WillLukazi

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Eu sofro de Letramorfoses...e não tem cura

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Domador de Misterios

Sou domador de mistérios. Um domador dos meus mistérios. Não é a aspereza do chicote que conta e nem os dias em que deixo meus segredos passarem fome. Não é nada disso. Eu os domo por um motivo muito simples. Reconhecem em mim um pedaço da própria carne e assim me permitem ir um pouco mais fundo em águas que desconhecem o que é luz do sol, areia e superfície.

Tenho meus mistérios. Tenho planos secretos. Desejos escondidos passeiam pelas minhas veias como se estivessem num salão de festas e se misturam ao meu sangue O+ de Conan, o bárbaro. Tenho um sonho preso no canto do olho e uma palavra oculta por entre as rachaduras de minha língua geográfica. Há um impulso sedento e aceso neste meu peito de pular de asa delta e torcer pelo vento mais forte que eu encontrar pela frente. Eu quero pousar com segurança, mas sempre temendo o impacto de uma queda ou do solo seguro. Se não for assim não acho graça nenhuma.


Não há mistério que fuja. Sempre o descubro e o jogo na masmorra impiedosa do meu entendimento, onde não há espaço para enigmas ou escritas incompreensíveis. Onde meu ácido-sulfúrico-raciocínio corrói tudo. Lá tudo se torna claro e nu como a vergonha dos primeiros humanos no Jardim chamado Éden...jardim antigo. Não mato mistérios. Eu os trato, dou atenção e afago até que percebam que foram vencidos e cativados.
Eu não sabia, mas todos os mistérios são uns iguais aos outros. As pessoas são todas iguais em essência, sentem praticamente as mesmas coisas e as diferenças são mínimas.
Eu tinha 11 anos quando resolvi rebaixar os meus mistérios em meros segredos e esta foi a porta avulsa de uma dimensão alheia na qual viajo pelo intervalo do tempo sob leis de uma Física ainda não conhecida.
''Eu sei o que você fez no verão passado''.
Eu sei o que você fez um dia.
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Poemas

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Codinome Esperança

Para ela aquilo tudo não era loucura. Ela esperaria sim um pouco mais de chão, possibilidades, ajustes e um coração novinho em folha...mas não tinha pressa.

Ela, que viu corpos suados, desejos, lágrimas e campos de batalhas, percebia que o Amor e a Guerra usavam o mesmo cenário e o mesmos requintes de crueldade. Um amigo do peito e de infância deu a ela o livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra. Queria que ela se tornasse uma estrategista e escapasse dos terrenos sentimentais minados. Ela já havia se explodido muito. Ele mesmo já havia visto aquela mulher ir pelos ares diversas vezes. Simplesmente não entendia como ela se recompunha tantas vezes e tão rapidamente. Talvez ela fosse uma Mutante e ele não sabia.

Por educação ela aceitou o livro. Por curiosidade ela leu algumas linhas. Por respeito e consideração ela guardou-o num lugar secreto na estante de seu quarto e nunca mais o leu.


E porque era Mulher ela não deu a mínima àquelas páginas. E porque era Mulher respirou fundo, abriu um sorriso e com olhos brilhando foi se explodir mais um pouco. Havia ainda pedaços intactos em seu corpo e alma__e aquilo de se ter pedaços ainda inteiros instintivamente a incomodava.

Além do que ela sentia que o Amor valia à pena. Além do que ela se chamava Mulher.
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Manhãs, Mulher e Melancolia

Densa e quente como uma larva de vulcão, eu desço das montanhas mais altas. Ignoro as paisagens verdes pelas quais eu passo e que me reportam a um tempo bom que ficou distante. Às vezes acho a vida chata em igual número de vezes em que a acho interessante. Mais do que a falta deles, os amores me deixaram assim. Criaram em mim uma mulher livre, presa dentro de si mesma. Uma mulher livre que cumpre sua sina de ir e vir incessantemente, na maioria das vezes, todas a esmo. Em cada passo dado eu conto o vazio a que me entregam. Um vazio intenso como um eco a me gritar pelo interior de uma caverna, cujas paredes rochosas distorcem cada sílaba e morfema deste meu nome tão pequeno.

Terá curiosidade quando perceber que minha tristeza é espessa e pode até ser tocada e sujar a mão com ela. Não me pergunte qual a cor de minha tristeza, pois em tempos em que o sorriso é raro tudo não passa de cinza, numa melancolia nostalgicamente daltônica. Uma espécie de areia movediça pela qual me afundo, surpreendo e renasço. Qual seria a estória que carrego comigo dentro deste peito insólito e sem muito nexo?

Num sobressalto de agonia eu desperto no meio da noite e interrompo um sonho antigo. Nele, as vozes, o cheiro e os sorrisos, que fizeram de mim uma amante das coisas inérteis e frias, me pedem abrigo. E vou até a varanda desta minha casa escura, onde lá, sendo madrugada, eu me junto a treva que me consola e já consigo me acalmar tendo como companhia o silêncio noturno e o barulho sagrado das coisas não-ditas__e me curo.

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Insônia

Em uma época distante fui adepto à pratica de dormir à noite. Tenho saudades. Hoje, confesso que já não consigo. Dormir me parece uma palavra longínqua que me lembra infância e paz__ duas das coisas que me abandonaram na madrugada. Hoje sou um homem de mente inquieta, de visão perturbada por coisas, acreditem, que não vejo. E passo a maior parte do tempo me intrigando com notícias que não são comigo, com palavras que não foram direcionadas aos meus ossos ou ouvidos e com fatos que aconteceram a outros seres vivos. Sinceramente, não sei e não quero fugir disso.

Hoje em dia já tenho dois fios de cabelo branco...e contando__ é só o início.
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O Vôo

Eu deveria ter recusado o convite, mas é que ele veio da alma. Diante de mim todo um circo armado feito de regras, tradições, senso comum, pedaços de religiões e pudores armazenados__ verdadeiro muro. Tudo indicava que eu não poderia, que eu não deveria, que eu não teria esse direito. Mas convite de alma, meus amigos, costuma ser escrito por mão de destino, elaborado pouco antes de tudo acontecer de repente em nossas vidas. Talvez as coisas nem sejam tão de repente assim, talvez tudo tenha levado a vida inteira e nem nos apercebemos disso__ herança da dificuldade em observar movimentos mínimos, afinal nossos olhos se formaram numa escola aonde apenas exageros e gigantismos eram notados e percebidos. Detalhes é missão para o peito, para a mente, para o tato. Ver desejo, ver o vermelho que se forma nas bochechas alheias, ver frases por detrás dos olhos ou todo um ambiente de apaixonados é missão só para o peito, para o tato e para a mente. Aceitei o convite: pulei do monte. Enquanto não se abria as asas curti a paisagem, me deliciei com ar em minhas narinas, invadindo poeticamente meus pulmões de Ícaro. Enquanto não se abria as asas pensei no convite feito pela alma, pensei no quanto me fez bem ser lembrado. Enquanto não se abria as asas sorri e tive o cume que deixei, o ar ao qual me misturei e o chão que se aproximava como minhas poucas testemunhas naquele vale.
E de todas as impossibilidades__ voar, etc, criar asas__ pasmem: eu preferi o que me era mais fácil: sentir... apenas SENTIR e mais nada.

E bem-vindo o impacto se o vôo virar queda!
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Felicidade chucra

Talvez tenha muito a ver com o fato de termos um espírito selvagem, galopante, daqueles que esfregam a cara no vento e dão uma relinchada com força, jogando no ar suor, vigor, feromônio e um convite oculto.
Mesmo que façam suas cercas e estendam seus arames, deixem ao menos atentos seus ouvidos__só assim saberão de nosso salto, de nossos cascos cortando poeira e terra tendo como única direção o instinto, o invisível, o uivo da curva, o mais importante.
Cansado de tudo que os olhos podem tocar me recolho às coisas que o coração, e só ele, pode sentir. Nada de pedir créditos, nada de mendigar credibilidade, meu sentimento me basta. Fecho os olhos, pois só lá, onde morrem as aparências é que consigo ver tudo que é real, tudo que pulsa querendo acontecer, lá sim, longe de todos, longe das leis dos homens, vejo seres em seu estado normal.
E ainda que um laço me roce a crina passará no vazio, pois eu já me decidi.
Ainda pertenço à relva verde e isso é ser livre, meu Deus !
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Existência muda

Sem muitas palavras, e quanto menos, menos armadilhas teremos. O olhar estica-se até o horizonte. O sol, os raios, a quietude das montanhas e tudo me inspira a sentir o murmúrio das coisas brandas, cujo vento as tornam inspiradoramente suspensas. Um brado, um grito, um espírito, uma pata felina selvagem que rompe a estrada e absolutamente nada me desliga dessa nuvem pulsante de sentimentos e reflexões que sempre vão um pouco mais adiante, um pouco mais em frente e me alcançam com garras, pêlos, desejos e dentes.
Como herança me deixaram veias com larva vulcânica dentro, um coração montanha, sentinela de um bosque perdido que apenas em fúria é ouvido, que faz do estrondo teu grito de existência, teu rugido máximo em busca de oxigênio, mesmo mínimo. Fumaça que alcança o espaço e aí sim, e só assim é visto. Tudo é questão de saberem com que estão lidando e pronto e prantos e pontes e puuulem !
Preservo meus dias não com o que vejo, mas com o que sinto. Eu, escudo de mim mesmo, espada de mim mesmo. Minha maior medalha em campo de batalha é quando entendo que sou fraco o suficiente, que preciso de mais uma lança, de mais um braço, de mais um dedo anelar reluzente.
Sem muitas palavras, as deixo amortecidas, caladas, umedecidas em um canto. Não é preciso muitas delas quando tudo já está soletrado em linha firme, em papel bonito de caligrafia sísmica...abalo garantido em algum ponto deste mar perdido corpo adentro.
Por favor, calem-se! Preservem o silêncio! O único barulho bem-vindo é do peito__sinal de vida ou de mera existência: Preferência à vista!!!
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O menino e o banco

Você talvez não saiba, mas eu voltei por diversas vezes ao banco de madeira que ficava naquela calçada. Quase sempre à noite eu me sentava lá e ficava por um tempo. Gostava de olhar o lado oposto do banco e te imaginar ali sentada, assim como era antes.Coisas mais fortes do que eu. O fato é que eu direcionava os meus olhos para o caminho que dava acesso a sua casa. Aquela estradinha estreita embora largamente para sempre em mim. Em todas as noites que voltei ali eu me lembrava de um garoto com palavras engasgadas, querendo dizer tudo que sabia, tudo que sentia e tudo pelo o que ele havia passado. Mas em todas aquelas noites em que apareci naquele banco de madeira no final da cidade (ou seria no início...pouco importa), tive uma só resposta: Não era pra ser. E aquela resposta '' não era pra ser'' se repetia todos os dias até que eu me convenci de que, fosse pelo eco ou pela persistência, ela era a tradução da verdade. Você tão linda e tão cheia de lágrimas...talvez se eu esperasse mais um pouco, talvez se eu esperasse que elas se secassem...talvez se eu não tivesse nunca esperado...não sei dizer. De qualquer modo ocultei a verdade que eu sabia. Você não resistiria ao teor da estória, a verdade crua e nua, não naquele momento. Você não precisava saber e eu não a faria sofrer por mais um minuto...preferível que eu me afogasse. Hoje faz algum tempo que não vejo aquela rua, não vejo aquele banco, não vejo você. A vida te pegou e te pôs debaixo de suas asas e voou contigo para algum pico de montanha em algum lugar do Mundo. Te deu um ninho, alimento e um horizonte distante do meu. E eu não sei por que eu ainda me lembro. Talvez seja por que ainda não teve fim aquilo que talvez nem teve início...Talvez nós tenhamos feito diferente de todos e começamos pelo Meio: um Pequeno Príncipe aventureiro apaixonado pelo oásis escondido em alguma parte de ti. Por muito tempo peregrinei por mim mesmo, desmascarei respostas prontas e mudei algumas de minhas perguntas, mas aqui no peito eu percebo que a felicidade é ainda só um esboço cinza de um desenho raro. Hoje você é uma ave cortando um céu distante e eu fico me perguntando se devo me contentar em contemplar aqui de baixo os seus vôos rasantes.
E todos os dias vejo nascer o Sol e a Saudade. Ao entardecer só o Sol se põe....
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Última Página

Admiro os dias cinzentos que me entregam minhas noites escuras. Ouço as canções mais melodiosas e me agrado ao escalar as montanhas mais altas e pontiagudas. Gosto muito de navegar por entre meus mistérios, de roer minhas unhas e de conhecer, de vez em quando, pessoas loucas, consideradas sem muito nexo. Já fiz falsas amizades que tentaram rasgar as folhas em que escrevi e ainda escrevo. Foram muitas as folhas rasgadas até o dia em que descobri que meus rabiscos cabiam em meu espírito e que papel não era o segredo desse ofício.

Nunca me digam que eu não consigo, é quase certo de que irei rir da sua cara__e isso antes mesmo que eu consiga. Não precisa confiar sempre em mim__ deixe isso comigo. Não me venham com promessas de amor, pois eu sei aonde vai dar meu coração. Não precisa aparecer por aqui com um sorriso forçado, você é livre pra não gostar de mim e a recíproca é mais que verdadeira. Não adianta me elogiar demais, foi-se o tempo em que a vaidade me destruia. Não adianta me criticar em excesso, pois eu não acreditarei em só palavra sua. Eu quero muito é viver enquanto estiver vivo. Quero esquecer e pedir pra que ninguém me lembre da vida alheia. Quero aprender tocar mais de 4 músicas no violão ao redor de uma fogueira. E antes de dormir não quero ficar pensando em coisas que já se passaram como se na verdade estivessem ainda e sempre acontecendo.Na verdade acho que todos nós somos um livro com a última página rasgada, justamente aquela do beijo. E alguns consideram esse o final perfeito.
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Precipício

A gente que viaja pelas beiradas da palavra
sabe do precipício,
sabe aonde tudo acaba.
Sabe que o Início é meramente um ser fictício,
não existe,
é só mais um conto de fadas.
Sabe que a Liberdade é um recinto
de portas e janelas largas,
porém lacradas.
Parabenizo o Nada com uma salva de palmas,
pois de tudo que se finge
ele é o sentimento mais sóbrio
aquele que chega forte
ao cair da tarde
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