WillLukazi

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Eu sofro de Letramorfoses...e não tem cura

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A Lenda da Cidade das Maos Dadas

Venho aqui contar a Lenda da Cidade das Mãos Dadas. Na Cidade das Mãos Dadas existe a mão que se cola a tua e que não se pergunta até quando, até onde, nem se diz adeus e nem mesmo até breve. Lá não existe o desespero, visto que a palavra é feia e não transmite nada além daquilo que origina o choro. Lá se permite apenas o desejo de que o afago e o abraço sejam o mais demorado possível. Lá se permite sim, que o beijo revele o que ainda as bocas distantes não sabem. Há o beijo inflamável que queima o pessimismo e a pele até o final da tarde; que se incendeia numa reação em cadeia de amor , saliva e respeito. Na Cidade das Mãos Dadas, as mãos viram asas e as nuvens viram calçadas em Domingos de alento, sombra e brandura cor escarlate. As frases são ditas murmuradas e recheadas de pausas já que certas coisas não se falam rápido e nem alto. Exigem uma vagarosidade planejada, exigem naturalidade e mínimos detalhes, exigem não se pensar em tudo e nem em nada, permitindo-se assim que o instinto torne-se o mais novo e importante convidado nesta festa de sensações em demasia. Nesta cidade cujas catedrais entoam os cantos mais bonitos eu encontrei uma mão e um mindinho__ e ambos me acolheram e disseram 'Seja bem-vindo' !

Na Cidade das Mãos Dadas não se preocupem com quem vem lá__ é quase certo de que seja sua alma gêmea__ com um mindinho à solta, flutuando pela atmosfera.
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Poemas

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Insônia

Em uma época distante fui adepto à pratica de dormir à noite. Tenho saudades. Hoje, confesso que já não consigo. Dormir me parece uma palavra longínqua que me lembra infância e paz__ duas das coisas que me abandonaram na madrugada. Hoje sou um homem de mente inquieta, de visão perturbada por coisas, acreditem, que não vejo. E passo a maior parte do tempo me intrigando com notícias que não são comigo, com palavras que não foram direcionadas aos meus ossos ou ouvidos e com fatos que aconteceram a outros seres vivos. Sinceramente, não sei e não quero fugir disso.

Hoje em dia já tenho dois fios de cabelo branco...e contando__ é só o início.
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De Amar

E se te digo 'Te amo', tudo passa a ser simples e todas as outras coisas se tornam obrigatoriamente possíveis. O Amor de verdade não precisa absolutamente de nada por perto. Sua existência não depende de presenças ou lógicas ou motivos recentes. Sua vontade não obedece a ciclos, leis, Decretos de Reis ou conseqüências__ se ama sozinho, triste, afagando um travesseiro e ainda assim tendo no peito o maior amor do Mundo e pronto. Às vezes simplesmente se ama abraçando o próprio corpo como se ele fosse um pouco daquele corpo alheio que um dia se fez presente. Às vezes se ama espirrando pequenos jatos de perfume para cima e sentindo aquele aroma tão familiar pousando mansamente de volta às narinas lhe remetendo a um tempo antigo e único. Às vezes se ama parado olhando rumo ao vazio, é quando cai a lágrima e não se sente, 'morre-se de amor e continua vivo'__diria Quintana. Às vezes se ama sonhando, seja acordado ou dormindo, alcançando outras dimensões, motivos, praças e pizzas um dia conhecidas.

Se o que quer ouvir é isso, então eu te digo: Te amo!
E eu sorrio de mim mesmo, pois quem ama é o bobo mais feliz do Mundo...e eu sempre soube disso.
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O Vôo

Eu deveria ter recusado o convite, mas é que ele veio da alma. Diante de mim todo um circo armado feito de regras, tradições, senso comum, pedaços de religiões e pudores armazenados__ verdadeiro muro. Tudo indicava que eu não poderia, que eu não deveria, que eu não teria esse direito. Mas convite de alma, meus amigos, costuma ser escrito por mão de destino, elaborado pouco antes de tudo acontecer de repente em nossas vidas. Talvez as coisas nem sejam tão de repente assim, talvez tudo tenha levado a vida inteira e nem nos apercebemos disso__ herança da dificuldade em observar movimentos mínimos, afinal nossos olhos se formaram numa escola aonde apenas exageros e gigantismos eram notados e percebidos. Detalhes é missão para o peito, para a mente, para o tato. Ver desejo, ver o vermelho que se forma nas bochechas alheias, ver frases por detrás dos olhos ou todo um ambiente de apaixonados é missão só para o peito, para o tato e para a mente. Aceitei o convite: pulei do monte. Enquanto não se abria as asas curti a paisagem, me deliciei com ar em minhas narinas, invadindo poeticamente meus pulmões de Ícaro. Enquanto não se abria as asas pensei no convite feito pela alma, pensei no quanto me fez bem ser lembrado. Enquanto não se abria as asas sorri e tive o cume que deixei, o ar ao qual me misturei e o chão que se aproximava como minhas poucas testemunhas naquele vale.
E de todas as impossibilidades__ voar, etc, criar asas__ pasmem: eu preferi o que me era mais fácil: sentir... apenas SENTIR e mais nada.

E bem-vindo o impacto se o vôo virar queda!
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Dias Cinzentos

E nesses dias em que a inspiração me falha e se acovarda, eu percebo que a única idéia brilhante que tenho é viver. Viver e exigir tudo que me é plausível, que me é formidável, que me é prazeroso. E exigirei sim, para que depois não digam que eu quis e desejei muito pouco as coisas que me eram verdadeiramente boas; para que não digam que eu mereci a sarjeta e um espírito torpe a me perseguir. Querer é descobrir em si uma ânsia funda, onde cabe um nome, onde cabe um grito ou até uma planta. Querer é remover o vírus de quem se acomoda por cima de uma cama estando em plena saúde; querer é ter nascido; querer é pôr fogo na água do íntimo; é sonhar mesmo que não faça nenhum sentido... Querer é direito adquirido__ sonhemos!!!

E eu vou continuar querendo, pois como eu já disse, a grande idéia que tive é continuar vivendo. Às vezes se perde um grande amigo ou simplesmente ele parte na nossa frente e descobrimos que nossa dor não é ferrugem para cessar as engrenagens da vida e por isso todo o seu movimento continua. Nossa dor não falará em todas as línguas e conseqüentemente não será entendida por todos.

Os dias podem até vir sem inspiração alguma, mas nossa respiração continua, meus amigos!

Quero terminar como comecei e ser propositalmente repetitivo ao dizer que a única idéia brilhante que tenho e tive é viver. Quero ver essa chuva de Novembro e sentir de algum modo que tudo vale a pena, até mesmo este meu descontentamento com não sei o quê.
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Felicidade chucra

Talvez tenha muito a ver com o fato de termos um espírito selvagem, galopante, daqueles que esfregam a cara no vento e dão uma relinchada com força, jogando no ar suor, vigor, feromônio e um convite oculto.
Mesmo que façam suas cercas e estendam seus arames, deixem ao menos atentos seus ouvidos__só assim saberão de nosso salto, de nossos cascos cortando poeira e terra tendo como única direção o instinto, o invisível, o uivo da curva, o mais importante.
Cansado de tudo que os olhos podem tocar me recolho às coisas que o coração, e só ele, pode sentir. Nada de pedir créditos, nada de mendigar credibilidade, meu sentimento me basta. Fecho os olhos, pois só lá, onde morrem as aparências é que consigo ver tudo que é real, tudo que pulsa querendo acontecer, lá sim, longe de todos, longe das leis dos homens, vejo seres em seu estado normal.
E ainda que um laço me roce a crina passará no vazio, pois eu já me decidi.
Ainda pertenço à relva verde e isso é ser livre, meu Deus !
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O menino e o banco

Você talvez não saiba, mas eu voltei por diversas vezes ao banco de madeira que ficava naquela calçada. Quase sempre à noite eu me sentava lá e ficava por um tempo. Gostava de olhar o lado oposto do banco e te imaginar ali sentada, assim como era antes.Coisas mais fortes do que eu. O fato é que eu direcionava os meus olhos para o caminho que dava acesso a sua casa. Aquela estradinha estreita embora largamente para sempre em mim. Em todas as noites que voltei ali eu me lembrava de um garoto com palavras engasgadas, querendo dizer tudo que sabia, tudo que sentia e tudo pelo o que ele havia passado. Mas em todas aquelas noites em que apareci naquele banco de madeira no final da cidade (ou seria no início...pouco importa), tive uma só resposta: Não era pra ser. E aquela resposta '' não era pra ser'' se repetia todos os dias até que eu me convenci de que, fosse pelo eco ou pela persistência, ela era a tradução da verdade. Você tão linda e tão cheia de lágrimas...talvez se eu esperasse mais um pouco, talvez se eu esperasse que elas se secassem...talvez se eu não tivesse nunca esperado...não sei dizer. De qualquer modo ocultei a verdade que eu sabia. Você não resistiria ao teor da estória, a verdade crua e nua, não naquele momento. Você não precisava saber e eu não a faria sofrer por mais um minuto...preferível que eu me afogasse. Hoje faz algum tempo que não vejo aquela rua, não vejo aquele banco, não vejo você. A vida te pegou e te pôs debaixo de suas asas e voou contigo para algum pico de montanha em algum lugar do Mundo. Te deu um ninho, alimento e um horizonte distante do meu. E eu não sei por que eu ainda me lembro. Talvez seja por que ainda não teve fim aquilo que talvez nem teve início...Talvez nós tenhamos feito diferente de todos e começamos pelo Meio: um Pequeno Príncipe aventureiro apaixonado pelo oásis escondido em alguma parte de ti. Por muito tempo peregrinei por mim mesmo, desmascarei respostas prontas e mudei algumas de minhas perguntas, mas aqui no peito eu percebo que a felicidade é ainda só um esboço cinza de um desenho raro. Hoje você é uma ave cortando um céu distante e eu fico me perguntando se devo me contentar em contemplar aqui de baixo os seus vôos rasantes.
E todos os dias vejo nascer o Sol e a Saudade. Ao entardecer só o Sol se põe....
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Precipício

A gente que viaja pelas beiradas da palavra
sabe do precipício,
sabe aonde tudo acaba.
Sabe que o Início é meramente um ser fictício,
não existe,
é só mais um conto de fadas.
Sabe que a Liberdade é um recinto
de portas e janelas largas,
porém lacradas.
Parabenizo o Nada com uma salva de palmas,
pois de tudo que se finge
ele é o sentimento mais sóbrio
aquele que chega forte
ao cair da tarde
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Existência muda

Sem muitas palavras, e quanto menos, menos armadilhas teremos. O olhar estica-se até o horizonte. O sol, os raios, a quietude das montanhas e tudo me inspira a sentir o murmúrio das coisas brandas, cujo vento as tornam inspiradoramente suspensas. Um brado, um grito, um espírito, uma pata felina selvagem que rompe a estrada e absolutamente nada me desliga dessa nuvem pulsante de sentimentos e reflexões que sempre vão um pouco mais adiante, um pouco mais em frente e me alcançam com garras, pêlos, desejos e dentes.
Como herança me deixaram veias com larva vulcânica dentro, um coração montanha, sentinela de um bosque perdido que apenas em fúria é ouvido, que faz do estrondo teu grito de existência, teu rugido máximo em busca de oxigênio, mesmo mínimo. Fumaça que alcança o espaço e aí sim, e só assim é visto. Tudo é questão de saberem com que estão lidando e pronto e prantos e pontes e puuulem !
Preservo meus dias não com o que vejo, mas com o que sinto. Eu, escudo de mim mesmo, espada de mim mesmo. Minha maior medalha em campo de batalha é quando entendo que sou fraco o suficiente, que preciso de mais uma lança, de mais um braço, de mais um dedo anelar reluzente.
Sem muitas palavras, as deixo amortecidas, caladas, umedecidas em um canto. Não é preciso muitas delas quando tudo já está soletrado em linha firme, em papel bonito de caligrafia sísmica...abalo garantido em algum ponto deste mar perdido corpo adentro.
Por favor, calem-se! Preservem o silêncio! O único barulho bem-vindo é do peito__sinal de vida ou de mera existência: Preferência à vista!!!
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Última Página

Admiro os dias cinzentos que me entregam minhas noites escuras. Ouço as canções mais melodiosas e me agrado ao escalar as montanhas mais altas e pontiagudas. Gosto muito de navegar por entre meus mistérios, de roer minhas unhas e de conhecer, de vez em quando, pessoas loucas, consideradas sem muito nexo. Já fiz falsas amizades que tentaram rasgar as folhas em que escrevi e ainda escrevo. Foram muitas as folhas rasgadas até o dia em que descobri que meus rabiscos cabiam em meu espírito e que papel não era o segredo desse ofício.

Nunca me digam que eu não consigo, é quase certo de que irei rir da sua cara__e isso antes mesmo que eu consiga. Não precisa confiar sempre em mim__ deixe isso comigo. Não me venham com promessas de amor, pois eu sei aonde vai dar meu coração. Não precisa aparecer por aqui com um sorriso forçado, você é livre pra não gostar de mim e a recíproca é mais que verdadeira. Não adianta me elogiar demais, foi-se o tempo em que a vaidade me destruia. Não adianta me criticar em excesso, pois eu não acreditarei em só palavra sua. Eu quero muito é viver enquanto estiver vivo. Quero esquecer e pedir pra que ninguém me lembre da vida alheia. Quero aprender tocar mais de 4 músicas no violão ao redor de uma fogueira. E antes de dormir não quero ficar pensando em coisas que já se passaram como se na verdade estivessem ainda e sempre acontecendo.Na verdade acho que todos nós somos um livro com a última página rasgada, justamente aquela do beijo. E alguns consideram esse o final perfeito.
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