Lista de Poemas

Contraste

Nada escuto, um refugio, de meu refúgio…
Busco um esconderijo, para me esconder.
Busco me distanciar, quero
Entrar em um outro mundo,
Quero entrar na fantasia,
Quero me manchar por entre as borboletas,
E seus pós encantadores.
Quero ali desmalhar,
Nada escutar.
Quero me prender, em um nada.
Tudo esquecer, e tudo lembrar.

Quero sair, deste casulo…
Quero escutar,
Quero sair do meu refúgio
Quero sair do meu esconderijo.
Viver em meu mesmo mundo,
Viver a minha realidade…
Se sujar nos poros das mariposas…
Quero ver o real,
Em meu ser, – quero viver!
Quero desmalhar, mas sonhar,
Poder acordar, e sentir.
Quero me prender, em um nada,
Quero ficar no tudo.
Tudo lembrar, e criar novas lembranças…

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Análise Crítica: O Capitalismo de Cassino e a Blindagem das Instituições

Não se fala mais em esquema milionário; fala-se de um esquema bilionário que envolve, inclusive, influenciadores. Compreender a situação do nosso país a partir desse aspecto talvez nos permita, de fato, entender as desigualdades geradas por uma pequena parcela que, além de acumular riquezas, compõe um esquema de corrupção bilionário. Descobre-se que a questão não é apenas a lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets, mas também através de plataformas de criptomoedas — muitas das quais, por serem regulamentadas no país, possibilitam o rastreamento de recursos.

Tudo aponta que a regulamentação das bets tornou-se necessária; porém, mesmo com ela, nada impede que os impactos negativos continuem atingindo o país, diante de uma sociedade já endividada pelo seu poder de consumo. O ditado diz que "o mundo é dos espertos" — algo passado de geração em geração e do qual não temos dúvida —, mas cabe destacar que toda essa "esperteza" está levando muita gente aos seus devidos julgamentos e condenações.

As bets não apenas trouxeram o endividamento de milhares de brasileiros, como também expandiram a entrada do dólar no país, assim como as criptomoedas que vêm sendo rastreadas. Diante dessa dolarização, cabe destacar a importância da moeda local e do Pix. Este meio de transação interna tornou-se muito mais eficaz do que as criptomoedas, que são menos seguras devido à sua volatilidade e à dificuldade de rastreio sem a quebra de sigilo internacional.

Ficou compreensível que o esquema não se tornou apenas local, mas transacional. Esse tipo de estrutura não culpabiliza diretamente o governo, e sim as instituições que compõem a macroeconomia mundial e criam mecanismos lucrativos diante da desgraça alheia — o que muitos teóricos chamam de "capitalismo de cassino". O governo, por sua vez, cria as devidas medidas restritivas; porém, há um sistema muito maior que envolve instituições blindadas que constituem a economia global.
Mas qual o sentido real de citar a eficácia do Pix diante das criptomoedas e do endividamento nas bets? Esta é uma forma de trazer questões atuais: quando o governo Trump demonstrou preocupação com o "Pix brasileiro", foi porque ele afeta diretamente os cartões de crédito de bandeiras internacionais (como Visa e Mastercard). Esta é uma maneira de explicar como funciona o capitalismo de cassino e a sua blindagem.

A regulamentação das bets acabou por normalizá-las. Não vemos anúncios apenas feitos por influenciadores, mas também em redes de televisão, camisas de clubes de futebol, através de apresentadores e até em jornais considerados sérios. Trata-se de uma monetização milionária que ultrapassa o teto nacional. Logo, essas instituições perdem a isenção para criticar o sistema, tornando-se parte da blindagem do capitalismo de cassino.

Portanto, compreender a situação do país exige olhar para além da superfície. O que se revela não é apenas um problema de apostas ou de tecnologia, mas a engrenagem de um sistema que monetiza o desespero e a esperança de uma sociedade endividada. Quando instituições que formam a opinião pública tornam-se dependentes dessa monetização, elas perdem a autoridade moral para criticar o sistema. Nesse cenário, o Pix e a regulamentação não são "salvadores", mas evidências de que o Estado tenta rastrear o que a macroeconomia mundial tenta ocultar. O verdadeiro desafio não é apenas punir a "esperteza" dos influenciadores, mas enfrentar um sistema transacional desenhado para acumular riquezas em uma ponta, enquanto fabrica desigualdades bilionárias na outra.

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Asco

Monstros que nascem na humanidade
Não merecem ser felizes 
(Sequer se importam com a própria felicidade)
Merecem o sofrimento diante das suas crueldades
Que vivem a fazer
(Coração maldito cheio de maldade).
Não me venha com essa de ser bonzinho
Àqueles que nasceram para fazer o mal:
-  São cruéis a ponto de matar sem um pingo de remorso
Esquecem que fazem parte da própria humanidade
A quem tanto abatem
Em nome do poder, do autoritarismo, 
Do que acreditam que está escrito no sagrado
Em nome do altíssimo
Impostores, são desumanos - verdadeiros carrascos!

Há quem seja pior que psicopata - sanguinário!
Há quem brinque com a nossa fé - oportunista!
Há quem nos engane e nos manipule - sanguessuga!

Há quem nos engane e nos faça de marionetes
Brinca com a nossa inocência, 
Pensa que jamais abriremos os olhos 
- Que lavagem cerebral
Vive nos fazendo o tempo todo.

E a gente se impressiona com as estatísticas 
Enquanto não viramos uma -
É racismo, homofobia, xenofobia, misoginia...

E a gente se impressiona com o bombardeio 
Tem gente fazendo até pipoca, 
Tem gente que não se importa com as crianças
Assassinadas, não se importa com o sofrimento
De todo um povo e cria a guerra

Há quem faça da desgraça alheia uma festa!

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Amor e prosperidade

Melodia dos pássaros 
Cantando para o além 
Meditando o dia
Que passa lentamente.
Deixa a poesia bater
Na sua face,
Deixa o dia sorrir 
Para você,
Para todos.
Abra a janela,
Abra a porta,
Deixa a música
Entrar na sua casa,
A luz é divina.
Que o dia seja sempre
Assim, de bons desejos
E encantos,
De harmonia e alegria,
De muita paz,
Amor e prosperidade.

Valter Bitencourt Júnior

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Agrotóxico

Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar
Do último andar de um apartamento.
Comemos alface envenenado,
Comemos pepino envenenado,
Comemos espinafre envenenado,
Comemos...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar na frente
De um carro, no dia seguinte
Chupamos laranja envenenada,
Comemos maçã envenenada,
Chupamos uva envenenada,
Comemos goiaba envenenada,
Chupamos melancia envenenada...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu cortar os pulsos
E no dia seguinte sentiu-se
Um fracassado.
Comemos feijão envenenado.
Comemos arroz envenenado.
Nada pior do que ler a carta
De um suicida desesperado,
Na busca da morte.

Valter Bitencourt Júnior

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Carpe Diem

Vai a despedida de quem veio e já se foi
Fica a tristeza, a Nostalgia futura,
As lembranças eternas de toda uma passagem
Fica a memória, as perspectivas.

Descem as lágrimas na busca de consolo,
Torna o ser sensível, perde-se o ego,
A vaidade… Nasce a incompreensão
Renasce a compreensão.

Assim o ser vai se tornando forte
Em cada despedida. Renasce a esperança
O querer aproveitar a vida

Enquanto há vida. Quanto custa aproveitar
Cada momento, instantes, segundos
Em paz, afeto, amor?…
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Gozação poética

Papel em branco
Dia poético,
Palavra medida.
Eu que não penso
Que figura de linguagem
Eu vou usar.
Deixe o poema
Fluir de forma natural,
Que cada um interprete
Da sua forma.
- Eu não tenho nada a explicar!
Se eu escrever sobre paz - você ver amor
Se eu escrever sobre paixão - você ver guerra
Se eu escrever sobre natureza - você ver sexo
Se eu escrever sobre vida - você ver...
Você ver no poema o que você
Quiser, o poema agora é seu!

O eu lírico? Não sou eu!
Faz de conta
Que as palavras veio de longe...

- Eu psicografei!
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Atualidade

Quanto mais vazia e calma
Mais ainda é perigosa a rua
(Isola). A bola na rua
Simplesmente a bola
E o asfalto,
Não há quem queira mostrar talento,
Não há quem queira jogar uma pelada,
Não há quem queira fazer pontinho,
Não há quem queira...
Casas com grade
(Já não basta ter medo da marginalidade,
Tem que ter medo de doença
Invisível), a rua nua e doentia,
A rua nua prostituída
Por quem se aproveita
Da situação alheia
Para lucrar (sistema podre -
Capitalista).
No mundo de crença,
Onde muitos colocam
Deus acima de tudo
E carrega por dentro
A falta de amor.
Há ser que mata mais
Que droga,
Quantas pessoas são assassinadas
Por ano?
Calamidade pública,
Pobre nem sempre tem vez.
Humano nem sempre é humano
(Desigualdade social
É desumano).
A sociedade feito a rua
A cada dia, nua, vazia, calma,
Doentia...
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Sina

A tragédia
Também produz dinheiro,
Para quem vive
Na ambição
De tirar proveito.
Tem gente lucrando
Da nossa miséria,
Tem gente lucrando
Da nossa desgraça,
Tem gente
Manipulando a nossa
Mente,
Tem gente zombando
Da gente.
Tem gente
De tudo que é jeito
Que tira proveito
Da nossa crença,
Que brinca
Com a nossa humildade,
Que brinca com a nossa
Lealdade:
– Sociedade vivendo na cegueira.
Tem gente que nos separa
Em oposição.
E sustentamos
Todo o sistema,
Para o nosso próprio
Desespero,
E ser visto
Como bom
Cidadão.
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Mundo de traição

Mundo de traição
E desconfiança,
Ser humano
Nem sempre é humano
- Desumano.
Racional que se torna
Irracional,
Consciente que não
Controla o impulso
Se torna inconsciente:
- Até onde o ser pode ir?
- Até onde vai a monstruosidade
Humana?
Gente se matando aos poucos,
Gente se esquecendo
Que também é gente,
Gente por entre o ego
- Sobe o nariz.
Gente vaidosa,
Humilha que muitas das vezes
Não percebe:
- Que pode ficar sozinha.
Gente que se esquece
De se olhar no espelho:
- Preconceituosa.
Gente que cria o próprio
Apocalipse.
Ainda há gente
Que soltaria Barrabás
E mandaria crucrificar
Cristo,
Em nome do pai
Do filho
Do espírito santo
Amém!
7

Comentários (1)

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Achel Tinoco
Achel Tinoco

Ah, como é grande alguém que escreve poesia, e como é difícil escrever poesia. Quando alguém ainda tão jovem se mete a escrever poesia, é sinal de que o mundo ainda tem esperança. Siga em frente, meu amigo, que a poesia te espera em cada canto, em cada olhar, em cada verso novo. Parabéns. Sucesso. Persistência. Um abraço.

   Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, blogueiro, poeta e escritor brasileiro. Filho de Maria Lúcia da Silva e Valter Bitencourt, tem dois irmãos e uma irmã (Vagnei, Leandro e Lucielle) estudou o ensino primário na Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima e concluiu os estudos no Colégio Estadual Dinah Gonçalves.

   Em 2009, escreveu a poesia “Onde Está o Teu Corpo”, poesia publicada na antologia “O Diferencial da Favela”, Galinha Pulando, Salvador, 2014, organizado por Sandro Sussuarana, antologia essa que também se encontra a poesia “Perfeição. Em 2010, passou a frequentar a Biblioteca Comunitária de Valéria Prof José Oiticica, no bairro de Valéria, onde passou a conhecer o cearense Antônio Fernandes Mendes (Quixeramobim, 21 de outubro de 1936 – Salvador, 29 de julho de 2015).

   Em 2011, passou a redigir o livro “Toque de Acalanto”, e a publicar poesias em sites, blogs e redes sociais. Fez parte do curso 200 Anos de Poesia, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, administrado por Douglas de Almeida. Passou a dar aula de literatura no Projeto Patrulhando a Cidadania. Fez parte da oficina “O que fazemos quando fazemos poesia?”, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, organizado por Carlito Azevedo, em 2012; fez parte da oficina “Lírico e Satírico: Em Contexto”, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, organizado por Ricardo Domeneck, em 2012; fez parte da oficina “Poesia do Verso ao Vídeo”, organizado por João Bandeira. Em 2013, participou de grupos anarquistas, em Salvador. Publicou a poesia “Amor”, na antologia do "Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus", Galinha Pulando, Salvador 2013; publicou a poesia “Tempestade” e a poesia “Simtomas”, na antologia "Eldorado", da Celeiro de Escritores, antologia coordenada por Denise Barros, São Paulo, 2014. Publicou poesia na "Revista Omnira", N.8, da Editora Omnira, revista organizada pelo jornalista Roberto Leal (Presidente da União Baiana de Escritores), revista com intercâmbio Brasil e Angola; publicou a poesia “Pela Noite Tudo Transpira Poesia”, na "Antologia Internacional Espaço do Poeta", do Portal Jorge Guedes, em 2015, neste mesmo ano ganhou o certificado e medalha do I Congresso Internacional da Cultura e Arte Expandindo a Consciência Cósmica. Trabalhou na Pedreira Civil, Valéria, cumprindo um contrato de 1 ano e meio, no programa Aprendiz Legal, fazendo curso de administração, na Faculdade Integral da Bahia (FIB), conhecida como Centro Universitário Estácio da Bahia, através do Centro Integração Empresa – Escola (CIEE), de 20 de maio de 2013 à 19 de agosto de 2014.

   Membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni, Minas Gerais, a partir de 18 de março de 2014, recebeu da Academia de Letras, medalha e diploma. É verbete do Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia, organizado pelo jornalista e escritor Carlos Souza Yeshua, Círculo de Estudo Pensamento e Ação (CEPA), Salvador, 2015. Tem poesias em diversas coletâneas e antologias tanto no Brasil quanto no exterior. Trabalhou na CBV Construtora, Palestina, de 05 de agosto de 2015 até 19 de agosto de 2016. Ainda em 2016 participou da Parada do Livro da Bahia, ao convite de Valdeck Almeida de Jesus, na Praça do Campo Grande, onde recebeu o diploma da Confraria Artística e Poetas Pela Paz (CAPPAZ), entregue pela poetisa Vera Passos.

   Participou da antologia poética "Café Com Poemas", Volume 2, organizada por Leandro Flores, Café Com Poemas, 2019.

     É verbete do Dicionário de Escritorxs Contemporâneos do Nordeste, dicionário organizado pelo editor e jornalista Roberto Leal, Ed. Òmnira, 2022.

   Autor de: “Toque de Acalanto: Poesias”, Publicação Independente, 2017; “Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Civil e Militar: Uma Vida Clandestina”, Publicação Independente, 2017; “Passagem: Poesias”, Publicação Independente, 2017; “Ensaios: Literário”, Publicação Independente, 2017, organizou a antologia “Germinando Poesia: Antologia”, Publicação Independente, 2018; organizou a antologia "Você Pode", Publicação Independente, 2018, Aprendiz: Poesias, frases, haicais e sonetos, Publicação Independente, 2021.