Valdir Gomes

Valdir Gomes

Escritor brasileiro Contista Cronista Poeta Romancista Novelista

n. 0000-00-00, Curitiba

Perfil
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Velhice II

A distância é a mesma,
Mas nossas forças que minaram!
As cores são as mesmas,
Mas nossos olhos embaçaram...
O sol continua lá,
As estrelas continuam lá
As asas da imaginação ainda voam,
Mas já não tem pernas para pousar.

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Poemas

122

O que escrevi?

Lestes o texto que lheescrevi?

Falava de amor?

Ou falava de solidão?

Nada me recordo, pois oque transcrevi,

Foi dito pelo coração!

400

Areia

Lindos são teus olhos

Que a obscura luzclareia.

E as rochas sob meuspassos

Que transformas emareia.

 

Vão me sucumbindo naescuridão da vida!

442

Passos

Ouço passos

Passos lentos,

passos velozes.

Ouço sons

Ouço gritos,

Ouço vozes

 

Passos e vozes

Vozes e passos

Vozes velozes

Passos em compassos

De vozes atrozes.

475

Pedido de morte

Quero te amar como sefosse o último dia

Em que a vida fugiria,

me brindando talsorte...

Por Deus!

Nunca um dia imaginaria

Clamar como derradeiro,o pedido de morte!

453

Inatingíveis

Quando o espelho nosmaltrata,

Com suas verdadesindiscutíveis,

Mal sabe ele que asverdades reveladas

Orgulham nossos íntimosinatingíveis.

431

Nada Importa

Dias não me preocupam,

Chuva já não me molha

Brasas já não mequeimam

Se ficares comigo umahora!

439

Vivia Só

Era feliz

Vivia só.

Tinha paz

E de mim, dó.

 

Não sonhava,

Falava pouco.

Emudecido,

Ficava louco

 

Sozinho,

Comia muito,

Bebia vinho

Gratuito.

 

Sedentário,

Só assistia

Tudo voar

Em agonia.

 

Eis que surgiu

A mim dizendo

Coisas mil

E convencendo

 

Então lancei

A minha sorte

E me joguei

Aos pés da morte.

 

Pois feliz

Vivia só.

Troquei a paz

E tornei-me pó.

442

Toda Saudade

Uma noite inteira, acordado

Planejando o dia vindouro

Visando sonhos sonhados

Sonhos de prata e de ouro

 

Casar-se, ter filho, ter casa,

Numa ordem inversa talvez.

Te amar, desejar, atiçar a brasa

E depois calar-se, provocar altivez.

 

Saudades desse tempo, que se viajava,

Flutuando, navegando, correndo

Atrás de certo sonho que não alcançava

E que quando tocava, vivia sofrendo

 

Ficava ansioso, perdia-se no tempo

Desconhecia a hora, desligava-se de tudo

Entre desejos e sonhos ao vento

Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.

 

Eis que tudo se resume

Em lembranças de um tempo de vaidade...

Que talvez não mais se repita

Ficando uma saudade, duas saudades; todasaudade!

427

Quando tudo se acaba...

Pouca luz.                                                                              ValdirGomes

Poucas falas.

Nenhum abraço.

Nenhum carinho.

 

Frio.

Muito frio.

Sem conforto,

sem vida.

Eu sozinho.

 

Você lá...

Eu aqui...

Eu choro.

Você sorri.

 

Eu falo,

você levanta.

Eu fumo,

você embriaga...

Nem volta dormir.

 

Você sai.

Nada diz.

Durmo só.

Nem sonho.

 

Você chega,

eu me levanto.

Dois estranhos

em desencanto.

Ontem juntos,

hoje distantes...

 

Um amando,

outro sofrendo

 

Saio à rua.

A brisa me acalenta.

Difícil é voltar,

me ver ali,

depois chorar

e você sorrir.

504

O Poeta

O poeta não deveria existir.

O mundo não o compreende;

As pessoas não lhe dão esperança.

Mas suas palavras as levam a refletir...

 

O que o poeta fala,

não deveria ser levado em conta.

Dependendo do instante, seu grito écontido.

Às vezes a verdade é retida e ele secala.

 

Quem entende o poeta,

Tem a vida desarraigada!

Sente com os olhos; vê, com o coração.

Vive um mundo de aresta.

 

Só quem vive, entende o poeta!

476

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