Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

n. 1977 BR BR

n. 1977-01-18, Santos

Perfil
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D OUTRA VIDA

Guardas em minh'alma o sentir de outra vida
O 'deitar e o despir' como último suspiro;
Ressurreição desencontrada e homicida
Embarga o amor a quem respiro

Guardas em minh'alma, a 'intacta conhecida'
E o amor inebriante a qual refiro
Grandeza e certeza possuída
Dos poemas escritos em papiro

Guardas em minh'alma, a nunca despedida
E a dor de sabê-lo... como um tiro
O elo quebrado e a saída...

Guardas em minh'alma - eu confiro
Memórias, sonhos d'outra vida
Segredos de amor em vão retiro...

Guardas em minh'alma, a dor já esquecida
Juras de eternidade em suspiro
E a missão de continuar em vã partida.
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Poemas

21

D OUTRA VIDA

Guardas em minh'alma o sentir de outra vida
O 'deitar e o despir' como último suspiro;
Ressurreição desencontrada e homicida
Embarga o amor a quem respiro

Guardas em minh'alma, a 'intacta conhecida'
E o amor inebriante a qual refiro
Grandeza e certeza possuída
Dos poemas escritos em papiro

Guardas em minh'alma, a nunca despedida
E a dor de sabê-lo... como um tiro
O elo quebrado e a saída...

Guardas em minh'alma - eu confiro
Memórias, sonhos d'outra vida
Segredos de amor em vão retiro...

Guardas em minh'alma, a dor já esquecida
Juras de eternidade em suspiro
E a missão de continuar em vã partida.
898

PESARES

Resíduos dos fatos
Espectros da mente
Vãos artefatos
Visão eloqüente
Audição em boatos
Olfato fremente
Espalhafatos
Pulsão latente
Vis mediatos
Incandescentes
Resíduos dos fatos
Espectros da mente
706

AMOR INDEVOTO

Dizei-me amor indevoto
Se tu crês no cupido
Entre o gozo ignoto
E o prazer foragido
Ledo, profano e remoto

Dizei-me amor indevoto
Desertor comprazido
Se tu crês no meu voto
Em luxúrias defluído
Num palor de terremoto

Dizei-me amor indevoto
Se romance esvaído
É bel prazer roto
Agarrado ao meu vestido
Eu bem noto...!
807

A SENHORA E O SACERDOTE

Diz-me senhor que sou fruto proibido
Purgatório, arritmia e conflito
Que rasga-se, por tão comedido
E transforma prece em mito
***
Diz-me senhor que clama o meu ouvido
Para oferecer-me voz em delito
Com juras de amor e gemido
Depois, arrepender-se aflito
***
Não me diz senhor ensandecido
Que só meu corpo tem o dígito
Do código morse condoído
Nas entrelinhas do teu espírito
***
Não me diz senhor, pecado bendito
Santa heresia ou sonho atrevido
Sacerdote e querubim decaído
Mulher alheia (infiel) ao marido
***
Diz-me senhor, sonho esquecido
Pudor santo descorrompido
D' um suposto amor descabido
Dá-me o adeus em gemido
939

O ÚLTIMO VÉU

Quando o destino tirou o véu do encantamento
Nos teus olhos o viço perdeu vida...
Desci dos teus altares e fui me abrigar no contentamento
Com a alma exilada e condoída.

Desnuda do sonho, desejo e pensamento
Vaguei pelo umbral de musas esquecidas
Consumidas dia-a-dia com o tormento
Suspirando a dor da despedida.
881

ENTRELINHAS

Entrelinhas são enigmas
De poucos olhos penetrantes
Entre-cortes, os estigmas
Da alma poeta pulsante

Gritos daltônicos e olhar paradigma
Hieróglifos em ouro rutilante
Ora fantasmas, ora esterigmas
Ora sociopata-farsante

Entre as linhas o capuz do enigma
Dubiedades protestantes
Jogadoras translúcidas em sigma
São do poeta... amantes!
768

PARAMNNÉSIAS

Delongas vetoriais trajam cambraia
Enquanto dedilham meus fracassos no porta-retrato
Com suas unhas de porcelana francesa
E enxerga-me como andrajo de redoma
Letárgica, insuficiente e amargurada!
Os cavaleiros do destino debocham-me
Fadários de seus faetontes e faz de conta
Renitentes senhores do apocalipse
Brincam de malmequer com meus cabelos
Sonâmbula demência em demasia!
Energia cósmica contentada
Inimiga conducente imaginária
Sou nada, nada, nada - confessada
Carne, ossos, sonhos e preguiça


615

PÉRFIDO

Eclode-me a blasfêmia enraizada
D'alma perfura-me as vísceras
Como chaga latejante
De sangue mórbido borbulhante
Sobre o véu do purgatório

Rogai-me complacente e sacrossanta
D'outro amor em luxúria mundana
Corrompido amor pudico idolatrado
Dos castelos intrínsecos de cristais
Que lascivo, quebrados por ti

Olhai-me suscetível a rubéola
Aos males metafóricos do eczema
Pérfido usurpado do sempiterno
Dissoluto das dores cancerígenas
Que morfina (perdão) não alivia

Perdoai se o esquecimento não impera
Se vaidade aleijada e ira cega
Não calam o grito mudo que esperneia

O coração não comissura dor imensa
O sangue lúdico é sorvido pingo a pingo
E, o amor interciso agoniza em despedida
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LÂMINAS

Voluvelmente revoluto
Ante a indagação inquietante
Ora desejo de fruto
Ora murmúrio de sangue

O silêncio absoluto
Torna o ar errante
Como subproduto
Dum pedestal vacante

O emocional diminuto
Não intimida o instante
O 'nada' sim é astuto
Finalizador e cortante.
539

ALCAIDE

Senhor casteleiro dos contos de fada
Acenou com olhar de desdenho
Recitou a epopeia à amada
Com bravura e engenho

Na mente, ardiloso empenho
de camponesa tomada
No coração, o gosto ferrenho
da lâmina da espada

E, na altivez engomada
Esboçou um desenho
Da plebeia encantada
Na masmorra d'alma...
532

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