Citações neste tema
Ética e Moral
Fernando Pessoa
Toda a sinceridade é uma intolerância. Não há liberais sinceros. De resto, não há liberais.
43
Fernando Pessoa
A gramática é mais perfeita que a vida. A ortografia é mais importante que a política. A pontuação dispensa a humanidade.
61
Fernando Pessoa
Digo-vos: praticai o bem. Porquê? O que ganhais com isso? Nada, não ganhais nada. Nem dinheiro, nem amor, nem respeito, nem talvez paz de espírito. Talvez não ganheis nada disso. Então por que vos digo: Praticai o bem? Porque não ganhais nada com isso. Vale a pena praticá-lo por isto mesmo.
61
Fernando Pessoa
Custa tanto ser sincero quando se é inteligente! É como ser honesto quando se é ambicioso.
59
Fernando Pessoa
No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel.
62
Fernando Pessoa
O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto o bem é ele próprio um mal, e é necessário ( para conhecer o mal ) : um mal necessário. Q.E.D. *
60
Karl Kraus
A polícia vigia com rigor para que apenas a velhice e a feiura se entreguem ao vício. Só é aceita num bordel aquela cuja corrupção datar de uma era policial anterior e cuja virtude tenha caído mais ou menos na mesma época em que caíram as muralhas da cidade. Ela precisa ser uma emeretriz... As inválidas cantam: “Eles nos sustentaram!”.
59
Karl Kraus
A análise é a tendência do mendigo para explicar a existência das fortunas. Aquilo que ele não possui sempre foi obtido por meio de fraude. O outro apenas tem; ele, felizmente, conhece o segredo.
75
Karl Kraus
A destruição de Sodoma foi um exemplo. Durante todas as épocas pecar-se-á antes de um terramoto.
55
Karl Kraus
A imoralidade vem à luz e, no entanto, não tem efeito intimidatório. Tanto mais aflitivo é o facto de a moralidade que reina no Estado não ser descoberta e, por isso, não poder ter efeito exemplar. Se vez por outra não a notássemos sob a forma da chantagem, simplesmente não saberíamos que ela existe.
52
Karl Kraus
A tragédia de Margarida — que comoção! O mundo fica em silêncio, o céu e o inferno abrem-se, e nas esferas soa a música de um lamento infinito: não é toda rapariga que cai desse jeito na armadilha!
46
Karl Kraus
Um materialismo horripilante prega-nos que o amor nada tem a ver com o dinheiro, e o dinheiro, nada com o amor. A concepção idealista, pelo menos, admite um limite de preços em que começa o amor verdadeiro. Esse é, simultaneamente, o limite em que acaba o ciúme daquele que é amado por ser quem é. Tal limite acaba, embora pudesse começar nesse ponto. O terreno da concorrência está obstruído.
50
Karl Kraus
A moral do pecado tem o propósito de eliminar as causas às quais se pode atribuir a geração de crianças. Ela afirma que o aborto do prazer é inofensivo quando praticado com todas as cautelas da ciência teológica.
23
Karl Kraus
Observe-se uma vez como os senhores respeitáveis cumprimentam uma mulher de quem “se fala”. No cumprimento unem-se o orgulho reservado do pilar da sociedade e o olhar cúmplice, de conhecedor, do ajudante de feira. As duas coisas dão-nos vontade de esganá-los.
48
Karl Kraus
A ordem moral do mundo mostrou estar à altura das misteriosas capacidades da mulher de ser prostituída e de se prostituir criando duas formas de vida monogâmicas: a concubina e o rufião.
50