Lista de Poemas

O Pé Feio de Gesimara





Gesimara;

Meio que na marra

Contou-me segredo

Que anda descalça

Meia que com medo

Meia que sem graça

Por que tem pé feio.



Gesimara;

Virgem Maria dos céus!

Este que são pés teus

Não há quem veja

E que não perceba

E que não duvide

Ser obra de Deus.



Gesimara,

Meio que na farra

Quase me escondeu

Chinelo de dedo

De rosa vermelho

Que se escafedeu,

A que mal te pergunte

A alguém que curte

Estes pés teus.



Homenagem a Gesimara Félix da Silva.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Novembro de 2002 no dia 11

Itaquaquecetuba (SP)
687

Favela Tão Bela





Dizes querida donzela

Se tu moras na favela

Tão quieta e tão bela

De ruas tão nuas

De noites escuras

De humildes alparcas

De mesas tão fartas

Dizes-me donzela

Se tu vens da favela.



Dizes amante donzela

Quando vens da favela

Tão bela e tão discriminada

De beleza assaltada

Jóia feia na vitrine da cidade

Rara escola de futebol

De meninos sem vaidade

Como presos de uma cela

Realidade bruta da favela.



Dizes hó linda donzela

Se tu moras na favela

Dos tímidos quintais

Das notícias nos jornais

Não te envergonhe menina

Das moradas da tua sina

Ainda tens uma janela

Em tua favela que é tão bela.



Dizes o porquê donzela

Que tu vens da favela

De um bairro da periferia

Tão pacata e tão fria

Da vizinhança corriqueira

Do feijão queimado

Na casa da fofoqueira

Não te quero donzela

Longe da beleza da favela.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002, no dia 09 /Itaquaquecetuba (SP).
550

Poesia Órfã

De peito aberto,

Paloma teu coração

Sinto teu pulsar por perto

Quando desces

A comer em minhas mãos.



És livre, sobre voa sem destino,

Pelas notas da canção

De composição deste desatino

Descalça na letra de uma solidão.



De peito ferido,

Repousas neste galardão

À noite te assalta

A procura de abrigo

Amanheço contigo em busca do pão.



Meus olhos saltam em desespero,

Quando te misturas à imaginação

Se não te vejo reclama meu peito

Singela Paloma com toda razão.



Onde estás, pequena pomba,

Que desertas minhas mãos

Na candura do teu vôo

A letra desta poesia tornou-se órfã.



Homenagem a Paloma Cristina Zacarelli.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 27 Itaquaquecetuba (SP)
609

Engenheiro Manoel Feio





Não existe lugar mais feio que o Manoel

Nem engenheiro melhor que Manoel feio

Rascunho de um bairro rabiscado no papel

Criança desnutrida debruçada em teu seio.



Manoel feio, tão feio quanto o próprio nome!

O nome de Manoel não é tão feio assim

Subúrbio da periferia que adormece pobre

E acorda na estação a multidão sem fim.



Longas ruas de terra (terra de verdade)

Manoel não se envergonha e nem culpa tem

O engenheiro que morreu nos deixou saudade

Deixou seu nome feio não importa a quem.



Mauá foi de Barão, Manoel de itaquá!

Na descoberta de Anchieta um anseio

Que ele jamais poderia imaginar

Ter um bairro da cidade com o nome feio.



Nos dias de hoje presto uma homenagem

A esta gente humilde que vive em nosso meio

Aos viajantes que por aqui passaram

Jamais irá esquecer-se de Manoel feio.



Homenagem á estação
ferroviária

Subúrbio Engenheiro Manoel Feio.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Novembro de 2002 no dia 29

Itaquaquecetuba (SP)
1 672

RUFIÃO



Cansada da labuta

Tu vens prostituta

De mais um dia de luta

Perigosa e astuta, de pouca conduta;

Diminuto ao juízo lacônico

Transparente ao sorriso irônico;

Tu vens prostituta

Descansar nos braços deste louco.



Do quilombo tu retornas

Da ferida nos teus seios

Explorada, insaciada, escrava do desejo;

Como um querubim expulsa do céu

O rosto de vergonha coberto com o véu

Desesperada á procura de um beijo

Tu vens prostituta

Em busca de abrigo.



Fantoche dos caprichos da vida

Da hipocrisia nos teus sentimentos

Manipulada pelo efeito da bebida

Tu encontras prostituta

Derrotada em teu próprio fingimento



Na fealdade dos teus atos

Nas histórias e relatos

Continuas teu sustento.

Crucificada no madeiro social

Quando pra ti mesmo, prostituta...


Somente tens feito o mal

Sem álibi e sem direito

Tu caminhas descalça

Pela estrada do preconceito

De pouca moral e razoável dinheiro

Tu vens prostituta

Aos meus braços sedentos.



Em meu leito embriagado e sóbrio

A nudez do meu corpo te espera

Mesmo vestida de impureza e lamento

Tu vens prostituta, tu vens prometendo...

Mulher de poucas palavras, de muitos segredos!

À noite é testemunha dos teus pecados

O dia dos teus sofrimentos

Não chores mais prostituta

Cuido-te da grana e dos teus sentimentos.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2002, no dia 31.
623

ESPOSA DA SOLIDÃO


Felicidade que me esqueces

De um falso juramento;

Jurei amar a ti saudade

Prometendo casamento.



És viúva de um sorriso antigo

Que morreu em falsos lábios;

Quando a ti te dei abrigo

Desgraçado embriagado.



Felicidade que me aquece

Fidelidade sem tormento;

Jurei amar a ti maldade

No meu sangue violento.



És quem furta a alegria

Vontade no peito prostituída;

És quem luta saudade vadia

No peito doído à dor extraída.



Felicidade que me roubas

Que me arromba o coração;

Jurei amar a ti saudade

Só não esperava nesta tarde

Me casar com a solidão.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 21

Itaquaquecetuba (SP)
560

MINUTA



Da imagem imortal e traços imperceptíveis,

Desenho sem medo a plenitude do semblante,

Pois encontrei na silhueta do teu rosto,

Inspiração total para descrevê-la;

E ao perfilar a linha imaginária dos teus lábios,

Minha boca teve sede,

De tão incólume e intocável

Um enigma a ser decifrado pelos amantes da ilusão,

E ao reclinar-te para uma pintura,

Empresta-lhe à beleza a um quadro

Minhas mãos quase trêmulas

Disfarçam tamanha apreensão,

A fragrância do teu corpo nu

Incorporou sobre a tinta a desvairar-se

Dentre aos mortais pincéis da imaginação;

Até mesmo Picasso ignoraria tamanha imperfeição,

Quanto mais um humilde poeta,

Ao descrevê-la em minha folha de papel,

E tentar esculpi-la na magnitude

Do teu ser seria loucura;

Alguém em sã consciência não exitaria,

Talvez se contentasse com pequeno preencher

Que me veio de presente da face oculta,

Chego a sonhar com tua imagem

Que me toma por assalto em meu leito;

Mas na pretensão deste momento

Era real o testemunho dos meus olhos;

Apenas um rascunho desdenhado

Da beleza do teu rosto,

Beleza sem igual imortalizada e sortida

No quadro de um poeta ambicioso.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

24/abril/2002 Itaquaquecetuba (SP)
487

Peito Traidor





Tuas mãos me acolhem

No teu peito que é traidor

Tuas palavras impuras

Contaminam meus sentimentos;



Como um pombo ferido

Lanço-me em teus braços

Em busca da cura

Em busca de abrigo;



Acalentas-me do inverno que é duro

Tomas-me em falsos desejos

Quando renasço em amor e sussurros

Quando me matas

No veneno dos teus beijos;



Venho a dormir

De uma noite cansada

Uma noite fria

Sem vida e sem cor

Sonhando acordar

Nos seios da amada

Que me acolhes em teu peito

Que é traidor.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Junho de 2000 no dia 04

Itaquaquecetuba (SP)
500

Estação Rocha Leão







Que saudades da velha estação

Da locomotiva que trilhava a ferrovia

Patrimônio histórico que a muito não se via

Estação antiga de Rocha leão.



Quando ainda gatinhava à vontade de trilhar

Nasceu por mão de obra de escravos

Estrume de boi misturado com os barros

Em rio das ostras ela veio inaugurar.



Com teto de telhas francesas

De marseille era a velha estação

Desde 1887, não se via tamanha beleza.



Os tempos modernos destruíram a velha estação

O coração da velha locomotiva parou

Não batem mais nos trilhos de Rocha Leão.



(soneto)



Homenagem à antiga estação, situação!

Hoje transformada no centro ferroviário

De cultura, antiga estação Rocha Leão.



Pelo autor Marcelo Henrique
Zacarelli

Novembro de 2002 no dia
04

Itaquaquecetuba (SP)
519

JORNALEIRO AMIGO


Jornaleiro sim

Que vende notícia

Da ilustre revista

Se bem ou se mal

Que vende jornal

Que conta mentiras



Jornaleiro por opção

De bom coração

Não tão bom de pulmão

Um fumante confesso

De opinião e brasileiro

Com sua banca situada

Na avenida amador Bueno;



Nascido de minas

Mais preciso de guaxupé

Companheiro de Ondina

Que tomou por tua mulher

Jornaleiro honesto

Que Deus o tenha



Seu Aldo de todos

Do alto da penha;

Jornaleiro amigo

Saudoso avô

Á que mal lhe pergunte

Por que à morte te chamou.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

21/maio/2002 Itaquaquecetuba (SP)











[U1]

Esta Poesia fora inteiramente Inspirada em Aldo Zacarelli / avô do Poeta Marcelo H. Zacarelli / Cuja Banca de
jornal situava na Av. Amador Bueno da Veiga Bairro da Penha cidade de São Paulo
/ considerado Patriarca da Família
Zacarelli / faleceu em 25/07/1989 aos 67 anos.



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Marcelo
Henrique Zacarelli nasceu na cidade de São Paulo em 28 de Agosto de 1969. De
Origem Italiana por parte dos pais e Portuguesa por parte de Mãe. Começou a
escrever versos e poemas aos 14 anos no Bairro da Penha cidade de São Paulo,
onde passou sua infância. Seus avôs Paternos migraram da Calábria sul da Itália
no final do século IX para a lavoura do café na região sudeste do Brasil. Dona
Amélia Zacarelli desembarcou de Navio grávida de Aldo Zacarelli, considerado o
patriarca da família Zacarelli. Um de seus filhos Aldo Rodolfo Zacarelli foi
pai de Marcelo H. Zacarelli. O Poeta Zacarelli hoje é casado com Fernanda
Villarim e têm três filhos: Paloma C. Zacarelli, Pedro H. A. Zacarelli e
Henrique Morrison Zacarelli. Corintiano apaixonado ama o futebol e descreve sua
paixão no Blog WWW.footzaca.blogspot.com.  Marcelo considera-se também um
Cinéfilo, assíduo expectador de filmes, “gosto do gênero Drama e Romance além
de Baseados em fatos reais, indica alguns de muitos: “Um Violinista no Telhado”
“Oliver” “Doutor Jivago” Casablanca” “Amadeus” entre outros... Seu Blog para
Filmes: WWW.cinezaca.blogspot.com. Marcelo Zacarelli é protestante embora
respeite todas as denominações que levem à pessoa a fé, e ratifica “O importante é olhar para o seu próximo e
ver você, alguém que certamente não o prejudicaria” O amor consiste
livremente em ser justo para com todas as coisas. Na Música gosta do Gênero “Rock,
Blues, R&B, Jazz”, porém considera-se um eclético no geral e cita alguns de
seus gostos: “The Doors, Queen, Janis Joplin, Beatles, U2, Legião Urbana entre
outros”. Na Política, Marcelo prefere enaltecer sua opinião de acordo com a
situação, “Na Política as coisas mudam muito rápido, opiniões, filosofias,
ideologias e concepções são características de um perfil crítico do cidadão e
suas personalidades oscilam de acordo com os interesses pessoais do momento. A
Profissão por ocasião da necessidade tem se diversificada, portanto por vontade
gostaria de se formar em Jornalismo ou Psicanálise, por Hobby Escritor ou
Romancista. Um Sonho “Jogador de Futebol Profissional” Realizar “Tornar-se um
Poeta Reconhecido” Auto Crítica, falta conhecimento da língua portuguesa e
aprofundamento na mesma para se elaborar um trabalho com perfeição, somente a
inspiração e alma te levam á metade do caminho. Marcelo escreve Poemas e
Poesias épicas e líricas além de ideologias, pensamentos, tautogramas,
composições, versos, sonetos, em suas características principais o pessimismo e
surrealismo: WWW.almanirvana.blogspot.com. Admiram trabalhos como os de Augusto dos
Anjos, Arthur Rimbaud, Karl Marx e Jim Morrison. Marcelo H. Zacarelli é de
personalidade forte e opinião própria, acredita que tem perfil de líder e odeia
a injustiça embora admita que errar está na natureza do ser – humano, “Persistir no mesmo erro é premeditação de
ignorância”. Religião e Política são fundamentais para o caráter filosófico
da pessoa, educação e cultura são de caráter fundamental para a vida social do
indivíduo. Um Pensamento: “Você pode ser
o que você quer ser, isto só depende de você” e “A maior riqueza que um
homem pode carregar é o seu conhecimento”. “Ninguém pode acreditar em uma coisa
e fazer outra e nem fazer uma coisa acreditando em outra” e “O maior inimigo
que se pode ter é acreditar que não se pode fazer”. Marcelo Henrique Zacarelli
escreve sempre que pode, quando a inspiração assalta o pensamento, a madrugada
é tinta no seio da alma e o desejo é papel, branco e nu, aberto aos anseios dos
sentimentos. O Poeta diz: “Se uma só
pessoa gostar de um trabalho meu, todo o meu esforço valeu apena”. Marcelo
ainda não publicou livros, mas tem seus Poemas em sites como (Recanto das
Letras, Luso Poemas, Latino Poemas, Poesias Online entre outros. Marcelo
Zacarelli também tem um Pseudônimo “Christine Aldo” na qual carrega em seu
avatar a esposa Fernanda Zacarelli e seu Blog é: WWW.christinealdo.blogspot.com. O Poeta Marcelo também tem seu Blog
pessoal WWW.marcelozacarelli.blogspot.com. Um forte abraço a todos, e que Deus nos
abençoe em todas as pelejas de nossas vidas.

 

Marcelo Henrique Zacarelli.