Perfeito Ocasional
Uma noite por este dias
Eu sonhei que era perfeita
Em casa rotina Suíça
Desde o levante até à deita
E meu corpo nunca cansava
Nem minha mente se equivocava
Meus dois filhos eu educava
Com preceitos bem precisos
De acordo com as teorias aceites
Nas escolas e nos Juízos
Nunca falhava a refeição
E tinha a casa sempre num brinco
No trabalho nem um erro
Zero Dúvidas e Mil Sorrisos
Com o companheiro só amor
E nenhuma zaragata
E se comigo cruzasse qualquer estupor
Logo me sentiria grata
Que sorte saber perdoar
Qualquer falta do inergume
E assim quando lavava a alma
Nunca saía nenhum negrume
Também nunca sentia raiva
Ou frémito incómodo nas entranhas
Eu entendia toda a gente
Os bons, os maus e os patranhas
Claro que todos gostavam de mim
Que andava sempre contente
Agradava a Gregos e Troianos
A todo o mundo a toda a gente
Acordei cansada e toda suada
Quando me senti perceber
Que perfeita não sou afinal
Mas também não quero ser
Posso acordar mal humorada
Até ao ponto de assustar
Posso atrasar de manhã
Quando quero ir trabalhar
Já se meus filhos cometerem falta
Não sou muito de ralhar
Sou do género paciente
E explico o que tiver de explicar
E verdade até agora
Não deixou de funcionar
E se meu amor me zangar
É certo vou-lhe à jugular
Mas também sou mulher
Para com grande marotice
A seguir ao fazer pazes
Me deixar ir até aonde a fantasia nos levar
Também não gosto de toda a gente
E até posso perdoar
Só não esqueço as faltas sofridas
A fim de que a falta não volte a tornar
Também lamento a quem eu própria falhei
Afinal sou, humana a tempo inteiro
Pelo menos isso eu sei
Perfeita sonhei que era
Mas acho que sou afinal
Perfeita neste jeito de ser
De perfeição ocasional.
Sofia Rocha Silva
Que Raiva Que Dá
Que raiva que dá
Quando a vida nos foge
E quando birrenta teima
Em não ir a lado nenhum
Pelo menos não ontem e não hoje
Que raiva que dá
Sentir que o tempo avança
Enquanto os sonhos permanecem
Firmes num tempo de ser criança
Que raiva que dá
Quando já perto de alcançar
O chão foge, uma e outra vez
A ponto de desesperar
Que raiva que dá
Quando até já dá raiva sonhar
Mas de que serve chorar
As esperanças perdidas?
Por acaso lágrimas trazem novas saídas?
E de que serve a pena
Que de mim se acerca
Senão para torvar a mente
A fim de que me perca
Que raiva me dá afinal ficar estanque
Quando é melhor a escolha obstinada
De seguir avante!
O Vazio...Do Frigorífico.
Ai de ti que te apressas
No tempo meu que corre lento
Muita fome me revelas
Quando eu com menos me sustento
E se tua angústia soltas livre
Enquanto imploras meu amparo
É certo que te torturo
Por dentro sorrindo, coração já duro
Enquanto um belo bife
Em minha mente eu preparo
Tendo por vazio meu frigorífico
Repleto apenas de significado
Sofia Rocha Silva
A Minha Lua
Assim te cobres fria e dura
Com um manto de significados
Revestidos de natureza obscura
Lua minha aquariana
Que à nascença me fadaste,
E que escrevendo com os astros
Muito cedo me falaste
Daquilo que veio e do que ficou
E dos traços que moldam
Minha sombra pura e nua
Sentimentos, sensações
E vincadas intuições
Que nos mais negros momentos
Se revelam trazendo a luz
Assim eu a deixe passar
E não a tente barrar
Com a razão das lógicas
Que não cessam de me falhar
Sofia Rocha Silva
A Conspiração Das Criaturas
Que se aquietem os corações aflitos
E domem os pensamentos selvagens
Apresente-se a esperança ao serviço
Dos espíritos que ao Todo comprazem
E que o sonho traga a vontade
de quem já na verdade
Por dores, ilusões e enguiços
Às verdades do céu e da terra
E às sua próprias que por medo nega
Não acredita e nada lhe medra
Que o Céu e a Terra
Que a Água, o Ar e o Fogo
E todas as criaturas de vida
Se unam conspirando na união que já é
E lhe mostrem quem pode ser
Se assim o quiser
Sofia Rocha Silva
Dedicado a todo aqueles que ousam sonhar
Agarra a Sombra e Dança Com Ela
Como é bom sentir
As sensações de quem sente
E não o vazio de coisa já morta
Ou porventura ainda dormente
Como é bom despir uma armadura
E deixar fluir o que tiver de vir
Mesmo que venha dor, crua e dura
Como é bom agarrar a coragem
Própria de quem olha para a sua fragilidade
Com gana, despudor e vontade
Pois não é fácil evoluir, crescer e expandir
Ao invés de esconder, enterrar e fugir
Fingindo força quando nem um dedo
Se consegue levantar para mudar
Como é bom o superlativo de estar vivo
De criatura que agarra a sombra pela cintura
E com ela dança um sentido Tango
O Tango da Rua da Amargura
Como é bom aprender, sentir o pulsar, sentir a dança
Superando a velha crença tansa
De que ignorar negrume é segurança
Convidemos pois as obscuras partes
Que a cada um de nós pertencem
Para o baile Primaveril em distintas presenças compósito
De aceitação e renascimento
Dando ao nosso negro mais puro
Um novo e mais venerável propósito
Sofia Rocha Silva
visitei a sua p[agina e gostei do que li....saudações...
Muito obrigada João! Já está a caminho :) Programado para o final do mês de Julho. Nessa altura actualizarei no perfil.
Parabéns, gosto da sua escrita, seria agradável ve-la impressa num livro.
José, Muito Obrigada! Fico feliz que goste :)
LIndos poemas!