Dorme, rua, ruazinha...
Dorme, rua, ruazinha...
lá ao fundo brilha uma luzinha...
a cada noite que em ti passo,
quem pode ouvir os meus passos?
Eles passam levemente,
sobre as pedras da minha rua,
com as estrelinhas a brilhar,
os grilinhos entoam os seus cânticos.
O vento, meu melhor amigo,
esse dorme à minha porta.
Lá fora mora a linda calçada de pedra
que me viu nascer,
Mas subitamente tudo fica escuro,
anoiteceu em mim, tudo é escuridade,
se foi a claridade, nesta preciosa rua da minha cidade...
Pego, 23.08.2013, João Neves...
Cadeirante
Nos somos todos iguais,
ao mesmo tempo diferentes,
somos todos normais,
uns tristes outros contentes.
Numa cadeirinha de rodas ou a pé,
indiferente, há que ser,
os olhos não vêm corações,
dentro do peito a bater.
Ter uma deficiência,
na vida não é o final,
é apenas o início,
de uma grande luta desigual.
Nunca digas nunca, não desistas,
a vida não foi feita para desistir,
mas sim para lutar,
lutar, é viver, é amar é prosseguir...
Luzern, O8.07.2015, Joao Neves
Saudades de outrora
"Saudades de outrora"
Recordo com muita saudade,
amigos da minha mocidade,
naquele já longínquo tempo,
jogávamos a bola no Moinho de vento.
Meus tempos de rapaz,
que saudades tenho de outrora,
dos frutos guardados no cabaz,
coisa que não se vê agora.
Tanta rapaziada brincava e gritava na rua,
hoje uma aldeia sem gritos, parece nua,
Nestes simples manuscritos,
não posso esquecer, a "Senhora dos Aflitos"
Mesmo sem relógios, não se perdíamos no tempo,
vivíamos a vida intensamente,
havia mutuo respeito,
pois todos tínhamos a ele esse direito.
Hoje todos perdidos na memória de um celular,
passamos por alguém sem um bom dia desejar.
Luzern, 03-02-2020, João Neves.
Ela chama-se solidão
Seu nome é solidão,
ela nua é perigosa.
De dia ela se veste de alegria,
de noite traja tristeza e saudade,
Há muitos anos ela vive nesta cidade,
numa tarde me encontrava só,
e eu caminhava pela estrada do desamor,
ali me encontrou ferido de morte.
O peito sangrava de dor,
como é triste morrer de amor...
Luzern, 05.07,2022, Joao Neves.
A menina solidão quer bailar?
A beira do mar espero a Solidão,
e ouço já o trotear do seu coração,
no sopro dos ventos escuto seus lamentos,
prantos da minha perdição.
Quisera recuar no tempo,
nem que fosse por um momento,
sentir o corpo teu, juntinho ao meu,
e no meu ouvido, ouvir um gemido teu.
Pegar na tua mão e bailar contigo, solidão,
com os nossos corpos já a murmurar,
ouvimos ao longe gaivotas a chilrear,
passo a passo, continuamos a bailar.
Solidão sinto a tua voz rouca a soluçar,
e te pergunto, estas a chorar?
porque choras? se em tudo o que nos rodeia,
escuta-se somente o mar a rebolar na areia?
Com noite já dentro se incendeia o luar,
e nos deitados iniciamos o nosso amar,
a madrugada arrastando seu manto,
ao longe as sereias entoam o seu canto.
E nos voltamos a juntar os corpos e bailar
bailar com a solidão é a única forma de olvidar.
palavras, gestos passados dum imaginário,
que faz parte do meu calvário...
Luzern, João Neves, 16.07.2016...
Velhinha
Velhinha, pés arrastados pelo chão
teu cabelo cor de neve
na tua face as rugas duma vida atribulada
no teu corpo roupa enrugada
como destruída tens a tua alma
que pela tua família foste abandonada...
Quero 1
Quero um beijo da tua pele,
quero ser a tua respiração,
meu doce favo de mel,
quero o teu nome tatuado no meu coração.
Velhinho
Ele com o rosto já queimado,
pelas rugas da idade,
com o coração marcado,
p'lo desprezo e pl'a saudade,
chora agora abandonado,
lágrimas de dor e de fome,
ele que por todos foi desprezado,
há vários dias que não come,
ele ali estava deitado,
verdadeiro e grande homem do passado,
pela sua vizinha de cama foi abraçado...
Luzerna,05.06.2017, João Neves.
Eu sou Tsunamidesaudade63
Hoje vou-vos contar uma historia...
Era uma vez um Homem,,
Dinâmico feliz e lutador,
Diziam que era meigo...
e chamavam-lhe poeta e criador...
E ele agradecido,
por respirar tanto amor,
de alegria ele sorria...
dizem quem o conhece,
que a sua paixão e ser boémio,
e adora namorar a vida...
Ele no entanto ele sempre dizia...
\"Vou procurar um Amor para toda a Vida\"...
Ele e um grande sonhador,
mas na procura da felicidade,
ele podia encontrar a dor,
Mas ciente que a margem estava ali!...
Ele queria, ele desejava encontrar...
Demorou ...
Chorou ...
Gritou ...
E quando menos esperava,
perdido entre as dunas no Areal...
sentiu que o sonho poderia ser real...
Perdeu a vergonha...
Perdeu-se num olhar...
Perdeu o jeito rude de falar...
E a chamou...
Vem, anda...
Vem pra sempre,
a meu lado caminhar...
Temos toda uma vida para nos amar...
Vento do amor
A brisa do mar,
faz-me sentir que não sei nada de mim,
muito menos Íria saber de ti,
tão pouco sabia se havia flores,
ou espinhos lá no nosso jardim...
Pensei se da nascente sai a água,
que vai regar a flor,
porque da nossa amizade?
não pode nascer um grande amor ?
Do vento nasceu em mim um amor,
amor feito de uma imensa paixão,
carinho puro, amor apaixonado,
daqueles que não cabem dentro do coração...
Soprou o vento do amor,
bateu forte na porta do meu coração,
porém ele é frio, faz-me ter medo,
de ter mais uma grande desilusão,
É o vento do amor.
um vento fresco, na hora do murmurejar,
uma linda e nova sensação,
que bate em mim como a brisa no mar...
Luzern, 23.06.2017, Joao Neves
Uma melancolia romântica que me interessou bastante, adorei seus poemas, continue publicando aqui, estarei acompanhando seus poemas, pois realmente me identifiquei. Parabéns!