Poemas neste tema
Relações e Família
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Do eterno motivo
Quando nasceu o amor na humanidade,
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
834
Sidney Frattini
Soneto da Serenidade
Para ArleteM
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
1 215
Rodrigo Carvalho
Remissão
à Mário Sérgio Carvalho
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
953
Sinésio Cabral
Remembranças
Domingo. Noite calma. Um piston em surdina
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
958
Joaqim Serra
A Minha Madona
Oh, tão formosa, custa crê-la humana!
(Macedo)
Alva, mais alva do que o branco cisne
Que lá nas ondas se mergulha e lava;
Alva como um vestido de noivado,
Mais alva, ainda mais alva...
Loira, mais loira do que a nuvem linda
Que o sol à tarde no poente doira;
Loira como uma virgem ossianesca,
Mais loira, ainda mais loira...
Bela, mais bela que o raiar da aurora
Após noite hibernal, negra procela;
Bela como uma cisma de poeta,
Mais bela, ainda mais bela...
Doce, mais doce que o gemer da brisa;
Como se deste mundo ela não fosse;
Doce como os cantares dos arcanjos,
Mais doce, ainda mais doce...
Casta, mais casta que a mimosa folha,
Que se constringe, que da mão se afasta;
Casta como a Madona imaculada,
Mais casta, ainda mais casta.
(Macedo)
Alva, mais alva do que o branco cisne
Que lá nas ondas se mergulha e lava;
Alva como um vestido de noivado,
Mais alva, ainda mais alva...
Loira, mais loira do que a nuvem linda
Que o sol à tarde no poente doira;
Loira como uma virgem ossianesca,
Mais loira, ainda mais loira...
Bela, mais bela que o raiar da aurora
Após noite hibernal, negra procela;
Bela como uma cisma de poeta,
Mais bela, ainda mais bela...
Doce, mais doce que o gemer da brisa;
Como se deste mundo ela não fosse;
Doce como os cantares dos arcanjos,
Mais doce, ainda mais doce...
Casta, mais casta que a mimosa folha,
Que se constringe, que da mão se afasta;
Casta como a Madona imaculada,
Mais casta, ainda mais casta.
940
Rodrigo Carvalho
Sozinho
Que será que surge em mim neste momento?
Que inquietação é essa que é quase uma agonia?
Há alguma coisa que atormenta minha alma,
que neste momento inquieto,
torna-se sombria.
Porque, na solidão desta tarde que parece morrer,
sinto o coração bater,
em fortes pancadas de medo?
Não tenho medo.
Tenho que viver, crer e reerguer,
uma vida que todos pensam nada ser.
Porque pensei em minha mãe, agonizante?
Deveria pensar?
Deveria pensar em uma pessoa que faz parecer
a minha vida errante?
Deveria?
Como a casa é deserta!
E como a tarde é fria!
Surge cada vez mais o tormento. . .
E agora,
nessa hora,
o que permanece em minha alma?
Desesperança. . . Desalento. . . Desânimo. . .
Que me importa agora o passado?
A minha natureza repugna essa volúpia enorme
de fracasso.
E pergunto-me:
Que passado ruinaria só de belezas?
A partir de agora,
eu abomino a estupidez momentânea
e atitudes infâmias,
que fazem denegrir a auto-estima.
Que atos podem vir a destruir um ser?
Que sejam desconhecidos,
que perdure o vil alívio. . .
Que inquietação é essa que é quase uma agonia?
Há alguma coisa que atormenta minha alma,
que neste momento inquieto,
torna-se sombria.
Porque, na solidão desta tarde que parece morrer,
sinto o coração bater,
em fortes pancadas de medo?
Não tenho medo.
Tenho que viver, crer e reerguer,
uma vida que todos pensam nada ser.
Porque pensei em minha mãe, agonizante?
Deveria pensar?
Deveria pensar em uma pessoa que faz parecer
a minha vida errante?
Deveria?
Como a casa é deserta!
E como a tarde é fria!
Surge cada vez mais o tormento. . .
E agora,
nessa hora,
o que permanece em minha alma?
Desesperança. . . Desalento. . . Desânimo. . .
Que me importa agora o passado?
A minha natureza repugna essa volúpia enorme
de fracasso.
E pergunto-me:
Que passado ruinaria só de belezas?
A partir de agora,
eu abomino a estupidez momentânea
e atitudes infâmias,
que fazem denegrir a auto-estima.
Que atos podem vir a destruir um ser?
Que sejam desconhecidos,
que perdure o vil alívio. . .
747
Sinésio Cabral
Destinos Iguais
Eu leio em teu semblante desenhada
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
878
Sinésio Cabral
Introspecção II
A vida, neste mundo, é mesmo passageira.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
820
Sílvio Péllico
O Suspiro
(Tradução de Luís Vicente Simoni)
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
1 428
Rodrigo Carvalho
Lamento Derradeiro
à meu Pai
Salvador. Tarde de 5 de janeiro.
Brinco, excercendo o ofício da minha infância.
Curta.
Meu pai, nessa hora, junto a mim morria. . .
sem um gemido, como que se fosse feito e prometido.
E eu nem lhe ouvi o lamento derradeiro.
Quando acordei, sonhei que ele dormia,
mas o pranto fraterno desmentia. . .
E saí para ver a Santa natureza.
Em tudo, o mesmo tom cinzento.
Capitalismo selvagem das capitais.
Era só o cinza daquela selva de pedras.
Nem uma nuvem no céu.
Branca.
Mas, pareceu-me entre as estrelas flóreas,
como ti, num carro repleto de glórias,
ver tua alma subindo aos céus.
Por ti, penar é a certeza do amor.
Por ti, suplicar aos pés do Onipotente,
em preces comoventes. . .
e depois, remir meus desejos.
Volta!
Salvador. Tarde de 5 de janeiro.
Brinco, excercendo o ofício da minha infância.
Curta.
Meu pai, nessa hora, junto a mim morria. . .
sem um gemido, como que se fosse feito e prometido.
E eu nem lhe ouvi o lamento derradeiro.
Quando acordei, sonhei que ele dormia,
mas o pranto fraterno desmentia. . .
E saí para ver a Santa natureza.
Em tudo, o mesmo tom cinzento.
Capitalismo selvagem das capitais.
Era só o cinza daquela selva de pedras.
Nem uma nuvem no céu.
Branca.
Mas, pareceu-me entre as estrelas flóreas,
como ti, num carro repleto de glórias,
ver tua alma subindo aos céus.
Por ti, penar é a certeza do amor.
Por ti, suplicar aos pés do Onipotente,
em preces comoventes. . .
e depois, remir meus desejos.
Volta!
873
José Carlos Souza Santos
A tarde que me cabe
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
919
José Carlos Souza Santos
As Canções de Amor
Poema I
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
1 077
José Carlos Souza Santos
Cavalgada I
Ontem
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance
vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar
foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva
e por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você
mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos
te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve
vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos
em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.
(do livro Estrelas Ausentes)
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance
vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar
foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva
e por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você
mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos
te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve
vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos
em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.
(do livro Estrelas Ausentes)
967
José Carlos Souza Santos
A Visão
Mirei-me na profundeza
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
895
Sidney Frattini
Dados Biográficos
Nascido em São Paulo, capital, há 42 anos. Casado, 3 filhos, morador no Rio de Janeiro desde 1994. Mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e Bacharelado em Comunicação Social (Propaganda e Marketing) pela ESPM (SP). Há mais de 15 anos trabalha como executivo de empresas, sendo atualmente diretor de recursos humanos em uma multinacional estabelecida no Rio.
Autor de textos em crônica, poesia e contos, além de trabalhos técnicos / profissionais, possui algumas livros inéditos, entre os quais: Substância Viva (Da Retribuição das Bolinhas de Gude), crônicas e poesias, 1990; Um dia, ele pinta (Introdução à Esperança), contos, 1995.
Autor de textos em crônica, poesia e contos, além de trabalhos técnicos / profissionais, possui algumas livros inéditos, entre os quais: Substância Viva (Da Retribuição das Bolinhas de Gude), crônicas e poesias, 1990; Um dia, ele pinta (Introdução à Esperança), contos, 1995.
799
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Definição amor amar
Amor ternura, amor exaltação
Envolve, domina, entusiasma
Fogueira acesa que se não apaga
E pode terminar numa paixão
Mas para definir o que é amar
Direi que é dar do coração
Dar tudo sem reserva ou opção
Como só com amor se pode dar.
Envolve, domina, entusiasma
Fogueira acesa que se não apaga
E pode terminar numa paixão
Mas para definir o que é amar
Direi que é dar do coração
Dar tudo sem reserva ou opção
Como só com amor se pode dar.
1 239
Rodrigo Carvalho
Ausência II
É o mesmo céu;
longe.
São as mesmas estrelas;
egoístas.
É o mesmo ambiente;
insignificante.
É a mesma saudade. É a mesma dor.
Mas eu não queria essa "mesmice"!
Eu só queria o mesmo carinho,
a mesma boca,
o mesmo corpo,
a mesma alma,
o mesmo Amor.
O mesmo amor que me faz ficar de pé.
Eu só queria dançar.
Queria, com ela, dançar,
numa atmosfera rosada. . .
Salvador, 22 de setembro de 1996
longe.
São as mesmas estrelas;
egoístas.
É o mesmo ambiente;
insignificante.
É a mesma saudade. É a mesma dor.
Mas eu não queria essa "mesmice"!
Eu só queria o mesmo carinho,
a mesma boca,
o mesmo corpo,
a mesma alma,
o mesmo Amor.
O mesmo amor que me faz ficar de pé.
Eu só queria dançar.
Queria, com ela, dançar,
numa atmosfera rosada. . .
Salvador, 22 de setembro de 1996
761
Silva Avarenga
Madrigal VII
Ó sombra deleitosa,
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
930
Silva Avarenga
Madrigal VII
Ó sombra deleitosa,
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
930
Rodrigo Carvalho
Nós
(à minha mãe, Inalda Maria de CarvalhoGóes)
Não somos um só.
Mas sabemos quem somos.
Com você, sei muito de mim.
Com você, encontrei comigo, e me vi,
enquanto olhava para você.
E nos encontramos.
Foi vivendo minha solidão,
que nos encontramos.
Ficamos sabendo quem realmente somos.
Nos conhecemos.
Conhecemos minha insegurança;
e sua fortaleza.
Conhecemos meu jeito infantil;
e sua maneira de tratar-me. Somente sua.
Conhecemos minha fragilidade;
e sua segurança.
Conhecemos minha mudez arrogante;
e seu grito de alerta.
Não somos um só,
mas, nos refletimos.
Você reflete-me o que sou,
o que fui,
o que posso vir a ser.
Somos um grupo.
Um grupo,
enquanto capazes de,
diferencialmente,
sermos nós mesmos,
sempre juntos.
Salvador, 26 de novembro de 1995
Não somos um só.
Mas sabemos quem somos.
Com você, sei muito de mim.
Com você, encontrei comigo, e me vi,
enquanto olhava para você.
E nos encontramos.
Foi vivendo minha solidão,
que nos encontramos.
Ficamos sabendo quem realmente somos.
Nos conhecemos.
Conhecemos minha insegurança;
e sua fortaleza.
Conhecemos meu jeito infantil;
e sua maneira de tratar-me. Somente sua.
Conhecemos minha fragilidade;
e sua segurança.
Conhecemos minha mudez arrogante;
e seu grito de alerta.
Não somos um só,
mas, nos refletimos.
Você reflete-me o que sou,
o que fui,
o que posso vir a ser.
Somos um grupo.
Um grupo,
enquanto capazes de,
diferencialmente,
sermos nós mesmos,
sempre juntos.
Salvador, 26 de novembro de 1995
848
Rodrigo Carvalho
Nós
(à minha mãe, Inalda Maria de CarvalhoGóes)
Não somos um só.
Mas sabemos quem somos.
Com você, sei muito de mim.
Com você, encontrei comigo, e me vi,
enquanto olhava para você.
E nos encontramos.
Foi vivendo minha solidão,
que nos encontramos.
Ficamos sabendo quem realmente somos.
Nos conhecemos.
Conhecemos minha insegurança;
e sua fortaleza.
Conhecemos meu jeito infantil;
e sua maneira de tratar-me. Somente sua.
Conhecemos minha fragilidade;
e sua segurança.
Conhecemos minha mudez arrogante;
e seu grito de alerta.
Não somos um só,
mas, nos refletimos.
Você reflete-me o que sou,
o que fui,
o que posso vir a ser.
Somos um grupo.
Um grupo,
enquanto capazes de,
diferencialmente,
sermos nós mesmos,
sempre juntos.
Salvador, 26 de novembro de 1995
Não somos um só.
Mas sabemos quem somos.
Com você, sei muito de mim.
Com você, encontrei comigo, e me vi,
enquanto olhava para você.
E nos encontramos.
Foi vivendo minha solidão,
que nos encontramos.
Ficamos sabendo quem realmente somos.
Nos conhecemos.
Conhecemos minha insegurança;
e sua fortaleza.
Conhecemos meu jeito infantil;
e sua maneira de tratar-me. Somente sua.
Conhecemos minha fragilidade;
e sua segurança.
Conhecemos minha mudez arrogante;
e seu grito de alerta.
Não somos um só,
mas, nos refletimos.
Você reflete-me o que sou,
o que fui,
o que posso vir a ser.
Somos um grupo.
Um grupo,
enquanto capazes de,
diferencialmente,
sermos nós mesmos,
sempre juntos.
Salvador, 26 de novembro de 1995
848
Silva Dutra
Soneto da Amiga Andando na Praia
Dá gosto vê-la andando na praia,
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
1 086
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Poesia de Agosto
Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
1 561
Rodrigo Carvalho
Poema Quase Erótico
Começo agora a sentir.
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
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