Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
876
Eduardo Dominguez Trindade
Declaração
Quando vejo o teu rosto,
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
939
Tasso da Silveira
Poema 17
Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
1 089
Sérgio Milliet
Oh Valsa Latejante
Oh valsa latejante. . .
O poema que eu hei de escrever
será nu e simplesmente rude
O poema que eu hei de escrever será um palavrão.
Dor recalcada
inveja mesquinha
perversidades impotentes
todo o fracasso e a sub-angústia
O espezinhamento usa batom
Mas tudo há de jorrar com ele
numa amarga libertação...
O cacto com seus espinhos
apertado entre as palmas da mão
é menos doloroso
Oh valsa latejante...
O poema que eu hei de escrever
será nu e simplesmente rude
O poema que eu hei de escrever será um palavrão.
Dor recalcada
inveja mesquinha
perversidades impotentes
todo o fracasso e a sub-angústia
O espezinhamento usa batom
Mas tudo há de jorrar com ele
numa amarga libertação...
O cacto com seus espinhos
apertado entre as palmas da mão
é menos doloroso
Oh valsa latejante...
1 800
Sérgio Milliet
Oh Valsa Latejante
Oh valsa latejante. . .
O poema que eu hei de escrever
será nu e simplesmente rude
O poema que eu hei de escrever será um palavrão.
Dor recalcada
inveja mesquinha
perversidades impotentes
todo o fracasso e a sub-angústia
O espezinhamento usa batom
Mas tudo há de jorrar com ele
numa amarga libertação...
O cacto com seus espinhos
apertado entre as palmas da mão
é menos doloroso
Oh valsa latejante...
O poema que eu hei de escrever
será nu e simplesmente rude
O poema que eu hei de escrever será um palavrão.
Dor recalcada
inveja mesquinha
perversidades impotentes
todo o fracasso e a sub-angústia
O espezinhamento usa batom
Mas tudo há de jorrar com ele
numa amarga libertação...
O cacto com seus espinhos
apertado entre as palmas da mão
é menos doloroso
Oh valsa latejante...
1 800
Rodrigo Carvalho
Intervenção da Morte
Consulta médica.
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
682
Sidney Frattini
Os Homens Especiais
Cada vez mais
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.
Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?
Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.
Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.
Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.
Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.
Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.
Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.
Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.
Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.
Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.
Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?
Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.
Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.
Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.
Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.
Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.
Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.
Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.
Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.
Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...
783
José Carlos Souza Santos
A Visão
Mirei-me na profundeza
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
889
José Carlos Souza Santos
A Visão
Mirei-me na profundeza
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
889
Sidney Frattini
A Pessoa - Carta
Ah, meu bom Fernando.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
761
Sidney Frattini
A Pessoa - Carta
Ah, meu bom Fernando.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
761
Sinésio Cabral
Destinos Iguais
Eu leio em teu semblante desenhada
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
870
Sérgio Milliet
Tomasina
O cavalo cambaio dirige a caravana
Embaixo na estação o trem cospe um desafio
Calor calado e abafado
Cinza recente
A rua principal do delegado
Um cabo e um soldado para que o cabo possa ser cabo.
Estafetas viajantes andarilhos e cometas
no capilé da venda democrática
A farmácia dos corifeus coronelandos
A matriz morfética e o padre calabrês
e atrás da vila o catatraz da rápida caudal
Cartomancia dos jornais atrasadotes
O correio onde o guri brinca com as cartas registadas
O gado paciente na estrada de carmim
O cafezal tuberculose do Jangote
Os toros das queimadas
Os olhos das amadas
O ciciar da já saudade da cidade.
Embaixo na estação o trem cospe um desafio
Calor calado e abafado
Cinza recente
A rua principal do delegado
Um cabo e um soldado para que o cabo possa ser cabo.
Estafetas viajantes andarilhos e cometas
no capilé da venda democrática
A farmácia dos corifeus coronelandos
A matriz morfética e o padre calabrês
e atrás da vila o catatraz da rápida caudal
Cartomancia dos jornais atrasadotes
O correio onde o guri brinca com as cartas registadas
O gado paciente na estrada de carmim
O cafezal tuberculose do Jangote
Os toros das queimadas
Os olhos das amadas
O ciciar da já saudade da cidade.
1 527
Sidney Frattini
Canto ao Homem do Povo, Drummond
I
(Não) Era preciso que, nem poeta, nem maior, porém um tanto exposto à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera de sonhos translúcidos.
Era preciso que este pequeno cantor mudo, de ritmos inexistentes, vindo de lugar-nenhum, onde nem nunca se usa gravata, e raro alguém é polido, e a opressão é desestranha, e o heroísmo se banha, também, em ironia, era preciso que atual velho vinte-e-tantos-tombos, preso à tua "gauchice" por filamentos de ternura e vida, viesse ousar falar-te e, fruto imaturo, te visitasse para dizer-te alguns nadas, sobcolor de despoema.
Para dizer-te como os nós te amamos e que nisso, como em nada mais, nossa gente não se parece com qualquer gente do mundo - exclusive os que perderam bondes e esperanças, e voltam pálidos para casa, e cujos corpos transigem na confluência do amor, iludindo a brutalidade e a brutal idade, e que, secretamente, pronunciam tuas palavras de vida e sonho.
Bem sei que o discurso, acalanto freguês, não te esmorece, e esta tua vivência é tua entrevista aos hebdomadários. Não é a saudação dos entusiasmados que te ofereço. Eles existem, mas é a de gente comum em mundo incomum.
Nem faço muita questão da anti-matéria de meu canto, tão abaixo de ti, como uma letra mal sucedida, mandada por vida real ao escritor de todas as cartilhas.
Falam por mim sei quantos, sujos de inexpressåo e gente, levados a refletir, ainda que microssegundo, que te percorreram papel adentro e, em meio ao Palácio das Jóias, descobriram anéis que lhes serviam e se sentiram imensamente ricos.
Falam por mim os que simplesmente simples de coração nunca ouviram falar de ti, ou si, a não ser por adjetivos e nunca por eles mesmos, líricos ou cismarentos, irresponsáveis ou patéticos, cariciosos ou loucos, e os que não chegam a ser nada disso.
II
A noite dissolve os homens, e não te apaga, não, a visão.
A noite é mortal, mas já não o és, mesmo despido de fardões que não te caem bem, deselegante predestinado, condenado à Eternidade, independente de certidões.
Assim, perdida a sábia infância, acumulas a noite na calvície plena e adquires a dimensão do grande e o pedaço vital da trajetória.
E te fazes em frases.
E então sentimos a noite.
Não como trevas, mas como fonte natural de nostalgia e brisa, como se ao contato da tua mensagem voltássemos ao país secreto onde dormem meninos ambiciosos de soltar coisas ocultas no peito.
III
Vazio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que foram (ou não) chamados à ceia celeste ou industrial. E notas na toalha da mesa, em plena janta, impurezas no branco - lição de coisas que a vida te ensinou.
IV
E agora, Carlos? Não sossegues.
Teus ombros suportam o mundo, embora tenhas apenas duas mãos e a poesia seja, definitivamente, incomunicável, teu verso é nossa consolação e cachaça.
Oitenta por cento de ferro nas almas e brejo e vontade de amar doem, e o tempo é matéria, definitivamente.
V
Fazendeiro aéreo, habilitado para a noite, carregas no bolso viola eternamente encordoada. És apenas um homem e teu presente inunda nossa vida inteira.
VI
No meio do caminho tinha uma retina que enxergava a pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
A pedra que ontem não vi hoje seria avalanche.
Ela repousa na vida, sem esconderijo, enxergada.
No meio do caminho tinha uma retina.
VII
E, ao contrário do que dizes, todos os meninos saltam de tua vida, a restaurar as suas.
Suspeitaste o velho em ti? Sabe o sábio que és, com tuas rugas e tua calva.
Foi bom que te expusésses: meditavas e meditávamos.
E tudo dizias... (ó palavras gastas, entretanto salvas, ditas de novo).
Poder de mais-que-humana voz, inventando novos caminhos, dando sopro aos exaustos; dignidade digna, amor profundo, crispação de ser humano, árvore firme ante desastres ecológicos, ó Carlos, meu e nosso amigo, tua vida e poesia FABRICAM a estrada de pó e esperança.
(Não) Era preciso que, nem poeta, nem maior, porém um tanto exposto à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera de sonhos translúcidos.
Era preciso que este pequeno cantor mudo, de ritmos inexistentes, vindo de lugar-nenhum, onde nem nunca se usa gravata, e raro alguém é polido, e a opressão é desestranha, e o heroísmo se banha, também, em ironia, era preciso que atual velho vinte-e-tantos-tombos, preso à tua "gauchice" por filamentos de ternura e vida, viesse ousar falar-te e, fruto imaturo, te visitasse para dizer-te alguns nadas, sobcolor de despoema.
Para dizer-te como os nós te amamos e que nisso, como em nada mais, nossa gente não se parece com qualquer gente do mundo - exclusive os que perderam bondes e esperanças, e voltam pálidos para casa, e cujos corpos transigem na confluência do amor, iludindo a brutalidade e a brutal idade, e que, secretamente, pronunciam tuas palavras de vida e sonho.
Bem sei que o discurso, acalanto freguês, não te esmorece, e esta tua vivência é tua entrevista aos hebdomadários. Não é a saudação dos entusiasmados que te ofereço. Eles existem, mas é a de gente comum em mundo incomum.
Nem faço muita questão da anti-matéria de meu canto, tão abaixo de ti, como uma letra mal sucedida, mandada por vida real ao escritor de todas as cartilhas.
Falam por mim sei quantos, sujos de inexpressåo e gente, levados a refletir, ainda que microssegundo, que te percorreram papel adentro e, em meio ao Palácio das Jóias, descobriram anéis que lhes serviam e se sentiram imensamente ricos.
Falam por mim os que simplesmente simples de coração nunca ouviram falar de ti, ou si, a não ser por adjetivos e nunca por eles mesmos, líricos ou cismarentos, irresponsáveis ou patéticos, cariciosos ou loucos, e os que não chegam a ser nada disso.
II
A noite dissolve os homens, e não te apaga, não, a visão.
A noite é mortal, mas já não o és, mesmo despido de fardões que não te caem bem, deselegante predestinado, condenado à Eternidade, independente de certidões.
Assim, perdida a sábia infância, acumulas a noite na calvície plena e adquires a dimensão do grande e o pedaço vital da trajetória.
E te fazes em frases.
E então sentimos a noite.
Não como trevas, mas como fonte natural de nostalgia e brisa, como se ao contato da tua mensagem voltássemos ao país secreto onde dormem meninos ambiciosos de soltar coisas ocultas no peito.
III
Vazio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que foram (ou não) chamados à ceia celeste ou industrial. E notas na toalha da mesa, em plena janta, impurezas no branco - lição de coisas que a vida te ensinou.
IV
E agora, Carlos? Não sossegues.
Teus ombros suportam o mundo, embora tenhas apenas duas mãos e a poesia seja, definitivamente, incomunicável, teu verso é nossa consolação e cachaça.
Oitenta por cento de ferro nas almas e brejo e vontade de amar doem, e o tempo é matéria, definitivamente.
V
Fazendeiro aéreo, habilitado para a noite, carregas no bolso viola eternamente encordoada. És apenas um homem e teu presente inunda nossa vida inteira.
VI
No meio do caminho tinha uma retina que enxergava a pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
A pedra que ontem não vi hoje seria avalanche.
Ela repousa na vida, sem esconderijo, enxergada.
No meio do caminho tinha uma retina.
VII
E, ao contrário do que dizes, todos os meninos saltam de tua vida, a restaurar as suas.
Suspeitaste o velho em ti? Sabe o sábio que és, com tuas rugas e tua calva.
Foi bom que te expusésses: meditavas e meditávamos.
E tudo dizias... (ó palavras gastas, entretanto salvas, ditas de novo).
Poder de mais-que-humana voz, inventando novos caminhos, dando sopro aos exaustos; dignidade digna, amor profundo, crispação de ser humano, árvore firme ante desastres ecológicos, ó Carlos, meu e nosso amigo, tua vida e poesia FABRICAM a estrada de pó e esperança.
1 389
Sidney Frattini
Canto ao Homem do Povo, Drummond
I
(Não) Era preciso que, nem poeta, nem maior, porém um tanto exposto à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera de sonhos translúcidos.
Era preciso que este pequeno cantor mudo, de ritmos inexistentes, vindo de lugar-nenhum, onde nem nunca se usa gravata, e raro alguém é polido, e a opressão é desestranha, e o heroísmo se banha, também, em ironia, era preciso que atual velho vinte-e-tantos-tombos, preso à tua "gauchice" por filamentos de ternura e vida, viesse ousar falar-te e, fruto imaturo, te visitasse para dizer-te alguns nadas, sobcolor de despoema.
Para dizer-te como os nós te amamos e que nisso, como em nada mais, nossa gente não se parece com qualquer gente do mundo - exclusive os que perderam bondes e esperanças, e voltam pálidos para casa, e cujos corpos transigem na confluência do amor, iludindo a brutalidade e a brutal idade, e que, secretamente, pronunciam tuas palavras de vida e sonho.
Bem sei que o discurso, acalanto freguês, não te esmorece, e esta tua vivência é tua entrevista aos hebdomadários. Não é a saudação dos entusiasmados que te ofereço. Eles existem, mas é a de gente comum em mundo incomum.
Nem faço muita questão da anti-matéria de meu canto, tão abaixo de ti, como uma letra mal sucedida, mandada por vida real ao escritor de todas as cartilhas.
Falam por mim sei quantos, sujos de inexpressåo e gente, levados a refletir, ainda que microssegundo, que te percorreram papel adentro e, em meio ao Palácio das Jóias, descobriram anéis que lhes serviam e se sentiram imensamente ricos.
Falam por mim os que simplesmente simples de coração nunca ouviram falar de ti, ou si, a não ser por adjetivos e nunca por eles mesmos, líricos ou cismarentos, irresponsáveis ou patéticos, cariciosos ou loucos, e os que não chegam a ser nada disso.
II
A noite dissolve os homens, e não te apaga, não, a visão.
A noite é mortal, mas já não o és, mesmo despido de fardões que não te caem bem, deselegante predestinado, condenado à Eternidade, independente de certidões.
Assim, perdida a sábia infância, acumulas a noite na calvície plena e adquires a dimensão do grande e o pedaço vital da trajetória.
E te fazes em frases.
E então sentimos a noite.
Não como trevas, mas como fonte natural de nostalgia e brisa, como se ao contato da tua mensagem voltássemos ao país secreto onde dormem meninos ambiciosos de soltar coisas ocultas no peito.
III
Vazio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que foram (ou não) chamados à ceia celeste ou industrial. E notas na toalha da mesa, em plena janta, impurezas no branco - lição de coisas que a vida te ensinou.
IV
E agora, Carlos? Não sossegues.
Teus ombros suportam o mundo, embora tenhas apenas duas mãos e a poesia seja, definitivamente, incomunicável, teu verso é nossa consolação e cachaça.
Oitenta por cento de ferro nas almas e brejo e vontade de amar doem, e o tempo é matéria, definitivamente.
V
Fazendeiro aéreo, habilitado para a noite, carregas no bolso viola eternamente encordoada. És apenas um homem e teu presente inunda nossa vida inteira.
VI
No meio do caminho tinha uma retina que enxergava a pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
A pedra que ontem não vi hoje seria avalanche.
Ela repousa na vida, sem esconderijo, enxergada.
No meio do caminho tinha uma retina.
VII
E, ao contrário do que dizes, todos os meninos saltam de tua vida, a restaurar as suas.
Suspeitaste o velho em ti? Sabe o sábio que és, com tuas rugas e tua calva.
Foi bom que te expusésses: meditavas e meditávamos.
E tudo dizias... (ó palavras gastas, entretanto salvas, ditas de novo).
Poder de mais-que-humana voz, inventando novos caminhos, dando sopro aos exaustos; dignidade digna, amor profundo, crispação de ser humano, árvore firme ante desastres ecológicos, ó Carlos, meu e nosso amigo, tua vida e poesia FABRICAM a estrada de pó e esperança.
(Não) Era preciso que, nem poeta, nem maior, porém um tanto exposto à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera de sonhos translúcidos.
Era preciso que este pequeno cantor mudo, de ritmos inexistentes, vindo de lugar-nenhum, onde nem nunca se usa gravata, e raro alguém é polido, e a opressão é desestranha, e o heroísmo se banha, também, em ironia, era preciso que atual velho vinte-e-tantos-tombos, preso à tua "gauchice" por filamentos de ternura e vida, viesse ousar falar-te e, fruto imaturo, te visitasse para dizer-te alguns nadas, sobcolor de despoema.
Para dizer-te como os nós te amamos e que nisso, como em nada mais, nossa gente não se parece com qualquer gente do mundo - exclusive os que perderam bondes e esperanças, e voltam pálidos para casa, e cujos corpos transigem na confluência do amor, iludindo a brutalidade e a brutal idade, e que, secretamente, pronunciam tuas palavras de vida e sonho.
Bem sei que o discurso, acalanto freguês, não te esmorece, e esta tua vivência é tua entrevista aos hebdomadários. Não é a saudação dos entusiasmados que te ofereço. Eles existem, mas é a de gente comum em mundo incomum.
Nem faço muita questão da anti-matéria de meu canto, tão abaixo de ti, como uma letra mal sucedida, mandada por vida real ao escritor de todas as cartilhas.
Falam por mim sei quantos, sujos de inexpressåo e gente, levados a refletir, ainda que microssegundo, que te percorreram papel adentro e, em meio ao Palácio das Jóias, descobriram anéis que lhes serviam e se sentiram imensamente ricos.
Falam por mim os que simplesmente simples de coração nunca ouviram falar de ti, ou si, a não ser por adjetivos e nunca por eles mesmos, líricos ou cismarentos, irresponsáveis ou patéticos, cariciosos ou loucos, e os que não chegam a ser nada disso.
II
A noite dissolve os homens, e não te apaga, não, a visão.
A noite é mortal, mas já não o és, mesmo despido de fardões que não te caem bem, deselegante predestinado, condenado à Eternidade, independente de certidões.
Assim, perdida a sábia infância, acumulas a noite na calvície plena e adquires a dimensão do grande e o pedaço vital da trajetória.
E te fazes em frases.
E então sentimos a noite.
Não como trevas, mas como fonte natural de nostalgia e brisa, como se ao contato da tua mensagem voltássemos ao país secreto onde dormem meninos ambiciosos de soltar coisas ocultas no peito.
III
Vazio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que foram (ou não) chamados à ceia celeste ou industrial. E notas na toalha da mesa, em plena janta, impurezas no branco - lição de coisas que a vida te ensinou.
IV
E agora, Carlos? Não sossegues.
Teus ombros suportam o mundo, embora tenhas apenas duas mãos e a poesia seja, definitivamente, incomunicável, teu verso é nossa consolação e cachaça.
Oitenta por cento de ferro nas almas e brejo e vontade de amar doem, e o tempo é matéria, definitivamente.
V
Fazendeiro aéreo, habilitado para a noite, carregas no bolso viola eternamente encordoada. És apenas um homem e teu presente inunda nossa vida inteira.
VI
No meio do caminho tinha uma retina que enxergava a pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
A pedra que ontem não vi hoje seria avalanche.
Ela repousa na vida, sem esconderijo, enxergada.
No meio do caminho tinha uma retina.
VII
E, ao contrário do que dizes, todos os meninos saltam de tua vida, a restaurar as suas.
Suspeitaste o velho em ti? Sabe o sábio que és, com tuas rugas e tua calva.
Foi bom que te expusésses: meditavas e meditávamos.
E tudo dizias... (ó palavras gastas, entretanto salvas, ditas de novo).
Poder de mais-que-humana voz, inventando novos caminhos, dando sopro aos exaustos; dignidade digna, amor profundo, crispação de ser humano, árvore firme ante desastres ecológicos, ó Carlos, meu e nosso amigo, tua vida e poesia FABRICAM a estrada de pó e esperança.
1 389
Rodrigo Carvalho
Súplica
É noite.
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
973
Rodrigo Carvalho
Súplica
É noite.
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
973
Rodrigo Carvalho
Súplica
É noite.
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
973
Rodrigo Carvalho
Madrugada
Sinto-me só.
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
878
Rodrigo Carvalho
Madrugada
Sinto-me só.
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
878
Rodrigo Carvalho
Paisagem
à Cristina Pinchemel
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
726
Sidney Frattini
Poemeto Natural
Cada vez mais
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.
Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?
Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.
Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.
Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.
Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.
Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.
Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.
Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.
Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.
Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.
Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?
Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.
Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.
Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.
Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.
Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.
Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.
Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.
Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.
Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...
754
José Carlos Souza Santos
O Romanceiro
Vinte e quatro sóis
acesos no meu caminho
um grito coagulado
na fuga desperto
e debruçada nos meus olhos
caminhaste o filho da noite
inteiro
Vinte e quatro sóis
acesos dentro de mim
um grito assassinado
no peito
deflorando o sono da fuga
nas imaturas distâncias
onde perdido deixei
o cântaro último da fé
Penetrando nos meus olhos
violentaste o aviso
da proibida entrada
perambulando
como se fosse quarta-feira
e colhendo
numa primavera de sonhos
nos jardins do que fui
vinte e quatro sóis azuis
que sem saber
p´ra você eu guardei
Na avenida de cantos
renasceste do meu peito no teu mundo
pisando as pedras do meu caminho
e lançaste o pregão ao vento :
- Ele está renascido
estive lá dentro dele
e vi flores e prantos
e notas e dores
e cantos
nos recantos escondidos
de não mostrar a ninguém
fui estranha em ruelas sem passado
conseguindo o norte encontrar
depois de caminhos tantos
- Sim, eu sei, tu descobriste
o grito há tanto escondido
Nasci em tempo de festival
meu mundo incompreendido
tem notas que são espinhos
tem flores embrutecidas
rebentadas no meu peito
tem cantos são sentidos
que às vezes eu mesmo sinto
ter tão estranho nascido
- Estranho, nasceste sim
estranho cantor eu sei
na estranheza do teu canto
existe um outro encanto
embora não saibas qual seja
é o encanto das flores mutiladas
na fronteira dos teus olhos
é a fuga dos teus lenços
num cais já vazio
é o grito acorrentado
no alagado do teu peito
O teu encanto é o gemido guardado
e nunca soluçado
nas tuas mãos de poeta !
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito,
e sei que nos limites
do que sou
ou nas amarras do meu verso
como pomba artesã
na minha lira te encontro
- Poeta, o meu nome é infortúnio
somos pó na mesma estrada
e nem assim nos encontramos
somos água de um só rio
que não corre o mesmo leito
no teu peito a esperança
é terra já amanhada
no meu corre a solidão
na roca do meu sonhar
- Teu suspiro não assino
nem teu pranto faço meu
no tear da esperança
há um riso que se alcança
quando o linho dá um nó
há um vento que levanta
do passado o areal
e um sol que o sepulta
quando o fuso entristecido
faz da curva o seu caminho
- A esperança rebentada no meu peito
poeta
é uma flor desesperada,
traz no seio o escarlate
das visões de fome e guerra,
nas veias abertas o choro
de crianças abandonadas
das farpas que me protegem
emanam dores e gritos
não há roca nem esperança
p´ra quem vive de amanhar
choro, dor, lamento e pranto
- Infortúnio, Infortúnio,
não há poço sem um fundo
nem túnel sem uma luz
a corda não é sempre
do enforcado o colar
nem a semente fenece
sem antes dela brotar
o fruto, a flor e a sombra
e mesmo nas mãos vermelhas
das abelhas lívidas
há um néctar
de esperança a ser sugado
- Poeta ! sonhas e deliras
quando esperanças alardeia
desespero é o cavalo
ao qual me encilhei
as abelhas de que falas
aninhadas se encontram
no ventre das minhas aranhas
minhas flores enlouquecidas
giram ao redor de um fuso
sem linha no meu tear
- Donde vens Infortúnio !
onde as sombras
que te abrigam
- Venho de longe e de perto
do tempo sou viajante
nas canaletas da dor
fui Sabra, Chatilla,
Treblinka, Sorbibor
Quem me viu Sabra
conhece o amontoado das minhas
fugas
e a profundidade da angústia
revelada na aspereza dos meus
cactos
mas sabia quanto eu era terna
e doce
Quem me conheceu Chatilla
sabia-me flor nascida em lodo,
de mãos desarmadas,
e vivendo como uma rosa
pelo espaço de uma manhã
Quando Sabra e Chatilla fui
tive os braços levantados
e os gestos inconclusos
e me vejo ainda nas flores
rebentadas
no peito daquelas mulheres
Não procures Poeta
o insondável com teu verso desvendar
somos do mesmo caminho as
pedras
e nem assim nos conhecemos
somos da mesma luz a cor
e nem assim tu me iluminas
- Infortúnio, Infortúnio !
há mil anos nossas palavras são sussurradas
e encalacradas ao peito
sem ouvidos a ouvi-las
e dizer que a tua voz me é conhecida
como a serra que me teve em berço,
e dizer que sei teu nome
embora de Infortúnio não a chamasse
nos meus sonhos, rota e triste
te chamava Liberdade ... Liberdade
- Morto o tempo Poeta
em que Liberdade fui chamada,
antes aurora brilhante
houve vácuo, mais nada,
daquela imagem altiva a sombra
se apagou
nem o eco, da solidão o amante,
guardou os meus passos, na poeira
desandados
- Infortúnio ou Liberdade
em dor também me vi envolto
passou como um vendaval
destruiu, arrancou,
renasci sem o riso
insensível ao pranto
e, com uma estrela
incrustada no peito
me fiz poeta do esquecimento
Como a fênix
das cinzas renascida
esbocei levantar-me do desespero
tentando esquecer as mãos que se estenderam
para apagar as minhas estrelas
As minhas asas
dilatadas
se enfunavam de sonho e fantasia
e no alto do meu horizonte
um rosto vagava, diluído
Eras tu Liberdade,
a pomba órfã
voluntária e sozinha
voando contra o Levante,
as esquecidas asas
não voavam em meu caminho
e o vento, meu irmão,
aprendeu a criar sombras e
nuvens de não ver
- E eu que queria uma luz acender
no ventre das estrelas
enlouquecidas de sombras
contentei-me em apagar a chama
que por meu nome o peito ardia
Cimentada nos meus passos
trago viva a esperança
de no galope azul do vento
nos quatro cantos do mundo
o meu nome ecoar .
Invadindo os teus olhos
percebi a antiga chama
e no gemido guardado
e nunca soluçado nas tuas mãos
de poeta
aninho a esperança de brilhar
a minha luz
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito
acesos no meu caminho
um grito coagulado
na fuga desperto
e debruçada nos meus olhos
caminhaste o filho da noite
inteiro
Vinte e quatro sóis
acesos dentro de mim
um grito assassinado
no peito
deflorando o sono da fuga
nas imaturas distâncias
onde perdido deixei
o cântaro último da fé
Penetrando nos meus olhos
violentaste o aviso
da proibida entrada
perambulando
como se fosse quarta-feira
e colhendo
numa primavera de sonhos
nos jardins do que fui
vinte e quatro sóis azuis
que sem saber
p´ra você eu guardei
Na avenida de cantos
renasceste do meu peito no teu mundo
pisando as pedras do meu caminho
e lançaste o pregão ao vento :
- Ele está renascido
estive lá dentro dele
e vi flores e prantos
e notas e dores
e cantos
nos recantos escondidos
de não mostrar a ninguém
fui estranha em ruelas sem passado
conseguindo o norte encontrar
depois de caminhos tantos
- Sim, eu sei, tu descobriste
o grito há tanto escondido
Nasci em tempo de festival
meu mundo incompreendido
tem notas que são espinhos
tem flores embrutecidas
rebentadas no meu peito
tem cantos são sentidos
que às vezes eu mesmo sinto
ter tão estranho nascido
- Estranho, nasceste sim
estranho cantor eu sei
na estranheza do teu canto
existe um outro encanto
embora não saibas qual seja
é o encanto das flores mutiladas
na fronteira dos teus olhos
é a fuga dos teus lenços
num cais já vazio
é o grito acorrentado
no alagado do teu peito
O teu encanto é o gemido guardado
e nunca soluçado
nas tuas mãos de poeta !
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito,
e sei que nos limites
do que sou
ou nas amarras do meu verso
como pomba artesã
na minha lira te encontro
- Poeta, o meu nome é infortúnio
somos pó na mesma estrada
e nem assim nos encontramos
somos água de um só rio
que não corre o mesmo leito
no teu peito a esperança
é terra já amanhada
no meu corre a solidão
na roca do meu sonhar
- Teu suspiro não assino
nem teu pranto faço meu
no tear da esperança
há um riso que se alcança
quando o linho dá um nó
há um vento que levanta
do passado o areal
e um sol que o sepulta
quando o fuso entristecido
faz da curva o seu caminho
- A esperança rebentada no meu peito
poeta
é uma flor desesperada,
traz no seio o escarlate
das visões de fome e guerra,
nas veias abertas o choro
de crianças abandonadas
das farpas que me protegem
emanam dores e gritos
não há roca nem esperança
p´ra quem vive de amanhar
choro, dor, lamento e pranto
- Infortúnio, Infortúnio,
não há poço sem um fundo
nem túnel sem uma luz
a corda não é sempre
do enforcado o colar
nem a semente fenece
sem antes dela brotar
o fruto, a flor e a sombra
e mesmo nas mãos vermelhas
das abelhas lívidas
há um néctar
de esperança a ser sugado
- Poeta ! sonhas e deliras
quando esperanças alardeia
desespero é o cavalo
ao qual me encilhei
as abelhas de que falas
aninhadas se encontram
no ventre das minhas aranhas
minhas flores enlouquecidas
giram ao redor de um fuso
sem linha no meu tear
- Donde vens Infortúnio !
onde as sombras
que te abrigam
- Venho de longe e de perto
do tempo sou viajante
nas canaletas da dor
fui Sabra, Chatilla,
Treblinka, Sorbibor
Quem me viu Sabra
conhece o amontoado das minhas
fugas
e a profundidade da angústia
revelada na aspereza dos meus
cactos
mas sabia quanto eu era terna
e doce
Quem me conheceu Chatilla
sabia-me flor nascida em lodo,
de mãos desarmadas,
e vivendo como uma rosa
pelo espaço de uma manhã
Quando Sabra e Chatilla fui
tive os braços levantados
e os gestos inconclusos
e me vejo ainda nas flores
rebentadas
no peito daquelas mulheres
Não procures Poeta
o insondável com teu verso desvendar
somos do mesmo caminho as
pedras
e nem assim nos conhecemos
somos da mesma luz a cor
e nem assim tu me iluminas
- Infortúnio, Infortúnio !
há mil anos nossas palavras são sussurradas
e encalacradas ao peito
sem ouvidos a ouvi-las
e dizer que a tua voz me é conhecida
como a serra que me teve em berço,
e dizer que sei teu nome
embora de Infortúnio não a chamasse
nos meus sonhos, rota e triste
te chamava Liberdade ... Liberdade
- Morto o tempo Poeta
em que Liberdade fui chamada,
antes aurora brilhante
houve vácuo, mais nada,
daquela imagem altiva a sombra
se apagou
nem o eco, da solidão o amante,
guardou os meus passos, na poeira
desandados
- Infortúnio ou Liberdade
em dor também me vi envolto
passou como um vendaval
destruiu, arrancou,
renasci sem o riso
insensível ao pranto
e, com uma estrela
incrustada no peito
me fiz poeta do esquecimento
Como a fênix
das cinzas renascida
esbocei levantar-me do desespero
tentando esquecer as mãos que se estenderam
para apagar as minhas estrelas
As minhas asas
dilatadas
se enfunavam de sonho e fantasia
e no alto do meu horizonte
um rosto vagava, diluído
Eras tu Liberdade,
a pomba órfã
voluntária e sozinha
voando contra o Levante,
as esquecidas asas
não voavam em meu caminho
e o vento, meu irmão,
aprendeu a criar sombras e
nuvens de não ver
- E eu que queria uma luz acender
no ventre das estrelas
enlouquecidas de sombras
contentei-me em apagar a chama
que por meu nome o peito ardia
Cimentada nos meus passos
trago viva a esperança
de no galope azul do vento
nos quatro cantos do mundo
o meu nome ecoar .
Invadindo os teus olhos
percebi a antiga chama
e no gemido guardado
e nunca soluçado nas tuas mãos
de poeta
aninho a esperança de brilhar
a minha luz
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito
1 147
José Carlos Souza Santos
O Romanceiro
Vinte e quatro sóis
acesos no meu caminho
um grito coagulado
na fuga desperto
e debruçada nos meus olhos
caminhaste o filho da noite
inteiro
Vinte e quatro sóis
acesos dentro de mim
um grito assassinado
no peito
deflorando o sono da fuga
nas imaturas distâncias
onde perdido deixei
o cântaro último da fé
Penetrando nos meus olhos
violentaste o aviso
da proibida entrada
perambulando
como se fosse quarta-feira
e colhendo
numa primavera de sonhos
nos jardins do que fui
vinte e quatro sóis azuis
que sem saber
p´ra você eu guardei
Na avenida de cantos
renasceste do meu peito no teu mundo
pisando as pedras do meu caminho
e lançaste o pregão ao vento :
- Ele está renascido
estive lá dentro dele
e vi flores e prantos
e notas e dores
e cantos
nos recantos escondidos
de não mostrar a ninguém
fui estranha em ruelas sem passado
conseguindo o norte encontrar
depois de caminhos tantos
- Sim, eu sei, tu descobriste
o grito há tanto escondido
Nasci em tempo de festival
meu mundo incompreendido
tem notas que são espinhos
tem flores embrutecidas
rebentadas no meu peito
tem cantos são sentidos
que às vezes eu mesmo sinto
ter tão estranho nascido
- Estranho, nasceste sim
estranho cantor eu sei
na estranheza do teu canto
existe um outro encanto
embora não saibas qual seja
é o encanto das flores mutiladas
na fronteira dos teus olhos
é a fuga dos teus lenços
num cais já vazio
é o grito acorrentado
no alagado do teu peito
O teu encanto é o gemido guardado
e nunca soluçado
nas tuas mãos de poeta !
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito,
e sei que nos limites
do que sou
ou nas amarras do meu verso
como pomba artesã
na minha lira te encontro
- Poeta, o meu nome é infortúnio
somos pó na mesma estrada
e nem assim nos encontramos
somos água de um só rio
que não corre o mesmo leito
no teu peito a esperança
é terra já amanhada
no meu corre a solidão
na roca do meu sonhar
- Teu suspiro não assino
nem teu pranto faço meu
no tear da esperança
há um riso que se alcança
quando o linho dá um nó
há um vento que levanta
do passado o areal
e um sol que o sepulta
quando o fuso entristecido
faz da curva o seu caminho
- A esperança rebentada no meu peito
poeta
é uma flor desesperada,
traz no seio o escarlate
das visões de fome e guerra,
nas veias abertas o choro
de crianças abandonadas
das farpas que me protegem
emanam dores e gritos
não há roca nem esperança
p´ra quem vive de amanhar
choro, dor, lamento e pranto
- Infortúnio, Infortúnio,
não há poço sem um fundo
nem túnel sem uma luz
a corda não é sempre
do enforcado o colar
nem a semente fenece
sem antes dela brotar
o fruto, a flor e a sombra
e mesmo nas mãos vermelhas
das abelhas lívidas
há um néctar
de esperança a ser sugado
- Poeta ! sonhas e deliras
quando esperanças alardeia
desespero é o cavalo
ao qual me encilhei
as abelhas de que falas
aninhadas se encontram
no ventre das minhas aranhas
minhas flores enlouquecidas
giram ao redor de um fuso
sem linha no meu tear
- Donde vens Infortúnio !
onde as sombras
que te abrigam
- Venho de longe e de perto
do tempo sou viajante
nas canaletas da dor
fui Sabra, Chatilla,
Treblinka, Sorbibor
Quem me viu Sabra
conhece o amontoado das minhas
fugas
e a profundidade da angústia
revelada na aspereza dos meus
cactos
mas sabia quanto eu era terna
e doce
Quem me conheceu Chatilla
sabia-me flor nascida em lodo,
de mãos desarmadas,
e vivendo como uma rosa
pelo espaço de uma manhã
Quando Sabra e Chatilla fui
tive os braços levantados
e os gestos inconclusos
e me vejo ainda nas flores
rebentadas
no peito daquelas mulheres
Não procures Poeta
o insondável com teu verso desvendar
somos do mesmo caminho as
pedras
e nem assim nos conhecemos
somos da mesma luz a cor
e nem assim tu me iluminas
- Infortúnio, Infortúnio !
há mil anos nossas palavras são sussurradas
e encalacradas ao peito
sem ouvidos a ouvi-las
e dizer que a tua voz me é conhecida
como a serra que me teve em berço,
e dizer que sei teu nome
embora de Infortúnio não a chamasse
nos meus sonhos, rota e triste
te chamava Liberdade ... Liberdade
- Morto o tempo Poeta
em que Liberdade fui chamada,
antes aurora brilhante
houve vácuo, mais nada,
daquela imagem altiva a sombra
se apagou
nem o eco, da solidão o amante,
guardou os meus passos, na poeira
desandados
- Infortúnio ou Liberdade
em dor também me vi envolto
passou como um vendaval
destruiu, arrancou,
renasci sem o riso
insensível ao pranto
e, com uma estrela
incrustada no peito
me fiz poeta do esquecimento
Como a fênix
das cinzas renascida
esbocei levantar-me do desespero
tentando esquecer as mãos que se estenderam
para apagar as minhas estrelas
As minhas asas
dilatadas
se enfunavam de sonho e fantasia
e no alto do meu horizonte
um rosto vagava, diluído
Eras tu Liberdade,
a pomba órfã
voluntária e sozinha
voando contra o Levante,
as esquecidas asas
não voavam em meu caminho
e o vento, meu irmão,
aprendeu a criar sombras e
nuvens de não ver
- E eu que queria uma luz acender
no ventre das estrelas
enlouquecidas de sombras
contentei-me em apagar a chama
que por meu nome o peito ardia
Cimentada nos meus passos
trago viva a esperança
de no galope azul do vento
nos quatro cantos do mundo
o meu nome ecoar .
Invadindo os teus olhos
percebi a antiga chama
e no gemido guardado
e nunca soluçado nas tuas mãos
de poeta
aninho a esperança de brilhar
a minha luz
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito
acesos no meu caminho
um grito coagulado
na fuga desperto
e debruçada nos meus olhos
caminhaste o filho da noite
inteiro
Vinte e quatro sóis
acesos dentro de mim
um grito assassinado
no peito
deflorando o sono da fuga
nas imaturas distâncias
onde perdido deixei
o cântaro último da fé
Penetrando nos meus olhos
violentaste o aviso
da proibida entrada
perambulando
como se fosse quarta-feira
e colhendo
numa primavera de sonhos
nos jardins do que fui
vinte e quatro sóis azuis
que sem saber
p´ra você eu guardei
Na avenida de cantos
renasceste do meu peito no teu mundo
pisando as pedras do meu caminho
e lançaste o pregão ao vento :
- Ele está renascido
estive lá dentro dele
e vi flores e prantos
e notas e dores
e cantos
nos recantos escondidos
de não mostrar a ninguém
fui estranha em ruelas sem passado
conseguindo o norte encontrar
depois de caminhos tantos
- Sim, eu sei, tu descobriste
o grito há tanto escondido
Nasci em tempo de festival
meu mundo incompreendido
tem notas que são espinhos
tem flores embrutecidas
rebentadas no meu peito
tem cantos são sentidos
que às vezes eu mesmo sinto
ter tão estranho nascido
- Estranho, nasceste sim
estranho cantor eu sei
na estranheza do teu canto
existe um outro encanto
embora não saibas qual seja
é o encanto das flores mutiladas
na fronteira dos teus olhos
é a fuga dos teus lenços
num cais já vazio
é o grito acorrentado
no alagado do teu peito
O teu encanto é o gemido guardado
e nunca soluçado
nas tuas mãos de poeta !
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito,
e sei que nos limites
do que sou
ou nas amarras do meu verso
como pomba artesã
na minha lira te encontro
- Poeta, o meu nome é infortúnio
somos pó na mesma estrada
e nem assim nos encontramos
somos água de um só rio
que não corre o mesmo leito
no teu peito a esperança
é terra já amanhada
no meu corre a solidão
na roca do meu sonhar
- Teu suspiro não assino
nem teu pranto faço meu
no tear da esperança
há um riso que se alcança
quando o linho dá um nó
há um vento que levanta
do passado o areal
e um sol que o sepulta
quando o fuso entristecido
faz da curva o seu caminho
- A esperança rebentada no meu peito
poeta
é uma flor desesperada,
traz no seio o escarlate
das visões de fome e guerra,
nas veias abertas o choro
de crianças abandonadas
das farpas que me protegem
emanam dores e gritos
não há roca nem esperança
p´ra quem vive de amanhar
choro, dor, lamento e pranto
- Infortúnio, Infortúnio,
não há poço sem um fundo
nem túnel sem uma luz
a corda não é sempre
do enforcado o colar
nem a semente fenece
sem antes dela brotar
o fruto, a flor e a sombra
e mesmo nas mãos vermelhas
das abelhas lívidas
há um néctar
de esperança a ser sugado
- Poeta ! sonhas e deliras
quando esperanças alardeia
desespero é o cavalo
ao qual me encilhei
as abelhas de que falas
aninhadas se encontram
no ventre das minhas aranhas
minhas flores enlouquecidas
giram ao redor de um fuso
sem linha no meu tear
- Donde vens Infortúnio !
onde as sombras
que te abrigam
- Venho de longe e de perto
do tempo sou viajante
nas canaletas da dor
fui Sabra, Chatilla,
Treblinka, Sorbibor
Quem me viu Sabra
conhece o amontoado das minhas
fugas
e a profundidade da angústia
revelada na aspereza dos meus
cactos
mas sabia quanto eu era terna
e doce
Quem me conheceu Chatilla
sabia-me flor nascida em lodo,
de mãos desarmadas,
e vivendo como uma rosa
pelo espaço de uma manhã
Quando Sabra e Chatilla fui
tive os braços levantados
e os gestos inconclusos
e me vejo ainda nas flores
rebentadas
no peito daquelas mulheres
Não procures Poeta
o insondável com teu verso desvendar
somos do mesmo caminho as
pedras
e nem assim nos conhecemos
somos da mesma luz a cor
e nem assim tu me iluminas
- Infortúnio, Infortúnio !
há mil anos nossas palavras são sussurradas
e encalacradas ao peito
sem ouvidos a ouvi-las
e dizer que a tua voz me é conhecida
como a serra que me teve em berço,
e dizer que sei teu nome
embora de Infortúnio não a chamasse
nos meus sonhos, rota e triste
te chamava Liberdade ... Liberdade
- Morto o tempo Poeta
em que Liberdade fui chamada,
antes aurora brilhante
houve vácuo, mais nada,
daquela imagem altiva a sombra
se apagou
nem o eco, da solidão o amante,
guardou os meus passos, na poeira
desandados
- Infortúnio ou Liberdade
em dor também me vi envolto
passou como um vendaval
destruiu, arrancou,
renasci sem o riso
insensível ao pranto
e, com uma estrela
incrustada no peito
me fiz poeta do esquecimento
Como a fênix
das cinzas renascida
esbocei levantar-me do desespero
tentando esquecer as mãos que se estenderam
para apagar as minhas estrelas
As minhas asas
dilatadas
se enfunavam de sonho e fantasia
e no alto do meu horizonte
um rosto vagava, diluído
Eras tu Liberdade,
a pomba órfã
voluntária e sozinha
voando contra o Levante,
as esquecidas asas
não voavam em meu caminho
e o vento, meu irmão,
aprendeu a criar sombras e
nuvens de não ver
- E eu que queria uma luz acender
no ventre das estrelas
enlouquecidas de sombras
contentei-me em apagar a chama
que por meu nome o peito ardia
Cimentada nos meus passos
trago viva a esperança
de no galope azul do vento
nos quatro cantos do mundo
o meu nome ecoar .
Invadindo os teus olhos
percebi a antiga chama
e no gemido guardado
e nunca soluçado nas tuas mãos
de poeta
aninho a esperança de brilhar
a minha luz
- Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito
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