Poemas
122Sob o Lençol
O poeta, sob o lençol,
só quer saber de lua;
nada de sol.
Só a companhia tua.
O poeta, sob o lençol,
não quer dormir...
Quer viajar sob o teu céu...
e que seu mar venha fluir.
O poeta, sob o lençol,
quer sentir seu calor,
apreciar o arrebol,
da manhã do teu amor.
O poeta, sob o lençol,
Fica calado.
Mas quer cantar feito rouxinol
em seus braços, entrelaçado.
O poeta, sob o lençol,
só quer dormir, se for vencido.
O poeta, sob o lençol,
poetisa e sonha. Não faz gemido.
Todos somos Cúmplices
Todos somos cúmplices
De um crime hediondo
Somos herdeiros de uma dor
Que de longe é incurável.
Um crime que fechamos os olhos,
Que calamos ao invés de falar,
Que desvencilhamos ao invés de nos
envolver
Que faz a dor ser inquebrantável!
Somos parceiros da mediocridade
Andamos lada a lado com o repulsivo
Alimentamos na boca, o imoral
E dizemos não, ao que é perdoável!
Se parássemos pra pensar,
Ou se pensássemos em parar...
E ouvir o que o silêncio nos diz
No seu ponto de vista tão louvável,
Daríamos valor ao próximo
Não seríamos condenados pelo descaso
E tudo ao nosso redor teria mais valor
Se nos tornássemos, cada um, mais
amável.
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