Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Miriam Paglia Costa
O Anjo Vingador
- gosto
de matar pelas costas
é tão bonito!
o menino fala assim ao psicólogo
que conta ao repórter
que conta ao leitor
que todos se horrorizem
o tiro joga o corpo á frente
abertos braços
o quase morto, o morto
cai
súbito vôo em curto abismo
a morte é bela ?
a fala espanta o estudioso
belo é o poder?
a morte assombra
fútil, nas mãos do fútil assassino
mas
entre mitos mais que antigos existe outra moral:
num livro grosso , o livro dos destinos
estaria inscrito eternamente
o encontro do morto e seu carrasco
segundo o rito do fado e da tragédia
a mão que ceifa está sagrada
é outra a ira que executa, grave e dura
relâmpago divino
aqui, no palco das vilezas
horror é fala de meninos.
de matar pelas costas
é tão bonito!
o menino fala assim ao psicólogo
que conta ao repórter
que conta ao leitor
que todos se horrorizem
o tiro joga o corpo á frente
abertos braços
o quase morto, o morto
cai
súbito vôo em curto abismo
a morte é bela ?
a fala espanta o estudioso
belo é o poder?
a morte assombra
fútil, nas mãos do fútil assassino
mas
entre mitos mais que antigos existe outra moral:
num livro grosso , o livro dos destinos
estaria inscrito eternamente
o encontro do morto e seu carrasco
segundo o rito do fado e da tragédia
a mão que ceifa está sagrada
é outra a ira que executa, grave e dura
relâmpago divino
aqui, no palco das vilezas
horror é fala de meninos.
880
Hilda Hilst
IX
Ilharga,
osso, algumas vezes é tudo o que se tem.
Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.
E pensas maravilha quando pensas anca
Quando pensas virilha pensas gozo.
Mas tudo mais falece quando pensas tardança
E te despedes.
E quando pensas breve
Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano
Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha.
E quando pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas
Luta, ascese, e as mós vão triturando
Tua esmaltada garganta... Mesmo assim mesmo
Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...
Canta o começo e o fim. Como se fosse verdade
A esperança.
osso, algumas vezes é tudo o que se tem.
Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.
E pensas maravilha quando pensas anca
Quando pensas virilha pensas gozo.
Mas tudo mais falece quando pensas tardança
E te despedes.
E quando pensas breve
Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano
Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha.
E quando pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas
Luta, ascese, e as mós vão triturando
Tua esmaltada garganta... Mesmo assim mesmo
Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...
Canta o começo e o fim. Como se fosse verdade
A esperança.
1 766
Armindo Trevisan
Gratidão
Eu morrerei
Mas tão à parte
De mim que nunca
O saberá
O alegre mundo
No qual subsisto
Em comunhão omnipresente.
eu morrerei
me desculpando diante dele
de ser diverso
(como me dói
só de pensar-me
ausente dele
em outro mundo!)
mas se puder morrer
tão rápido
que o mundo apenas
vendo o meu corpo
diante de si
quieto e ancorado
julgue que eu mesmo
esteja ali
então, espirito
ou o que for
me achegarei
dele sorrindo
e o beijarei
com tanto ardor
que, eternamente
lhe ficará
na face imensa,
o meu sinal
de criatura
agradecida.
Mas tão à parte
De mim que nunca
O saberá
O alegre mundo
No qual subsisto
Em comunhão omnipresente.
eu morrerei
me desculpando diante dele
de ser diverso
(como me dói
só de pensar-me
ausente dele
em outro mundo!)
mas se puder morrer
tão rápido
que o mundo apenas
vendo o meu corpo
diante de si
quieto e ancorado
julgue que eu mesmo
esteja ali
então, espirito
ou o que for
me achegarei
dele sorrindo
e o beijarei
com tanto ardor
que, eternamente
lhe ficará
na face imensa,
o meu sinal
de criatura
agradecida.
1 101
Silvaney Paes
Visita
Seja bem-vinda
a minha casa,
Pois de há muito que esperada,
Tão culta amiga!
Mais não demores,
Não fique na porta aí parada.
Adentra!
Anseio pelo vosso abraço,
Mais que ele não lhe seja estranho.
Desculpa-me!
Se não vier com o aperto esperado,
É que me vejo vexado,
Encabulado!
De um certo cheiro que vai nele impregnado,
Do suor do labor de meu trabalho.
Assenta-te!
Não nessa cadeira,
Ela traz uma das pernas amputadas.
Nesta outra.
Que foi especialmente para esta visita reservada,
Fazendo do simples de minha pobre casa,
A minha melhor prata.
Aceita um café, uma água?
É tudo que se tem em toda casa,
E que agrada.
Reparaste na minha modesta morada?
Ela não tem todas as paredes rebocadas.
E como a minha alma.
Mais nela mora dignidade,
Tristeza, saudade e também felicidade.
Trouxeste algo?
Não precisava! Já tenho tudo que me faltava,
Nesta visita a minha casa.
a minha casa,
Pois de há muito que esperada,
Tão culta amiga!
Mais não demores,
Não fique na porta aí parada.
Adentra!
Anseio pelo vosso abraço,
Mais que ele não lhe seja estranho.
Desculpa-me!
Se não vier com o aperto esperado,
É que me vejo vexado,
Encabulado!
De um certo cheiro que vai nele impregnado,
Do suor do labor de meu trabalho.
Assenta-te!
Não nessa cadeira,
Ela traz uma das pernas amputadas.
Nesta outra.
Que foi especialmente para esta visita reservada,
Fazendo do simples de minha pobre casa,
A minha melhor prata.
Aceita um café, uma água?
É tudo que se tem em toda casa,
E que agrada.
Reparaste na minha modesta morada?
Ela não tem todas as paredes rebocadas.
E como a minha alma.
Mais nela mora dignidade,
Tristeza, saudade e também felicidade.
Trouxeste algo?
Não precisava! Já tenho tudo que me faltava,
Nesta visita a minha casa.
1 084
Silvaney Paes
Visita
Seja bem-vinda
a minha casa,
Pois de há muito que esperada,
Tão culta amiga!
Mais não demores,
Não fique na porta aí parada.
Adentra!
Anseio pelo vosso abraço,
Mais que ele não lhe seja estranho.
Desculpa-me!
Se não vier com o aperto esperado,
É que me vejo vexado,
Encabulado!
De um certo cheiro que vai nele impregnado,
Do suor do labor de meu trabalho.
Assenta-te!
Não nessa cadeira,
Ela traz uma das pernas amputadas.
Nesta outra.
Que foi especialmente para esta visita reservada,
Fazendo do simples de minha pobre casa,
A minha melhor prata.
Aceita um café, uma água?
É tudo que se tem em toda casa,
E que agrada.
Reparaste na minha modesta morada?
Ela não tem todas as paredes rebocadas.
E como a minha alma.
Mais nela mora dignidade,
Tristeza, saudade e também felicidade.
Trouxeste algo?
Não precisava! Já tenho tudo que me faltava,
Nesta visita a minha casa.
a minha casa,
Pois de há muito que esperada,
Tão culta amiga!
Mais não demores,
Não fique na porta aí parada.
Adentra!
Anseio pelo vosso abraço,
Mais que ele não lhe seja estranho.
Desculpa-me!
Se não vier com o aperto esperado,
É que me vejo vexado,
Encabulado!
De um certo cheiro que vai nele impregnado,
Do suor do labor de meu trabalho.
Assenta-te!
Não nessa cadeira,
Ela traz uma das pernas amputadas.
Nesta outra.
Que foi especialmente para esta visita reservada,
Fazendo do simples de minha pobre casa,
A minha melhor prata.
Aceita um café, uma água?
É tudo que se tem em toda casa,
E que agrada.
Reparaste na minha modesta morada?
Ela não tem todas as paredes rebocadas.
E como a minha alma.
Mais nela mora dignidade,
Tristeza, saudade e também felicidade.
Trouxeste algo?
Não precisava! Já tenho tudo que me faltava,
Nesta visita a minha casa.
1 084
Regina Souza Vieira
Vôo com pouso certo
O sono
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
730
Regina Souza Vieira
Vôo com pouso certo
O sono
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
730
Regina Souza Vieira
Memória
Memória
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
869
Regina Souza Vieira
Memória
Memória
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
869
Almandrade
IV
O umbigo transborda
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
974
Regina Souza Vieira
Para Quando
Para quando o fim desta mania
De acreditar em sonhos acordados
Impossíveis?
Para quando a manhã de sol
Para quando o nunca
Seja ontem?
Para quando o amanhã
O despertar
Do sempre?
De acreditar em sonhos acordados
Impossíveis?
Para quando a manhã de sol
Para quando o nunca
Seja ontem?
Para quando o amanhã
O despertar
Do sempre?
904
Regina Souza Vieira
Para Quando
Para quando o fim desta mania
De acreditar em sonhos acordados
Impossíveis?
Para quando a manhã de sol
Para quando o nunca
Seja ontem?
Para quando o amanhã
O despertar
Do sempre?
De acreditar em sonhos acordados
Impossíveis?
Para quando a manhã de sol
Para quando o nunca
Seja ontem?
Para quando o amanhã
O despertar
Do sempre?
904
Armindo Trevisan
Elogio da Nudez
Quando
me vejo nu,
carne e tamanho apenas,
sofrendo a garra de algo
que me não orna, nem me afaga
Sinto por dentro um silencio
Que me deixa inda mais nu!
Quando me vejo nu
ao sol que me rói, parado
ao sal que me entra na vida,
ao ar que me desnuda a alma
Fico no mundo sem par,
Desejando me enterrar
Ah que desnudez faminta!
no banheiro, sobre o leito,
em qualquer parte do mundo,
onde se deixe o vestido
É o próprio medo do homem,
que aparece sobre a pele
Mas é tão bom , delicioso
O jôrro de água, o unguento
O perfume, a relva, a seda
De outra carne inda mais nua
Que o terror é esquecido
Por um instante florido!
Só um homem todo nu
Pode acreditar em algo,
Num pássaro azul, em deus
Numa coisa irreversível....
me vejo nu,
carne e tamanho apenas,
sofrendo a garra de algo
que me não orna, nem me afaga
Sinto por dentro um silencio
Que me deixa inda mais nu!
Quando me vejo nu
ao sol que me rói, parado
ao sal que me entra na vida,
ao ar que me desnuda a alma
Fico no mundo sem par,
Desejando me enterrar
Ah que desnudez faminta!
no banheiro, sobre o leito,
em qualquer parte do mundo,
onde se deixe o vestido
É o próprio medo do homem,
que aparece sobre a pele
Mas é tão bom , delicioso
O jôrro de água, o unguento
O perfume, a relva, a seda
De outra carne inda mais nua
Que o terror é esquecido
Por um instante florido!
Só um homem todo nu
Pode acreditar em algo,
Num pássaro azul, em deus
Numa coisa irreversível....
996
Silvaney Paes
Âncora
Existe
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.
Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.
Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.
Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.
Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..
1 082
Silvaney Paes
Âncora
Existe
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.
Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.
Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.
Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.
Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..
1 082
Silvaney Paes
Aquele Olhar
Clamei
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
850
Regina Souza Vieira
A Abóbora Menina
Tão gentil
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.
1 114
Silvaney Paes
Preto
Negras
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
1 059
Rose M. Martins
Fases da Lua
Morri...
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
415
Rose M. Martins
Fases da Lua
Morri...
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
415
Silvaney Paes
Crucificado
Abre a
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
1 077
Silvaney Paes
Crucificado
Abre a
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
1 077
Silvaney Paes
Velho Moleque
Serei
menino de novo,
Criança pagã, nua de crenças tolas.
Meu credo será viver na molecagem,
Largarei meu velho na passagem.
Vestirei a roupagem da puerícia,
Deitando fora essa da velhice
E acharei hilário uns poucos tolos,
Que enxergarem em mim a caduquice.
E o tempo por demais zeloso,
Sabendo às vezes ser cioso
Gritará comigo um pouco,
Mas lhe farei ouvidos moços.
Ditoso, correrei pelos caminhos,
Desnudo tomarei banhos de riacho,
Andarei descalço pelos matos
E não conhecerei pudores ou receios.
Alguns se apressarão em alaridos:
- Lá vai o velho louco varrido!
E eu explodirei em risos,
Pois no menino descobri que vivo.
Mas se o tempo em ardil com a morte,
Resolverem arrematar-me a sorte,
Levarão consigo apenas o senil,
Pois o menino que mim reside
Traz o alento de ser sempre vivo.
menino de novo,
Criança pagã, nua de crenças tolas.
Meu credo será viver na molecagem,
Largarei meu velho na passagem.
Vestirei a roupagem da puerícia,
Deitando fora essa da velhice
E acharei hilário uns poucos tolos,
Que enxergarem em mim a caduquice.
E o tempo por demais zeloso,
Sabendo às vezes ser cioso
Gritará comigo um pouco,
Mas lhe farei ouvidos moços.
Ditoso, correrei pelos caminhos,
Desnudo tomarei banhos de riacho,
Andarei descalço pelos matos
E não conhecerei pudores ou receios.
Alguns se apressarão em alaridos:
- Lá vai o velho louco varrido!
E eu explodirei em risos,
Pois no menino descobri que vivo.
Mas se o tempo em ardil com a morte,
Resolverem arrematar-me a sorte,
Levarão consigo apenas o senil,
Pois o menino que mim reside
Traz o alento de ser sempre vivo.
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Regina Souza Vieira
Autocrítica
Aqui,
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
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