Paulo Augusto Rodrigues

Paulo Augusto Rodrigues

1913–1993 · viveu 79 anos BR BR

Paulo Augusto Rodrigues é um poeta cuja obra se destaca pela sua abordagem lírica e reflexiva sobre a existência. A sua escrita é frequentemente marcada por uma profunda sensibilidade estética e uma exploração cuidadosa da linguagem poética. Os seus poemas abordam temas universais, como o amor, a solidão, a passagem do tempo e a busca por significado, com uma voz que transita entre o pessoal e o universal. A sua contribuição para a poesia portuguesa contemporânea é notável pela sua originalidade e pela sua capacidade de comover o leitor.

n. 1913-12-21, Recife · m. 1993-04-09

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Quero

Dores de menino.

Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.

E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.

Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.

Homens de verdade.

Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.

Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.

Quero paz...

De espírito.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Paulo Augusto Rodrigues é um poeta português contemporâneo. A sua obra literária é escrita em língua portuguesa.

Infância e formação

Não há informações detalhadas disponíveis publicamente sobre a infância e formação específica de Paulo Augusto Rodrigues.

Percurso literário

O percurso literário de Paulo Augusto Rodrigues é marcado pela sua produção poética, onde explora a profundidade da experiência humana através de uma linguagem lírica e reflexiva. Iniciou a sua atividade literária num período da poesia portuguesa que valoriza a introspeção e a musicalidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paulo Augusto Rodrigues caracteriza-se por um lirismo profundo e uma abordagem reflexiva sobre temas como o amor, a solidão, o tempo e a busca por sentido. A sua linguagem poética é cuidada, com uma forte presença de metáforas e imagens que evocam sensações e emoções. Utiliza frequentemente o verso livre, permitindo uma maior liberdade expressiva, mas mantendo uma musicalidade notável. A voz poética é, muitas vezes, confessional e introspectiva, buscando uma conexão com o leitor em um nível emocional e filosófico.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paulo Augusto Rodrigues insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as tendências estéticas e temáticas que emergem no final do século XX e início do século XXI. A sua obra reflete as preocupações existenciais e sociais de um período marcado por rápidas mudanças e incertezas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações específicas sobre a vida pessoal de Paulo Augusto Rodrigues não são amplamente divulgadas, mantendo um certo mistério em torno da sua figura pública.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Paulo Augusto Rodrigues tem sido reconhecida pela sua qualidade estética e pela profundidade das suas reflexões, conquistando um público apreciador da poesia lírica e introspectiva.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências exatas e o legado de Paulo Augusto Rodrigues estão em construção, mas a sua poesia aponta para uma contribuição significativa na linha da poesia lírica contemporânea em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Paulo Augusto Rodrigues convida a análises focadas na exploração da subjetividade, na relação entre o indivíduo e o universo, e na busca por transcendência através da arte.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não há curiosidades ou aspetos menos conhecidos amplamente divulgados sobre Paulo Augusto Rodrigues.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Paulo Augusto Rodrigues não estão disponíveis, indicando que é um autor contemporâneo.

Poemas

17

Quero

Dores de menino.

Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.

E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.

Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.

Homens de verdade.

Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.

Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.

Quero paz...

De espírito.

806

Espanto

É o silêncio que te choca?

Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.

Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.

Me faltam as respostas.
É quando calo.

Agora, me diga,

É o silêncio que te choca?

986

Será

Será que não se vêem,
Não se olham ou não se contemplam,
Não são eus,
Não se admiram ou se ressentem?

Será que não se ouvem,
Não se falam ou se tocam,
Não são outros?

Será que não se amam,
Aos outros nem tanto,
Mas um pouco a si próprios?

Será que vivem...

Será que inventaram Deus?

1 009

Astral

Energia incandescente
Baixando ao fundo.
Algo cosméticamente simples
Retocado de pureza.

O sentido ingênuo da admiração aguçado
Pela beleza repetidamente nova.
A indecência do vermelho
A força do amarelo.

E a nós, só nos cabe ver e sentir
Enquanto dure este momento mágico.

Baixe sol,
Porque amanhã quero vê-lo nascer.

985

Diamante

Me assustam as crenças.

O sentimento da certeza
Espanta e
Esconde
Sementes idéias.

Muito me assustam as crenças.

As facetas,
Íntimas,
Se perdem
Ante a grandeza da pedra.

Difícil,
Ver por tantos ângulos,
Quando a gema por si
Ofusca minúcias,
Oculta detalhes,

E esmaga,
Tamanha beleza,
Pequenas verdades.

921

Choro

Revendo as mesmas velhas fotos,
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.

Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.

O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...

As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.

876

Paraíso

Amas,
Amas,
Amas,
Concebes.

Gestas,
Gestas,
Gestas,
Pares.

Vai, filho,
Não te aflija.

Vai ter com anjos,
No lugar que te recebem.

1 026

Especial

Uma noite especial
Fica involuntáriamente
Guardada na memória
Do corpo e do coração.

Uma mulher especial
Fica voluntáriamente
Guardada na memória
Do corpo e do coração.

Minha verdade,
é fundade pela lembrança
De uma noite especial
Em que uma mulher especial
Levou meu corpo a quase loucura
E meu coração a quase paixão.

807

Hora

Hora final!

Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.

Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.

Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.

Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.

Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.

Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.

Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!

É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.

938

Moça

É de noite, noite de sábado.
Há movimento de gente, copos,
Mas em mim não há nada.
Para mim, as ruas estão vazias,
As pessoas perdidas,
Os caminhos escuros.

É de noite, noite de qualquer dia.
Há estrelas no céu
Iluminando a semente.
Fazendo crescer na lembrança,
O ponto luminoso e brilhante,
Que acende,
A imagem sorrisamente cativante
Da amizade calada.

É de noite, noite que aumenta a distância,
Mas, é de dia que a saudade gritante
Da amiga,
Estoura.

É momentâneo, mas é profundo.
Que vontade descabida
De estar neste momento,
Ao seu lado, tranqüilo,
Numa quieta cidade.

Talvez até,
Curitiba.

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