Valdir Gomes

Valdir Gomes

Escritor brasileiro Contista Cronista Poeta Romancista Novelista

n. 0000-00-00, Curitiba

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Velhice II

A distância é a mesma,
Mas nossas forças que minaram!
As cores são as mesmas,
Mas nossos olhos embaçaram...
O sol continua lá,
As estrelas continuam lá
As asas da imaginação ainda voam,
Mas já não tem pernas para pousar.

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Poemas

122

Sou Ilha

Por mais que eu pense em me esconder,
Por mais que fuja para outro lugar
Sempre me cercarás,
Pois sou uma ilha em seu mar.
408

Inatingíveis

Quando o espelho nos maltrata,

Com suas verdades indiscutíveis,

Mal sabe ele que as verdades reveladas

Orgulham nossos íntimos inatingíveis.

430

O que escrevi?

Lestes o texto que lhe escrevi?

Falava de amor?

Ou falava de solidão?

Nada me recordo, pois o que transcrevi,

Foi dito pelo coração!

399

Retrato x Poesia

A natureza, pintada em aquarela

Nem um quadro que retrata um ser,

Não se compara com a poesia, em descrever,

O retrato da mulher mais bela!

407

Perfume

Quando a essência do amor se torna perfume

Se completa tal como uma luz para a cor,

Porque quando recai o odor do ciúme

Já há muito inexiste o amor.

475

Servir

Passar um dia sem te ouvir

É como um mês sem alimento

Por isso que te ligo todo momento

Pra sobreviver e te servir.

423

Toda Saudade

Uma noite inteira, acordado

Planejando o dia vindouro

Visando sonhos sonhados

Sonhos de prata e de ouro

 

Casar-se, ter filho, ter casa,

Numa ordem inversa talvez.

Te amar, desejar, atiçar a brasa

E depois calar-se, provocar altivez.

 

Saudades desse tempo, que se viajava,

Flutuando, navegando, correndo

Atrás de certo sonho que não alcançava

E que quando tocava, vivia sofrendo

 

Ficava ansioso, perdia-se no tempo

Desconhecia a hora, desligava-se de tudo

Entre desejos e sonhos ao vento

Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.

 

Eis que tudo se resume

Em lembranças de um tempo de vaidade...

Que talvez não mais se repita

Ficando uma saudade, duas saudades; toda saudade!

424

Vivia Só

Era feliz

Vivia só.

Tinha paz

E de mim, dó.

 

Não sonhava,

Falava pouco.

Emudecido,

Ficava louco

 

Sozinho,

Comia muito,

Bebia vinho

Gratuito.

 

Sedentário,

Só assistia

Tudo voar

Em agonia.

 

Eis que surgiu

A mim dizendo

Coisas mil

E convencendo

 

Então lancei

A minha sorte

E me joguei

Aos pés da morte.

 

Pois feliz

Vivia só.

Troquei a paz

E tornei-me pó.

439

Sem Tema

Fiquei pensando em compor um soneto 
Singelo, forte e que me fizesse renascer 
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver, 
quem lhe cante ou declame sem medo. 

Um soneto... que tema escolher? 
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida? 
Não vem-me à mente um tema sequer. 
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida... 

Me lembro que isto me perturba a mente. 
Faz renascer cicatriz já tão esquecida... 
Um livro ou uma notícia que se torne semente 

E que possa me inspirar um tema, 
mas nada me atiça a escrever livremente. 
Decido escolher: vou ler um poema. 
494

O Que é o Feio ?

Às vezes fico pensando 
Se o que questiono tem fundamento 
E, num lapso de memória, por um momento 
Coisas estranhas vou me perguntando: 

- Por que o que é bonito é desejado, 
E por que o desejo procura forma? 
Se pra amar não se tem uma norma, 
Mas o diferente é desprezado? 

Fico assim pensando... 
Sem nada entender e a mente perturbada 
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...) 

Mas nada se compara, quando se está amando 
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada 
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando... 
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