Lista de Poemas

Esperança

A esperança não se sente.

Ela caminha contigo.

Teu consolo a todo instante.

Único sentimento que ainda sigo,

O pobre cego viajante.

Ela não é a última que morre,

É imortal por si só.

Me consola quando me abandona a sorte.

Desejando que me livre do pó.

Não sinto teu abandono...

Sinceramente...acho que não deveria.

Já que sou meu dono.

Ao passo que sei que não o seria,

Se não te amasse só no outono,

Mas em todos os tempos da vida.

430

À Minha Sereia

Uma onda após a outra,

Aportam na praia de areia branca.

O céu azul, espelho do mar,

Paciente, aguarda pelo prateado luar.

A saborosa água salgada,

Abrigo de um mundo submerso.

Na superfície aguarda um pescador,

Lança a rede ao mundo emerso.

Pescador da pele morena,

Entrega esta pérola á minha sereia.

Entrega àquela dos cabelos ruivos,

Quem me espera descalça na areia.

Diz à ela o quanto à amo.

O quanto nunca deixei de amar.

Que ela é meu grande amo,

À quem todos os desejos vou realizar.

Diz a ela que seu maravilhoso canto,

Me afogou na salgada água do mar.

Que eu a aguardo aqui no fundo,

No mar que sempre irei amar.

528

O Quarto Escuro

Um quarto escuro.

Cada luz apagada em respeito,

Até os astros em silencio,

No quarto escuro.

Da luz que rasga as trevas,

Daquela mesma luz,

Que espanta as feras,

Trancafiadas no quarto escuro.

Trancado a sete chaves,

E tu es dono de todas as sete.

Não seja tentado a abrir aporta,

Nem mesmo um dos sete cadeados!

Pois se por uma fresta que seja,

Adentrar o mais fino fio de luz do corredor,

As bestas despertam.

Unicamente para sentir o calor e conforto da luz.

Seus olhos vermelhos e dentes serrilhados.

De um quarto escuro, em paredes enjaulados.

Ganham força com a luz,

E teu lugar tomam,

Em cada sentimento, cada decisão

Sua mente escurece...desclarece.

Do quarto escuro.

E derrepente despertas...do sonho da vida.

522

Esboços

Cada gota,

Dessa chuva amarga,

Queima ao ser tão devota,

Às mentes amarguradas.

O desacordo,

Que me desperta toda noite.

O ancoradouro,

Em que não aporta mais

O amor...

As diferenças,

Criadas na imaginação de quem as pensa.

Tais diferenças inexistentes,

Ditadas por cor, gênero, raça e crença.

Calúnias!Palavras sem sentido!

As diferenças existem!Mas não aí!

Por quê tanto desacordo?

Se as diferenças são somente um esboço,

Esboço dos segredos íntimos que lhe assegura o corpo,

Esboço dos sentimentos frágeis que guarda na alma,

Esboço da personalidade vasta que desenhas com calma,

Esboços...

A verdade,

É que as diferenças são criadas,

Num momento de solenidade.

Quando deixamos de ser humanos,

Para ser sacrifício da humanidade.

Dar nossas próprias vidas

De bom grado,

Para sustentar as diferenças,

Do mal amado...

471

Coração Amante

Se fomos feitos um para o outro?

Nunca saberei dizer...

Mas que eu fui feito pra você,

É a certeza que mais me concede prazer.

A certeza de que me apaixonei pelo olhar mais belo.

Um olhar admirado com a promessa de tão puro amor.

A promessa de luz, para as trevas que virão.

De fartura para a fome que desce ao vale.

De puro amor em um mundo de amantes.

Hoje sou poeta...amanhã...talvez ator,

Mas aquele que eternamente sou, é esse eterno sonhador.

Que em seus sonhos sente o mais belo olhar,

Á nele repousar, de pura paixão.

Olhar que desabrochou uma vez...

Para nunca mais murchar meu amante coração.

482

Ela

Escondida nas sombras Ela se encontra.

À espreita, atenta a tudo!

Invisível no escuro Ela espera.

Por qualquer deslize do mundo.

Então, se da um deslize num momento de fraqueza,

E Ela, seu bote em seu cangote prende.

Estás preso com firmeza.

Você agora a sente.

Seu nome? Não posso dizer.

Porque simplesmente não sei,

O que quando dizei-lo pode acontecer.

Ela me segue a cada passo.

E eu à Ela não deixo espaço.

Pois se deixá-lo, será um deslize meu.

Assim amaldiçoado serei com o eterno breu.

Maldita Ela quem agora vem.

No mesmo momento,

Em que amo alguém...

462

O Vento

Venta o vento,

Levando para longe o desalento,

Para longe venta o vento.

Venta feliz e desatento,

O velho vento.

De indas e vindas,

Vive o vento.

Um velho sedento.

Sedento de sentimento.

Pobre vento!

Incapaz do merecimento.

De um dia, sentir o sentimento.

Desatento venta o vento.

Para longe do desalento.

Venha vento!

Porque eu te prometo,

Um breve sentimento.

Simplesmente tenha o intento,

De sentir o próprio vento.

E te presenteio no momento,

Em que finalmente para o vento,

Encontra o sentimento,

No dia no qual atento,

Chega o desalento.

E infeliz,

Chora o vento.

Aos poucos morre o velho vento.

Que agora dono do merecimento,

Chora sentindo o sentimento.

De assento,

Se enche o vento.

Que renasce, novamente desatento.

O velho vento.

519

O Ferimento

Me dói o coração,

Ao pensar nesse mundo.

Que sofre com a opressão,

De um ferimento profundo.

Ferimento causado por nós.

Quem há muitos anos essa terra imunda.

Importando-se com o que?

Uma folha de papel moribunda.

Da qual inventamos que tenha valor!

E por ela brigado, nos matamos.

Em um suicídio sem amor,

A nós mesmos assassinamos.

De cima da montanha,

A mais funda da terra.

Sou capaz de uma façanha,

Que não é única em qualquer serra.

Questiono á tudo!

Para que seus erros vejam.

Mas o mundo é maldito...

E eles não vêem o que não desejam.

430

Amor Longevo

O choque de espadas,

O desperdício de sangue,

O corte das adagas,

O clamor por teu nome.

Tudo o que quero de você,

É um simples beijo.

O que sempre me deixas-te,

Em absoluto desejo.

Desejo o qual venero.

A mais valiosa gema da terra.

O amor que sempre espero,

Mas se esconde na distante serra.

Ah! Se morasse mais perto!

Quão feliz seria eu!

Um amante que finalmente ama,

Tão distante do breu.

Será que vai demorar?

Essa distância a se perder?

Não sei se ainda posso agüentar.

Certo de que muito vou sofrer.

Será esse o meu castigo?

O preço de meus pecados?

O simples motivo:

Eu um dia ter amado.

474

Cicatrizes

Todo ferimento sara,

Mas sempre deixa sua marca,

Mesmo que seja apenas na memória,

Uma cicatriz para a vida toda.

Tu me abriste o peito.

Com a faca sagrada que chamo: saudade.

Para mim foi o teu maior feito.

Pois abriu meus olhos para a verdade.

Entendo agora que todo ferimento,

Ensina mais a mim,

Se for em merecimento.

Marcando assim, sempre um fim.

Da cicatriz à memória,

Fica a marca do saber.

Passagem da agonia,

Por tudo o que foi, e ainda vai ser.

Cada cicatriz é um mártir,

Que lembra me a todo instante

Dos erros que cometi.

E permite lembrar me,

Daquele que esqueci.

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