Lista de Poemas

CANTO DOS IPÊS

Quando um longo estio assola a terra
E tudo transforma em sequidão e dor
Qual bandeira de luz em fulgor descerra
Um majestoso ipê a proclamar o amor

Quanta beleza em sua copa encerra
Quanta esperança traduz seu despertar
Diz aos moradores não abandonem a terra
Pois chuva abundante, logo vai chegar

Multicoloridas são suas mensagens
Para cada mágoa um consolo traz
Tórridos corações, do amor estiagem
Passará mui breve em alegria e paz

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TUA LUA

Quando a lua for cor ouro, convoque aos amigos e formem um coro

Quando a lua for cor de prata, acorde a quem amas com uma serenata

Quando a lua for envolta em mágoas, lave tua alma com muitas lágrimas

Quando a lua for minguante. reflita se já não chorou o bastante

Quando a lua for crescente, pense nas dores de outras gentes

Quando a lua for um largo sorriso, veja em teu lar o teu paraíso

Quando a lua for só um risco, busque o refúgio de teu aprisco

Quando a lua lhe for oculta, recolhe tua voz e a de Deus escuta


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ERA DE FÉ


Era um mundo difícil, lá só havia esperança
Inóspito e triste, cruel pra qualquer criança
Sem água, sem gás, sob a luz das lamparinas
Roupas em trapos, teto roto, comida à míngua

Era um mundo difícil, mas ali éramos irmãos
Na catapora, sarampo, tosse e frio da estação
Unidos na enxurrada, no compartilhar do cobertor
No acordar da madrugada, chorar com alguém sua dor

Ter a mesma fé dos pais, regada em dor e sofrimento
Dividindo o pão com alegria, unidos no sentimentos
Notícias, chegavam poucas, mas nos faziam acreditar
Que o País seria justo, mas que uma pátria, um lar

Críamos na Pátria sagrada e no futuro da nação
Tribuno era gente honrada, bandido vivia em prisão
Nossos heróis cultuados, exemplos a se seguir
Políticos não eram comprados, havia fé no porvir


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REENCONTRO

Não troque suas mágoas por névoas de dores, troque-as pela reconciliação solitária consigo mesmo. Quando se encontrares com seus próprios valores, divida-os então com alguém especial.

Foto: REENCONTRO(Samuel da Mata)Não troque suas mágoas por névoas de dores, troque-as pela reconciliação solitária consigo mesmo. Quando se encontrares com seus próprios valores, divida-os então com alguém especial.

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NÃO SOU POETA

Nunca consegui explicar o choro das flores
Nem dizer por que as lágrimas sucedem ao riso
Nunca entendi por que me fogem as palavras
Quando nos teus olhos eu vejo o paraíso

Não sei por que alguém maltrata uma criança
Ou perde pelos velhos o amor e o carinho
Não sei explicar de minha vida os desencantos
Nem porque das rosas só colhi espinhos

Assim, sou só lágrimas colhidas na jornada
E o registro roto de mais um peregrino
Que ansioso espera pelo sorriso da alvorada
Quando em rósea aurora o Sol vem surgindo

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PÉTALAS DE CONTRADIÇÃO

As flores jovens choram por nada e as mais maduras já não vêem por que sorrir!

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OLHOS NOS OLHOS

Em matéria de amor, o que se escreve é pra publicidade, o que a boca fala é só a metade, mas o que os olhos dizem é sempre a verdade!

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MEDIDA DO AMOR 


Falar de amor é difícil, mas amar é muito mais difícil ainda. O maior sermão de Cristo ficou estampado na cruz, expresso em sangue e sofrimento. Palavras lindas nos cativam, mas as atitudes sinceras nos prendem eternamente. O verdadeiro amor se manifesta quase sempre em gestos anônimos, em lágrimas discretas e nunca em grandes discursos. Um abraço apertado e o soluço nos ombros expressam o que um livro inteiro não poderia conter.

Quase sempre o amor é medido em saudade, mas esta é uma medida cruel de sentimentos. Deveríamos preferir medir o amor em número de visitas, em chamadas no Watzap, em quantidade de conversas fiadas, em quinquilharias de camelôs e em outras manifestações simples de carinho que nada têm a ver como o valor do brinde nem com a importância do assunto apresentado, mas simplesmente para dizer o quanto esta pessoa representa para nós. Dizer que sem a presença dela a vida já não será a mesma e um vazio intenso de saudades será marca de sua ausência, a qual não queremos nunca estar preparados para padecer.

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ERA DE FÉ

Era um mundo difícil, lá só havia esperança

Inóspito e triste, cruel pra qualquer criança
Sem água, sem gás, sob a luz das lamparinas
Roupas em trapos, teto roto, comida à míngua

Era um mundo difícil, mas ali éramos irmãos
Na catapora, sarampo, tosse e frio da estação
Unidos na enxurrada, no compartilhar do cobertor
No acordar da madrugada, chorar com alguém sua dor

Ter a mesma fé dos pais, regada em dor e sofrimento
Dividindo o pão com alegria, unidos nos sentimentos
Notícias, chegavam poucas, mas nos faziam acreditar
Que o País seria justo, mas que uma pátria, um lar

Críamos na Pátria sagrada e no futuro da nação
Tribuno era gente honrada, bandido vivia em prisão
Nossos heróis cultuados, exemplos a se seguir
Políticos não eram comprados, havia fé no porvir

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CONHECIMENTO


A gente nunca sabe porque a saudade chega, mas sempre sabe porque ela não quer partir!

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Comentários (2)

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Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

            Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
            Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
            Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
            Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha.  Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
            Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.



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