em sua essência, mas como alguém que necessita da poesia. Os versos fazem parte da
minha vida, admiro-os e reproduzo-os conforme os sinto. Poesia significa sentimento, e
este pressupõe vivência, numa sentença lógica a poesia pressuporia a vida.
Ainda que se sonhe acordado
A epifania nem sempre é real,
Pois que teoricamente
A práxis será igualmente diferente.
Nossas paixões se apresentam como ácido
Ora sulfúrico,
Ora lisérgico,
Se não nos corroem
Alucinam-nos,
Quanto ao efeito
[Ou ao dano
Ou ao defeito]
Pouco tem a se fazer
E nessa fonte
Sempre se há de beber.
Do caos do nosso hodierno
Fazemos brotar a nossa poesia,
Da complexidade dos sentimentos
Inexplicáveis manias
E do fervor de nossas paixões
Mais de mil epifanias...
Tal fosse uma sinfonia
A tua voz reverbera em meu pensamento
A ponto de eu sequer ouvir o canto dos pássaros em minha
janela
E a lembrança do teu rosto me marca
Como um ferro incandescente ao tocar a pele
E me causa d o r.
A memória que eu carrego
É deveras frágil e te necessita
A todo instante para que a renoves;
O toque da tua mão fere
E a minh’alma sangra
A cada despedida tua.
Por que não estás aqui comigo?
Por que não me deixas dormir?
Preciso de ti como os deuses precisam dos homens...
O vazio que me assola
Só encontra paz nos teus braços
O sentido que me falta
Só teu beijo abriga,
Eternamente repetir-lhe-ia o meu amor
Se preciso fosse
E o teu nome para sempre ecoaria em meus sonhos
Tal qual a sinfonia.
Há instantes que duram segundos
Mas que desejamos por eternidades,
Há instantes que permeiam o meu mundo
Em momentos que me atrevo à poesia,
Há instantes em que te percebo
Como a primeira metade que me falta,
Há instantes em que fulguras livremente
Em meus pensamentos apoteóticos,
Há instantes...
Ahh, instantes...
Em que tempo estarás comigo?
Esses olhos grandes que intimidam,
Por vezes cinicamente me convidam
Para passear não sei por onde
E para acredita-los nem sei por que...
Esses mesmo olhos grandes
Que eu não sei dizer
De que cor eles são
Ou pra onde querem me levar
São os mesmos que me fazem acreditar
Que até mesmo sei saber aonde ir
Um dia - neles,
Eu hei de me encontrar.
Um paraíso ainda sem nome
Uma extensão não mensurada
Uma lua que se esconde em eclipse
Diante da tua face perfeita
Como a orquídea que floresce
Ao secar da árvore...
O que tens tu a esconder do mundo?
Para onde vais senão ao meu encontro?
Não quero estar em paz
Sê o meu desassossego
A minha primavera sem flor
Sê minha algoz
Meu descontentamento
Só não me deixe de canto
Nem habitar em teu esquecimento.
A saudade é como a página em branco
Que me assusta
E não mata o desejo;
E a lágrima fria como a noite
Distante
Frígida, errante...
Desnorteia-me
E me entristece
Como o pôr-do-sol que se recusa a ser belo.
Quando a sorte resolveu mostrar os dentes
Não sabia se estava a sorrir
Ou a querer me devorar,
Quando a vida resolveu abrir meus olhos
Eu já havia te perdido de vista...
A fonte dos meus sonhos
Sempre foi um ponto cego
Um objeto em queda livre
Um pássaro ébrio
Voando em direção a um alvo móvel;
A fonte dos meus sonhos
Sempre esteve perdida por aí
Entre caminhos que não percorri
Em momentos que não vivenciei,
Porém no dia em que te percebi
Descobri que em teu olhar despretensioso
Escondia-se a Fontana de Trevi
Que abrigava todos os meus desejos
E que a fonte dos meus sonhos
Nunca haveria de secar...
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