Lista de Poemas

Quando...

Quando me amas,

Se pareces com uma árvore que ao balançar do vento,

Livra-se das folhas, solta seu perfume, lança seus frutos...

Quando me odeias,

Soltas as raízes e cai sobre uma casa indefesa!

417

Tudo me lembra

... e envolto no silêncio da solidão, embrenhei-me por uma ruela;

E uma melodia de um beco, levou-me a aproximar.

Vi que ao som de um violino uma bela bailarina dançava...

Ou no balanço daquele belo corpo o violino tocava.

O silêncio; a música:Tudo me lembra ela.

459

O que escrevi?

Lestes o texto que lhe escrevi?

Falava de amor?

Ou falava de solidão?

Nada me recordo, pois o que transcrevi,

Foi dito pelo coração!

391

Inatingíveis

Quando o espelho nos maltrata,

Com suas verdades indiscutíveis,

Mal sabe ele que as verdades reveladas

Orgulham nossos íntimos inatingíveis.

421

Retrato x Poesia

A natureza, pintada em aquarela

Nem um quadro que retrata um ser,

Não se compara com a poesia, em descrever,

O retrato da mulher mais bela!

400

Nada Importa

Dias não me preocupam,

Chuva já não me molha

Brasas já não me queimam

Se ficares comigo uma hora!

429

Toda Saudade

Uma noite inteira, acordado

Planejando o dia vindouro

Visando sonhos sonhados

Sonhos de prata e de ouro

 

Casar-se, ter filho, ter casa,

Numa ordem inversa talvez.

Te amar, desejar, atiçar a brasa

E depois calar-se, provocar altivez.

 

Saudades desse tempo, que se viajava,

Flutuando, navegando, correndo

Atrás de certo sonho que não alcançava

E que quando tocava, vivia sofrendo

 

Ficava ansioso, perdia-se no tempo

Desconhecia a hora, desligava-se de tudo

Entre desejos e sonhos ao vento

Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.

 

Eis que tudo se resume

Em lembranças de um tempo de vaidade...

Que talvez não mais se repita

Ficando uma saudade, duas saudades; toda saudade!

414

Mundo Criança

O mundo criança é tão lento...

Nos permite viver pra viver.

O mundo adulto é tão rápido

Que pra viver se permite sofrer.

 

O mundo criança é límpido,

Inocente, decente, puro!

Ao passo que o adulto, corrompido

Se mostra apático, imaturo!

 

O mundo criança é sincero.

A verdade começa sorrindo.

O mundo adulto é austero

E a verdade abafa, mentindo!

 

O mundo criança tem cores

E aprazível se mostra fantástico!

Quanto ao adulto, envolto em dores

Remedia; se sustenta apático.

 

O mundo criança semeia

Com olhos fixos adiante,

Mas o mundo adulto tateia

E, cego, não colhe o que plantara antes.

 

O mundo criança quando apanha,

Devia sorrir por tamanha sorte!

Pois o mundo adulto, sem manha,

Nos leva ao ápice: a morte.

 

É por isso que a previno, minha flor,

Que o mundo que à porta avança,

Será o mundo adulto, de pavor,

Não mais o mundo criança.

466

Meu Mundo

Meu mundo era indescritível, quando te vi.

Tinha estrelas, mares, florestas e vento.

Meu mundo tinha até sincronia com o tempo.

Meu mundo era enorme, quando te conheci.

 

Tinha gente, ruas, prédios, arranha-céus

Tinha um rio que nascia no meio da montanha.

Meu mundo tinha esperança tamanha.

Meu mundo era grande, quando te vi sob o véu.

 

Era um quarteirão. Tinha campo. Tinha savana.

Meu mundo tinha um riacho

Tinha casa; um fogão, com um fogo laracho.

Meu mundo era tal, quando te vi nua, insana.

 

Meu mundo tinha paredes, tinha janelas.

Tinha vidraças. Meu mundo não era lama.

Tinha piso, tapetes. No fogão, panelas.

 

Quando te senti, meu mundo era uma cama.

Tinha uma camisa, uma calça, com cinta sem fivela.

Quando acordei, meu mundo não tinha mais um rio.

 

Ele tinha uma cor fria, um cheiro ocre, todo calado.

Meu mundo tinha meu tamanho. Meio apertado e frio

Quando te perdi, meu mundo tinha tampa e alças dos lados.

470

Todos somos Cúmplices

Todos somos cúmplices

De um crime hediondo

Somos herdeiros de uma dor

Que de longe é incurável.

 

Um crime que fechamos os olhos,

Que calamos ao invés de falar,

Que desvencilhamos ao invés de nos envolver

Que faz a dor ser inquebrantável!

 

Somos parceiros da mediocridade

Andamos lada a lado com o repulsivo

Alimentamos na boca, o imoral

E dizemos não, ao que é perdoável!

 

Se parássemos pra pensar,

Ou se pensássemos em parar...

E ouvir o que o silêncio nos diz

No seu ponto de vista tão louvável,

 

Daríamos valor ao próximo

Não seríamos condenados pelo descaso

E tudo ao nosso redor teria mais valor

Se nos tornássemos, cada um, mais amável.

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