Poemas neste tema
Relações e Família
Maysa
Ouça
Ouça, vá viver a sua vida com outro bem
Hoje eu já cansei de pra você não ser ninguém
O passado não foi o bastante para lhe compreender
Que o futuro seria bem grande só eu e você
Mas quando a lembrança
Como você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar
Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar
Hoje eu já cansei de pra você não ser ninguém
O passado não foi o bastante para lhe compreender
Que o futuro seria bem grande só eu e você
Mas quando a lembrança
Como você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar
Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar
1 098
Angela Santos
Eros
A
face juvenil de Eros
levemente roça o corpo de Vénus
fundem-se nos olhos
e resplandecem
incêndios crepúsculos
nas bocas, nas mãos nos corações
frementes
E sempre, assim, acontece
no momento do encontro
nesse mágico instante
de dois olhares que atravessam
do que houver para atravessar
alma, mares, muros, espadas…
vencido o Amor não será
Como força que nasce
não se sabe bem de onde
como vaga que nos leva
à orla de um oceano
como vulcão que incendeia
o peito e o corpo todo,
assim Eros renascido
com seu rosto de menino
se roça em nós como em Vénus
E nada então é maior do que o amor
que em si junta beleza,
erotismo vida
no instante único em que o amor
se transmuda em amar!
face juvenil de Eros
levemente roça o corpo de Vénus
fundem-se nos olhos
e resplandecem
incêndios crepúsculos
nas bocas, nas mãos nos corações
frementes
E sempre, assim, acontece
no momento do encontro
nesse mágico instante
de dois olhares que atravessam
do que houver para atravessar
alma, mares, muros, espadas…
vencido o Amor não será
Como força que nasce
não se sabe bem de onde
como vaga que nos leva
à orla de um oceano
como vulcão que incendeia
o peito e o corpo todo,
assim Eros renascido
com seu rosto de menino
se roça em nós como em Vénus
E nada então é maior do que o amor
que em si junta beleza,
erotismo vida
no instante único em que o amor
se transmuda em amar!
1 247
Dolores Duran
A noite do meu bem
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
1 412
Maria Teresa M. Carrilho
Como uma flor vermelha, a abrir
Na noite pálida
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
811
Zezé Pina
Haikais
chuva na praia
o céu beija o mar
– gaivota espera
neva lá fora
gato à lareira
silêncio na vila
velho castelo
menina à janela
sonho de infância
lágrimas na face
lenço nas mãos -
fim de romance
vida repensada
noite de insônia -
manhã cansada.
noite calada
uma loba uiva -
homem no cio.
o céu beija o mar
– gaivota espera
neva lá fora
gato à lareira
silêncio na vila
velho castelo
menina à janela
sonho de infância
lágrimas na face
lenço nas mãos -
fim de romance
vida repensada
noite de insônia -
manhã cansada.
noite calada
uma loba uiva -
homem no cio.
1 087
Dora Ferreira da Silva
Habitas meu coração
Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias a tempo e medidas.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser onde jamais
me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-me em silêncio e às vezes como uma
criança me apertas em teu peito: acaricio
então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando no
enlace das colunas em seteiras escadas. Se
grito teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
1 516
Luiza Amélia de Queiroz
O homem não ama
Jamais o seu peito mais duro que o aço,
Palpita a não ser a louca ambição.
Supõe-se - orgulhoso - que é soberano,
Que todas as belas vassalas lhe são!
Mais falso que a brisa que as flores bafeja,
Se mil forem belas... a mil finge amar...
Assim um já disse, e assim fazem todos,
Embora não queiram jamais confessar,
Cruéis, como Nero, são todos os homens!
Ateiam as chamas de ardente paixão,
Depois... observam, sorrindo, os estragos...
E dizem, cobardes! que têm coração!!
(De Flores Incultas, 1875)
1 518
Luiza Amélia de Queiroz
O homem não ama
Jamais o seu peito mais duro que o aço,
Palpita a não ser a louca ambição.
Supõe-se - orgulhoso - que é soberano,
Que todas as belas vassalas lhe são!
Mais falso que a brisa que as flores bafeja,
Se mil forem belas... a mil finge amar...
Assim um já disse, e assim fazem todos,
Embora não queiram jamais confessar,
Cruéis, como Nero, são todos os homens!
Ateiam as chamas de ardente paixão,
Depois... observam, sorrindo, os estragos...
E dizem, cobardes! que têm coração!!
(De Flores Incultas, 1875)
1 518
Lúcia Villares
Cynthia
Após menstruar
sou generosa em atos exteriores
propícia a arriscar tudo que tenho.
Pontadas despertam meu seio,
o vento da rua é quente
e amar é conquista.
O décimo quinto dia passa sem que eu perceba.
Depois,
sou propensa à provisão
e à placenta.
O corpo desce rente à terra,
inflamado de dor.
Amar é reconhecer
um grão de milho,
essas coisas túrgidas.
sou generosa em atos exteriores
propícia a arriscar tudo que tenho.
Pontadas despertam meu seio,
o vento da rua é quente
e amar é conquista.
O décimo quinto dia passa sem que eu perceba.
Depois,
sou propensa à provisão
e à placenta.
O corpo desce rente à terra,
inflamado de dor.
Amar é reconhecer
um grão de milho,
essas coisas túrgidas.
1 176
Nathálie Pottier Gama Duarte
Traição
Na escuridão,
Vejo a luz
Nesta descompaixão,
Vejo o amor
Como podes
Falar mentira?
Enquanto emana a verdade
Como podes
Jurar amor?
Enquanto fico aqui
Na saudade
Seu amor é uma mentira
Juras de amor e traição
Você me beija com ternura
Depois me machuca no coração
Enquanto penso estar segura
Nos seus braços
Você me deixa no vazio
Vai embora
Sem dizer nada
O que me diz? O que me diz?
Dessa grande solidão
O que me conta? O que me conta?
Vem amor, Me ajude
Te peço
Assim não vai dar não.
Vejo a luz
Nesta descompaixão,
Vejo o amor
Como podes
Falar mentira?
Enquanto emana a verdade
Como podes
Jurar amor?
Enquanto fico aqui
Na saudade
Seu amor é uma mentira
Juras de amor e traição
Você me beija com ternura
Depois me machuca no coração
Enquanto penso estar segura
Nos seus braços
Você me deixa no vazio
Vai embora
Sem dizer nada
O que me diz? O que me diz?
Dessa grande solidão
O que me conta? O que me conta?
Vem amor, Me ajude
Te peço
Assim não vai dar não.
869
Hilda Hilst
Que este amor não me cegue nem me siga
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
1 622
Angela Santos
Estrela
Se
a noite vier vestida de branco
e lenta me fizer
desfiar as horas do meu sono,
eu vou lembrar uma estrela
a que minhas mãos tocaram,
a que de luz meus olhos encheu.
Se a noite de branco vier,
eu vou chamar a minha estrela
a que luz na minha vida
a que mora nos meus dias,
minha estrela d`Alva
minha estrela-guia.
Amo-te
a noite vier vestida de branco
e lenta me fizer
desfiar as horas do meu sono,
eu vou lembrar uma estrela
a que minhas mãos tocaram,
a que de luz meus olhos encheu.
Se a noite de branco vier,
eu vou chamar a minha estrela
a que luz na minha vida
a que mora nos meus dias,
minha estrela d`Alva
minha estrela-guia.
Amo-te
1 208
Natália Correia
O espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
2 383
Maria Isabel
A hora vazia
Onde as humildes palavras
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
802
Angela Santos
Verpertina
Vem
ver-me
à hora em que me refaço
vem
e traz nos lábios uma rosa
Vem
àquela hora em que a noite
de manso cai
à hora da inocência
vem e traz teus olhos
tuas mãos, teus corpo inteiro
despidos de culpa e pecado ...
Vem
e dá-te assim!
ver-me
à hora em que me refaço
vem
e traz nos lábios uma rosa
Vem
àquela hora em que a noite
de manso cai
à hora da inocência
vem e traz teus olhos
tuas mãos, teus corpo inteiro
despidos de culpa e pecado ...
Vem
e dá-te assim!
784
Lenilde Freitas
A Florbela Espanca
Conheço a casa
onde o acordar é infeliz
Na mesma rua, outras casas cintilam
no matiz em que os sonhos aterrissam
Um pássaro cuja plumagem é um pincel
voando torto despinta o céu
A casa que eu conheço
chove por dentro
enquanto a alma
de que lá mora
trinca no centro.
onde o acordar é infeliz
Na mesma rua, outras casas cintilam
no matiz em que os sonhos aterrissam
Um pássaro cuja plumagem é um pincel
voando torto despinta o céu
A casa que eu conheço
chove por dentro
enquanto a alma
de que lá mora
trinca no centro.
899
Angela Melim
Um amor impossível
para Márcia
Amanhã
este fogo cresce.
Amanhã, tremor
Amanhã, suspiro.
Insiste
um amor impossível
amanhã.
Insiste,
sim.
Um amor impossível pode ser amanhã.
Amanhã
este fogo cresce.
Amanhã, tremor
Amanhã, suspiro.
Insiste
um amor impossível
amanhã.
Insiste,
sim.
Um amor impossível pode ser amanhã.
1 374
Angela Santos
Oiro sobre Azul
Um
dia azul onde o teu nome
a oiro nele surgisse gravado
um dia todo de azul e oiro
e no ar inscritas, cinco letras
que em grito dissessem
o que eu não quero calar
Um dia azul..azul.. azul…
onde em sussurro eu pudesse
dizer-te as cinco letrinhas
que eu quis gritar.
dia azul onde o teu nome
a oiro nele surgisse gravado
um dia todo de azul e oiro
e no ar inscritas, cinco letras
que em grito dissessem
o que eu não quero calar
Um dia azul..azul.. azul…
onde em sussurro eu pudesse
dizer-te as cinco letrinhas
que eu quis gritar.
1 170
Angela Santos
Oiro sobre Azul
Um
dia azul onde o teu nome
a oiro nele surgisse gravado
um dia todo de azul e oiro
e no ar inscritas, cinco letras
que em grito dissessem
o que eu não quero calar
Um dia azul..azul.. azul…
onde em sussurro eu pudesse
dizer-te as cinco letrinhas
que eu quis gritar.
dia azul onde o teu nome
a oiro nele surgisse gravado
um dia todo de azul e oiro
e no ar inscritas, cinco letras
que em grito dissessem
o que eu não quero calar
Um dia azul..azul.. azul…
onde em sussurro eu pudesse
dizer-te as cinco letrinhas
que eu quis gritar.
1 170
Angela Santos
Geografia Humana
Na
geografia de um corpo
de mulher
distinta em cada ponto da viagem
igual na ânsia da busca
desse porto antigo
onde a mim me achei
Abrem-se os corpos
aos gestos que ensaiam
o acontecer…
firo-me na estranheza
deste corpo irmão
essa dor instante
que se torna um bem
Cedo à corrente sem leis
no fugaz esquecimento
das muralhas da cidadela
e no corpo desconhecido
que abraço
regresso ao sentir ausente
de um outro corpo
que amei.
geografia de um corpo
de mulher
distinta em cada ponto da viagem
igual na ânsia da busca
desse porto antigo
onde a mim me achei
Abrem-se os corpos
aos gestos que ensaiam
o acontecer…
firo-me na estranheza
deste corpo irmão
essa dor instante
que se torna um bem
Cedo à corrente sem leis
no fugaz esquecimento
das muralhas da cidadela
e no corpo desconhecido
que abraço
regresso ao sentir ausente
de um outro corpo
que amei.
1 086
Angela Santos
Serpente
Salvé
Eva
mãe de tudo o que é…
O teu gesto hábil
trouxe o gosto pela ousadia
e nos fez saber
ir pra além do medo..
Salvé Eva
teu corpo é fruto
que o fruto dá
Eva,
Mãe,
Mulher,
escrava libertadora
à força de o ser!
Eva
mãe de tudo o que é…
O teu gesto hábil
trouxe o gosto pela ousadia
e nos fez saber
ir pra além do medo..
Salvé Eva
teu corpo é fruto
que o fruto dá
Eva,
Mãe,
Mulher,
escrava libertadora
à força de o ser!
1 195
Angela Santos
Jardim das Delícias
Convido-te
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
1 067
Angela Santos
Cama Lavada
Estendo-te
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
1 068