valdirgomes

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Escritor, poeta, cronista, contista e ilustrador

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Age a morte

Silenciosa ou barulhenta, surpreendente e inesperada.
Assim age a morte quando nos cruza a estrada.
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Poemas

81

O que pensa a mente?

Quero te fazer uma pergunta
Quero suscitar uma dúvida
Quero te fazer pensar, pensar, pensar...
Se ela é: profunda, reveladora ou estúpida!

Quero te fazer buscar a resposta
Que seja correta, que seja convincente!
Quero te fazer do seu íntimo externar:
- O que achas, o que pensas sobre a mente?

Tudo o que se queira fazer,
Como o correr, o dormir, o edificar
Ela comanda, ela retrai ou incita.

Quando usada, para o bem, ensina amar
Quando erra, deixa dúvidas, não se explica.
A resposta que se quer para meditar

Que minha mente tem agido sem razão,
É: Se quando não se pode, nos faz apaixonar,
Por que então ela não comanda o coração?
255

Sou ilha

Por mais que eu pense em me esconder,
Por mais que fuja para outro lugar
Sempre me cercarás,
Pois sou uma ilha em teu mar.
227

O que é o feio?

às vezes fico pensando
Se o que questiono tem fundamento
E, num lapso de memória, por um momento
Coisas estranhas vou me perguntando:

- Por que o que é bonito é desejado,
E por que o desejo procura forma?
Se pra amar não se tem uma norma,
Mas o diferente é desprezado?

Fico assim pensando...
Sem nada entender e a mente perturbada
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...)

Mas nada se compara, quando se está amando
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando...
264

Chora Maria

Chora Maria,
Quando o marido sai.
Chora Maria,
quando o marido vem...
chora Maria,
quando a criança chora
pelo leite que não tem!
Chora Maria,
quando a paz lhe falta.
Chora Maria,
pelo seu vintém.
Chora Maria,
pela sua dor
e tudo que lhe convém!
Chora Maria,
chora pela seca
que lhe esturrica as lágrimas...
chora com a alma,
chora com o coração!
Chora Maria,
Pelo filho que lhe beija a face!
Chora Maria,
Pelo gado, pelo cão!
Chora Maria,
Pela fraqueza dos braços,
Pelos calos na mão...
Chora Maria,
Pelo pé que lhe dói agora...

Chora, Maria, CHORA!

249

Retrato x Poesia

A natureza, pintada em aquarela
Nem um quadro que retrata um ser,
Não se compara com a poesia, em descrever,
O retrato da mulher mais bela!
227

Sem tema

Fiquei pensando em compor um soneto
Singelo, forte e que me fizesse renascer
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver,
quem lhe cante ou declame sem medo.

Um soneto... que tema escolher?
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida?
Não vem-me à mente um tema sequer.
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida...

Me lembro que isto me perturba a mente.
Faz renascer cicatriz já tão esquecida...
Um livro ou uma notícia que se torne semente

E que possa me inspirar um tema,
mas nada me atiça a escrever livremente.
Decido escolher: vou ler um poema.
223

Meu mundo

Meu mundo era indescritível, quando te vi.
Tinha estrelas, mares, florestas e vento.
Meu mundo tinha até sincronia com o tempo.
Meu mundo era enorme, quando te conheci.

Tinha gente, ruas, prédios, arranha-céus
Tinha um rio que nascia no meio da montanha.
Meu mundo tinha esperança tamanha.
Meu mundo era grande, quando te vi sob o véu.

Era um quarteirão. Tinha campo. Tinha savana.
Meu mundo tinha um riacho
Tinha casa; um fogão, com um fogo laracho.
Meu mundo era tal, quando te vi nua, insana.

Meu mundo tinha paredes, tinha janelas.
Tinha vidraças. Meu mundo não era lama.
Tinha piso, tapetes. No fogão, panelas.

Quando te senti, meu mundo era uma cama.
Tinha uma camisa, uma calça, com cinta sem fivela.
Quando acordei, meu mundo não tinha mais um rio.

Ele tinha uma cor fria, um cheiro ocre, todo calado.
Meu mundo tinha meu tamanho. Meio apertado e frio
Quando te perdi, meu mundo tinha tampa e alças dos lados.
258

A Segunda Decepção

Quando ali te conheci,
E você ainda nem me conhecia...
De você a mim, a atração vinha se aproximando;
e a você, meu afeto aproximando ia.

Todo aceso, te mandava um sinal.
E você, com outro sinal, me correspondia...
Pressenti que nada obscuro de você a mim restava;
então me convenci que nenhum segredo já entre nós existia.

Com um toque de mão te acariciava...
E você me correspondia com outro toque de mão.
Entretanto, uma dúvida sobre mim pairava,

Quando, observei em um dos dedos da sua mão
Algo reluzente e alguém que num canto nos espreitava...
Descobri que eras casada; eu, não!
183

Areia

Lindos são teus olhos
Que a obscura luz clareia.
E as rochas sob meus passos
Que transformas em areia,

Vão me sucumbindo na escuridão da vida!
265

Passos

Ouço passos
Passos lentos,
passos velozes.
Ouço sons
Ouço gritos,
Ouço vozes

Passos e vozes
Vozes e passos
Vozes velozes
Passos em compassos
De vozes atrozes.

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