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Poemas publicados

AurelioAquino
AurelioAquino

Vigência

no meio de mim,
impunemente,
tudo é sempre.

150
AurelioAquino
AurelioAquino

Das ranhuras de tudo

A vida
é uma morte invertida
tudo que em uma sobra
na outra é mantida
 
é que não há condição
de tê-las divididas
tudo que em uma medra
n…

141
AurelioAquino
AurelioAquino

Pequeno versejar sobre o fascismo em panfletária forma

em decúbito
o ódio esmaga o discurso
como se fora bólide do susto
 
o desespero da razão
é só o ritmo
de quem perdeu em vão
o humano indício<…

99
AdrianoDavid
AdrianoDavid

Esperança de um novo amor

Me queimei
não pude escapar
Este incêndio
me fez amar

Mas o fogo
se apagou
e deixou sua vítima
deitada na dor
 
Este é o preço…

266
AurelioAquino
AurelioAquino

Palavras a George Floyd

A garganta
inventa na palavra
uma bandeira negra
desfraldada
 
a garganta
respira o mundo
com a força da paz
e a certeza de tudo
 …

134
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema ao suicida

o salto
esconde
o homem da cidade
 
ao morrer –
quem sabe?
o homem pula a si
e sua verdade
 
incoletivamente
ele desarquiteta

175
AurelioAquino
AurelioAquino

Do coração em regras e repiques

praça de guerra
meu coração permite
a contrição e a fartura
de todos os limites
é que de usá-lo avesso
ao que em mim insiste
possa traze-lo avante<…

107
AurelioAquino
AurelioAquino

Constructo

Minha morte
a construo
com os metros de vida
que não uso
e sou unânime em tê-la
em cada ausência
num riso menos vário
num desvão da consciênci…

152
AurelioAquino
AurelioAquino

Dizeres à guisa de votos

As ações
não discursam
faltam-lhes o verbo
e a culpa
 
e são assim
como transeuntes
nada do que não seja
lhes assume
porque em vê-l…

133
AurelioAquino
AurelioAquino

Vínculo

Meu vínculo
é o que sinto
ditas que sejam tantas
as razões desse exercício
e dos misteres tais
que exercito
construindo em verbos
o que digo.<…

109
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema de amar repente

É preciso amar
e amar tão precisamente
com a força do coração
e a certeza latente
de quem milita a vida
nessa constância de gente
 
não um amo…

109
AurelioAquino
AurelioAquino

Da alma em retoques

A alma é só invólucro
daquilo em que se cabe
guardada a proporção
das pretensas liberdades
que a gente traz pelo peito
e, às vezes, nem sabe
 

140
AurelioAquino
AurelioAquino

Dos vincos da verdade em laicos gestos

Eis o fato:
a verdade
é sempre menor
que o ato
fazê-la é um jeito duvidoso
de torna-la exata
é como se fora proporção
entre o que se sente

110
AurelioAquino
AurelioAquino

Da palavra e sua compleição em sentido estrito

A palavra
nada
todos os mares
de que fala
 
transeunte
não se admite
como passagem de tudo
que se disse
 
é que esconde
no…

111
AurelioAquino
AurelioAquino

Carta VIII

A rosa que te dei
tinha a feição exata
das flores que eu trazia
lavradas na alma
 
se ela não resumia
nos seus limites de planta
algum carinho…

240
AurelioAquino
AurelioAquino

Das refregas e seus limites

Ganho de mim
todas as disputas
ninguém ganha do outro
quando se luta
 
é que combater
é sempre uma desculpa
de quem enfrenta no outro
sua…

125
AurelioAquino
AurelioAquino

Da esperança em tons

No sono
a saudade do futuro
alinhava um tempo
que discurso
 
é como se fora um rio
sem curso
tudo que lhe leva
é meu impulso
e a cer…

102
AurelioAquino
AurelioAquino

Poema ao povo das cores

Grávida
a África escancara
todas as cores
em que se espalha
nada do que lhe é tanto
se compara
aos infinitos que joga
pela nossa cara

123
AurelioAquino
AurelioAquino

À guisa de haicai

entre mim
e a paisagem
dói a tarde.

106
AurelioAquino
AurelioAquino

Condição e trânsito

Dito eu
não me explicito
em tudo aquilo
com que me insisto
minha geografia
persiste
por estar sempre à mão
e em riste
e histórias há

207
AurelioAquino
AurelioAquino

Das culpas pandêmicas do lucro

a terra e os homens,
assim como de repente,
respiram as culpas orquestradas
monetariamente
 
adredemente conjugados
humanos não pressentem
que…

120
AurelioAquino
AurelioAquino

Do desmazelo temporal do medo

Nunca é tarde
para dizer o que é cedo
à história, às vezes,
é um disfarce do medo
e o tempo inventa porções
para demorar seus atropelos
 
ao h…

129
AurelioAquino
AurelioAquino

Do infinito em medidos subterfúgios

O infinito
instiga
a vê-lo nos palmos
com que medimos a vida
 
é que o espaço
é um tempo disfarçado
que cabe em cada mão
que saiba olhá-lo.

130
AurelioAquino
AurelioAquino

Dos paradigmas contínuos e outros

no meio da alma e dos ventos
voam meus ancestrais
nas palavras do tempo
 
tudo que havia deles
como um mapa indeciso
hoje cabe indócil
no jeit…

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