Elisa, o vento frio carrega as nuvens que garoam sobre a sua cabeça, e enquanto você anda lentamente em direção a sua casa, mais preocupada com o destino dos carros que consigo mesma, eu pacientemente a aguardo, protegido do sereno, no ponto de ônibus. Nenhum de nós dois quer chegar em casa. O frio da noite e os presságios de chuva nos interessam bem mais que o conforto dos cobertores ou o vapor do café recém-preparado. Você espera ansiosamente que as primeiras gotas que caírem sobre sua pele, libertem-na do vazio ao qual você sucumbiu. Já eu, em minha temeridade, aguardo sua chegada e um provável convite para valsar na chuva. Eu sei que sua contemplação das coisas é um mistério, que pode tanto demandar um segundo quanto um ano inteiro. Desisti de consola-la, pois para mim é clara a sua inclinação para as coisas que transcendem o meu entendimento, e as palavras de conforto que existem em meu pobre vocábulo, servem apenas para extrair de ti um olhar de complacência. Por isso, eu me limito a esperar apenas um singelo gesto, onde você estende uma de suas mãos, e sem nenhuma palavra, me convida para dançar sobe a tempestade.
"Há uma vibração sombria na solidão das ruas desertas. Veja Antonie! Alguns fantasmas retornaram do outro lado. Estão cochichando entre eles, e seus segredos vibram friamente através da brisa notívaga. O que chega aqui é apenas um sussurro incompreensível. Parecem estar cansados de vagar pela terra, pois esta terra que para nós se faz presente e real pelo fator de nossas ações e pensamentos vívidos, para eles é deserta e antiga. Pois para os que perderam a capacidade de sentir, o presente é sempre tão desconhecido como a morte. "
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Beira mar
Eu andei pela beira mar. Atravessei, pelas faixas, todos os sinais vermelhos. Olhei a ponte iluminada e sobe as luzes observei as ondas subirem até o cais. Mas aqui não é tão longe de casa, e a tristeza veio depressa pegando um atalho pelo subsolo, saiu na Sé e desceu rolando pelas escadarias do beco, bem na hora do meu primeiro trago. Talvez não seja tão tarde, pois um homem triste me espreita em frente ao bar do porto. Talvez ele espere que eu dê um sorriso, ou que minha tristeza o sobressalte....
104
Etílico. Idílico.
Eu odeio essa coisa de alvorada. Não é que eu seja um desses fissurados pela artificialidade dessas luzes intermitentes que complementam a luz natural da lua cheia. É só uma sensação horrível que sinto de que com o passar deve véu nefasto e complacente da noite, eu terei que encarar essa realidade lúcida, Iluminada, límpida e morna; sempre morna, personificando os problemas verdadeiros que os seres diurnos tem que enfrentar. Por mais que meus amigos discordem, eu levo comigo a ideia de que todos os dias deveriam ser noite. Imaginem; seres bêbados vagando sem rumo com suas ideias prolixas e com suas verdades enaltecidas pelo álcool, sendo quem são de verdade e cambaleando sôfregos, por terem perdido tanto tempo tentando merecer a aceitação daqueles seres matutinos e reprimidos. Porque não matamos todos os galos, eu particularmente odeio os galos, pontuando cirurgicamente o momento certo de acordar em cacarejos escandalosos que ricocheteiam nessa minha mente displicente que só se preocupa com a próxima noitada. Eu sou um inimigo declarado do dia!
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Boca de Cavidades
Quanto tempo falta? Todas essas colchas de cama que sujamos enquanto o amor permeava os nossos corpos, e todas a juras que fiz enquanto consumia o seu corpo embebido em vinho, não eram mentira. Ouça o som da bateria, está tocando a nossa música. Eu vou fazer uma marca no seu corpo com esta bituca de cigarro, quero ouvir um gemido seco e silencioso. No meio destas garrafas e cinzeiros a gente pôde encontrar um certo tipo de amor paradoxo, encobrindo o meu corpo e o seu. Você poderia morrer agora e ainda sim eu só sentiria falta dos seus suspiros suados, pois o momento mais importante de sua vida foi este; o momento em que você quase se sufocou com o peso do meu corpo sobre o seu. Me diga, quanto tempo falta para que o amor vaze completamente através de nossos ossos e não reste mais nada? (Thalyson Huxley)
158
Elisa
Elisa, o vento frio carrega as nuvens que garoam sobre a sua cabeça, e enquanto você anda lentamente em direção a sua casa, mais preocupada com o destino dos carros que consigo mesma, eu pacientemente a aguardo, protegido do sereno, no ponto de ônibus. Nenhum de nós dois quer chegar em casa. O frio da noite e os presságios de chuva nos interessam bem mais que o conforto dos cobertores ou o vapor do café recém-preparado. Você espera ansiosamente que as primeiras gotas que caírem sobre sua pele, libertem-na do vazio ao qual você sucumbiu. Já eu, em minha temeridade, aguardo sua chegada e um provável convite para valsar na chuva. Eu sei que sua contemplação das coisas é um mistério, que pode tanto demandar um segundo quanto um ano inteiro. Desisti de consola-la, pois para mim é clara a sua inclinação para as coisas que transcendem o meu entendimento, e as palavras de conforto que existem em meu pobre vocábulo, servem apenas para extrair de ti um olhar de complacência. Por isso, eu me limito a esperar apenas um singelo gesto, onde você estende uma de suas mãos, e sem nenhuma palavra, me convida para dançar sobe a tempestade.
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Nem prata e Nem ouro, só porcelanas.
Baby, eu sorvi todo o seu ouro branco em um prato de porcelana estampado com flores, e acho que eram flores de pessegueiro. Sua mãe dormia no quarto ao lado, bêbada. Isso me incomodava pois você queria fazer amor, e justamente por ela estar ali, eu desconversava na tentativa de fugir do convite. Eu pensava: "Seu filho não tem pai. Você não tem pai. És mais uma garota que excedeu os desejos e agora carente, junta-se com a menor parte de um todo. Do todo de homens que te rejeitaram; tanto a você como sua prole bastarda. Sujeitar-se a escolher o menos vil, o menos canalha, foi a escolha que te coube e aí eu entrei. Eu com meus pensamentos maliciosos e escasso caráter. Te convenci de que era o seu salvador. Que te redimiria de todos os erros e a partir daí, descortinaria uma nova vida perante aos seus olhos tristes. Mas como sou vil, te tranquei em uma masmorra. Torturei! Torturei! Torturei o teu coração! E quando a angústia começou a calar a tua voz eu gritei alto: "Tu serás o fruto do meu bel-prazer". Teu silêncio se tornou o teu mantra. Hahaha! Tu ainda era tão cega. Me amava apesar de tudo, e esse amor tolo enfraquecia tuas orações. Tua fé em minha mudança era justificada pelas minhas crises de bom samaritano. Quando eu te citava poemas e te prometias flores. Tola! Foi tão mal instruída, esperou tão pouco da vida. Deves ser feliz nesta tortura de parede a que te comprimes; Cada vez mais triste e cada vez mais infeliz. Eternamente imersa na ilusão do falso amor que lhe dou
124
Vermelho Sinal
Oh Triste amor, eu fugi de casa. Oh Triste amor, eu vi de perto os sinais vermelhos, tão quentes quanto os olhos do demônio. E os carros iam e vinham e eu não só podia sentir o calor dos motores, como também dos corações que os moviam. Oh triste amor, dê-me um pouco da vida que há em seu coração, porque a minha vida é fugidia como as sombras por detrás das luzes dos postes; como a brisa que massageia os teus cabelos. O teu ódio do mundo me contaminou, ou foi o meu olhar que congelou no ponto mais escuro da estrada? As palavras estão voando. Elas vazam através da minha pele, emudecendo as sensações. Caindo estou! Caindo sobre uma fossa cheia de lembranças suas. Me permeio com os seus pensamentos, com os seus anseios e sinto a mesma angústia que ricocheteou no teu ventre até que você não pudesse mais resistir. Oh triste amor, o meu corpo está se dobrando enquanto afunda na cama mais e mais. O que restará de mim no final?
134
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
161
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
139
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.