Lista de Poemas
Quando...
Quando
me amas,
Se
pareces com uma árvore que ao balançar do vento,
Livra-se
das folhas, solta seu perfume, lança seus frutos...
Quando
me odeias,
Soltas
as raízes e cai sobre uma casa indefesa!
Tudo me lembra
... e envolto no silêncio
da solidão, embrenhei-me por uma ruela;
E uma melodia de um
beco, levou-me a aproximar.
Vi que ao som de um
violino uma bela bailarina dançava...
Ou no balanço daquele
belo corpo o violino tocava.
O silêncio; a música:Tudo
me lembra ela.
O que escrevi?
Lestes o texto que lhe
escrevi?
Falava de amor?
Ou falava de solidão?
Nada me recordo, pois o
que transcrevi,
Foi dito pelo coração!
Inatingíveis
Quando o espelho nos
maltrata,
Com suas verdades
indiscutíveis,
Mal sabe ele que as
verdades reveladas
Orgulham nossos íntimos
inatingíveis.
Retrato x Poesia
A natureza, pintada em aquarela
Nem um quadro que retrata um ser,
Não se compara com a poesia, em
descrever,
O retrato da mulher mais bela!
Nada Importa
Dias não me preocupam,
Chuva já não me molha
Brasas já não me
queimam
Se ficares comigo uma
hora!
Toda Saudade
Uma noite inteira, acordado
Planejando o dia vindouro
Visando sonhos sonhados
Sonhos de prata e de ouro
Casar-se, ter filho, ter casa,
Numa ordem inversa talvez.
Te amar, desejar, atiçar a brasa
E depois calar-se, provocar altivez.
Saudades desse tempo, que se viajava,
Flutuando, navegando, correndo
Atrás de certo sonho que não alcançava
E que quando tocava, vivia sofrendo
Ficava ansioso, perdia-se no tempo
Desconhecia a hora, desligava-se de tudo
Entre desejos e sonhos ao vento
Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.
Eis que tudo se resume
Em lembranças de um tempo de vaidade...
Que talvez não mais se repita
Ficando uma saudade, duas saudades; toda
saudade!
Mundo Criança
O mundo criança é tão lento...
Nos permite viver pra viver.
O mundo adulto é tão rápido
Que pra viver se permite sofrer.
O mundo criança é límpido,
Inocente, decente, puro!
Ao passo que o adulto, corrompido
Se mostra apático, imaturo!
O mundo criança é sincero.
A verdade começa sorrindo.
O mundo adulto é austero
E a verdade abafa, mentindo!
O mundo criança tem cores
E aprazível se mostra fantástico!
Quanto ao adulto, envolto em dores
Remedia; se sustenta apático.
O mundo criança semeia
Com olhos fixos adiante,
Mas o mundo adulto tateia
E, cego, não colhe o que plantara antes.
O mundo criança quando apanha,
Devia sorrir por tamanha sorte!
Pois o mundo adulto, sem manha,
Nos leva ao ápice: a morte.
É por isso que a previno, minha flor,
Que o mundo que à porta avança,
Será o mundo adulto, de pavor,
Não mais o mundo criança.
Meu Mundo
Meu mundo era indescritível, quando te
vi.
Tinha estrelas, mares, florestas e
vento.
Meu mundo tinha até sincronia com o
tempo.
Meu mundo era enorme, quando te conheci.
Tinha gente, ruas, prédios, arranha-céus
Tinha um rio que nascia no meio da
montanha.
Meu mundo tinha esperança tamanha.
Meu mundo era grande, quando te vi sob o
véu.
Era um quarteirão. Tinha campo. Tinha
savana.
Meu mundo tinha um riacho
Tinha casa; um fogão, com um fogo
laracho.
Meu mundo era tal, quando te vi nua,
insana.
Meu mundo tinha paredes, tinha janelas.
Tinha vidraças. Meu mundo não era lama.
Tinha piso, tapetes. No fogão, panelas.
Quando te senti, meu mundo era uma cama.
Tinha uma camisa, uma calça, com cinta
sem fivela.
Quando acordei, meu mundo não tinha mais
um rio.
Ele tinha uma cor fria, um cheiro ocre,
todo calado.
Meu mundo tinha meu tamanho. Meio
apertado e frio
Quando te perdi, meu mundo tinha tampa e
alças dos lados.
Todos somos Cúmplices
Todos somos cúmplices
De um crime hediondo
Somos herdeiros de uma dor
Que de longe é incurável.
Um crime que fechamos os olhos,
Que calamos ao invés de falar,
Que desvencilhamos ao invés de nos
envolver
Que faz a dor ser inquebrantável!
Somos parceiros da mediocridade
Andamos lada a lado com o repulsivo
Alimentamos na boca, o imoral
E dizemos não, ao que é perdoável!
Se parássemos pra pensar,
Ou se pensássemos em parar...
E ouvir o que o silêncio nos diz
No seu ponto de vista tão louvável,
Daríamos valor ao próximo
Não seríamos condenados pelo descaso
E tudo ao nosso redor teria mais valor
Se nos tornássemos, cada um, mais
amável.
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