Poemas neste tema
Relações e Família
Clélia Romano
Resistência
De todas as formas te resisti,
seja pela tua voz que parecia caipira,
pela cor da pele de quem fuma demais,
pelo bafo pesado de quem não respira
pelo que dizias, e não dizias mais.
Pelo beijo que me davas, com a língua
entravas entraves em minha mente,
e eu dizia chega, pára!
E paravas, fazias de morto,
como cão adestrado!
Eu te via tão submisso,
aos teus desejos e aos meus,
que menino assustado,
pobre homem castrado!
Foi dessa forma que te resisti,
sem que percebesse.
Não suportava te amar,
se te cedesse.
seja pela tua voz que parecia caipira,
pela cor da pele de quem fuma demais,
pelo bafo pesado de quem não respira
pelo que dizias, e não dizias mais.
Pelo beijo que me davas, com a língua
entravas entraves em minha mente,
e eu dizia chega, pára!
E paravas, fazias de morto,
como cão adestrado!
Eu te via tão submisso,
aos teus desejos e aos meus,
que menino assustado,
pobre homem castrado!
Foi dessa forma que te resisti,
sem que percebesse.
Não suportava te amar,
se te cedesse.
805
Clélia Romano
Resistência
De todas as formas te resisti,
seja pela tua voz que parecia caipira,
pela cor da pele de quem fuma demais,
pelo bafo pesado de quem não respira
pelo que dizias, e não dizias mais.
Pelo beijo que me davas, com a língua
entravas entraves em minha mente,
e eu dizia chega, pára!
E paravas, fazias de morto,
como cão adestrado!
Eu te via tão submisso,
aos teus desejos e aos meus,
que menino assustado,
pobre homem castrado!
Foi dessa forma que te resisti,
sem que percebesse.
Não suportava te amar,
se te cedesse.
seja pela tua voz que parecia caipira,
pela cor da pele de quem fuma demais,
pelo bafo pesado de quem não respira
pelo que dizias, e não dizias mais.
Pelo beijo que me davas, com a língua
entravas entraves em minha mente,
e eu dizia chega, pára!
E paravas, fazias de morto,
como cão adestrado!
Eu te via tão submisso,
aos teus desejos e aos meus,
que menino assustado,
pobre homem castrado!
Foi dessa forma que te resisti,
sem que percebesse.
Não suportava te amar,
se te cedesse.
805
José Maria da Costa e Silva
Soneto
A morte da ilustríssima senhora D. Maria
Constância Lima Barbosa
Aquele coração, em que eu reinava,
O rosto, em que meus olhos se reviam,
Os lábios, que a voz doce desprendiam,
Que de minha alma os seios penetrava:
O peito, que a meu peito eu apertava,
Os braços, que amorosos me cingiam,
Mil graças, prendas mil, que revestiam
O encantador objeto, que adorava.
Tudo ao sepulcro foi com Márcia, aquela
Que eu tanto celebrei na ebúrnea lira,
Na estação juvenil, jucunda, e bela.
Márcia! Márcia cedeu da morte à ira?...
Oh! como poderá viver sem ela,
O amante, que por ela em vão suspira?
Constância Lima Barbosa
Aquele coração, em que eu reinava,
O rosto, em que meus olhos se reviam,
Os lábios, que a voz doce desprendiam,
Que de minha alma os seios penetrava:
O peito, que a meu peito eu apertava,
Os braços, que amorosos me cingiam,
Mil graças, prendas mil, que revestiam
O encantador objeto, que adorava.
Tudo ao sepulcro foi com Márcia, aquela
Que eu tanto celebrei na ebúrnea lira,
Na estação juvenil, jucunda, e bela.
Márcia! Márcia cedeu da morte à ira?...
Oh! como poderá viver sem ela,
O amante, que por ela em vão suspira?
1 118
Dagmar Destêrro
Êxtase
Amor,
bem sabes tu como te quis...
No afeto que minha alma te ofertou,
dei-te tudo... Ilusão... Dei-te carinho...
uma alma vibrante,
— essa taça de vinho
que sorveste feliz,
o vinho delirante
que tua vida embriagou.
Amor,
bem sabes tu como te quis.
Na volúpia de querer a tua vida,
Tua alma na minha alma confundida,
retratei-me toda inteira nos meus versos
Meus segredos disperses!
Amor,
bem sabes tu quanto te quis.
No momento supremo, iluminado,
que ainda agora o coração bendiz,
nos encontramos,
e nos amamos
o meu olhar no teu continuado.
Meu ser estremeceu,
vibrou minha alma, num lampejo.
Senti, na terra, o céu.
Tive em mim a volúpia de um desejo.
Tudo, agora, porém, é solidão.
Já não voltas, não podes mais voltar.
A minha alma lamenta em triste pranto,
nunca mais te encontrar.
Lamenta este meu coração
não haver gozado,
não haver te dado,
carinhos que me deste e eu não aceitei,
os beijos que pediste e não te dei...
bem sabes tu como te quis...
No afeto que minha alma te ofertou,
dei-te tudo... Ilusão... Dei-te carinho...
uma alma vibrante,
— essa taça de vinho
que sorveste feliz,
o vinho delirante
que tua vida embriagou.
Amor,
bem sabes tu como te quis.
Na volúpia de querer a tua vida,
Tua alma na minha alma confundida,
retratei-me toda inteira nos meus versos
Meus segredos disperses!
Amor,
bem sabes tu quanto te quis.
No momento supremo, iluminado,
que ainda agora o coração bendiz,
nos encontramos,
e nos amamos
o meu olhar no teu continuado.
Meu ser estremeceu,
vibrou minha alma, num lampejo.
Senti, na terra, o céu.
Tive em mim a volúpia de um desejo.
Tudo, agora, porém, é solidão.
Já não voltas, não podes mais voltar.
A minha alma lamenta em triste pranto,
nunca mais te encontrar.
Lamenta este meu coração
não haver gozado,
não haver te dado,
carinhos que me deste e eu não aceitei,
os beijos que pediste e não te dei...
1 234
Daniel Loureiro
Pra Bom Enten
Em São Paulo o silêncio é vácuo
Em regime militar o silêncio é lei
No campo onde vivi o silêncio é doce
Na bagunça da minha cabeça
o silêncio não existe mais.
Olha a luz
é uma ilusão
Olha o homem
estruturação
Olha a vida
com avidez
Olha o tiro!
e ele ficou ali, estirado.
no enterro
acenderam piras
donde ele renasceu
das próprias cinzas querendo ficar por ali.
Ah! e também havia flores
sempre participantes
das pantes e frantes.
Você me entende
pois pra bom enten
Mas não há bom enten
só há nós e os nós do amor
Tão cantado
Tão falado
Tão pensado
Tão desejado
Tão esquecido
Tão desprezado
Tanta hipocrisia
e a crise ia
continua indo
acho que ligaram na tomada
e tomaram de mim o baú
de cujo fundo saía minha tia
a contar suas histórias...
Mas agora não tenho tempo
se é que alguém tem tempo
O tempo é que tem a gente
bem na palma da mão
e dentre os dedos
Escorri como areia
e as veias inchadas
mostravam cansaço
e o esforço do braço
no espancamento cruel
Sorrindo
Sorri e fui indo
Sorriso lindo
de te ter no meu pensamento
debaixo da janela
no peitoril da sacada
te vejo apoiada
na minha vida
se apóia na minha vida
Em regime militar o silêncio é lei
No campo onde vivi o silêncio é doce
Na bagunça da minha cabeça
o silêncio não existe mais.
Olha a luz
é uma ilusão
Olha o homem
estruturação
Olha a vida
com avidez
Olha o tiro!
e ele ficou ali, estirado.
no enterro
acenderam piras
donde ele renasceu
das próprias cinzas querendo ficar por ali.
Ah! e também havia flores
sempre participantes
das pantes e frantes.
Você me entende
pois pra bom enten
Mas não há bom enten
só há nós e os nós do amor
Tão cantado
Tão falado
Tão pensado
Tão desejado
Tão esquecido
Tão desprezado
Tanta hipocrisia
e a crise ia
continua indo
acho que ligaram na tomada
e tomaram de mim o baú
de cujo fundo saía minha tia
a contar suas histórias...
Mas agora não tenho tempo
se é que alguém tem tempo
O tempo é que tem a gente
bem na palma da mão
e dentre os dedos
Escorri como areia
e as veias inchadas
mostravam cansaço
e o esforço do braço
no espancamento cruel
Sorrindo
Sorri e fui indo
Sorriso lindo
de te ter no meu pensamento
debaixo da janela
no peitoril da sacada
te vejo apoiada
na minha vida
se apóia na minha vida
822
Cynara Novaes
Meus noturnos
Meus noturnos
amanhecem
em tuas alvoradas
e continuam dia a fora
noite a dentro
invetendo fuso horários
enlouquecidos pela
falta das estrelas.
amanhecem
em tuas alvoradas
e continuam dia a fora
noite a dentro
invetendo fuso horários
enlouquecidos pela
falta das estrelas.
924
Carolina Vigna Prado
Custos
Você ainda se surpreende. Mérito meu.
Você ainda gosta. Mérito seu.
Custo a compreender sua lógica, se é que existe uma.
Custo a compreender minhas razões. Elas não existem.
Enquanto isso,
você pensa em custos.
Tenho a absoluta certeza de nossa temporalidade.
Me irrito com o desperdício.
Me falta a paciência, me falta tempo.
O tempo é pouco, sempre será.
A consciência da morte não me desespera, apenas me apressa.
Não temos tempo. Nunca o teremos.
Não bastamos.
Seu egocentrismo exacerbado destrói seu prazer.
E você pensa em custos.
Custos.
Que custos?
Não somos únicos.
Não somos os melhores.
Nunca o seremos.
Você ainda gosta. Mérito seu.
Custo a compreender sua lógica, se é que existe uma.
Custo a compreender minhas razões. Elas não existem.
Enquanto isso,
você pensa em custos.
Tenho a absoluta certeza de nossa temporalidade.
Me irrito com o desperdício.
Me falta a paciência, me falta tempo.
O tempo é pouco, sempre será.
A consciência da morte não me desespera, apenas me apressa.
Não temos tempo. Nunca o teremos.
Não bastamos.
Seu egocentrismo exacerbado destrói seu prazer.
E você pensa em custos.
Custos.
Que custos?
Não somos únicos.
Não somos os melhores.
Nunca o seremos.
819
Debora Bottcher
Naufrágio
E quando te conheci
Descobri que tinhas medo da Vida,
Do mundo, do futuro.
Tinhas os pés no chão,
Pisavas em terra firme.
Nada de delírios, nem de paixões.
Mas, cruzei o teu caminho.
Assustado, comparavas-me ao Mar:
Azul e calmo, às vezes,
E cinza e intempestivo em outras.
Não lhe oferecia garantias
Como a Terra,
Mas te mostrei que era bem mais gostoso
Navegar...
Porém, não se pode ter a Terra e o Mar.
E então, fizestes tua escolha.
Deste então, neste Mar,
Nunca mais navegaram.
Por causa deste naufrágio...
Descobri que tinhas medo da Vida,
Do mundo, do futuro.
Tinhas os pés no chão,
Pisavas em terra firme.
Nada de delírios, nem de paixões.
Mas, cruzei o teu caminho.
Assustado, comparavas-me ao Mar:
Azul e calmo, às vezes,
E cinza e intempestivo em outras.
Não lhe oferecia garantias
Como a Terra,
Mas te mostrei que era bem mais gostoso
Navegar...
Porém, não se pode ter a Terra e o Mar.
E então, fizestes tua escolha.
Deste então, neste Mar,
Nunca mais navegaram.
Por causa deste naufrágio...
1 069
José Maria da Costa e Silva
A Corila
Vês, Corila, aquela rosa
Emulando a cor da aurora
Quando, Febo a porta abrindo,
Leda sai do Ganges fora? ...
Que maior valor tivera,
Quão mais grata fora à gente,
Se natura não a armasse
De um espinho tão pungente ...
Sua púrpura esmaltando
De seu folhame o verdor,
E nos ares difundindo
Seu aroma encantador,
Convidaram-te a colhê-la,
Mas teu dedo alabastrino
Rasgado com dor penosa
Verteu veio purpurino:
Eis, Corila, o teu retrato,
Pois se és rosa na beleza,
Tens também de rosa espinhos
Nos desdéns e na fereza.
Ah! Muda esse gênio esquivo,
Que requinta a formosura
Exalar de quando em quando
Um suspiro de ternura.
À formosa, em cujos olhos
Não arde o fogo do amor,
Eu prefiro a muda estátua,
Que formou destro escultor.
Emulando a cor da aurora
Quando, Febo a porta abrindo,
Leda sai do Ganges fora? ...
Que maior valor tivera,
Quão mais grata fora à gente,
Se natura não a armasse
De um espinho tão pungente ...
Sua púrpura esmaltando
De seu folhame o verdor,
E nos ares difundindo
Seu aroma encantador,
Convidaram-te a colhê-la,
Mas teu dedo alabastrino
Rasgado com dor penosa
Verteu veio purpurino:
Eis, Corila, o teu retrato,
Pois se és rosa na beleza,
Tens também de rosa espinhos
Nos desdéns e na fereza.
Ah! Muda esse gênio esquivo,
Que requinta a formosura
Exalar de quando em quando
Um suspiro de ternura.
À formosa, em cujos olhos
Não arde o fogo do amor,
Eu prefiro a muda estátua,
Que formou destro escultor.
913
José Maria da Costa e Silva
A Corila
Vês, Corila, aquela rosa
Emulando a cor da aurora
Quando, Febo a porta abrindo,
Leda sai do Ganges fora? ...
Que maior valor tivera,
Quão mais grata fora à gente,
Se natura não a armasse
De um espinho tão pungente ...
Sua púrpura esmaltando
De seu folhame o verdor,
E nos ares difundindo
Seu aroma encantador,
Convidaram-te a colhê-la,
Mas teu dedo alabastrino
Rasgado com dor penosa
Verteu veio purpurino:
Eis, Corila, o teu retrato,
Pois se és rosa na beleza,
Tens também de rosa espinhos
Nos desdéns e na fereza.
Ah! Muda esse gênio esquivo,
Que requinta a formosura
Exalar de quando em quando
Um suspiro de ternura.
À formosa, em cujos olhos
Não arde o fogo do amor,
Eu prefiro a muda estátua,
Que formou destro escultor.
Emulando a cor da aurora
Quando, Febo a porta abrindo,
Leda sai do Ganges fora? ...
Que maior valor tivera,
Quão mais grata fora à gente,
Se natura não a armasse
De um espinho tão pungente ...
Sua púrpura esmaltando
De seu folhame o verdor,
E nos ares difundindo
Seu aroma encantador,
Convidaram-te a colhê-la,
Mas teu dedo alabastrino
Rasgado com dor penosa
Verteu veio purpurino:
Eis, Corila, o teu retrato,
Pois se és rosa na beleza,
Tens também de rosa espinhos
Nos desdéns e na fereza.
Ah! Muda esse gênio esquivo,
Que requinta a formosura
Exalar de quando em quando
Um suspiro de ternura.
À formosa, em cujos olhos
Não arde o fogo do amor,
Eu prefiro a muda estátua,
Que formou destro escultor.
913
Dante Milano
O Amor de Agora é o Mesmo Amor de Outrora
O Amor de Agora é o Mesmo Amor de Outrora
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.
1 310
Clélia Romano
Amor
Vou ser seu brinquedo,
seu tapete, sua sede,
seu cipó amarrado,
seu papel de parede,
sua hera rodeada,
sua sereia, seu ser
hei de ser
sua ceia.
A gueixa que sou
seu encanto semeia,
amor...
seu tapete, sua sede,
seu cipó amarrado,
seu papel de parede,
sua hera rodeada,
sua sereia, seu ser
hei de ser
sua ceia.
A gueixa que sou
seu encanto semeia,
amor...
874
Daniel Loureiro
O Carvão e o Tempo
Os dias se repetem
se repetem os dias
Os dias
se repetem
os dias
Eu gostaria de um dia repetir um dia
Em que a gente se encontrasse
se AMAssaSSE
O que te me atrai
é a diferença
e a minha crença... bem...
Beijos
Beijos
TEMPO
O teu pensamento
é meu, penso atento
e o meu desalento
é a tua fuga fácil
TEMPO
As tuas imagens
quase são miragens
impressões elétricas
nas cores vitais
TEMPO
Irradias tantas impressões
e as minhas impressões
por um breve momento
são todo o meu mundo
TEMPO
Calma! já estamos indo
e ele continua vindo
sem nunca esperar
Os dias se repetem
Se repetem os dias
Se repetem
os dias
repetem-se
Então estamos juntos
Bela, etérea e tão real
Estamos juntos
A natureza enlouquece
Juntos
O chumbo não pesa
o tempo despreza
e o carvão...
agora é diamante.
se repetem os dias
Os dias
se repetem
os dias
Eu gostaria de um dia repetir um dia
Em que a gente se encontrasse
se AMAssaSSE
O que te me atrai
é a diferença
e a minha crença... bem...
Beijos
Beijos
TEMPO
O teu pensamento
é meu, penso atento
e o meu desalento
é a tua fuga fácil
TEMPO
As tuas imagens
quase são miragens
impressões elétricas
nas cores vitais
TEMPO
Irradias tantas impressões
e as minhas impressões
por um breve momento
são todo o meu mundo
TEMPO
Calma! já estamos indo
e ele continua vindo
sem nunca esperar
Os dias se repetem
Se repetem os dias
Se repetem
os dias
repetem-se
Então estamos juntos
Bela, etérea e tão real
Estamos juntos
A natureza enlouquece
Juntos
O chumbo não pesa
o tempo despreza
e o carvão...
agora é diamante.
916
Daniel Loureiro
O Carvão e o Tempo
Os dias se repetem
se repetem os dias
Os dias
se repetem
os dias
Eu gostaria de um dia repetir um dia
Em que a gente se encontrasse
se AMAssaSSE
O que te me atrai
é a diferença
e a minha crença... bem...
Beijos
Beijos
TEMPO
O teu pensamento
é meu, penso atento
e o meu desalento
é a tua fuga fácil
TEMPO
As tuas imagens
quase são miragens
impressões elétricas
nas cores vitais
TEMPO
Irradias tantas impressões
e as minhas impressões
por um breve momento
são todo o meu mundo
TEMPO
Calma! já estamos indo
e ele continua vindo
sem nunca esperar
Os dias se repetem
Se repetem os dias
Se repetem
os dias
repetem-se
Então estamos juntos
Bela, etérea e tão real
Estamos juntos
A natureza enlouquece
Juntos
O chumbo não pesa
o tempo despreza
e o carvão...
agora é diamante.
se repetem os dias
Os dias
se repetem
os dias
Eu gostaria de um dia repetir um dia
Em que a gente se encontrasse
se AMAssaSSE
O que te me atrai
é a diferença
e a minha crença... bem...
Beijos
Beijos
TEMPO
O teu pensamento
é meu, penso atento
e o meu desalento
é a tua fuga fácil
TEMPO
As tuas imagens
quase são miragens
impressões elétricas
nas cores vitais
TEMPO
Irradias tantas impressões
e as minhas impressões
por um breve momento
são todo o meu mundo
TEMPO
Calma! já estamos indo
e ele continua vindo
sem nunca esperar
Os dias se repetem
Se repetem os dias
Se repetem
os dias
repetem-se
Então estamos juntos
Bela, etérea e tão real
Estamos juntos
A natureza enlouquece
Juntos
O chumbo não pesa
o tempo despreza
e o carvão...
agora é diamante.
916
Deborah Brennand
Declaração de Amor
Ontem disseste
sisudo, como todo saber
— Esta flor é da família das violáceas
o nome correto é — violeta tricolor.
Eu disse — é amor perfeito...
Amarelo e roxo
salpicado de negror
severamente reclamando
gotas de terra nas folhas.
Pensei — será isto perfeito?
sisudo, como todo saber
— Esta flor é da família das violáceas
o nome correto é — violeta tricolor.
Eu disse — é amor perfeito...
Amarelo e roxo
salpicado de negror
severamente reclamando
gotas de terra nas folhas.
Pensei — será isto perfeito?
1 187
Da Costa Santos
Vem, Poesia
Vem para mim, de leve, na surpresa,
das veredas do amor indefinido,
que te cinge a cabeça, com leveza,
através do caminho percorrido.
Vem para mim, do azul da natureza,
ou desse mar chorando arrependido;
põe o teu manto feito de tristeza,
veste de luz o tempo já perdido.
Vem para mim, velada de mistérios,
flor dos jardins lunares de Verona,
lua de amor vestindo os hemisférios,
Eu te darei a glória do renovo:
— vem para mim, nos braços da Madona,
"Estrela da Manhã", "Rosa do povo!"
das veredas do amor indefinido,
que te cinge a cabeça, com leveza,
através do caminho percorrido.
Vem para mim, do azul da natureza,
ou desse mar chorando arrependido;
põe o teu manto feito de tristeza,
veste de luz o tempo já perdido.
Vem para mim, velada de mistérios,
flor dos jardins lunares de Verona,
lua de amor vestindo os hemisférios,
Eu te darei a glória do renovo:
— vem para mim, nos braços da Madona,
"Estrela da Manhã", "Rosa do povo!"
1 492
Da Costa Santos
Vem, Poesia
Vem para mim, de leve, na surpresa,
das veredas do amor indefinido,
que te cinge a cabeça, com leveza,
através do caminho percorrido.
Vem para mim, do azul da natureza,
ou desse mar chorando arrependido;
põe o teu manto feito de tristeza,
veste de luz o tempo já perdido.
Vem para mim, velada de mistérios,
flor dos jardins lunares de Verona,
lua de amor vestindo os hemisférios,
Eu te darei a glória do renovo:
— vem para mim, nos braços da Madona,
"Estrela da Manhã", "Rosa do povo!"
das veredas do amor indefinido,
que te cinge a cabeça, com leveza,
através do caminho percorrido.
Vem para mim, do azul da natureza,
ou desse mar chorando arrependido;
põe o teu manto feito de tristeza,
veste de luz o tempo já perdido.
Vem para mim, velada de mistérios,
flor dos jardins lunares de Verona,
lua de amor vestindo os hemisférios,
Eu te darei a glória do renovo:
— vem para mim, nos braços da Madona,
"Estrela da Manhã", "Rosa do povo!"
1 492
Dom Francisco Manuel de Melo
Soneto II
Alegria Custosa
Enfim que aquela hora é já chegada,
Que até nos passos traz preço e ventura,
Tão merecida de uma fé tão Pura,
E de um tão limpo amor tão esperada.
Ela tardou em vir, como rogada
Da viva saudade, que ainda dura.
Ora bem pode vir, e estar segura,
Que há de ser possuída a desejada.
Senhora, se com lágrimas convinha
sentir somente o mal, e agora o canto,
É digno de outra glória verdadeira;
Não cuideis que é fraqueza da alma minha,
Mas que, de costumada sempre ao pranto,
Não sabe festejar de outra maneira.
Enfim que aquela hora é já chegada,
Que até nos passos traz preço e ventura,
Tão merecida de uma fé tão Pura,
E de um tão limpo amor tão esperada.
Ela tardou em vir, como rogada
Da viva saudade, que ainda dura.
Ora bem pode vir, e estar segura,
Que há de ser possuída a desejada.
Senhora, se com lágrimas convinha
sentir somente o mal, e agora o canto,
É digno de outra glória verdadeira;
Não cuideis que é fraqueza da alma minha,
Mas que, de costumada sempre ao pranto,
Não sabe festejar de outra maneira.
1 325
Domingos Caldas Barbosa
Doçura de Amor
Cuidei que o gosto de Amor
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
1 860
Clóvis Ramos
Humilde Estrebaria
Um fenômeno estranho acontecia
nas terras de Judá. Eis que os pastores
ouviram vozes de anjos em louvores
ao pequenino filho de Maria.
A noite era de místicos fulgores,
noite serena, noite de poesia.
Sobre as palhas de humilde estrebaria,
dormitava Jesus por entre flores.
Uma estrela de brilho nunca visto,
aparecera nessa noite e os Magos
vieram de longe em caravanas de ouro...
"Glória a Deus nas alturas!" Glória ao Cristo!
Maria — Mãe — porém, em pranto e afagos,
temia a sorte do seu filho louro.
nas terras de Judá. Eis que os pastores
ouviram vozes de anjos em louvores
ao pequenino filho de Maria.
A noite era de místicos fulgores,
noite serena, noite de poesia.
Sobre as palhas de humilde estrebaria,
dormitava Jesus por entre flores.
Uma estrela de brilho nunca visto,
aparecera nessa noite e os Magos
vieram de longe em caravanas de ouro...
"Glória a Deus nas alturas!" Glória ao Cristo!
Maria — Mãe — porém, em pranto e afagos,
temia a sorte do seu filho louro.
868
Crisódio T. Araújo
Poema Ancestral
Poema Ancestral
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
1 987
Chico Noronha
Jacumã
antes que o orvalho lave teu rosto
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
936
Corrêa de Araújo
Na arena
Sou cavalheiro e menestrel, chorosas,
Notas desfiro no arrabil das dores;
Brando a lança de lendas luminosas
E a guitarra imortal dos trovadores.
Buscando justas e buscando amores,
Vêm-me em sonhos todas as formosas,
Com uma harpa de pétalas de flores,
Com uma espada de jasmins e rosas.
Seguirei combatendo destemido,
E quando um dia em chagas escarlates
Entre agonias eu tombar vencido,
Oh! bando loiro em sonhos absorto!
Ponde este gládio tosco dos combates
Na tumba azul do cavalheiro morto.
Notas desfiro no arrabil das dores;
Brando a lança de lendas luminosas
E a guitarra imortal dos trovadores.
Buscando justas e buscando amores,
Vêm-me em sonhos todas as formosas,
Com uma harpa de pétalas de flores,
Com uma espada de jasmins e rosas.
Seguirei combatendo destemido,
E quando um dia em chagas escarlates
Entre agonias eu tombar vencido,
Oh! bando loiro em sonhos absorto!
Ponde este gládio tosco dos combates
Na tumba azul do cavalheiro morto.
992
Sosigenes Costa
Case Comigo, Mariá
Case comigo, Mariá,
que ou te dou, Mariá,
que ou te dou, Meriá,
meu coração.
(Cantiga de roda)
O mar também é casado,
o mar também tem mulher.
É casado com a areia.
Dá-lhe beijos quando quer.
(Quadra popular]
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
Se até o peixlnho é casado...
Não sabes que o mar é casado
com uma filha do rei?
Mariá, o mar é casado
com a filha loura do rei.
Mariá, por que não te casas
se o próprio mar é casado?
Ouem é a mulher do mar?
É a sereia?
É a areia, Mariá.
É a princesa dos seios de concha.
Mandei ao mar uma rosa, Mariá,
porque ele vai se casar.
O mar pediu que a sereia, Mariá,
viesse me visitar
e agradecer o presente.
Ouando foi isto? No passado, Mariá.
Sabes que fez a sereia, Mariá?
Deu-me um punhado de areia;
esta cidade de areia,
nossa terra, Mariá.
Aquela moça da praia, Mariá,
é namorada do mar.
Só vive olhando pra as ondas
e o mar vive a suspirar.
Aquela areia da praia
veio do Engenho de Areia, Mariá.
Que bela é a mulher do mar,
em cima daquela coroa!
Areia da Pedra Branca
desceste o rio correndo.
Tu viste a Ilha das Pombas,
ah! tu viste Mariá.
Adeus, Coroa da Palha,
que eu vou aos tombos da sorte,
rolando aos tombos da vida,
caindo e me levantando.
Só me salvo se cair
nos braços de Mariá.
Donde viria esta areia?
Da serra da Pedra Redonda.
Veio de Minas, Mariá,
rolando no Rio das Pedras
e só entrou na Bahia
quando passou dando um pulo
na cachoeira do Salto.
Deu um pulo no Salto Grande
a areia, a mulher do mar.
Em cima do Salto, está Minas.
Embaixo do Salto a Bahia.
Lá em cima a água é mineira,
caindo embaixo é baiana, Mariá.
Ah! como é linda esta roda
às sete horas da noite,
à hora em que a lua cheia
acabou de sair do mar,
iluminando Belmonte
com todas as suas ruas de areia.
A lua nasce chorando
lágrimas de prata na areia.
Apanhem numa redoma este pranto,
guardem bem guardada esta jóia
que um dia será adorada.
É a lágrima azul da saudade.
Que foi? O que teve? Nada.
Apenas uma lágrima salgada
caiu dos meus olhos na areia.
Marlá, por que não te casas?
Me diga; por que não te casas
comigo, se eu quero te dar,
se eu quero te dar, Mariá,
num beijo o meu coração?
Crianças cantando roda
nas ruas brancas da areia,
naquelas ruas tão longas
como as estradas de areia.
Cantando desde a Atalaia
até a Ponta de areia.
Cantando lá na Biela,
na rua do Camba e nas Baixas
e em todas as ruas de areia.
Ah! lá no Pontal da Barra
é que brilha a lua na areia,
nas areias da Barrinha
e na estrada da Barra Velha.
Mariá, por que não te casas?
Se tu casares comigo,
sabes o que te darei, Mariá?
Sabes o que te darei, Mariá?
Quantos beijos tu quiseres,
cem beijos se tu quiseres,
Mariá, meu coração.
Deitado dontigo na areia,
dar-te-ei meu coração.
Não é só o mar que é casado, Mariá.
O peixinho também é casado.
E o passarinho é casado.
Também quero ser casado
mas contigo, Mariá.
Mariá. case comigo,
já que o mar casou com a areia.
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
que ou te dou, Mariá,
que ou te dou, Meriá,
meu coração.
(Cantiga de roda)
O mar também é casado,
o mar também tem mulher.
É casado com a areia.
Dá-lhe beijos quando quer.
(Quadra popular]
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
Se até o peixlnho é casado...
Não sabes que o mar é casado
com uma filha do rei?
Mariá, o mar é casado
com a filha loura do rei.
Mariá, por que não te casas
se o próprio mar é casado?
Ouem é a mulher do mar?
É a sereia?
É a areia, Mariá.
É a princesa dos seios de concha.
Mandei ao mar uma rosa, Mariá,
porque ele vai se casar.
O mar pediu que a sereia, Mariá,
viesse me visitar
e agradecer o presente.
Ouando foi isto? No passado, Mariá.
Sabes que fez a sereia, Mariá?
Deu-me um punhado de areia;
esta cidade de areia,
nossa terra, Mariá.
Aquela moça da praia, Mariá,
é namorada do mar.
Só vive olhando pra as ondas
e o mar vive a suspirar.
Aquela areia da praia
veio do Engenho de Areia, Mariá.
Que bela é a mulher do mar,
em cima daquela coroa!
Areia da Pedra Branca
desceste o rio correndo.
Tu viste a Ilha das Pombas,
ah! tu viste Mariá.
Adeus, Coroa da Palha,
que eu vou aos tombos da sorte,
rolando aos tombos da vida,
caindo e me levantando.
Só me salvo se cair
nos braços de Mariá.
Donde viria esta areia?
Da serra da Pedra Redonda.
Veio de Minas, Mariá,
rolando no Rio das Pedras
e só entrou na Bahia
quando passou dando um pulo
na cachoeira do Salto.
Deu um pulo no Salto Grande
a areia, a mulher do mar.
Em cima do Salto, está Minas.
Embaixo do Salto a Bahia.
Lá em cima a água é mineira,
caindo embaixo é baiana, Mariá.
Ah! como é linda esta roda
às sete horas da noite,
à hora em que a lua cheia
acabou de sair do mar,
iluminando Belmonte
com todas as suas ruas de areia.
A lua nasce chorando
lágrimas de prata na areia.
Apanhem numa redoma este pranto,
guardem bem guardada esta jóia
que um dia será adorada.
É a lágrima azul da saudade.
Que foi? O que teve? Nada.
Apenas uma lágrima salgada
caiu dos meus olhos na areia.
Marlá, por que não te casas?
Me diga; por que não te casas
comigo, se eu quero te dar,
se eu quero te dar, Mariá,
num beijo o meu coração?
Crianças cantando roda
nas ruas brancas da areia,
naquelas ruas tão longas
como as estradas de areia.
Cantando desde a Atalaia
até a Ponta de areia.
Cantando lá na Biela,
na rua do Camba e nas Baixas
e em todas as ruas de areia.
Ah! lá no Pontal da Barra
é que brilha a lua na areia,
nas areias da Barrinha
e na estrada da Barra Velha.
Mariá, por que não te casas?
Se tu casares comigo,
sabes o que te darei, Mariá?
Sabes o que te darei, Mariá?
Quantos beijos tu quiseres,
cem beijos se tu quiseres,
Mariá, meu coração.
Deitado dontigo na areia,
dar-te-ei meu coração.
Não é só o mar que é casado, Mariá.
O peixinho também é casado.
E o passarinho é casado.
Também quero ser casado
mas contigo, Mariá.
Mariá. case comigo,
já que o mar casou com a areia.
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
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