Lista de Poemas
O Poeta
O poeta não deveria existir.
O mundo não o compreende;
As pessoas não lhe dão esperança.
Mas suas palavras as levam a refletir...
O que o poeta fala,
não deveria ser levado em conta.
Dependendo do instante, seu grito é
contido.
Às vezes a verdade é retida e ele se
cala.
Quem entende o poeta,
Tem a vida desarraigada!
Sente com os olhos; vê, com o coração.
Vive um mundo de aresta.
Só quem vive, entende o poeta!
O Que é o Feio ?
Se o que questiono tem fundamento
E, num lapso de memória, por um momento
Coisas estranhas vou me perguntando:
- Por que o que é bonito é desejado,
E por que o desejo procura forma?
Se pra amar não se tem uma norma,
Mas o diferente é desprezado?
Fico assim pensando...
Sem nada entender e a mente perturbada
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...)
Mas nada se compara, quando se está amando
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando...
Carta Branca
Verás que cada peça, no mundo, nosso cenáculo,
São pedaços separados
Mas que juntos formam o espetáculo!
Pessoas arduamente trabalhando,
No afã de algo produzir
E deixar um legado para que seus sucessores
Possam dele, usufruir.
Pessoas se preocupando com as outras;
Médicos curando doenças
Sacerdotes procurando introduzir
Mesmo que nem acreditem em sua crença.
Pessoas plantando o alimento,
Soldados defendendo sua pátria.
Um músico afinando o instrumento
Para encenar a sua ária.
Homem edificando ou destruindo-se.
Tudo se pode fazer, temos carta branca
Mas não se pode esquecer
Que se colhe tudo que planta.
Vivia Só
Era feliz
Vivia só.
Tinha paz
E de mim, dó.
Não sonhava,
Falava pouco.
Emudecido,
Ficava louco
Sozinho,
Comia muito,
Bebia vinho
Gratuito.
Sedentário,
Só assistia
Tudo voar
Em agonia.
Eis que surgiu
A mim dizendo
Coisas mil
E convencendo
Então lancei
A minha sorte
E me joguei
Aos pés da morte.
Pois feliz
Vivia só.
Troquei a paz
E tornei-me pó.
Quando tudo se acaba...
Pouca luz.
Valdir
Gomes
Poucas falas.
Nenhum abraço.
Nenhum carinho.
Frio.
Muito frio.
Sem conforto,
sem vida.
Eu sozinho.
Você lá...
Eu aqui...
Eu choro.
Você sorri.
Eu falo,
você levanta.
Eu fumo,
você embriaga...
Nem volta dormir.
Você sai.
Nada diz.
Durmo só.
Nem sonho.
Você chega,
eu me levanto.
Dois estranhos
em desencanto.
Ontem juntos,
hoje distantes...
Um amando,
outro sofrendo
Saio à rua.
A brisa me acalenta.
Difícil é voltar,
me ver ali,
depois chorar
e você sorrir.
Chora Maria
Quando o marido sai.
Chora Maria,
quando o marido vem...
chora Maria,
quando a criança chora
pelo leite que não tem!
Chora Maria,
quando a paz lhe falta.
Chora Maria,
pelo seu vintém.
Chora Maria,
pela sua dor
e tudo que lhe convém!
Chora Maria,
chora pela seca
que lhe esturrica as lágrimas...
chora com a alma,
chora com o coração!
Chora Maria,
Pelo filho que lhe beija a face!
Chora Maria,
Pelo gado, pelo cão!
Chora Maria,
Pela fraqueza dos braços,
Pelos calos na mão...
Chora Maria,
Pelo pé que lhe dói agora...
Chora, Maria, CHORA!
Acreditar
Tenho fé,
No que faço,
Mas não acredito
No que penso.
Se acredito,
No que faço,
Penso que
não tenho fé
Se no que penso,
Tenho fé e acredito,
No que faço
Faço nada.
Se penso que
Tenho fé.
No que faço
Eu acredito.
Mas, se faço nada
E tenho fé.
No que penso,
Não acredito.
Não acredito
Que tenho fé...
Se no que penso,
Não faço.
Não tenho fé.
Não acredito.
Não faço nada.
Não penso.
Sem Tema
Singelo, forte e que me fizesse renascer
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver,
quem lhe cante ou declame sem medo.
Um soneto... que tema escolher?
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida?
Não vem-me à mente um tema sequer.
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida...
Me lembro que isto me perturba a mente.
Faz renascer cicatriz já tão esquecida...
Um livro ou uma notícia que se torne semente
E que possa me inspirar um tema,
mas nada me atiça a escrever livremente.
Decido escolher: vou ler um poema.
A Caneta
De sua tinta faz mistério...
E o que escreve parece tão sério
Que não existem dúvidas que minta
Se as palavras que transcreve
São sinceras e latentes
Não pode ferir tanta gente
Que sonha, labuta, se atreve.
Porém, não tem vida própria;
Não pensa, não anda, nem atura
Tampouco compaixão e ternura
Quem lhe manipula textos e torturas
E a faz transmitir covardia
Quem, senão, a mão que a segura!
Sob o Lençol
O poeta, sob o lençol,
só quer saber de lua;
nada de sol.
Só a companhia tua.
O poeta, sob o lençol,
não quer dormir...
Quer viajar sob o teu céu...
e que seu mar venha fluir.
O poeta, sob o lençol,
quer sentir seu calor,
apreciar o arrebol,
da manhã do teu amor.
O poeta, sob o lençol,
Fica calado.
Mas quer cantar feito rouxinol
em seus braços, entrelaçado.
O poeta, sob o lençol,
só quer dormir, se for vencido.
O poeta, sob o lençol,
poetisa e sonha. Não faz gemido.
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