direto para a lagoa ,

Bem perto da minha cama de feno,

Amontoados sobre a grama seca,

Onde todos os hipopótamos

Tinham olhos azuis .

Eles submergem dentre as folhas,

Pois o rio seco era banhado,

Por uma luz brilhante,

De uma lâmpada fria,

Que queima a pele fina e branca,

Com listras pretas dos hipopótamos,

Tal como as zebras.

Ei! Acabei de me dar conta

Que eram zebras mesmo!

Nunca foram hipopótamos!

E na verdade,

Seus olhos eram azuis esverdeados.

Eu estou apavorado,

Como pude confundir,

Durante tantos anos,

Zebras com hipopótamos?

Resolvi plantar toda minha angústia,

Num canteiro sobre a laje ,

Do edifício ladrilhado

Com pastilhas amarelo ouro,

E num piscar de olhos,

Um jardim de crisântemos

Floresceram no tapete da sala

Que beira a cozinha ,

Onde eu tomo meu café da manhã ,

Rodeado de borboletas brancas

E um bode de chifres abobadados

Aguarda para comer as migalhas

Do mingau de aveia que esfria

Sobre a copa da árvore sem folhas,

Pois que era verão

E o frio fazia as araras nadarem

No céu molhado pelo mar,

Jogando para cima

Suas águas transparentes...

De vez verde,

De vez azul,

De vez somente água.

Que respinga em mim,

Enquanto penso,

Sobre o meu absurdo,

De confundir zebra com hipopótamo.

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joaoeuzebio

DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO

Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas. Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias. Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ. Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos. Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo. No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá. No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...