Poemas
122Sou Ilha
Inatingíveis
Quando o espelho nos
maltrata,
Com suas verdades
indiscutíveis,
Mal sabe ele que as
verdades reveladas
Orgulham nossos íntimos
inatingíveis.
O que escrevi?
Lestes o texto que lhe
escrevi?
Falava de amor?
Ou falava de solidão?
Nada me recordo, pois o
que transcrevi,
Foi dito pelo coração!
Retrato x Poesia
A natureza, pintada em aquarela
Nem um quadro que retrata um ser,
Não se compara com a poesia, em
descrever,
O retrato da mulher mais bela!
Perfume
Quando
a essência do amor se torna perfume
Se
completa tal como uma luz para a cor,
Porque
quando recai o odor do ciúme
Já
há muito inexiste o amor.
Servir
Passar um dia sem te
ouvir
É como um mês sem
alimento
Por isso que te ligo
todo momento
Pra sobreviver e te
servir.
Toda Saudade
Uma noite inteira, acordado
Planejando o dia vindouro
Visando sonhos sonhados
Sonhos de prata e de ouro
Casar-se, ter filho, ter casa,
Numa ordem inversa talvez.
Te amar, desejar, atiçar a brasa
E depois calar-se, provocar altivez.
Saudades desse tempo, que se viajava,
Flutuando, navegando, correndo
Atrás de certo sonho que não alcançava
E que quando tocava, vivia sofrendo
Ficava ansioso, perdia-se no tempo
Desconhecia a hora, desligava-se de tudo
Entre desejos e sonhos ao vento
Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.
Eis que tudo se resume
Em lembranças de um tempo de vaidade...
Que talvez não mais se repita
Ficando uma saudade, duas saudades; toda
saudade!
Vivia Só
Era feliz
Vivia só.
Tinha paz
E de mim, dó.
Não sonhava,
Falava pouco.
Emudecido,
Ficava louco
Sozinho,
Comia muito,
Bebia vinho
Gratuito.
Sedentário,
Só assistia
Tudo voar
Em agonia.
Eis que surgiu
A mim dizendo
Coisas mil
E convencendo
Então lancei
A minha sorte
E me joguei
Aos pés da morte.
Pois feliz
Vivia só.
Troquei a paz
E tornei-me pó.
Sem Tema
Singelo, forte e que me fizesse renascer
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver,
quem lhe cante ou declame sem medo.
Um soneto... que tema escolher?
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida?
Não vem-me à mente um tema sequer.
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida...
Me lembro que isto me perturba a mente.
Faz renascer cicatriz já tão esquecida...
Um livro ou uma notícia que se torne semente
E que possa me inspirar um tema,
mas nada me atiça a escrever livremente.
Decido escolher: vou ler um poema.
O Que é o Feio ?
Se o que questiono tem fundamento
E, num lapso de memória, por um momento
Coisas estranhas vou me perguntando:
- Por que o que é bonito é desejado,
E por que o desejo procura forma?
Se pra amar não se tem uma norma,
Mas o diferente é desprezado?
Fico assim pensando...
Sem nada entender e a mente perturbada
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...)
Mas nada se compara, quando se está amando
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando...
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