Poemas

Lista de Poemas

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Manuel Bandeira
Manuel Bandeira

Ternura

Enquanto nesta atroz demora,
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;

Por enganar o meu desejo
De inte…

796
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Quando fomos a Delfos

Eu estava encharcada de cortisona
quando fomos a Delfos
e o Dr. Zorus tinha dito
que não comesse carne.
Mas não vinha dos deuses
o interdito
e cheg…

1 237
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Uma maçã

Há uma maçã pousada
no poema
com sua esfericidade
irretocável.
Essa maçã faz do poema
prato
instaura a luz que
com volutas claras
desenha…

1 277
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Talvez saiba

Meu braço é uma extensão imensa
longa colina plana
que o cotovelo rompe
e que o pulso ameaça.
E nessa geografia pulsante
floresta dos meus finos pelos<…

1 172
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Nunca acreditando

Naquele ano de mil novecentos e noventa e nove
previa-se o fim do mundo para agosto
dia onze quarta-feira.
Não se organiza um fim de mundo
de um dia para o o…

980
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Se cárcere não for

Como dizer
prisões
a esses espaços
se o cárcere não for
o humano corpo?
As correntes pendentes das arcadas
as escadas
as represas de luz cont…

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

Tempos de medo

Durante a guerra
no hotel em que morei
ouvíamos rádio
na sala de venezianas fechadas e
longo pano verde sobre a mesa.
Mas era Rádio Londres
e havi…

1 198
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Por preço de

Estão sorteando frangos
na Parada Modelo
- modelo de quê,
me pergunto -
dezenas de milhares
de frangos
diz o alto-falante do Trio Elétrico
pa…

581
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Aberta frincha

Há tempos não abraço meu amado
com essa alma aberta
mais que os braços.
O corpo dele é tão parelho ao meu
que às vezes quando o envolvo
nos meus braços<…

1 146
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Pobre seria sem elas a porcelana chinesa

Porque ia chover
os vasos da vila amanheceram
cheios de peônias
o fio da faca garantindo vida
na facetada tumba de cristal.

Delicadas são as peôni…

971
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Desde o início

Na escura caixa do peito
meu coração se sabe destinado
à lança.
Dorme a serpente
inchando seu veneno
os escorpiões se escondem
sob as pedras

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

Primavera em Bellagio

Nevou à noite nas
altas montanhas além do lago
mas no jardim
as glicínias fingiram ignorar
o inaudível cair dos flocos.
Mais forte era o chamado
qu…

1 138
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Na praça Jemaa el Fna

Na palma da minha mão
um geométrico desenho
foi talhado a bisturi.
Palma direita
antes concha
agora terra rasgada
remendo de cicatriz.

N…

1 172
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Lua de mel em Veneza

Na mesa à minha esquerda
as duas americanas
remexem nos pratos
com medo da comida
medo do garçom que canta
medo do vinho
do sol
da falta de ke…

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

Migração

Crescem
ultimamente
na ponta dos meus dedos
unhas
que a princípio pensei
não fossem minhas.
Estriadas
espessas
comandando um feitio outro…

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

De Carlos Magno, as orelhas

Ninguém mediu as orelhas
de Carlos Magno quando
depois de jejuar três dias
Oto Terceiro, Imperador,
abriu-lhe a tumba
até então perdida.
As unhas …

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

Entre nosso olhar e

A luz sobre o lago é
um biombo chinês
que se desdobra
entregando transparências
que se recolhe
em sedas superpostas
anteparo irredutível
que e…

1 081
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Aquele ponto preciso

Na minha sala apascento
um rebanho de cadeiras
mudas ovelhas pacientes
desde sempre tosquiadas
que sobre o piso encerado
seu próprio reflexo pastam.

997
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Águas de verão

Através da chuva
meu olhar se encharca
com a roxa enxurrada
roxa aguada
roxa cor
da buganvília
em flor.

1 172
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Livres à noite

Tirar o sutiã à noite
quando o dia se acaba
e com ele o dever de rijos seios.
Tirar o sutiã à noite
despir a couraça
a constrictor
a alheia pele.

1 027
Marina Colasanti
Marina Colasanti

O perigo é quando

No ano de mil quinhentos e quarenta e dois
cento e cinquenta licantropos
foram vistos
uivando em alcateia
na escura praça escura de Constantinopla.

1 127
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Tinnitus auricularis

Há muito
não me habita o silêncio.
Sou constante verão
cantar de grilos
que em meio ao meu pensar
fizeram ninho.
Tudo é noite de estio
sendo …

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Marina Colasanti
Marina Colasanti

Na esquina do mundo

Se Marco Polo descesse
a Quinta Avenida
pensaria ter voltado
a Cambaluc
cidade das doze portas
onde mercantes viajantes transeuntes
misturavam-se …

1 001
Marina Colasanti
Marina Colasanti

Todo dia, à caça

Na savana da tv
a fêmea de leopardo vai à caça.
Aumento o som
para alcançar o vento granulado
que bate o mato ralo.
Há uma impala que pasta
com sua…

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