Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Entre as lembranças, Beijos, abraços, olhares e cheiros, Companhia, toques e uma infinidade, Somado as emoções que ficaram, Que se foram com o tempo. Lugares inesquecíveis, Pessoas e bons momentos, Impressões na alma, Digitais do corpo em ondas, Revela-se a cada silêncio, Surpresas da vida latente. O existir entre sorrisos e lágrimas, Experiências intactas do caminho, Sensações inexplicáveis, Entre outras coisas sensíveis, Na grata memória em suas seduções, Transcendência de nós em gotas, Ao primeiro acariciar vívido do que se foi.
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Vitrais
Há tanta vida na vida, Que chega doer o existir, Quando os olhares se tornam cegos, Emoções supérfluas, Nos corações empedernidos. São tantos sábios, Que a sabedoria se fez muda, Observando o tempo, Prantear os seus mortos, Em seus últimos discursos, Engasgados em suas palavras. Há tantas sementes sem chão, Árvores daninhas, Que a natureza geme em silêncio, Perscrutando as raízes mais profundas, Em busca de esperança. Há tanta gente lá fora, Desejando um pouco de amor, Enquanto quem os tem não sabe de si, Beijam o vento na noite mais fria, Abraçam a tormenta em suas almas, Enamorando-se da arrogância que os consome. Há tantas cores sem aquarela, Tantos céus sem nuvens, Noites sem estrelas, Que a beleza se aquebranta, No mais longíquo desejo de felicidade, Observando os avaros em seus reclames, Os que não tem clamando de fome, Da caridade, do abraço e da amizade, De comida do mais simples gérmen; Amor entre as gentes.
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Infortúnio
Vou seguindo, Sentindo o que tu me destes, Revés do amor que com tal desvelo, Enamorou-se meu coração de tanto encanto. Estrada afora desfaço teus laços, Beijo a noite que me afaga, Sussurrando aos meus ouvidos, Versos de silêncio ao meu ser dolente, Vívido de esperança ao brilho de uma estrela. Vou seguindo entre as pedras, Do castelo que desmoronastes, Deixando as flores mortas, Para o sepultamento de sua beleza, Petrificada na lembrança do seu olhar, Vil sorriso de pandora, Desdito prazer íncola morte.
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Otimismo
Pensei em escrever alguns versos, Minha escrivaninha riu-se de mim, Quando diante dela, Sem saber o que versejar, Fiz apenas um ponto no papel, Agradeci a inspiração do momento, Ao levantar-me feliz, Por ter feito uma bela poesia, Pois o ponto na folha em branco, Somos nós a escrever nossa história, A partir do primeiro passo.
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Intensidade
Canta este olhar em sensualidade, Estas nossas mãos entrelaçadas, Aquecidas em nosso desejo, Este fogo que nos queima, Cálidos corpos fulgurantes, Abrasados de paixão. Me apego aos teus sussurros, Danço ao som de sua fúria, Estas rotações do amor, Beijando meu corpo no teu, Notas musicais do seu arpejo, Intrumento notável, De suas hábeis mãos em trovas. Em teus movimentos bailo, Ao som de sua melodia sem ensaios, Embevecido na beleza dos teus encantos, Oásis do meu repouso, Fonte de loucuras, Hálito refrescante dos teus lábios, A oscular-me por inteiro.
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Alma Nua
Neste silêncio de mim, Fecho meus olhos, Rompo as barreiras do cansaço, Ergo meus braços e sigo, Correndo para onde eu quiser, Tocando o céu e as estrelas, O mar e as nuvens, Misturando as cores, livre como os pássaros, numa longa jornada, Sem medo do desconhecido. Sou tudo e não sou nada, Na beleza do amor incompreendido, Onde as palavras perdem os sentidos, Revelam o infinito das coisas, Nas emoções inexplicáveis, Gotejando a plenitude da vida, Nas profundezas da alma.
482
Beijo
Beija o silêncio os teus lábios, Ditosa beleza que me fere, Sangrando-me sem sangrar, Desejo algoz em minha face. A tua boca entreaberta, Revela rosácea flor, Sensualidade desperta, Ao hálito fresco deste cálice. Tempestuosa suavidade, Refugia-me em teu olhar, Sorriso que me afaga, Expressão de si cheia de encantos. Beijo-te do nascer ao pôr do sol, Quando em pensamentos, A tua imagem em meus sonhos, Ama-me infinitamente.
515
Paixão
Estas rosas em teu corpo, Haverei de tocá-las, Pétalas macias, Que perfumam meus sentidos, Beijando-as neste jardim. Serei o sopro do vento, Descobrindo a sensibilidade, Saciando-me em cada gota, Deste rio orvalhado entre suas folhas, Desabrochando tua sensualidade. Na fúria dos teus espinhos sangrarei, Tomarei este tímido gêmulo, A eclodir em meus lábios vibrantes, Sob o encantamento da virgem flor. Ínfero segredo me poetiza, Doce fruto aromático, Insólita solidão em teu regaço, Desejos de incomensuráveis versos, Ao amor que te revelo.
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Burburinhos
Sol tímido e primavera, Rasga a direção ao vento, Ao seu querer, Madressilvas da alma, De todas as cores. Em tantos amores, Seguem as ondas, Beijando a praia do eu, Em suas emoções, Marcando a areia sob os pés. Habitamos em tantos lugares, Sabendo-se confusos, Entre as moradas difusas, Dispor da noite e do dia, Alusões da vida, No silêncio da luta. Em algum lugar, Um beijo, um grito, uma dor, Uma lágrima e um sorriso, Tantas coisas por aí, Iguais as outras, Folhas amareladas que caem, Em algum canto, No sussurro das horas.