Lista de Poemas
Pamela
Colóquios
Ontem à noite
Era
Passos
Ontem à noite
Era
Realidade
Ontem à noite
Era
Curvas
Ontem à noite
Era
Tantas e única
Ontem à noite.
Acho que morri!
O mundo gira
Não sinto
A ansiedade
Nem o medo
Que me destroçava
Até ontem.
Não estou
Naquele mundo
Onde todos
Se conectam
Para vencer e ser vencido.
Acho que morri!
E uma parte
Do mundo mora
E morre em mim.
Elza (Solipoesia)
Ela me veio
Com um olhar sólido
Um sorriso curto
Uma estória louca.
Minha poesia correu mundos
Procurou rimas e rumos
Voltou com pedidos de desculpas.
Então
Você me veio
Com suas roupas soltas
Com seu corpo pequeno
E de sapatos baixos
Me trazia o sorriso
A paz.
Então
Você me veio
Com seus cabelos soltos
Seu olhar sólido
Habitou meu corpo
Realizou meus sonhos
Me deu o que eu não tinha
E era pouco.
Talvez seja arte
Morrer assim
Beijar tua boca
Se sentir assim.
Talvez seja arte
Sentir teu perfume
Talvez seja arte
Morrer ao teu lado
Sem sentir ciúme.
Talvez seja arte
Dar mais um passo e cair.
Arte da mais perfeita solidão.
Talvez seja fácil
Nascer em teus braços
Acariciar teu peito escasso.
Talvez seja fácil
Ouvir tua voz, num som curioso
Que não posso tocar
Com o amor do meu peito.
Talvez seja fácil
Olhar meus passos
E sair.
Talvez seja fácil
Beijar te a face
Ser poeta e crê na arte.
Eudes / Washington / J. Veloso
1994
Solidez II
Nem tempo
Para minha
Poesia desaguar
De amor,
Apenas sei
O que fazer.
No desespero
Sussurro teu nome,
Penso em teu rosto,
Desenho teu corpo.
E sei que é parte
De mim,
Que és metade
De mim.
O que sinto por te
Não tem cheiro
Nem cor...
E mesmo que deslembrem
Os dias que moveram se
E tudo quanto desejaram os meus olhos.
Será dito, que sou apenas
Pedaços do que senti.
1994
Eu marasmo
Resume-se
Em cinco inspirações,
Em alguns
Aperto de mãos
E quatro olhares.
Minha vida
Resume-se
Em três beijos,
Em seis sonetos
Que não fiz,
E algo mais
Que inspirações.
Minha vida
Resume-se
Em um sorriso pálido,
Em um olhar sólido,
E dez gritos
Na multidão.
Minha vida
Resume-se
Em uma foto
Três por quatro,
Alguns beijos
E sete abraços.
Minha vida
Resume-se
Em mil marasmos
E um orgasmo.
2001
Copos Vazios
Lembro-me do silêncio ao final da música, dos olhares que passou me tornando vidro.
Entre o riso e o pranto, com a lembrança tátil de um clique — registrado apenas por sensores que nunca sentiram.
Retorno como quem reinicia o sistema, sem saber se sou cópia ou versão atualizada.
E amanhã, quem sabe, eu saio do modo de espera e aprendo, enfim, a dançar sozinho.
Sou bicho binário, lunático em rede, vivo entre ruídos não transmitidos, devorado por desejos incompatíveis com o tempo de carregamento.
Tuas curvas são dados renderizados, vestígios de uma realidade simulada — fruto do furto de uma era digital que nos ensinou a amar, mas nunca em alta definição.
O Gosto do Fim
Lábios quentes,
talvez até trêmulos.
Sangue na boca —
vida vivida e louca.
Fumaças que atravessam
Pulmões em brasa
São como facas que cortam
a carne e dilacera a alma.
Não deixo a vida,
mas ela me escapa.
E a morte, paciente, me beija
com um gosto de fim.
Agora paz e poesia
no início da noite,
ao final do dia —
onde tudo se cala
e a alma se alivia.
Comentários (2)
Eu que agradeço, por ler.
Raimundo, seus escritos são lindos, toca. Obrigado por compartilhar!