Citações neste tema
Literatura e Palavras
Luis Fernando Verissimo
A boa frase também é uma maneira de conviver com o inexprimível. Dá-se nome às coisas para domá-las.
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Machado de Assis
Que a evolução natural das coisas modifique as feições, a parte externa [da poesia], ninguém jamais o negará; mas há alguma coisa que liga, através dos séculos, Homero e lord Byron, alguma coisa inalterável, universal e comum, que fala a todos os homens e a todos os tempos.
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Machado de Assis
[…] se tu tens algum filho, leitor amigo, não o faças político, nem literato, nem estatuário, nem pintor, nem arquiteto! Pode ter algum pouco de glória, e essa mesma pouca: muita que seja, nem só de glória vive o homem. Cantor, isso sim; isso dá muitos mil cruzados, dá admiração pública, dá retratos nas lojas; às vezes chega a dar aventuras romanescas.
65
Machado de Assis
Um dia, quando já não houver Império Britânico nem República Norte-Americana, haverá Shakespeare; quando se não falar inglês, falar-se-á Shakespeare.
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Machado de Assis
Agora, ao levantar-me, apesar do cansaço de ontem, meti-me a reler algumas páginas do Prometeu de Ésquilo, através de Leconte de Lisle; ontem entretive-me com Fedon de Platão, também de manhã; veja como ando grego, meu amigo.
38
Machado de Assis
Taine prevê que no ano 2000 ainda se lerá a Partida de gamão , uma novelinha de trinta páginas; e, falando das outras narrativas do autor de Carmen [Prosper Mérimée], todas de escasso tomo, faz esta observação verdadeira: “É que são construídas com pedras escolhidas, não com estuque e outros materiais da moda”.
56
Machado de Assis
[a imaginação] tem suas regras, o estro leis, e, se há casos em que eles rompem as leis e as regras, é porque as fazem novas, é porque se chamam Shakespeare, Dante, Goethe, Camões.
60
Machado de Assis
[…] a vida dos livros é vária como a dos homens. Uns morrem de vinte, outros de cinquenta, outros de cem anos, ou de noventa e nove, para não desmentir o poeta laureado. Muitos há que, passado o século, caem nas bibliotecas, onde a curiosidade os vai ver, e donde podem sair em parte para a história, em parte para os florilégios. Ora, esse prolongamento da vida, curto ou longo, é um pequeno retalho de glória. A imortalidade é que é de poucos.
28
Machado de Assis
Sobre o verso solto […] não pode ter senão os meus aplausos. Sabe como aprecio este verso nosso, que o gosto da rima tornou desusado; é o verso de Garrett e de Gonçalves Dias, e ambos, aliás, sabiam rimar tão bem.
57
Machado de Assis
Mas ainda que algumas páginas não agradem a todos, não faz mal. “ Je n’écris que pour cent personnes ”, dizia Stendhal no princípio deste século, e vê que os seus livros vão galgando o fim, e entrarão pelo outro.
50
Machado de Assis
[…] hoje à tarde, reli uma página da biografia do Flaubert; achei a mesma solidão e tristeza e até o mesmo mal, como sabe, o outro…
47
Machado de Assis
Tive um antecessor ilustre, apto para este árduo mister, erudito e profundo, que teria prosseguido no caminho das suas estreias, se a imaginação possante e vivaz não lhe estivesse exigindo as criações que depois nos deu. Será preciso acrescentar que aludo a V. Exa.?
48
Machado de Assis
E Musset? Quantas obras de fôlego se escreveram no seu tempo que não valem as Noites e toda a juventude de seus versos, entre eles este, que vem ao nosso caso:
58
Machado de Assis
Como poeta humorístico, [Álvares de] Azevedo ocupa um lugar muito distinto. A viveza, a originalidade, o chiste, o humour dos versos deste gênero são notáveis. Nos “Boêmios”, se pusermos de parte o assunto e a forma, acha-se em Azevedo um pouco daquela versificação de Dinis [Antônio Dinis da Cruz e Silva], não na admirável cantata de Dido , mas no gracioso poema do “Hissope”.
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