susete evaristo

susete evaristo

n. 1948 PT PT

n. 1948-04-11, serpa

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Pensamento

O futuro a deus pertence
Na vida nada reténs
Até a vida dos homens...
o mais alto dos seus bens

Era o desejo de muitos
que em seis meses parasse
este projecto de vida
e a democracia acabasse

Não me parece porém
que tal venha a acontecer
E ao povo será provado
Que na luta bem conduzida
Está um novo alvorecer

É que um povo sem cultura,
Sem saúde e educação,
Sem casa e sem trabalho
Sem ter na mesa o seu pão
Sem ser senhor dos seus actos
É povo na escravidão

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Poemas

19

Sonho

Sonho

Sonho-te amor na madrugada:
O meu nome murmuras com doçura
A tua boca em minha boca desesperada
Teu corpo em meu corpo uma loucura

Segredas-me o amor do tempo antigo
Em silêncio guardo os meus desejos
E peço à vida apenas não me negue
O calor da tua boca teus doces beijos

Sonhei como quem sonha um poema
Sonhei como quem sonha a primavera
Desfaleço ao acordar sem teu sorriso
Choro a dor que o meu peito encerra.

Braços vazios e coração despedaçado
Tendo por companhia a pouca sorte
Sou a tristeza, a nostalgia, a saudade
E sinto em mim o gélido frio da morte
434

Paixão antiga

Paixão antiga

Da vida nada quero,
nada espero
A não ser esta
paz, esta alegria
De saber que o
tempo não matou
Aquele amor que
foi nosso um dia
600

Pára Coração

Pára coração

Sossega coração
Não me atormentes
Pára!
Não me faças mais sofrer
Embora no meu peito
Ainda palpites
Como dizer-te?
De forma que acredites
Teu tempo já passou
Agora o tempo
É tempo de morrer.
413

Onze

ONZE

Sei que vou morrer
Num qualquer ano
Num qualquer mês
Num dia onze.
A onze nasci
Ganhei e perdi
Meu companheiro
Avós e mãe
A onze acabo de morrer
Mais uma vez...
Não vou contrariar o meu destino
Não vou viver em desatino
Sei, presságios meus
Num qualquer mês
De um ano qualquer
A onze
Direi adeus
544

Meu Amigo

Meu Amigo

São para ti
estas palavras meu amor
Dizer-tas desta forma
é meu castigo
Vivi,
Sonhando contigo a vida inteira
E agora que te encontrei
Só poderei chamar-te
Meu Amigo.
633

Pregão

Pregão

Quem quer?
Quem quer comprar um coração
Que já não cabe no meu peito
Que está cansado de sofrer?
Quem quer?
Quem quer comprar desilusão
Que se alojou num coração
Que já está farto de viver
Quem quer?
Quem quer comprar a saudade
D'um coração já sem vontade
E que está prestes a morrer
Quem quer? Quem quer?


464

Madrugada

Madrugada

É madrugada
E o meu corpo dói...
Dói, de tanto querer o teu.
Mas a meu lado,
Feliz, adormecido
Tu continuas nos braços
De Morfeu.
424

Saudade II

Saudade

Chegou num abraço a madrugada
Envolta em languidez tamanha
Trazendo, vinda não sei de onde
A cadência de uma sinfonia estranha

O brilho das estrelas reluzindo
Desce do céu em doce companhia
Sendo os teus olhos, a luz que alumia
Que aquece e incendeia, a minha poesia

Esta amizade que entre nós flutua
Cúmplices, vivendo de um amor antigo
Eternamente presos a uma só verdade

Embora longe sinto, estás comigo
Quero-te tanto mesmo não sendo tua
Meu terno amor, minha infeliz saudade
480

Alentejo

Alentejo

Meu coração, acalma o alvoroço
Vê se sossegas um pouco no meu peito
Voltar ao Alentejo é doce encantamento
E o caminho como um mar imenso

Passado o Tejo ficamos bem mais perto
Desce já a paz dos campos sobre mim
E alegra-se o olhar quando depara
O rubro das papoilas... um jardim

Estar longe de ti um sofrimento
Que a vida me impôs, pecados meus
Saudade que me traz em desalento

Esta ânsia de rever-te terra minha
Faz-me acreditar que existe Deus
E regressar é sonho que acalento
508

Ser Poeta

Ser poeta

Sou poeta...
Se poeta é sentir no coração da gente
Um sentimento profundo
E cantar o que se sente.
Sou poeta
Se poeta é saber cantar a vida
O amor, a luz do sol
Saber ouvir um lamento de gaivota
Ou a alegre voz do rouxinol
Sou poeta
Se poeta é olhar
Vendo o mundo de outro modo
Saber sonhar, acreditar
Num amanhã
Num Mundo Novo
407

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