Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Valdir L. Queiroz
Dissertação I
Grito no espaço procurando
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
971
Valdir L. Queiroz
Dissertação I
Grito no espaço procurando
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
971
Vespasiano Ramos
Samaritana
Piedosa gentil Samaritana:
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!
Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!
Fugis, então, ao mísero que implora
o saciar da sede que o consome,
o saciar da sede que o devora?
Pecais, assim, Samaritana! Vede:
— Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!
Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!
Fugis, então, ao mísero que implora
o saciar da sede que o consome,
o saciar da sede que o devora?
Pecais, assim, Samaritana! Vede:
— Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.
2 054
Viviane Gehlen
Amor
Amor
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
801
Viviane Gehlen
Amor
Amor
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
801
Viviane Gehlen
Amor
Amor
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
801
Vitor Casimiro
Só Não Seja um Mendigo
Um mendigo
Cruza meu caminho
Alguns o ignoram
Outros o amaldiçoam,
em silêncio.
Nenhuma palavra
Parece merecer
Só o desprezo
Basta
Por enfiar suas
Unhas sujas no pão
Que, por sorte,
Conseguiu.
Ou pelo cheiro
Que poucos narizes
Suportariam.
E aquelas, garrafas,
latas, coisas sem valor.
Lixo
O que ele quer?
Dinheiro?
Então Roube.
Quer Felicidade?
Se vire,
E beba álcool, durma
Desapareça.
Só não seja mais
Um mendigo
A cruzar meu caminho.
Cruza meu caminho
Alguns o ignoram
Outros o amaldiçoam,
em silêncio.
Nenhuma palavra
Parece merecer
Só o desprezo
Basta
Por enfiar suas
Unhas sujas no pão
Que, por sorte,
Conseguiu.
Ou pelo cheiro
Que poucos narizes
Suportariam.
E aquelas, garrafas,
latas, coisas sem valor.
Lixo
O que ele quer?
Dinheiro?
Então Roube.
Quer Felicidade?
Se vire,
E beba álcool, durma
Desapareça.
Só não seja mais
Um mendigo
A cruzar meu caminho.
1 022
Viviane Gehlen
Mar
Mar
O céu, cinza
Cinza também o mar....
A praia, vazia
vazio também meu olhar....
A areia se desfaz sob meus pés.
Lágrimas rolam dos meus olhos,
descem pelo meu corpo e
se fundem com o mar...
sou onda,
sou espuma,
sou nada.
Imersa no mar, descubro a Vida.
Submersa na dor, descubro a Vida.
Escondido nas nuvens, descubro o Sol.
Refletido no mar, descubro o Sol.
meu coração renasce
meus olhos sorriem
Um veleiro cruza o horizonte....
09-01-97
O céu, cinza
Cinza também o mar....
A praia, vazia
vazio também meu olhar....
A areia se desfaz sob meus pés.
Lágrimas rolam dos meus olhos,
descem pelo meu corpo e
se fundem com o mar...
sou onda,
sou espuma,
sou nada.
Imersa no mar, descubro a Vida.
Submersa na dor, descubro a Vida.
Escondido nas nuvens, descubro o Sol.
Refletido no mar, descubro o Sol.
meu coração renasce
meus olhos sorriem
Um veleiro cruza o horizonte....
09-01-97
992
Viviane Gehlen
Mar
Mar
O céu, cinza
Cinza também o mar....
A praia, vazia
vazio também meu olhar....
A areia se desfaz sob meus pés.
Lágrimas rolam dos meus olhos,
descem pelo meu corpo e
se fundem com o mar...
sou onda,
sou espuma,
sou nada.
Imersa no mar, descubro a Vida.
Submersa na dor, descubro a Vida.
Escondido nas nuvens, descubro o Sol.
Refletido no mar, descubro o Sol.
meu coração renasce
meus olhos sorriem
Um veleiro cruza o horizonte....
09-01-97
O céu, cinza
Cinza também o mar....
A praia, vazia
vazio também meu olhar....
A areia se desfaz sob meus pés.
Lágrimas rolam dos meus olhos,
descem pelo meu corpo e
se fundem com o mar...
sou onda,
sou espuma,
sou nada.
Imersa no mar, descubro a Vida.
Submersa na dor, descubro a Vida.
Escondido nas nuvens, descubro o Sol.
Refletido no mar, descubro o Sol.
meu coração renasce
meus olhos sorriem
Um veleiro cruza o horizonte....
09-01-97
992
Carlos Augusto Viana
Os Corredores da Memória - I
1
quantos roçados de pranto
regados
prosseguem
no rosto
sobreviventes raizes
soturnos
percorremos
os silentes corredores da memória
2
cal e sofrimento
recompõem
o território em ruinas
no tecido da linguagem
estampam-se
palavras e paisagens
3
serpenteia-se
a procissão
dos mortos
não trazem
chamas
cânticos ou incensos:
apenas
anunciação
quantos roçados de pranto
regados
prosseguem
no rosto
sobreviventes raizes
soturnos
percorremos
os silentes corredores da memória
2
cal e sofrimento
recompõem
o território em ruinas
no tecido da linguagem
estampam-se
palavras e paisagens
3
serpenteia-se
a procissão
dos mortos
não trazem
chamas
cânticos ou incensos:
apenas
anunciação
850
Vani Rezende
Haicai
A ventania tumultua.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
1 139
Vani Rezende
Haicai
A ventania tumultua.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
1 139
Vitor Casimiro
Despista-se
Mulher da minha vida
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
738
Vitor Casimiro
Despista-se
Mulher da minha vida
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
738
Valeria Braga
Moderna
Moderna
Na sala, o piano toca um som de silêncio.
Pra quê serve um piano sem som?
Pra nada ou pra alguma coisa
que ainda não conseguimos descobrir -
além de adorno cultural.
Mas isso não importa ao piano,
nada lhe acontece por sua inutilidade.
Ele continua lá, toquem-no ou não.
Ele continua guardando sua propriedade
de ser tocado e ouvido.
As crianças crescem ao silêncio do piano
e à fala do arbítrio.
Nada interfere na vida e no crescimento
das crianças.
O piano não interfere na existência das crianças.
A não existência do piano também não interfere
na vida de ninguém.
Ambos - piano e pessoas - existem independentes.
Cada qual, isoladamente.
O piano só é.
Na sala, o piano toca um som de silêncio.
Pra quê serve um piano sem som?
Pra nada ou pra alguma coisa
que ainda não conseguimos descobrir -
além de adorno cultural.
Mas isso não importa ao piano,
nada lhe acontece por sua inutilidade.
Ele continua lá, toquem-no ou não.
Ele continua guardando sua propriedade
de ser tocado e ouvido.
As crianças crescem ao silêncio do piano
e à fala do arbítrio.
Nada interfere na vida e no crescimento
das crianças.
O piano não interfere na existência das crianças.
A não existência do piano também não interfere
na vida de ninguém.
Ambos - piano e pessoas - existem independentes.
Cada qual, isoladamente.
O piano só é.
905
Vitor Casimiro
Ciclo Vicioso
O início
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
857
Vitor Casimiro
Ciclo Vicioso
O início
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
857
Vitor Casimiro
Ciclo Vicioso
O início
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
Não me esqueço
O vício
Só tem começo.
O trauma,
Que perfura
A alma
De que procura
Com toda calma
Perder o medo
Essa mania
De que ainda é cedo
De que ainda é dia
E seja o que aconteça
Não há mais perigo
Mesmo que desapareça
O meu amigo
Encontrarei a cura
Para a insensatez
Talvez loucura
De se perder de vez,
De um vez por todas.
857
Vitor Casimiro
Cadência
Não conto
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
971
Valeria Braga
Poema
Poema
Imprimo no poema as minhas letras tatuadas,
letras vadias,
andarilhas,
ciganas sem baralhos.
Imprimo a letra da poesia por dentro do ventre
e dentro das gavetas, à chave.
Do poema, apenas imploro um olhar cheio de desejo,
que já sou lua
ou nem sei quem sou.
Pássaro colorido o poema que voa
por sobre os céus da minha cabeça,
por sobre o céu da minha boca.
E lá vou eu, mastigando as letras,
mastigando a palavra que nunca te disse,
passando a língua molhada em cada verso
de amor ou tristeza,
engolindo cada sílaba
como se sorve bebida, homem,
flor ou criança.
Bandida, a poesia
que dorme e acorda morta de sono
e não me deixa dormir
e não me deixa viver
e não me deixa.
Vem o poema e aperta o gatilho
e me fere no peito e me mata,
e me deixa mais tonta,
mais louca que sou.
E te aceito assim, te quero assim,
poema de todas as formas
como bicho, vida, sol e chão.
Imprimo no poema as minhas letras tatuadas,
letras vadias,
andarilhas,
ciganas sem baralhos.
Imprimo a letra da poesia por dentro do ventre
e dentro das gavetas, à chave.
Do poema, apenas imploro um olhar cheio de desejo,
que já sou lua
ou nem sei quem sou.
Pássaro colorido o poema que voa
por sobre os céus da minha cabeça,
por sobre o céu da minha boca.
E lá vou eu, mastigando as letras,
mastigando a palavra que nunca te disse,
passando a língua molhada em cada verso
de amor ou tristeza,
engolindo cada sílaba
como se sorve bebida, homem,
flor ou criança.
Bandida, a poesia
que dorme e acorda morta de sono
e não me deixa dormir
e não me deixa viver
e não me deixa.
Vem o poema e aperta o gatilho
e me fere no peito e me mata,
e me deixa mais tonta,
mais louca que sou.
E te aceito assim, te quero assim,
poema de todas as formas
como bicho, vida, sol e chão.
1 022
Weydson Barros Leal
Noite
Docemente o tempo soava, ela contou como a noite que habitava seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias,
os meninos também criam teorias,
as meninas e os meninos choram)
Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.
Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...
Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela falou —
e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos
a cumplicidade — lhe falei.
(há os olhos e os dentes por se tocar — a música dos gestos é sempre incerta
como os corpos — esta sinfonia de cores e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou amêndoa colhida.
É assim sua teoria.
Nota:
Este poema inspirou "Buscando a Teoria", de Soares Feitosa.
(as meninas choram quando perdem teorias,
os meninos também criam teorias,
as meninas e os meninos choram)
Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.
Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...
Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela falou —
e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos
a cumplicidade — lhe falei.
(há os olhos e os dentes por se tocar — a música dos gestos é sempre incerta
como os corpos — esta sinfonia de cores e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou amêndoa colhida.
É assim sua teoria.
Nota:
Este poema inspirou "Buscando a Teoria", de Soares Feitosa.
885
Vera Romariz
Sem Óculos
Na cama te quero
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
1 288
Vera Romariz
Sem Óculos
Na cama te quero
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
1 288
Tristão da Cunha
Virgem Primitiva
A pobre Ofélia deu-lhe os tristes olhos mansos
Onde bóia um luar de sonhos afogados;
Mãos piedosas dormindo em gestos resignados,
De tarde, a meditar nos eternos descansos.
Há idílios de irmãos, inviolados remansos,
Soluços de ternura, e sorrisos cansados,
E saudades que não vem dos tempos passados,
No sobre-humano olhar daqueles olhos mansos.
Eu vejo-a morta já (que tristeza tão doce!...)
As mãos no colo em cruz e branca de alabastros,
Noiva morta de amor na primeira manhã...
Na Via-Láctea que a leva, pura como a trouxe,
Florindo-lhe o caminho anjos espalham astros,
E a lua vai seguindo atrás, como uma irmã...
Onde bóia um luar de sonhos afogados;
Mãos piedosas dormindo em gestos resignados,
De tarde, a meditar nos eternos descansos.
Há idílios de irmãos, inviolados remansos,
Soluços de ternura, e sorrisos cansados,
E saudades que não vem dos tempos passados,
No sobre-humano olhar daqueles olhos mansos.
Eu vejo-a morta já (que tristeza tão doce!...)
As mãos no colo em cruz e branca de alabastros,
Noiva morta de amor na primeira manhã...
Na Via-Láctea que a leva, pura como a trouxe,
Florindo-lhe o caminho anjos espalham astros,
E a lua vai seguindo atrás, como uma irmã...
941