Lista de Poemas

Lugar nenhum

Falo de lá

Lugar que não é deste mundo

Material lá não tem

apenas pensamentos

novos...

ainda indescritos

devido a falta de letras

palavras... verbos ou conjugação


Lugar nenhum é bem vivo

onde tudo é vivo

onde tudo é são


Tal qual energia imanente

que não se contamina

por ser apenas e de pronto

Lugar de um merecido repouso

Que não se altera por nada


Pós obras que dão trabalho

Fez-se a luz...

Aqui...

Que é...

bem fora de lá


AQUI !!!


Onde agora navegas

sem saber-se criador

das dores que te dão todo saber

Em todos os sentidos


Levando-o a desviar

das margens...

Dos cais...

Das pedras...

Tão reais como IMAGINAS ser


Sofres por puro prazer

Por amar estar encarnado

exercendo as suas escolhas

Que as vezes te encalha

Como riscos em qualquer obra

mal planejada


Marolas que rasa te agarram

Prendendo-te nas areias

que te esfoliam a pele

Capazes de te paralisar...

Dissolvendo-te por medo

de navegar em alto mar


Mude...

Mude sua rota

Siga prá lá

Lugar nenhum é lugar de ser nenhum

É onde se apagam os equívocos...

Os aparentes erros e os encalhes

imaginários


Eu prefiro navegar e remar

Só volto lá prá repousar

depois de velejar com muitos até cansar


ou surfar só,,,

Por minha conta e risco

Nas minhas próprias ondas

Que crio por diversão


Melhor fazer...

Que não exercer

Seu direito de SER

O próprio SER


E ficar esquistificado

Numa prancha de desenhista amador


Cinética é a primeira ARTE

E NÃO A SÉTIMA que algum tolo

Aventou e você acreditou

abandonando seu posto

De diretor de cinema...

De ante mão...

Consagrado





463

Nada em si mesmo

Nada em si mesmo existe

sem que você participe

da criação de tudo


Não são meras palavras

nem meros escritos

simplifico

explico

o que já deverias saber


Por mais que tentes não ser

és criador nesta vida


Se Deus não criasse o mundo

você não seria você


Num mundo que dá tantas voltas

revoltas serão contínuas

Você de girar desatina

nem sabe o que veio fazer


Vieste sem vestes

criaste as roupas

e se escondeste

de vergonha


por entre as folhas

é que se lê

pois és um poeta

a escrever certo

por entre linhas tortas


Saiba então que por princípio

tudo começa e termina

em um tal...

você


Nada em si mesmo

de braçadas

avança certeiro

sem erros

não seria certo

nem seria belo

escrever versos

que não dizem coisa alguma...

apenas nada

sem ser você








422

Silenciosamente

Escrevo silenciosa

o que escuto-me dizer

ao pensar... divagante

Que ruido incessante é

pensarpensarpensar
pensante um trem pensante
maria fumaça mental
pensar coisa e o TAO

E como silenciar?

o que não se permite parar?

Algo virá

Algo será

escrito por se pensar




439

Pergunto

Por que a poesia mais dolorida...

É sempre a mais lida?

Ainda não sei responder.

411

Medita nas entre-linhas

Penso que logo e de novo insisto

sou persistente

e incoerentemente medito


no silêncio me transformo

e mudo

pois tudo muda


se brota?

já eu não sei


Só sei que nadar não sei

mas não me afogo em alto mar


quando por baixo dos pés

tenho um barco a me levar


Medita no que quis dizer

e suas redes neurais

ascenderão como feixes


E o que surgir pode ser peixe

ou camarão faxineiro

que despolui as águas

contaminadas de escrotos


homens de escafandro

que fuçam a procura do lixo

enquanto produzem e comem

a produção de lavagem


Tem coisa que não se limpa

tem coisa que só finda

e é um alívio acabar...


Terminar prá renovar

emergir-se das profundezas

do redemoinho das coisas

que nos levaram para tão baixo

bem próximos do buraco negro






426

Magas amargas


Guardei as palavras

não sei por quanto tempo

vai perdurar este agora!


Agora é momento de refletir

sobre o que houve agora

e sabe-se lá por quanto tempo

será enfim este silencio


Criamos nossas histórias

e não finjo...

Não sabe-lo

nem fujo

nem nego

nem me escondo tal menino

assustado por poder

fazer arte... Tantas artes

até queimar-se... quebrar-se

inflamar-se com febre por dentro


Não imagino sofrer

Sou das Magas mais alegres

imagino felicidade abundante

que compartilho com muitos

Magos amigos


Mas sempre tem um...

Que renega e emburra sozinho

ficando tristonho...

Em qualquer canto

Curtindo sonhos funestos

Imaginando abandonos


Cegos

diante de tudo...

Só falta

Diante do tudo

há nada...

Nada enxerga

Nada vê

Nem lágrima brota ao olhar

No olho congestionado...

Petrificado dos seres opositores

do estado de alegria


Os Magos da amargura


Preferem a noite e a clausura

Os choros e os rangidos

os fracos e os oprimidos

por companhia e afeto













472

Inviável


É o desejável...

Não se fazer...

Por inviável parecer...


Tudo pode ser...

Desejado e ainda assim...

Ser viável

A qualquer SER...


Que se imagina fazendo

e imaginando...

Faz acontecer


Que seja sempre algo cheio do novo...

Pré concebido como possível

Por amar realizar

Tão bem o que imaginas 'PODER'


Semelhante a qualquer ideia...

Que concebas como viável

De se realizar com seu próprio 'PODER'


Criar a sua imagem

algo de bom...

Semelhante a sua GRANDEZA

DE SER...

CAPAZ DE FAZER

409

Causa e efeito

Aquele que causa efeitos

sem saber

É vitima

de si sem ciência


saber-se agente

nos poe contente

a controlar o presente

que insiste em ser

presentemente agora


renovas e causas

mesmo sem saber

que causas

são atos

criados a tua maneira


Os efeitos que nomeias como defeitos

são feitos que julgas contrafeito

feitos criados por outros


alienado de si

vagueias por ai

a procurar os culpados


por mais que procure as causas

do lado de fora de si

compreenda...

O criador mora em ti


Espelhas sem refletir

espelhos são todos os outros

a refletir o que causas

afeta em si

as causas e os defeitos

são seus efeitos chamado

outros


Por isso és mago

que colhe o que planta

por isso este gosto amargo

na própria garganta


efeitos do não saber

quem realmente planta

as sementes que digeres

tão tristemente



396

A margem que emoldura

No canto esquerdo

mudo te vejo

meio recorte

meio profundo

atras sem frente

sem mar

amor amar


o dia acorda

em maresia

um dia

bem a noite

faremos uma poesia

riremos de tanto gozo

e acordaremos

o mundo aos gritos


euréka

euréka

euréka

Eu TEKA


eu amo

eu amei

eu amarei


esta é nossa cina

meu amor

Não tem um dono

Mas é teu também


532

Momentos

Tenho muitos motivos

que exponho momento a momento

Alguns tão claramente fluem

Outros... emperram

Provocam no íntimo... um grito

que silencio... nem manifesto

Percebo o desconforto

naquele momento exato...

travando meu peito

Por algum motivo

um fato...

que desconheço ser claro

Motivos tenho muitos

Já os momentos...

são sempre passageiros

que levo por algum motivo

assentados dentro do peito

Quem sabe eles desçam

na próxima estação

Me liberando o vagão

que chamo de coração

Um bom motivo

é também um bom momento

Eles permanecerão marcados

como eternos passageiros

se é que existe um eterno
e
passageiro?

viver é mesmo

um motivo

num contínuo de movimentos

quem diz que motivos

e momentos mudam...

não sabe dizer por qual razão

assim como eu... também não

Neste momento

tenho motivo

para terminar

sem alguma razão conhecida

São tantos transeuntes

em poemas

faço mais uma parada

algum motivo passageiro

acaba de desaparecer

deixando vago e sem motivo

um espaço vago

No vagão dos sentimentos

bem aqui dentro de mim

um silêncio assentou-se comigo

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Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!