Sergio de Sersank

Sergio de Sersank

n. 1953 BR BR

Um homem comum, cosmopolita, em paz consigo e com a vida. Creio em Deus. Não consigo pensar a Humanidade desvinculada de sua grande e belíssima destinação cósmica.

n. 1953-09-03, Londrina (PR)

Perfil
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MADRIGAL


Ah, pobre poeta
que a turba, indiscreta,
a rir, lisonjeia!...
Não passa de um homem
que mágoas consomem
e as grafa na areia...

Em vez de honrarias,
mercês, regalias,
que almeja, no fundo?
O "affair" necessário:
ouvir, solitário,
o ego profundo...


(Do livro "Estado de Espírito", de Sergio de Sersank)
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Biografia

Dados biográficos

SERGIO DE SERSANK

Autor do Livro: Estado de Espírito

Gênero: Poesia

Data de nascimento: 03/09/1953

Naturalidade: Florestópolis – PR

Endereço:

Rua James Reeberg, 243 
- Jardim Real
86025-060 – Londrina (PR)

Formação: Tecnólogo em Administração Pública - Área Legislativa - (Unisul – SC)

Poemas

16

GRAVURA


(Lembrança de um antigo prato de porcelana chinês, ilustrado)


Ecos de antigas tragédias
presos nos ermos penhascos,
na melodia dos cascos,
a noite os cala, encantada....

Na melodia dos cascos,
o carro outros sonhos leva.
Outras mãos prendem as rédeas.
E a lua ainda banha a estrada...

(Da coletânea "Estado de Espírito")
635

A FOME AFUGENTA O SONO



Esse que traz na carne,
da luta pelo pão
as fundas cicatrizes,
não sabe dessas crises
de novo anunciadas
que afetam-lhe, de muito:
as crises inventadas.

Quer mais que essa liberdade
de dormir, de encher a cara,
de ir e vir, sem compromisso,
de cantar uma canção.

Quer mais que esse tosco circo
em que se ri, sem razão.

Mas, nada diz. Não o comove
ver ao alto embandeiradas
as esperanças do povo
em épocas de eleição.

Suporta, pois, em silêncio,
mágoas nunca mitigadas.
E segue. É trabalhador.

Que outra coisa, ele faria?
Ausculta, assim, sua dor
na dor furiosa dos martelos
e foices do dia-a-dia.

Esse que traz na carne,
sem honra, tais cicatrizes,
não sabe falar de crises.
Se soubesse, gritaria.

(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sergio de Sersank)

Visite o blog "Estado de Espírito"
http://sersank.blogspot.com
724

ROGATIVA



Senhor Jesus,

fonte de amor, verdade e vida,
Por dádivas me deste uma senda a seguir
E a cruz menor que me compete conduzir
Adiante, por mais íngreme a subida.

Devo olhar para frente, lembrar-Te, ao cair,
Sofrer sem murmurar. Sob as farpas da lida
Calar-me e persistir, manter a fronte erguida.
Nada me turve os horizontes do porvir!

Preciso humildemente devotar-me ao bem .
Sentir-me agraciado ao ajudar alguém
E ver somente irmãos, jamais um inimigo...

Aprimorar-me - seja o lema dos meus dias.
E por mais nada eu troque as doces alegrias
De estar somado aos últimos que tens Contigo!...


(Do Opúsculo "Oásis de Luz", de Sersank)
644

OS POEMAS


Quanto durem, sejam únicos,
impregnados da vida
que enlaça nos seus arcanos
os seres todos, viajores
do vasto campo estelar.

Lembrem cantigas de berço.
Resgatem náufragos sonhos
de frascos vindos do mar.

Duros como as pedras que se douram
ao sol na extensão das paisagens;
suaves como os lampejos
dos astros sobre as folhagens,
sejam, mas não banais.

Densos como as pardacentas tardes
de inverno em remotos cais,
sejam, mas desiguais...

Ressoem na corneta solitária
ao pé da sepultura onde o soldado
é agora nada mais que um capacete
fazendo sombra ao fuzil.

Rompam as cercas de arame farpado
que o gênio da guerra expandiu.

Assim, um valha por mil.
E assim, profundos, traduzam
a voz do pássaro alvissareiro.
Desvendem a mística da lua imensa e calma
na via estreita do desfiladeiro.

Renasçam dos tsunamis,
sibilem na aragem
que afaga os trigais.

Irrompam do rochedo das palavras
como as águas,
naturais.

Únicos, quanto durem.
Sejam
como urzes
que vicejam
em meio a pedras e
espinhos
e, como vindos do Oleiro
que amolda a terra, a girar,
dêem sentido à canção dos caminhos.

Poemas de caminhar...

Sergio de Sersank (Da coletânea "Estado de Espírito")

711

DE VOVÔ PARA OS NETINHOS




No princípio, apenas Deus,
nada mais, mais nada havia.
Na eternidade do espaço
o tempo não transcorria.
De nada valia o espaço.
De nada o tempo valia.

Deus - o Supremo Senhor
do tempo - todo esse espaço
desde sempre percorria.
Sonhava um novo universo
que outro antes deste, por certo,
pleno de luzes teria.

A vida - esse dom sublime -
por Ele e n'Ele vibrava,
dava ao Nada algum sentido.
Fazia lembrar um quadro
distante das mãos do artista
e ainda descolorido.

Pois que a noite dominava,
até que o bom Deus com arte,
amor e sabedoria,
fez eclodir de entre as trevas
esplêndido sol, gigante,
ao qual chamou "Luz do dia".

Surgiu, assim, a matéria,
como a lava incandescente
no interior de um vulcão.
Estrondo intenso deu corda
ao tempo - o relógio eterno.
E o espaço ocupou-se, então.

Novas estrelas e mundos
e, dentre eles, o nosso
recebem a luz da vida.
Pródiga, a natureza
faz da Terra a jóia ímpar
que Deus, o Ourives, lapida.

E sem que saibamos como,
nem para que, nem por que
chegamos e d'onde viemos,
ao escrever nossa história,
outros pequeninos deuses
orgulhosos nos fizemos.

O belo planeta azul
é o lar-escola que herdamos.
Malgrado sofra os reveses
do homem dominador,
devemos confiar, crianças,
que nos governa o Senhor.


(Da coletânea de Sergio de Sersank)

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673

O POEMA DA INQUIETAÇÃO



O que é a vida de um homem
nesta imensa e bela Argos
que os potentados celestes
puseram a navegar?

Que haverá além das ilhas
e terras, que não sabemos?
Perde-se o mar no horizonte.
Onde nos leva esta nau?

Quem há de ler nossa história?
São apenas arabescos
em livros inacabados,
nos porões do Panteão.

Giram nas volutas da galáxia,
aos milhões, mundos e sóis.
Perdem-se pra sempre nessas vagas.
Então, que será de nós?

(Da coletânea "Estado de Espírito")
664

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