Citações neste tema
Literatura e Palavras
Luis Fernando Verissimo
A boa frase também é uma maneira de conviver com o inexprimível. Dá-se nome às coisas para domá-las.
64
Machado de Assis
Desde cedo, li muito Pascal, para não citar mais que este, e afirmo-lhe que não foi por distração. Ainda hoje, quando torno a tais leituras, e me consolo no desconsolo do Eclesiastes, acho-lhes o mesmo sabor de outrora. Se alguma vez me sucede discordar do que leio, sempre agradeço a maneira por que acho expresso o desacordo.
58
Charles Baudelaire
Tu conheces, leitor, o monstro delicado. — Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!
67
Friedrich Nietzsche
Como pode alguém tornar-se um pensador sem passar pelo menos um terço do dia sem paixões, pessoas e livros?
64
Mário Quintana
“O que se há de fazer com um país onde mãe é nome feio?” Creio que foi Rubem Braga que disse isso um dia. Não disse tudo. Se ele fosse eu, com certeza diria:“O que se há de fazer com um país onde mãe é nome feio e poeta é apelido?”
63
Machado de Assis
Estou passando a noite a jogar paciências; o dia passei-o a reler a Oração sobre a acrópole [de Ernest Renan] e um livro de Schopenhauer.
44
Machado de Assis
E Musset? Quantas obras de fôlego se escreveram no seu tempo que não valem as Noites e toda a juventude de seus versos, entre eles este, que vem ao nosso caso:
61
Machado de Assis
[…] hoje à tarde, reli uma página da biografia do Flaubert; achei a mesma solidão e tristeza e até o mesmo mal, como sabe, o outro…
49
Machado de Assis
Que a evolução natural das coisas modifique as feições, a parte externa [da poesia], ninguém jamais o negará; mas há alguma coisa que liga, através dos séculos, Homero e lord Byron, alguma coisa inalterável, universal e comum, que fala a todos os homens e a todos os tempos.
57
Machado de Assis
Mas ainda que algumas páginas não agradem a todos, não faz mal. “ Je n’écris que pour cent personnes ”, dizia Stendhal no princípio deste século, e vê que os seus livros vão galgando o fim, e entrarão pelo outro.
52
Machado de Assis
Aquela boca de ouro [do padre Antônio Vieira] falava de modo a tirar à gente o gosto de falar mais, mesmo em folhetim, onde havia muito que dizer a propósito dos santos e dos meios de o ser.
51
Machado de Assis
Foi o nosso Gonzaga que escreveu com grande acerto que as pirâmides e os obeliscos arrasam-se, mas que as Ilíadas e as Eneidas ficam.
68
Machado de Assis
[…] o verso solto de José Basílio [da Gama] tem aquela harmonia, seguramente mais difícil, a que é preciso chegar pela só inspiração e beleza do metro. Não serão sempre perfeitos. O meu bom amigo [Henrique César] Muzzio, companheiro de outrora, crítico de bom gosto, achava detestáveis aqueles dois famosos versos do Uruguai:
55
Machado de Assis
Agora, ao levantar-me, apesar do cansaço de ontem, meti-me a reler algumas páginas do Prometeu de Ésquilo, através de Leconte de Lisle; ontem entretive-me com Fedon de Platão, também de manhã; veja como ando grego, meu amigo.
40
Machado de Assis
[…] a vida dos livros é vária como a dos homens. Uns morrem de vinte, outros de cinquenta, outros de cem anos, ou de noventa e nove, para não desmentir o poeta laureado. Muitos há que, passado o século, caem nas bibliotecas, onde a curiosidade os vai ver, e donde podem sair em parte para a história, em parte para os florilégios. Ora, esse prolongamento da vida, curto ou longo, é um pequeno retalho de glória. A imortalidade é que é de poucos.
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