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AurelioAquino
AurelioAquino

Palavras a Rita Nunes

de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte

e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs ris…

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AurelioAquino
AurelioAquino

Poema à batina do meu pai

a batina do meu pai
não me dizia

que o inverso do ontem
não havia
e que deus era apenas
uma grave alegoria.
 
assim posta em meu olho


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AurelioAquino
AurelioAquino

Pequena toada de sono e madrugada

o olho não fecha
apenas lavra

os restos da vida
que ficaram
 
e a noite não dorme
apenas acha

no vão de cada sonho
uma urgente lágr…

88
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequeno dizer sobre a alienação

a informação

inventa teu crânio
como bólide urgente
e estranho

tudo que repetes
como de ti parido

é uma ilusão externa
a todos teus sen…

83
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema ao retrato de Olga Benário Prestes

na casa do sapateiro Francisco
nunca espaço te coube

e murchavam todas as horas

e marchavam públicas as dores
 
na casa do sapateiro Francisco
…

137
AurelioAquino
AurelioAquino

Dos plurais de mim em rasa feição

o que me coletiviza
é a multidão que trago
na singularidade exata
dos palmos da vida

é que a tenho
assim indivídua
guardadas as proporções

76
Carol Ortiz
Carol Ortiz

DOCES SONHOS DE UMA GAROTINHA

Ela dormiu como há muito não fazia. Deitou-se levemente sobre as cobertas e encolheu-s num mundo só seu. Era tão bom ficar só e não precisar entender o mundo, sentir que tudo er…

313
AurelioAquino
AurelioAquino

discursos temporais da velhice

eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida

É que sua lavratura,
de…

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AurelioAquino
AurelioAquino

Poema ao catador de papéis

catas o lixo

como te constatas
ausência de tanta
eficácia
 
carpes a vida
intransformada
repetição do que é tudo
em nada
 

107
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequeno excerto de coletivos modos

A verdade é só um jeito

que a multidão teima em dar
dentro do peito

é que sempre vige na gente
entornadas pelas avenidas
as passeatas que teimamos …

84
AurelioAquino
AurelioAquino

Da largura do amor em larga pauta

A Lane Pordeus

Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo qu…

68
AurelioAquino
AurelioAquino

pequena exposição da possibilidade

no medo
, publico
meu segredo
e construo de tarde
o que era cedo
 
nada do que me é tanto
é tão secreto

mesmo que pública

sua razão…

111
AurelioAquino
AurelioAquino

Paisagem I

E o mar deitado na praia
vivendo as coisas do sonho
espera que a lua acorde
e pule nua em seus ombros

e cavalgue a manhã
com a presteza dos passo…

111
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema às paredes de vidro

nem sempre a transparência

deixa de ser cortina

se não se escrevem nos meus olhos
os materiais que adivinho
 
e paredes mais não sejam
que invó…

136
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequena ode panglossiana com facciosa conivência

a tristeza

é só um jeito

que a alegria teima em dar
dentro do peito.
 

80
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema ao falido rio

eu te percebo rio

no correr das minhas veias

e não importa que não o sangue
seja o deslizar de tuas cheias
 
eu te concebo rio

embora tu nem cr…

106
AurelioAquino
AurelioAquino

pequena dialética

nada do que é pronto
me convoca

se não trago o caminho
como resposta
 
é que caminhar

é todo o encontro
de dizer construído
o que …

81
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequena digressão

A distância
é apenas um jeito
que o tempo teima em dar
no pensamento
coisa de ser desatendida
vividas as horas todas
dos metros todos do dia

128
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequena digressão do ilimite

Só se é indivíduo
quando coletivo

pois é preciso ser dito
o homem vive sempre
embrulhado no infinito
pois é preciso ser vasto
para ser limita…

111
AurelioAquino
AurelioAquino

do amanhã em largo espectro

o amanhã
é só um ontem reprimido
é um tempo que esqueceu
de ser vivido

pousa na memória
como bólide inconcluso
à espera das estradas
em …

82
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema em burocrata senda



os birôs
de militar postura 
escondem dentro de si 
mortes e amarguras
e dizem-se urgentes
ao explodir a prática
num coito desinformado 
entre o hom…

137
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequena digressão com laivos de poema

sósia de mim

me desconheço

nos outros tantos eus
em que me teço
 
é que viver

é só um jeito

de trazer multidões
dentro do peito

169
AurelioAquino
AurelioAquino

À espera do passado com nesgas do futuro

a esperança
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança

sua imanência

117
AurelioAquino
AurelioAquino

pequena alusão ao meu País

lavro a esperança

com a mesma magnitude

com que a chuva cria

os mares que não pude

e se não me estranho

é que me permito

ser um impatriota


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