Valdir Gomes

Valdir Gomes

Escritor brasileiro Contista Cronista Poeta Romancista Novelista

n. 0000-00-00, Curitiba

Perfil
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Velhice II

A distância é a mesma,
Mas nossas forças que minaram!
As cores são as mesmas,
Mas nossos olhos embaçaram...
O sol continua lá,
As estrelas continuam lá
As asas da imaginação ainda voam,
Mas já não tem pernas para pousar.

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Poemas

122

Mundo Criança

O mundo criança é tão lento...

Nos permite viver pra viver.

O mundo adulto é tão rápido

Que pra viver se permite sofrer.

 

O mundo criança é límpido,

Inocente, decente, puro!

Ao passo que o adulto, corrompido

Se mostra apático, imaturo!

 

O mundo criança é sincero.

A verdade começa sorrindo.

O mundo adulto é austero

E a verdade abafa, mentindo!

 

O mundo criança tem cores

E aprazível se mostra fantástico!

Quanto ao adulto, envolto em dores

Remedia; se sustenta apático.

 

O mundo criança semeia

Com olhos fixos adiante,

Mas o mundo adulto tateia

E, cego, não colhe o que plantara antes.

 

O mundo criança quando apanha,

Devia sorrir por tamanha sorte!

Pois o mundo adulto, sem manha,

Nos leva ao ápice: a morte.

 

É por isso que a previno, minha flor,

Que o mundo que à porta avança,

Será o mundo adulto, de pavor,

Não mais o mundo criança.

478

Todos somos Cúmplices

Todos somos cúmplices

De um crime hediondo

Somos herdeiros de uma dor

Que de longe é incurável.

 

Um crime que fechamos os olhos,

Que calamos ao invés de falar,

Que desvencilhamos ao invés de nosenvolver

Que faz a dor ser inquebrantável!

 

Somos parceiros da mediocridade

Andamos lada a lado com o repulsivo

Alimentamos na boca, o imoral

E dizemos não, ao que é perdoável!

 

Se parássemos pra pensar,

Ou se pensássemos em parar...

E ouvir o que o silêncio nos diz

No seu ponto de vista tão louvável,

 

Daríamos valor ao próximo

Não seríamos condenados pelo descaso

E tudo ao nosso redor teria mais valor

Se nos tornássemos, cada um, maisamável.

560

Quando tudo se acaba...

Pouca luz.                                                                              ValdirGomes

Poucas falas.

Nenhum abraço.

Nenhum carinho.

 

Frio.

Muito frio.

Sem conforto,

sem vida.

Eu sozinho.

 

Você lá...

Eu aqui...

Eu choro.

Você sorri.

 

Eu falo,

você levanta.

Eu fumo,

você embriaga...

Nem volta dormir.

 

Você sai.

Nada diz.

Durmo só.

Nem sonho.

 

Você chega,

eu me levanto.

Dois estranhos

em desencanto.

Ontem juntos,

hoje distantes...

 

Um amando,

outro sofrendo

 

Saio à rua.

A brisa me acalenta.

Difícil é voltar,

me ver ali,

depois chorar

e você sorrir.

507

O Que é o Feio ?

Às vezes fico pensando 
Se o que questiono tem fundamento 
E, num lapso de memória, por um momento 
Coisas estranhas vou me perguntando: 

- Por que o que é bonito é desejado, 
E por que o desejo procura forma? 
Se pra amar não se tem uma norma, 
Mas o diferente é desprezado? 

Fico assim pensando... 
Sem nada entender e a mente perturbada 
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...) 

Mas nada se compara, quando se está amando 
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada 
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando... 
524

O Poeta

O poeta não deveria existir.

O mundo não o compreende;

As pessoas não lhe dão esperança.

Mas suas palavras as levam a refletir...

 

O que o poeta fala,

não deveria ser levado em conta.

Dependendo do instante, seu grito écontido.

Às vezes a verdade é retida e ele secala.

 

Quem entende o poeta,

Tem a vida desarraigada!

Sente com os olhos; vê, com o coração.

Vive um mundo de aresta.

 

Só quem vive, entende o poeta!

479

Toda Saudade

Uma noite inteira, acordado

Planejando o dia vindouro

Visando sonhos sonhados

Sonhos de prata e de ouro

 

Casar-se, ter filho, ter casa,

Numa ordem inversa talvez.

Te amar, desejar, atiçar a brasa

E depois calar-se, provocar altivez.

 

Saudades desse tempo, que se viajava,

Flutuando, navegando, correndo

Atrás de certo sonho que não alcançava

E que quando tocava, vivia sofrendo

 

Ficava ansioso, perdia-se no tempo

Desconhecia a hora, desligava-se de tudo

Entre desejos e sonhos ao vento

Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.

 

Eis que tudo se resume

Em lembranças de um tempo de vaidade...

Que talvez não mais se repita

Ficando uma saudade, duas saudades; todasaudade!

430

Sob o Lençol

O poeta, sob o lençol,

só quer saber de lua;

nada de sol.

Só a companhia tua.

 

O poeta, sob o lençol,

não quer dormir...

Quer viajar sob o teu céu...

e que seu mar venha fluir.

 

O poeta, sob o lençol,

quer sentir seu calor,

apreciar o arrebol,

da manhã do teu amor.

 

O poeta, sob o lençol,

Fica calado.

Mas quer cantar feito rouxinol

em seus braços, entrelaçado.

 

O poeta, sob o lençol,

só quer dormir, se for vencido.

O poeta, sob o lençol,

poetisa e sonha. Não faz gemido.

458

Vivia Só

Era feliz

Vivia só.

Tinha paz

E de mim, dó.

 

Não sonhava,

Falava pouco.

Emudecido,

Ficava louco

 

Sozinho,

Comia muito,

Bebia vinho

Gratuito.

 

Sedentário,

Só assistia

Tudo voar

Em agonia.

 

Eis que surgiu

A mim dizendo

Coisas mil

E convencendo

 

Então lancei

A minha sorte

E me joguei

Aos pés da morte.

 

Pois feliz

Vivia só.

Troquei a paz

E tornei-me pó.

446

O Que Pensa a Mente?

Quero te fazer uma pergunta 
Quero suscitar uma dúvida 
Quero te fazer pensar, pensar, pensar... 
Se ela é: profunda, reveladora ou estúpida! 

Quero te fazer buscar a resposta 
Que seja correta, que seja convincente! 
Quero te fazer do seu íntimo externar: 
— O que achas, o que pensas sobre a mente? 

Tudo o que se queira fazer, 
Como o correr, o dormir, o edificar 
Ela comanda, ela retrai ou incita. 

Quando usada, para o bem, ensina amar 
Quando erra, deixa dúvidas, não se explica. 
A resposta que se quer para meditar 

Que minha mente tem agido sem razão, 
É: Se quando não se pode, nos faz apaixonar, 
Por que então ela não comanda o coração?
561

Cronica do Alto

Uma criança que corre 
Um cão que late 
Uma mulher que a rua atravessa 
Um boi correndo para o abate 
Dois amantes emendando conversas 
Um empresário temeroso de um assalto, 
Tudo da pra ver daqui do alto. 

Um cansado no banco da praça 
Alimenta pombos e observa o movimento 
No cruzamento, o palhaço e sua graça, 
Na expectativa de garantir o seu sustento. 
O feirante, o bicheiro. O padeiro sovando a massa... 
E o gari varrendo o asfalto, 
Tudo da pra ver daqui do alto. 

Um bebê nascendo corado 
E sua mãe o observando a sorrir. 
Correndo para a condução, o jovem atrasado 
Porque se esqueceu que noite é feita pra dormir. 
Um policial na esquina parado, 
E uma linda jovem caindo do salto. 
Tudo da pra ver daqui do alto. 

O médico com seu paciente dialogando 
E o pediatra acalmando uma criança 
O lavrador após a chuva, o milho plantando 
O jovem casal trocando alianças. 
Um injusto mandatário governando. 
Tudo da pra ver daqui do alto. 
Tudo. Tudo mesmo da pra ver daqui do alto.
499

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