Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

Perfil
49 243 Visualizações

Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
Ler poema completo

Poemas

82

Janela

Quando abro os olhos observo uma janela marrom
o quarto branco me cega toda manhã,
na minha vista cresce um pé de acerola,
essa fruta tropical com gosto ácido,
banha toda minha família nos almoços,
me enche de nostalgia
as acerolas que frutificam no me quintal.
331

Viagens

Existem momentos que não há estrada
capaz de matar minha sede
por viagens literárias.
392

Fantasia do verbo

Uma menina observou o silêncio,
Como quem se observa o amanhecer
Engoliu a beleza dos laços existenciais e transbordou no verso
 
O verbo e a menina findaram-se
Em concordância perenal
E assim nasceu a fantasia do verbo
 
Entre retinas e silêncios
Há fantasia do verbo
Entre a pedra e a terra
Há fantasia do verbo
 
As estradas existenciais de um ser
São cheias de buracos
E o fio que carrega a estrada
O mecanismo de significâncias humanas.
394

Força do verbo

No limite do tempo
Eu vou me moldando
Na raiz do dia
Eu sigo o sossego do sol
 
No limite do verbo
Me faço na força do verbo
Porque forte são as palavras
E fraco são os atos diante de nós
 
O delírio do verbo carrega o cheiro de fulô,
A relva do meu corpo vem da natureza
Quente e úmida da terra
Onde houve a criação do fantasiado verbo
 
O silêncio conversa com outros instantes
O vazio nascente é cantado pelos grilos
E em nossos olhos há instantes e grilos
333

Desatino

Estou faminto
O ventre entorpecido
O corpo em polpa pura e fina
Nesse fruto de regozijo
 
Na rosa de leite os encontros
No tecido o rigor dos corpos
No travesseiro o algodão
 
Entre o pulso
O suspense e o movimento
No desfalecer das pernas
 
A curva do desatino
O paladar doce como as rosas do meio dia
 
Longo é o movimento
E lento os lábios cedendo
O meu falar ameno
 
Onde tem rompante
Pele seca
Onde tem desatino
Tem lábio lendo
Se lendo.  

368

Momentos

O desejo é uma linha tênue entre o encontro e a perdição,
e hoje eu não quero me perder,
quero me encontrar.
318

Não podemos amarrar nosso tempo

Te perder de vista na minha quimera,
te perder sem ao menos te achar
como posso não encontrar tua cor, gosto e pudor,
na cidade que não te guarda.
 
Na polpa dos meus dedos não existe tu,
na minha mão não há teu toque,
não podemos ser selvagens,
não descobrimos como se amarra o tempo ao perder de vista as horas,
nem intuímos nosso interior em comunhão.
330

Guardo-te

Senti o peito esquentar
vi-te no meu recordar,
guardo-te como quem deixa na gaveta uma foto de quem ama,
guardo-te como quem deseja ouvir o cantar dos pássaros em dias frios.
 
Tu és a geleira que se derrete ao meu respirar,
nas longas estradas que te guardam, sou ventania cortante,
teu corpo que tanto esperei no traço, amarrado no meu pensar,
falo-te por mensagem, olhe o céu, imagine-me ao teu lado.
987

Poeta evanescente

Eu me guardo no verso a esquerda do peito,
Meus alentos são compostos por palavras,
Nas minhas veias correm esse sangue que um dia se desvairá,
Como correnteza de rio indo embora para encher de vida outras nascentes,
Quem me dera brotar nas sementes,
Quem me dera ser poeta novamente,
Quem me dera ser eloquente,
Nessa nascente sou poeta evanescente.
273

Quem foges do clarão

Se o clarão da tarde já não te ilumina,
se o clarão do céu já não te serve,
tente a escuridão latente de um dia cinza,
tende as madrugadas frias e agudas,
essas que dizem servir de consolo
a quem não gargalha ao amanhecer do sol,
e nem ao enxergar o fruto.
1 087

Comentários (14)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!