Em processo de cura Na a miúde conduta De não ler mais os versos seus Sigo triste tormento Seus escritos estão sobre a mesa O vento desfolha suas páginas Me concentro Retomo a conduta Mudo a direção do olhar Respiro fundo É um vício, sinto meus nervos saltarem Espalhados no inconsciente Da memória presente Corro ao seu encontro Mais uma vez falho Seguro contra o peito Seus versos, devaneios Parace que vou me alimentar Acalentar um coração Que sofre de abandono Rascunhado por você Sofro mais uma vez com orgasmos múltiplos Garrafa vazia, na penumbra desta sala Entorpecida com a força que usaste na caneta Preenchendo cada espaço em branco das folhas Durmo então.
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Vigília
Vigília
Sentada à mesa nessa esquina Tenho uma visão privilegiada Tao quanto o moço na calçada Sigo com o olhar as pernas que passam Riu, acho graça Minha vista embaralha Todos são meus conhecidos Conheço cada gesto, vigio. Todos tao repetitivos Chego a ter preguiça só de olhar Vejo a hora passar Ansiosa esperando a noite chegar Não que algo novo vou fazer Mas espero aqui só para ver O que de novo esta para acontecer Será que hoje verei você? Te espero, te vivo Já é tao normativo Privar esse momento É entrar em conflito Quase uma lei muda Inclusa dentro de mim Me condena Pago a pena Presa a esse delírio De mais um dia ver você chegar Se ao menos você soubesse Que todos os dias estou a te esperar Talvez me dirigisse seu olhar Mas ainda estou aqui A te vigiar...
Eunice Spina 07/07/15
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Apenas amor
Apenas amor
Hoje sentada nesta sala Vejo paredes brancas, gelam Carrego na memória, consciência O peso de estar sem você Sinto me uma criança, medrosa Que tentou fugir do que nais teme Insistia em não ver, viver Criei uma parede, forte Para separar, o desconhecido e eu, Me escondi, chorei Muitas vezes tentei ficar na ponta dos pés para ver o que estava além Faltou coragem para erguer o corpo Não abri meus olhos, não vi além Por muito tempo não soube o que temia Apenas o medo me invadiu Ate que um dia, triste Ouvi o silêncio invadir a sala Abri as janelas dos meus olhos Descortinaram use as memórias Lembranças iluminaram meu ser Tudo o que sempre temi Foi o que mais amei Meus fantasmas, minha dor Era relutar comigo mesma Saber que te perdi Com medo de apenas ter Entre o fracasso e medo Definhei em amor, moléstia Me cura, te suplico Me abraça, me faz entender Que mesmo me mantendo longe Estou presa a você.
Eunice Spina 08.07.15
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Disparo
Nessa manhã escuto o disparo Corro para de baixo da cama Procuro me esconder Medo me consome Fico estática, paralisada Suor escorre em meu corpo Mãos trêmulas, que escondem meu rosto Abrir os olhos e ver Só em pensar Sinto a coluna estremecer Deus até aonde permanecerá Meu medo de estar Se a cada disparo do meu coração Fazem lembrar minha solidão De um dia saber que tudo foi em vão Amor fugiu de mim sem permissão Do que me adianta esconder então?! Vou cometer um suicídio Um amor atroz Vai morrer em mim
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Alma
Sinto saudades de um tempo que não sei se vivi Um sentimento que fecunda minha alma, me fazendo refletir Pensamentos voam em desencontros Se esbarram, mas não se falam Sinto uma multidão em mim Passos desordenados, ecoam risos Eu me calo. Meu olhar desatento percorre cada rosto Procuro entender esse particular, tao singular, que fica fácil expressar Não existe solidão, existe eu em massa Ocupando todos os meus espaços Engraçado... Ainda sobra espaço Eu exito, eu riu Eu desisto de tentar me contar Não sei me fracionar Sou eu pra lá, e também aqui Por mais que eu tente fugir Meu eu não saí de mim Eu me sufoco, eu grito Eu me incomodo, silencio
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Suingando
Como é bonitinho! Com esse gingadinho no andar Seu corpo vem suingando Fico entre céu e mar Faz assim comigo não! Quando você passa Começo à delirar Como é bonitinho! Esse sorriso de verão Tem o infinito do horizonte Junto do olhar Sao tantas possibilidades de te gastar Não sei por onde começar Mas já te dispo com olhar Como é bonitinho! Ele sabe por onde vem...
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Desejo
Quero de novo provar Fazer do meu coração sua moradia Me apaixonar, alegrar meu dia Quero de novo provar Que tudo na vida é novo Tão novo quanto o que me causa Quando meu olhar com o seu se cruza Me encontro de novo contigo Me liberto do passado Escrevo no agora nossa história Mesmo que as circunstâncias não sejam boas Construo meu mundo novo Se um dia o medo voltar Vou provar de novo Mesmo com choro Que meu desejo é seu
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Eu
Não existe mágica Não existe cortina Apenas minha cara branca Coberta por esperança De ser coroada por seu olhar
Queira ou não queira Tomo conta dos seus passos Pode seguir para aonde quiser Eu te sigo! Convidei a alegria para nos acompanhar Juntei nossos segundos com carinho Para te eternizar
Mesmo que parasse as águas desta correnteza Ela nao seria mais bela que você Se retratasse a trilha que você segue Não descansaria meu pensamento Estou por conta de viver você
Na cidade ou litoral Vou encontrar um canto para nós dois Estou juntando nossos passos num compasso Por quê insisti em demorar?! Eu vou te acompanhar Mesmo sem saber aonde isso vai dar.
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Minha revolução
Iniciando uma revolução sem eufemismo Abrindo mão do que não faz mais sentido Repartindo meus sentimento em alento Esvai-se minha vaidade... Foram tantos os dias de luta Tanto choro, desprezo Sem teu aconchego, tive medo Inda permanecem as cicatrizes Dos dias de crise, quase morte Vi meu espirito partir Por algum motivo recobrei a memória Não desejo apagar a nossa história Apenas alcançar a glória de viver em paz Suas falsas verdades, palavras Já não me causam efeito No seu olhar de veraneio, vi o inverno chegar Sem flores, sem cores, sem o cheiro do barro molhado Acabaram-se as novidades das tardes alegres Meu suor não tem mais seu cheiro Vi a guerra cessar.
Eunice Spina 22-12-15
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surpreendam
Já não espero mais que me surpreendam. Não estou disponível a conversa fiada. Basta uma cerveja gelada, ja fico emocionada!