Lista de Poemas
Poemas publicados
Palavras a Rita Nunes
de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs ris…
Poema à batina do meu pai
a batina do meu pai
não me dizia
que o inverso do ontem
não havia
e que deus era apenas
uma grave alegoria.
assim posta em meu olho
Pequena toada de sono e madrugada
o olho não fecha
apenas lavra
os restos da vida
que ficaram
e a noite não dorme
apenas acha
no vão de cada sonho
uma urgente lágr…
Pequeno dizer sobre a alienação
a informação
inventa teu crânio
como bólide urgente
e estranho
tudo que repetes
como de ti parido
é uma ilusão externa
a todos teus sen…
Poema ao retrato de Olga Benário Prestes
na casa do sapateiro Francisco
nunca espaço te coube
e murchavam todas as horas
e marchavam públicas as dores
na casa do sapateiro Francisco
…
Dos plurais de mim em rasa feição
o que me coletiviza
é a multidão que trago
na singularidade exata
dos palmos da vida
é que a tenho
assim indivídua
guardadas as proporções
DOCES SONHOS DE UMA GAROTINHA
Ela dormiu como há muito não fazia. Deitou-se levemente sobre as cobertas e encolheu-s num mundo só seu. Era tão bom ficar só e não precisar entender o mundo, sentir que tudo er…
discursos temporais da velhice
eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
de…
Poema ao catador de papéis
catas o lixo
como te constatas
ausência de tanta
eficácia
carpes a vida
intransformada
repetição do que é tudo
em nada
Pequeno excerto de coletivos modos
A verdade é só um jeito
que a multidão teima em dar
dentro do peito
é que sempre vige na gente
entornadas pelas avenidas
as passeatas que teimamos …
Da largura do amor em larga pauta
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo qu…
pequena exposição da possibilidade
no medo
, publico
meu segredo
e construo de tarde
o que era cedo
nada do que me é tanto
é tão secreto
mesmo que pública
sua razão…
Paisagem I
E o mar deitado na praia
vivendo as coisas do sonho
espera que a lua acorde
e pule nua em seus ombros
e cavalgue a manhã
com a presteza dos passo…
Poema às paredes de vidro
nem sempre a transparência
deixa de ser cortina
se não se escrevem nos meus olhos
os materiais que adivinho
e paredes mais não sejam
que invó…
Pequena ode panglossiana com facciosa conivência
a tristeza
é só um jeito
que a alegria teima em dar
dentro do peito.
Poema ao falido rio
eu te percebo rio
no correr das minhas veias
e não importa que não o sangue
seja o deslizar de tuas cheias
eu te concebo rio
embora tu nem cr…
pequena dialética
nada do que é pronto
me convoca
se não trago o caminho
como resposta
é que caminhar
é todo o encontro
de dizer construído
o que …
Pequena digressão
A distância
é apenas um jeito
que o tempo teima em dar
no pensamento
coisa de ser desatendida
vividas as horas todas
dos metros todos do dia
Pequena digressão do ilimite
Só se é indivíduo
quando coletivo
pois é preciso ser dito
o homem vive sempre
embrulhado no infinito
pois é preciso ser vasto
para ser limita…
do amanhã em largo espectro
o amanhã
é só um ontem reprimido
é um tempo que esqueceu
de ser vivido
pousa na memória
como bólide inconcluso
à espera das estradas
em …
Poema em burocrata senda
os birôs
de militar postura
escondem dentro de si
mortes e amarguras
e dizem-se urgentes
ao explodir a prática
num coito desinformado
entre o hom…
Pequena digressão com laivos de poema
sósia de mim
me desconheço
nos outros tantos eus
em que me teço
é que viver
é só um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
À espera do passado com nesgas do futuro
a esperança
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança
sua imanência
pequena alusão ao meu País
lavro a esperança
com a mesma magnitude
com que a chuva cria
os mares que não pude
e se não me estranho
é que me permito
ser um impatriota