Silva

Silva

n. 1987 BR BR

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n. 1987-11-19, Nova Iguaçu

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Chá das três

Chá das três

 

Tornei-me quem um dia acreditava nunca poder ser

Tornei-me inteira com você

Contornamo-nos feito um laço

O medo ficou atrás daquela porta

Renunciamos nosso passado

Deixamos nossos pés descalços

Vejo seu leve sorriso, sorrio

Sinto a leveza do seu lar, agora meu

Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos

Ganhamos infância, nossos dias incendeiam

Quando coloco à mesa mais bonito não há

Meu chá das quinze horas

Fico a esperar-te

Como a passagem de um livro

Fico presa neste capítulo

Não quero avançar

Quero reviver-te quantas vezes forem precisos

Reler-te até meu chá esfriar
Ler poema completo

Poemas

24

Autocura

Em processo de cura
Na a miúde conduta
De não ler mais os versos seus
Sigo triste tormento
Seus escritos estão sobre a mesa
O vento desfolha suas páginas
Me concentro
Retomo a conduta
Mudo a direção do olhar
Respiro fundo
É um vício, sinto meus nervos saltarem
Espalhados no inconsciente
Da memória presente
Corro ao seu encontro
Mais uma vez falho
Seguro contra o peito
Seus versos, devaneios
Parace que vou me alimentar
Acalentar um coração
Que sofre de abandono
Rascunhado por você
Sofro mais uma vez com orgasmos múltiplos
Garrafa vazia, na penumbra desta sala
Entorpecida com a força que usaste na caneta
Preenchendo cada espaço em branco das folhas
Durmo então.
548

Vigília

Vigília

Sentada à mesa nessa esquina
Tenho uma visão privilegiada
Tao quanto o moço na calçada
Sigo com o olhar as pernas que passam
Riu, acho graça
Minha vista embaralha
Todos são meus conhecidos
Conheço cada gesto, vigio.
Todos tao repetitivos
Chego a ter preguiça só de olhar
Vejo a hora passar
Ansiosa esperando a noite chegar
Não que algo novo vou fazer
Mas espero aqui só para ver
O que de novo esta para acontecer
Será que hoje verei você?
Te espero, te vivo
Já é tao normativo
Privar esse momento
É entrar em conflito
Quase uma lei muda
Inclusa dentro de mim
Me condena
Pago a pena
Presa a esse delírio
De mais um dia ver você chegar
Se ao menos você soubesse
Que todos os dias estou a te esperar
Talvez me dirigisse seu olhar
Mas ainda estou aqui
A te vigiar...

Eunice Spina
07/07/15
286

Apenas amor

Apenas amor

Hoje sentada nesta sala
Vejo paredes brancas, gelam
Carrego na memória, consciência
O peso de estar sem você
Sinto me uma criança, medrosa
Que tentou fugir do que nais teme
Insistia em não ver, viver
Criei uma parede, forte
Para separar, o desconhecido e eu,
Me escondi, chorei
Muitas vezes tentei ficar na ponta dos pés para ver o que estava além
Faltou coragem para erguer o corpo
Não abri meus olhos, não vi além
Por muito tempo não soube o que temia
Apenas o medo me invadiu
Ate que um dia, triste
Ouvi o silêncio invadir a sala
Abri as janelas dos meus olhos
Descortinaram use as memórias
Lembranças iluminaram meu ser
Tudo o que sempre temi
Foi o que mais amei
Meus fantasmas, minha dor
Era relutar comigo mesma
Saber que te perdi
Com medo de apenas ter
Entre o fracasso e medo
Definhei em amor, moléstia
Me cura, te suplico
Me abraça, me faz entender
Que mesmo me mantendo longe
Estou presa a você.

Eunice Spina
08.07.15
315

Disparo

Nessa manhã escuto o disparo
Corro para de baixo da cama
Procuro me esconder
Medo me consome
Fico estática, paralisada
Suor escorre em meu corpo
Mãos trêmulas, que escondem meu rosto
Abrir os olhos e ver
Só em pensar
Sinto a coluna estremecer
Deus até aonde permanecerá
Meu medo de estar
Se a cada disparo do meu coração
Fazem lembrar minha solidão
De um dia saber que tudo foi em vão
Amor fugiu de mim sem permissão
Do que me adianta esconder então?!
Vou cometer um suicídio
Um amor atroz
Vai morrer em mim

402

Alma

Sinto saudades de um tempo que não sei se vivi
Um sentimento que fecunda minha alma, me fazendo refletir
Pensamentos voam em desencontros
Se esbarram, mas não se falam
Sinto uma multidão em mim
Passos desordenados, ecoam risos
Eu me calo.
Meu olhar desatento percorre cada rosto
Procuro entender esse particular, tao singular, que fica fácil expressar
Não existe solidão, existe eu em massa
Ocupando todos os meus espaços
Engraçado... Ainda sobra espaço
Eu exito, eu riu
Eu desisto de tentar me contar
Não sei me fracionar
Sou eu pra lá, e também aqui
Por mais que eu tente fugir
Meu eu não saí de mim
Eu me sufoco, eu grito
Eu me incomodo, silencio
426

Suingando

Como é bonitinho!
Com esse gingadinho no andar
Seu corpo vem suingando
Fico entre céu e mar
Faz assim comigo não!
Quando você passa
Começo à delirar
Como é bonitinho!
Esse sorriso de verão
Tem o infinito do horizonte
Junto do olhar
Sao tantas possibilidades de te gastar
Não sei por onde começar
Mas já te dispo com olhar
Como é bonitinho!
Ele sabe por onde vem...
319

Desejo

Quero de novo provar
Fazer do meu coração sua moradia
Me apaixonar, alegrar meu dia
Quero de novo provar
Que tudo na vida é novo
Tão novo quanto o que me causa
Quando meu olhar com o seu se cruza
Me encontro de novo contigo
Me liberto do passado
Escrevo no agora nossa história
Mesmo que as circunstâncias não sejam boas
Construo meu mundo novo
Se um dia o medo voltar
Vou provar de novo
Mesmo com choro
Que meu desejo é seu
463

Eu

Não existe mágica
Não existe cortina
Apenas minha cara branca
Coberta por esperança
De ser coroada por seu olhar

Queira ou não queira
Tomo conta dos seus passos
Pode seguir para aonde quiser
Eu te sigo!
Convidei a alegria para nos acompanhar
Juntei nossos segundos com carinho
Para te eternizar

Mesmo que parasse as águas desta correnteza
Ela nao seria mais bela que você
Se retratasse a trilha que você segue
Não descansaria meu pensamento
Estou por conta de viver você

Na cidade ou litoral
Vou encontrar um canto para nós dois
Estou juntando nossos passos num compasso
Por quê insisti em demorar?!
Eu vou te acompanhar
Mesmo sem saber aonde isso vai dar.
319

Minha revolução

Iniciando uma revolução sem eufemismo
Abrindo mão do que não faz mais sentido
Repartindo meus sentimento em alento
Esvai-se minha vaidade...
Foram tantos os dias de luta
Tanto choro, desprezo
Sem teu aconchego, tive medo
Inda permanecem as cicatrizes
Dos dias de crise, quase morte
Vi meu espirito partir
Por algum motivo recobrei a memória
Não desejo apagar a nossa história
Apenas alcançar a glória de viver em paz
Suas falsas verdades, palavras
Já não me causam efeito
No seu olhar de veraneio, vi o inverno chegar
Sem flores, sem cores, sem o cheiro do barro molhado
Acabaram-se as novidades das tardes alegres
Meu suor não tem mais seu cheiro
Vi a guerra cessar.

Eunice Spina 22-12-15
294

surpreendam

Já não espero mais que me surpreendam.
Não estou disponível a conversa fiada.
Basta uma cerveja gelada, ja fico emocionada!
350

Comentários (3)

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Dulciney Verediano
Dulciney Verediano

Maravilhoso

Silva

me adc no insta spina.eunice

silveira

Ótima poesia. Me reflete.