Poemas
122Nada Importa
Dias não me preocupam,
Chuva já não me molha
Brasas já não mequeimam
Se ficares comigo umahora!
Inatingíveis
Quando o espelho nosmaltrata,
Com suas verdadesindiscutíveis,
Mal sabe ele que asverdades reveladas
Orgulham nossos íntimosinatingíveis.
Retrato x Poesia
A natureza, pintada em aquarela
Nem um quadro que retrata um ser,
Não se compara com a poesia, emdescrever,
O retrato da mulher mais bela!
Servir
Passar um dia sem teouvir
É como um mês semalimento
Por isso que te ligotodo momento
Pra sobreviver e teservir.
Pronto a receber
Não posso cantar ao teulado,
Pois estás longe paraouvir;
Não posso andar ao teulado
Pois não estás aqui.
Não posso chorar ao teulado,
Pois não estás aqui prame afagar;
Não posso sorrir ao teulado,
Pois distantes, nãopodes da alegria compartilhar...
Não posso andar a teulado,
Pois estás longe dosmeus passos
Não posso unir-me ao teulado,
Pois deixastes meucoração em pedaços.
Mas se sentires desejode se aproximar,
E meu vazio preencher,
Não fiques pensandocomo voltar,
Pois estarei semprepronto a te receber
Pois se decidires aíficar,
Nunca saberás as letrasque canto,
Nem o amor que possodar.
Passos
Ouço passos
Passos lentos,
passos velozes.
Ouço sons
Ouço gritos,
Ouço vozes
Passos e vozes
Vozes e passos
Vozes velozes
Passos em compassos
De vozes atrozes.
Meu Mundo
Meu mundo era indescritível, quando tevi.
Tinha estrelas, mares, florestas evento.
Meu mundo tinha até sincronia com otempo.
Meu mundo era enorme, quando te conheci.
Tinha gente, ruas, prédios, arranha-céus
Tinha um rio que nascia no meio damontanha.
Meu mundo tinha esperança tamanha.
Meu mundo era grande, quando te vi sob ovéu.
Era um quarteirão. Tinha campo. Tinhasavana.
Meu mundo tinha um riacho
Tinha casa; um fogão, com um fogolaracho.
Meu mundo era tal, quando te vi nua,insana.
Meu mundo tinha paredes, tinha janelas.
Tinha vidraças. Meu mundo não era lama.
Tinha piso, tapetes. No fogão, panelas.
Quando te senti, meu mundo era uma cama.
Tinha uma camisa, uma calça, com cintasem fivela.
Quando acordei, meu mundo não tinha maisum rio.
Ele tinha uma cor fria, um cheiro ocre,todo calado.
Meu mundo tinha meu tamanho. Meioapertado e frio
Quando te perdi, meu mundo tinha tampa ealças dos lados.
Sem Tema
Singelo, forte e que me fizesse renascer
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver,
quem lhe cante ou declame sem medo.
Um soneto... que tema escolher?
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida?
Não vem-me à mente um tema sequer.
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida...
Me lembro que isto me perturba a mente.
Faz renascer cicatriz já tão esquecida...
Um livro ou uma notícia que se torne semente
E que possa me inspirar um tema,
mas nada me atiça a escrever livremente.
Decido escolher: vou ler um poema.
A Caneta
De sua tinta faz mistério...
E o que escreve parece tão sério
Que não existem dúvidas que minta
Se as palavras que transcreve
São sinceras e latentes
Não pode ferir tanta gente
Que sonha, labuta, se atreve.
Porém, não tem vida própria;
Não pensa, não anda, nem atura
Tampouco compaixão e ternura
Quem lhe manipula textos e torturas
E a faz transmitir covardia
Quem, senão, a mão que a segura!
Acreditar
Tenho fé,
No que faço,
Mas não acredito
No que penso.
Se acredito,
No que faço,
Penso que
não tenho fé
Se no que penso,
Tenho fé e acredito,
No que faço
Faço nada.
Se penso que
Tenho fé.
No que faço
Eu acredito.
Mas, se faço nada
E tenho fé.
No que penso,
Não acredito.
Não acredito
Que tenho fé...
Se no que penso,
Não faço.
Não tenho fé.
Não acredito.
Não faço nada.
Não penso.
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