Poemas
122O que escrevi?
Lestes o texto que lheescrevi?
Falava de amor?
Ou falava de solidão?
Nada me recordo, pois oque transcrevi,
Foi dito pelo coração!
Areia
Lindos são teus olhos
Que a obscura luzclareia.
E as rochas sob meuspassos
Que transformas emareia.
Vão me sucumbindo naescuridão da vida!
Passos
Ouço passos
Passos lentos,
passos velozes.
Ouço sons
Ouço gritos,
Ouço vozes
Passos e vozes
Vozes e passos
Vozes velozes
Passos em compassos
De vozes atrozes.
Pedido de morte
Quero te amar como sefosse o último dia
Em que a vida fugiria,
me brindando talsorte...
Por Deus!
Nunca um dia imaginaria
Clamar como derradeiro,o pedido de morte!
Inatingíveis
Quando o espelho nosmaltrata,
Com suas verdadesindiscutíveis,
Mal sabe ele que asverdades reveladas
Orgulham nossos íntimosinatingíveis.
Nada Importa
Dias não me preocupam,
Chuva já não me molha
Brasas já não mequeimam
Se ficares comigo umahora!
Vivia Só
Era feliz
Vivia só.
Tinha paz
E de mim, dó.
Não sonhava,
Falava pouco.
Emudecido,
Ficava louco
Sozinho,
Comia muito,
Bebia vinho
Gratuito.
Sedentário,
Só assistia
Tudo voar
Em agonia.
Eis que surgiu
A mim dizendo
Coisas mil
E convencendo
Então lancei
A minha sorte
E me joguei
Aos pés da morte.
Pois feliz
Vivia só.
Troquei a paz
E tornei-me pó.
Toda Saudade
Uma noite inteira, acordado
Planejando o dia vindouro
Visando sonhos sonhados
Sonhos de prata e de ouro
Casar-se, ter filho, ter casa,
Numa ordem inversa talvez.
Te amar, desejar, atiçar a brasa
E depois calar-se, provocar altivez.
Saudades desse tempo, que se viajava,
Flutuando, navegando, correndo
Atrás de certo sonho que não alcançava
E que quando tocava, vivia sofrendo
Ficava ansioso, perdia-se no tempo
Desconhecia a hora, desligava-se de tudo
Entre desejos e sonhos ao vento
Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.
Eis que tudo se resume
Em lembranças de um tempo de vaidade...
Que talvez não mais se repita
Ficando uma saudade, duas saudades; todasaudade!
Quando tudo se acaba...
Pouca luz. ValdirGomes
Poucas falas.
Nenhum abraço.
Nenhum carinho.
Frio.
Muito frio.
Sem conforto,
sem vida.
Eu sozinho.
Você lá...
Eu aqui...
Eu choro.
Você sorri.
Eu falo,
você levanta.
Eu fumo,
você embriaga...
Nem volta dormir.
Você sai.
Nada diz.
Durmo só.
Nem sonho.
Você chega,
eu me levanto.
Dois estranhos
em desencanto.
Ontem juntos,
hoje distantes...
Um amando,
outro sofrendo
Saio à rua.
A brisa me acalenta.
Difícil é voltar,
me ver ali,
depois chorar
e você sorrir.
O Poeta
O poeta não deveria existir.
O mundo não o compreende;
As pessoas não lhe dão esperança.
Mas suas palavras as levam a refletir...
O que o poeta fala,
não deveria ser levado em conta.
Dependendo do instante, seu grito écontido.
Às vezes a verdade é retida e ele secala.
Quem entende o poeta,
Tem a vida desarraigada!
Sente com os olhos; vê, com o coração.
Vive um mundo de aresta.
Só quem vive, entende o poeta!
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