Citações neste tema
Literatura e Palavras
Luis Fernando Verissimo
As histórias de mistério são sempre tediosas buscas de um culpado, quando está claro que o culpado é sempre o mesmo. Não é preciso olhar a última página, leitor, o nome está na capa: é o autor.
46
Luis Fernando Verissimo
As megalivrarias acabaram com o prazer de escarafunchar, já que — a própria palavra está dizendo — escarafunchar pressupõe pilhas poeirentas, estantes inacessíveis e todas as dificuldades que tornam a descoberta do livro procurado uma vitória pessoal, emocionante como uma conquista arqueológica.
13
Luis Fernando Verissimo
Certos livros fazem para a mente o que o respirador artificial faz para o pulmão, enchem de ar para ele pensar que está funcionando. (Cf. Cérebro)
52
Luis Fernando Verissimo
Tortuosos são os caminhos da língua. Espera um pouquinho, ficou meio pornográfico.
46
Luis Fernando Verissimo
Passear por Madri é, um pouco, passear pelos anseios, os terrores e a literatura de toda uma época.
47
Luis Fernando Verissimo
A literatura é esse território livre onde o espírito humano se expande e se impõe. (Cf. Estilo)
46
Luis Fernando Verissimo
O livro Lolita , de Nabokov, tem poucas cenas gráficas de sexo e quem o procura pela bandalheira se decepciona — só tem literatura, pô!
19
Luis Fernando Verissimo
Nenhum outro meio de comunicação consegue isto: a autoridade para nos contar o que aconteceu com detalhes e distanciamento e a intimidade para compartilhar tudo conosco num contexto doméstico cálido e próximo. O rádio nos diz, a televisão nos mostra, mas só o jornal nos envolve.
16
Luis Fernando Verissimo
De certa maneira, livro é melhor do que sexo. Você pode tomar o uísque antes, depois e durante. Livro é sempre com a luz acesa. E livro nunca está com dor de cabeça.
48
Luis Fernando Verissimo
James Joyce dizia que o leitor ideal é o leitor com insônia. O que sugere um paradoxo: não adianta ler a noite toda e ficar inteligente se no dia seguinte você parecerá um zonzo por falta de sono.
47
Luis Fernando Verissimo
não existe em português, mas ninguém conseguiria dizer “um kantiano kitsch de kilt num kart” sem ela, a não ser que fosse fanho. Embora seja pouco provável que alguém, algum dia, precise usar essa frase.
49
Luis Fernando Verissimo
Não me pergunte o que eu quis dizer. Interpretar minhas próprias frases seria como falar de mim mesmo às minhas costas. Mais do que uma impossibilidade, uma grosseria.
44
Luis Fernando Verissimo
O termo “kafkiano” já perdeu qualquer contato com a literatura que lhe deu origem e é usado por gente que nem sabe quem foi Kafka — o que não deixa de ser meio kafkiano.
41
Luis Fernando Verissimo
Uma poesia não é feita de palavras. A poesia já existe. A gente só põe as palavras em volta para ela aparecer — como as bandagens do homem invisível, lembra?
47
Luis Fernando Verissimo
Cada livro, cada frase, cada palavra e eu diria até cada vírgula e cada ponto é um exercício de liberdade. (Cf. Vírgula)
47
Luis Fernando Verissimo
A ficção é sempre uma invenção, o que não significa que seja sempre uma invenção mentirosa. Há autores que inventam grandes verdades. (Cf. Recordar)
47
Luis Fernando Verissimo
Fernando Henrique Cardoso é o nosso primeiro presidente que pode ler Eça de Queiroz no original.
11
Luis Fernando Verissimo
Não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Isaac Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na História ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. (Cf. Adão e Eva)
54
Luis Fernando Verissimo
A fruta é um estratagema da árvore para proteger a semente. A fruta é uma etapa, não é o fim. A própria fruta, se soubesse a importância que nós lhe damos, enrubesceria como uma maçã na sua modéstia. (Cf. Banana)
55
Luis Fernando Verissimo
AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
42
Luis Fernando Verissimo
Diziam que quem ficasse sentado na frente do café Deux Magots em Paris por um tempo indeterminado veria passar todo o mundo à sua frente. Um exagero, claro, parecido com aquele dos mil macacos ao teclado de mil computadores, que no fim de um milhão de anos (estamos falando de macacos longevos) teriam reescrito toda a obra de Shakespeare — e ido comemorar no Deux Magots, presumivelmente.
50