WillLukazi

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Eu sofro de Letramorfoses...e não tem cura

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A Lenda da Cidade das Maos Dadas

Venho aqui contar a Lenda da Cidade das Mãos Dadas. Na Cidade das Mãos Dadas existe a mão que se cola a tua e que não se pergunta até quando, até onde, nem se diz adeus e nem mesmo até breve. Lá não existe o desespero, visto que a palavra é feia e não transmite nada além daquilo que origina o choro. Lá se permite apenas o desejo de que o afago e o abraço sejam o mais demorado possível. Lá se permite sim, que o beijo revele o que ainda as bocas distantes não sabem. Há o beijo inflamável que queima o pessimismo e a pele até o final da tarde; que se incendeia numa reação em cadeia de amor , saliva e respeito. Na Cidade das Mãos Dadas, as mãos viram asas e as nuvens viram calçadas em Domingos de alento, sombra e brandura cor escarlate. As frases são ditas murmuradas e recheadas de pausas já que certas coisas não se falam rápido e nem alto. Exigem uma vagarosidade planejada, exigem naturalidade e mínimos detalhes, exigem não se pensar em tudo e nem em nada, permitindo-se assim que o instinto torne-se o mais novo e importante convidado nesta festa de sensações em demasia. Nesta cidade cujas catedrais entoam os cantos mais bonitos eu encontrei uma mão e um mindinho__ e ambos me acolheram e disseram 'Seja bem-vindo' !

Na Cidade das Mãos Dadas não se preocupem com quem vem lá__ é quase certo de que seja sua alma gêmea__ com um mindinho à solta, flutuando pela atmosfera.
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Poemas

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A Lenda da Cidade das Maos Dadas

Venho aqui contar a Lenda da Cidade das Mãos Dadas. Na Cidade das Mãos Dadas existe a mão que se cola a tua e que não se pergunta até quando, até onde, nem se diz adeus e nem mesmo até breve. Lá não existe o desespero, visto que a palavra é feia e não transmite nada além daquilo que origina o choro. Lá se permite apenas o desejo de que o afago e o abraço sejam o mais demorado possível. Lá se permite sim, que o beijo revele o que ainda as bocas distantes não sabem. Há o beijo inflamável que queima o pessimismo e a pele até o final da tarde; que se incendeia numa reação em cadeia de amor , saliva e respeito. Na Cidade das Mãos Dadas, as mãos viram asas e as nuvens viram calçadas em Domingos de alento, sombra e brandura cor escarlate. As frases são ditas murmuradas e recheadas de pausas já que certas coisas não se falam rápido e nem alto. Exigem uma vagarosidade planejada, exigem naturalidade e mínimos detalhes, exigem não se pensar em tudo e nem em nada, permitindo-se assim que o instinto torne-se o mais novo e importante convidado nesta festa de sensações em demasia. Nesta cidade cujas catedrais entoam os cantos mais bonitos eu encontrei uma mão e um mindinho__ e ambos me acolheram e disseram 'Seja bem-vindo' !

Na Cidade das Mãos Dadas não se preocupem com quem vem lá__ é quase certo de que seja sua alma gêmea__ com um mindinho à solta, flutuando pela atmosfera.
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O Vôo

Eu deveria ter recusado o convite, mas é que ele veio da alma. Diante de mim todo um circo armado feito de regras, tradições, senso comum, pedaços de religiões e pudores armazenados__ verdadeiro muro. Tudo indicava que eu não poderia, que eu não deveria, que eu não teria esse direito. Mas convite de alma, meus amigos, costuma ser escrito por mão de destino, elaborado pouco antes de tudo acontecer de repente em nossas vidas. Talvez as coisas nem sejam tão de repente assim, talvez tudo tenha levado a vida inteira e nem nos apercebemos disso__ herança da dificuldade em observar movimentos mínimos, afinal nossos olhos se formaram numa escola aonde apenas exageros e gigantismos eram notados e percebidos. Detalhes é missão para o peito, para a mente, para o tato. Ver desejo, ver o vermelho que se forma nas bochechas alheias, ver frases por detrás dos olhos ou todo um ambiente de apaixonados é missão só para o peito, para o tato e para a mente. Aceitei o convite: pulei do monte. Enquanto não se abria as asas curti a paisagem, me deliciei com ar em minhas narinas, invadindo poeticamente meus pulmões de Ícaro. Enquanto não se abria as asas pensei no convite feito pela alma, pensei no quanto me fez bem ser lembrado. Enquanto não se abria as asas sorri e tive o cume que deixei, o ar ao qual me misturei e o chão que se aproximava como minhas poucas testemunhas naquele vale.
E de todas as impossibilidades__ voar, etc, criar asas__ pasmem: eu preferi o que me era mais fácil: sentir... apenas SENTIR e mais nada.

E bem-vindo o impacto se o vôo virar queda!
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Existência muda

Sem muitas palavras, e quanto menos, menos armadilhas teremos. O olhar estica-se até o horizonte. O sol, os raios, a quietude das montanhas e tudo me inspira a sentir o murmúrio das coisas brandas, cujo vento as tornam inspiradoramente suspensas. Um brado, um grito, um espírito, uma pata felina selvagem que rompe a estrada e absolutamente nada me desliga dessa nuvem pulsante de sentimentos e reflexões que sempre vão um pouco mais adiante, um pouco mais em frente e me alcançam com garras, pêlos, desejos e dentes.
Como herança me deixaram veias com larva vulcânica dentro, um coração montanha, sentinela de um bosque perdido que apenas em fúria é ouvido, que faz do estrondo teu grito de existência, teu rugido máximo em busca de oxigênio, mesmo mínimo. Fumaça que alcança o espaço e aí sim, e só assim é visto. Tudo é questão de saberem com que estão lidando e pronto e prantos e pontes e puuulem !
Preservo meus dias não com o que vejo, mas com o que sinto. Eu, escudo de mim mesmo, espada de mim mesmo. Minha maior medalha em campo de batalha é quando entendo que sou fraco o suficiente, que preciso de mais uma lança, de mais um braço, de mais um dedo anelar reluzente.
Sem muitas palavras, as deixo amortecidas, caladas, umedecidas em um canto. Não é preciso muitas delas quando tudo já está soletrado em linha firme, em papel bonito de caligrafia sísmica...abalo garantido em algum ponto deste mar perdido corpo adentro.
Por favor, calem-se! Preservem o silêncio! O único barulho bem-vindo é do peito__sinal de vida ou de mera existência: Preferência à vista!!!
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O menino e o banco

Você talvez não saiba, mas eu voltei por diversas vezes ao banco de madeira que ficava naquela calçada. Quase sempre à noite eu me sentava lá e ficava por um tempo. Gostava de olhar o lado oposto do banco e te imaginar ali sentada, assim como era antes.Coisas mais fortes do que eu. O fato é que eu direcionava os meus olhos para o caminho que dava acesso a sua casa. Aquela estradinha estreita embora largamente para sempre em mim. Em todas as noites que voltei ali eu me lembrava de um garoto com palavras engasgadas, querendo dizer tudo que sabia, tudo que sentia e tudo pelo o que ele havia passado. Mas em todas aquelas noites em que apareci naquele banco de madeira no final da cidade (ou seria no início...pouco importa), tive uma só resposta: Não era pra ser. E aquela resposta '' não era pra ser'' se repetia todos os dias até que eu me convenci de que, fosse pelo eco ou pela persistência, ela era a tradução da verdade. Você tão linda e tão cheia de lágrimas...talvez se eu esperasse mais um pouco, talvez se eu esperasse que elas se secassem...talvez se eu não tivesse nunca esperado...não sei dizer. De qualquer modo ocultei a verdade que eu sabia. Você não resistiria ao teor da estória, a verdade crua e nua, não naquele momento. Você não precisava saber e eu não a faria sofrer por mais um minuto...preferível que eu me afogasse. Hoje faz algum tempo que não vejo aquela rua, não vejo aquele banco, não vejo você. A vida te pegou e te pôs debaixo de suas asas e voou contigo para algum pico de montanha em algum lugar do Mundo. Te deu um ninho, alimento e um horizonte distante do meu. E eu não sei por que eu ainda me lembro. Talvez seja por que ainda não teve fim aquilo que talvez nem teve início...Talvez nós tenhamos feito diferente de todos e começamos pelo Meio: um Pequeno Príncipe aventureiro apaixonado pelo oásis escondido em alguma parte de ti. Por muito tempo peregrinei por mim mesmo, desmascarei respostas prontas e mudei algumas de minhas perguntas, mas aqui no peito eu percebo que a felicidade é ainda só um esboço cinza de um desenho raro. Hoje você é uma ave cortando um céu distante e eu fico me perguntando se devo me contentar em contemplar aqui de baixo os seus vôos rasantes.
E todos os dias vejo nascer o Sol e a Saudade. Ao entardecer só o Sol se põe....
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Liquidez

Não importa por onde ela ande e o quão ela se torna experiente e madura. Nossa vida sempre nos conduzirá a algum momento onde teremos que esfriar a cabeça, manter a calma, respirar fundo, contar até dez e seguir em frente. É só questão de tempo. Simples assim. Haverá dias em que o caminhar pela calçada não será uma boa idéia. Assistir TV também não nos convencerá em nada e nem as coisas rotineiras que mais gostamos conseguirão nos entreter. Eu também sou assim. Por que raios eu não seria?

Nestes dias eu me lembro de que meu corpo é constituído por sangue, suor, lágrimas e outras coisas navegáveis e frágeis que formam mais de 70% de minha estrutura humana que uso de disfarce no dia-a-dia. Talvez seja por causa dessa composição líquida é que meu corpo, como um ímã, me puxa para o banheiro. É quando eu tranco a porta e abro a água do chuveiro e minha carne se mistura à liquidez do alívio e à ilusão dócil dos dias melhores que imagino. A água alcança minha cabeça, se precipia pelo meu corpo, pela minha pele por onde instantes atrás trafegava larva de vulcão bem lenta e impiedosamente quente e viva. De olhos fechados meus olhos são outros e invento soluções de aço. Soluções que carregarei comigo quando eu sair deste banheiro que virou sauna e ter o Mundo novamente em meu encalço.

A empresa de Energia nunca lucrou comigo, meus amigos...estes meus banhos eloquentes e reflexivos são feitos de água bem fria.

__Alguém já ouviu falar sobre 'lavar a alma' um dia ?
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De Amar

E se te digo 'Te amo', tudo passa a ser simples e todas as outras coisas se tornam obrigatoriamente possíveis. O Amor de verdade não precisa absolutamente de nada por perto. Sua existência não depende de presenças ou lógicas ou motivos recentes. Sua vontade não obedece a ciclos, leis, Decretos de Reis ou conseqüências__ se ama sozinho, triste, afagando um travesseiro e ainda assim tendo no peito o maior amor do Mundo e pronto. Às vezes simplesmente se ama abraçando o próprio corpo como se ele fosse um pouco daquele corpo alheio que um dia se fez presente. Às vezes se ama espirrando pequenos jatos de perfume para cima e sentindo aquele aroma tão familiar pousando mansamente de volta às narinas lhe remetendo a um tempo antigo e único. Às vezes se ama parado olhando rumo ao vazio, é quando cai a lágrima e não se sente, 'morre-se de amor e continua vivo'__diria Quintana. Às vezes se ama sonhando, seja acordado ou dormindo, alcançando outras dimensões, motivos, praças e pizzas um dia conhecidas.

Se o que quer ouvir é isso, então eu te digo: Te amo!
E eu sorrio de mim mesmo, pois quem ama é o bobo mais feliz do Mundo...e eu sempre soube disso.
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Precipício

A gente que viaja pelas beiradas da palavra
sabe do precipício,
sabe aonde tudo acaba.
Sabe que o Início é meramente um ser fictício,
não existe,
é só mais um conto de fadas.
Sabe que a Liberdade é um recinto
de portas e janelas largas,
porém lacradas.
Parabenizo o Nada com uma salva de palmas,
pois de tudo que se finge
ele é o sentimento mais sóbrio
aquele que chega forte
ao cair da tarde
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Sabores

Nada como uma Segunda-Feira após a outra. São elas que nos possibilitam confirmar ou abalar nossas convicções. Às vezes deixo de acreditar em coisas que eu defendia na semana passada. Outras vezes acabo acreditando em coisas que eu duvidava.

E a Vida segue assim...sempre.

Podemos num dia querer o mel mais doce ao qual já estamos acostumados e num outro desejarmos com toda nossa força o sabor que mais arde e que ainda não experimentamos.

E tudo é questão de sermos humanos...e somos!
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Codinome Esperança

Para ela aquilo tudo não era loucura. Ela esperaria sim um pouco mais de chão, possibilidades, ajustes e um coração novinho em folha...mas não tinha pressa.

Ela, que viu corpos suados, desejos, lágrimas e campos de batalhas, percebia que o Amor e a Guerra usavam o mesmo cenário e o mesmos requintes de crueldade. Um amigo do peito e de infância deu a ela o livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra. Queria que ela se tornasse uma estrategista e escapasse dos terrenos sentimentais minados. Ela já havia se explodido muito. Ele mesmo já havia visto aquela mulher ir pelos ares diversas vezes. Simplesmente não entendia como ela se recompunha tantas vezes e tão rapidamente. Talvez ela fosse uma Mutante e ele não sabia.

Por educação ela aceitou o livro. Por curiosidade ela leu algumas linhas. Por respeito e consideração ela guardou-o num lugar secreto na estante de seu quarto e nunca mais o leu.


E porque era Mulher ela não deu a mínima àquelas páginas. E porque era Mulher respirou fundo, abriu um sorriso e com olhos brilhando foi se explodir mais um pouco. Havia ainda pedaços intactos em seu corpo e alma__e aquilo de se ter pedaços ainda inteiros instintivamente a incomodava.

Além do que ela sentia que o Amor valia à pena. Além do que ela se chamava Mulher.
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Domador de Misterios

Sou domador de mistérios. Um domador dos meus mistérios. Não é a aspereza do chicote que conta e nem os dias em que deixo meus segredos passarem fome. Não é nada disso. Eu os domo por um motivo muito simples. Reconhecem em mim um pedaço da própria carne e assim me permitem ir um pouco mais fundo em águas que desconhecem o que é luz do sol, areia e superfície.

Tenho meus mistérios. Tenho planos secretos. Desejos escondidos passeiam pelas minhas veias como se estivessem num salão de festas e se misturam ao meu sangue O+ de Conan, o bárbaro. Tenho um sonho preso no canto do olho e uma palavra oculta por entre as rachaduras de minha língua geográfica. Há um impulso sedento e aceso neste meu peito de pular de asa delta e torcer pelo vento mais forte que eu encontrar pela frente. Eu quero pousar com segurança, mas sempre temendo o impacto de uma queda ou do solo seguro. Se não for assim não acho graça nenhuma.


Não há mistério que fuja. Sempre o descubro e o jogo na masmorra impiedosa do meu entendimento, onde não há espaço para enigmas ou escritas incompreensíveis. Onde meu ácido-sulfúrico-raciocínio corrói tudo. Lá tudo se torna claro e nu como a vergonha dos primeiros humanos no Jardim chamado Éden...jardim antigo. Não mato mistérios. Eu os trato, dou atenção e afago até que percebam que foram vencidos e cativados.
Eu não sabia, mas todos os mistérios são uns iguais aos outros. As pessoas são todas iguais em essência, sentem praticamente as mesmas coisas e as diferenças são mínimas.
Eu tinha 11 anos quando resolvi rebaixar os meus mistérios em meros segredos e esta foi a porta avulsa de uma dimensão alheia na qual viajo pelo intervalo do tempo sob leis de uma Física ainda não conhecida.
''Eu sei o que você fez no verão passado''.
Eu sei o que você fez um dia.
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