Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Branquinho da Fonseca
Castanheiros, Irmãos
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
2 146
Branquinho da Fonseca
Castanheiros, Irmãos
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
2 146
Marcelo Batalha
Orgulho Meu
Hoje a menina olhou pra mim
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
934
Marcelo Batalha
Orgulho Meu
Hoje a menina olhou pra mim
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
934
Bruno Araújo de Melo
A Tentativa dos Sonâmbulos
Hoje eu quero sair
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
866
Bruno Araújo de Melo
A Tentativa dos Sonâmbulos
Hoje eu quero sair
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
866
Bastos Portela
Maldita
A uma fidalga egoísta
Passas... E, ao ver-te, a multidão murmura,Numa febril agitação: - "É ela!Como é divina! E que ideal canduraO seu olhar dulcíssimo revela!...
E dizem outros: - "Haverá donzelaQue seja assim tão divinal e pura,Ou que tenha - tão simples e singela! -O mesmo encanto e a mesma formosura?!"
Todos te exalçam, meu amor... Entanto,Ninguém dirá que te maldigo tantoE que no peito, infelizmente, encerro
O desespero atroz de um desvairadoQue luta, em vão, aflito e apaixonado,Para vencer teu coração de ferro!
Passas... E, ao ver-te, a multidão murmura,Numa febril agitação: - "É ela!Como é divina! E que ideal canduraO seu olhar dulcíssimo revela!...
E dizem outros: - "Haverá donzelaQue seja assim tão divinal e pura,Ou que tenha - tão simples e singela! -O mesmo encanto e a mesma formosura?!"
Todos te exalçam, meu amor... Entanto,Ninguém dirá que te maldigo tantoE que no peito, infelizmente, encerro
O desespero atroz de um desvairadoQue luta, em vão, aflito e apaixonado,Para vencer teu coração de ferro!
1 007
Bastos Portela
Maldita
A uma fidalga egoísta
Passas... E, ao ver-te, a multidão murmura,Numa febril agitação: - "É ela!Como é divina! E que ideal canduraO seu olhar dulcíssimo revela!...
E dizem outros: - "Haverá donzelaQue seja assim tão divinal e pura,Ou que tenha - tão simples e singela! -O mesmo encanto e a mesma formosura?!"
Todos te exalçam, meu amor... Entanto,Ninguém dirá que te maldigo tantoE que no peito, infelizmente, encerro
O desespero atroz de um desvairadoQue luta, em vão, aflito e apaixonado,Para vencer teu coração de ferro!
Passas... E, ao ver-te, a multidão murmura,Numa febril agitação: - "É ela!Como é divina! E que ideal canduraO seu olhar dulcíssimo revela!...
E dizem outros: - "Haverá donzelaQue seja assim tão divinal e pura,Ou que tenha - tão simples e singela! -O mesmo encanto e a mesma formosura?!"
Todos te exalçam, meu amor... Entanto,Ninguém dirá que te maldigo tantoE que no peito, infelizmente, encerro
O desespero atroz de um desvairadoQue luta, em vão, aflito e apaixonado,Para vencer teu coração de ferro!
1 007
Frederico Barbosa
Como quien lee
Traducción de Manuel Ulacia
Girar la llave,como quien lee una página:abrir por dentro,librarse siendo.Como quien se envuelve en el personajelento.
Descubrir el más allá del sueño,lo inesperado, lo cierto,lo más que imaginado.Lo que los ojos buscan cubriren el sueño.
Ver en tí, mi cara,mi cara interpretada:mitad mía, mitad clara.
Poema em português
Girar la llave,como quien lee una página:abrir por dentro,librarse siendo.Como quien se envuelve en el personajelento.
Descubrir el más allá del sueño,lo inesperado, lo cierto,lo más que imaginado.Lo que los ojos buscan cubriren el sueño.
Ver en tí, mi cara,mi cara interpretada:mitad mía, mitad clara.
Poema em português
1 171
Aymar Mendonça
Palavras
O aclive convida-nos à luta. Anima-nos a aventura da escalada: ela nos leva a antever Polymnia no cimo da montanha. Alçamos os braços como a querer sondar o Infinito, na busca dos encantos da musa, de seu aconchego.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
894
Antunes da Silva
Passsei o Tejo à Noitinha
Passei o Tejo à noitinha
e vi o Tejo calado,
trago um barco de papel
pró deitar no mar salgado.
Quando o barco se romper
deito no Tejo uma estrela
e a estrela branca lá fica
e nunca mais torno a vê-la...
Dizem os homens e mulheres
que nas águas deste Tejo
barra fora lá seguiram
camponeses do Alentejo
que nesse tempo sentiram
o que era a triste vida
feita de nada de nada
e por demais permitida...
Falam os homens mais velhos
que neste rio -ó desgraça! -
partiu barco e partiu povo
rumo a Timor e Mombaça
passando pelo mar alto
pró Bié e Tarrafal,
gente de boa presença
que nunca a ninguém fez mal!
Diziam os homens mais velhos
com espanto e em segredo,
que nas águas do rio Tejo
partiu gente pro degredo:
Timor, Bié, Tarrafal,
no tempo do salazar
as barcas seguiam cheias
a navegar, a navegar,
com homens em cativeiro,
Timor, Bié, Tarrafal,
e regressavam com ferro,
coco, amendoim e sisal...
Passo o Tejo à noitinha
e já ninguém me faz mal!
e vi o Tejo calado,
trago um barco de papel
pró deitar no mar salgado.
Quando o barco se romper
deito no Tejo uma estrela
e a estrela branca lá fica
e nunca mais torno a vê-la...
Dizem os homens e mulheres
que nas águas deste Tejo
barra fora lá seguiram
camponeses do Alentejo
que nesse tempo sentiram
o que era a triste vida
feita de nada de nada
e por demais permitida...
Falam os homens mais velhos
que neste rio -ó desgraça! -
partiu barco e partiu povo
rumo a Timor e Mombaça
passando pelo mar alto
pró Bié e Tarrafal,
gente de boa presença
que nunca a ninguém fez mal!
Diziam os homens mais velhos
com espanto e em segredo,
que nas águas do rio Tejo
partiu gente pro degredo:
Timor, Bié, Tarrafal,
no tempo do salazar
as barcas seguiam cheias
a navegar, a navegar,
com homens em cativeiro,
Timor, Bié, Tarrafal,
e regressavam com ferro,
coco, amendoim e sisal...
Passo o Tejo à noitinha
e já ninguém me faz mal!
969
Antônio Nunes de Siqueira
Soneto Acróstico
Voe da fama, ao sempre merecido
Aplauso, que vos deve eternamente,
Sonora tuba com trinado ardente,
Clamor perpétuo de eco enobrecido;
O vosso nome aclame, (que esculpido
Firme de bronze lâmina eminente
Expende) eternizando felizmente
Raro assombro, e jamais nunca excedido
Zenit: Diga que sois o mais glorioso
César, prodígio insigne da eloqüência,
Exemplo singular do valeroso:
Sol, que com predigníssima excelência,
Ainda no Ocidente, luminoso
Repartis, sempre igual, vossa influência.
Aplauso, que vos deve eternamente,
Sonora tuba com trinado ardente,
Clamor perpétuo de eco enobrecido;
O vosso nome aclame, (que esculpido
Firme de bronze lâmina eminente
Expende) eternizando felizmente
Raro assombro, e jamais nunca excedido
Zenit: Diga que sois o mais glorioso
César, prodígio insigne da eloqüência,
Exemplo singular do valeroso:
Sol, que com predigníssima excelência,
Ainda no Ocidente, luminoso
Repartis, sempre igual, vossa influência.
546
Antonio Roberval Miketen
Oportunidad de la Rosa
I
El Canto de João Moura
EI torero gritaba del centro de la arena
y el caballo danzaba del fondo del miedo.
II
Picasso deseaba pintar una plaza
de toros del tamaño natural, exacto,
con Miuras de picos de agujas, talladas
por sobre la brillantez de negras montañas.
En los paneles del pintor se avecinan agüeros:
en Guernica pintó Él el triunfo dei toro?
Repara que las arenas son rosas humanas
listas para romperse en la furia de la sangre.
Si el sueño de Picasso no fuese un absurdo,
Manolete, con certeza, en su traje de luces,
recordando a Linares, se daría al toro:
haría Él, otra vez, la faena de la rosa?
III
Por qué ponemos en el toro la evidencia de la espera,
en ese palomo de la suerte, inocente en ser fiera?
IV
En el momento en que el cuerpo se viste de luces
el calor de las mortajas aumenta la desnudez.
V
Tragedia de "YIYO"
En la mortal lacerada del clavo en la carne
del torero brotaba la belleza brutal.
VI
Veré el día en que el toro tendrá su suerte,
en la flor del vientre falso de osada verónica?
El Canto de João Moura
EI torero gritaba del centro de la arena
y el caballo danzaba del fondo del miedo.
II
Picasso deseaba pintar una plaza
de toros del tamaño natural, exacto,
con Miuras de picos de agujas, talladas
por sobre la brillantez de negras montañas.
En los paneles del pintor se avecinan agüeros:
en Guernica pintó Él el triunfo dei toro?
Repara que las arenas son rosas humanas
listas para romperse en la furia de la sangre.
Si el sueño de Picasso no fuese un absurdo,
Manolete, con certeza, en su traje de luces,
recordando a Linares, se daría al toro:
haría Él, otra vez, la faena de la rosa?
III
Por qué ponemos en el toro la evidencia de la espera,
en ese palomo de la suerte, inocente en ser fiera?
IV
En el momento en que el cuerpo se viste de luces
el calor de las mortajas aumenta la desnudez.
V
Tragedia de "YIYO"
En la mortal lacerada del clavo en la carne
del torero brotaba la belleza brutal.
VI
Veré el día en que el toro tendrá su suerte,
en la flor del vientre falso de osada verónica?
859
António Arnaut
Gloria Efémera
O rosto do cartaz eleitoral
sobre um fundo de promessas, a sorrir
lembrava um maioral
a franquear as portas do porvir.
Vota! O apelo era um alaúde
a embalar a fome atávica da grei;
haverá trabalho, habitação, saúde,
tudo o que at´´a gora não vos dei.
Mas o vento límpido, ingrato
naquele domingo de eleições
ia desfazendo o candidato
em cruéis, frenéticos rasgões.
E quando a noite desceu
um varredor indeciso,
sonâmbulo, varreu
os últimos detritos do sorriso.
sobre um fundo de promessas, a sorrir
lembrava um maioral
a franquear as portas do porvir.
Vota! O apelo era um alaúde
a embalar a fome atávica da grei;
haverá trabalho, habitação, saúde,
tudo o que at´´a gora não vos dei.
Mas o vento límpido, ingrato
naquele domingo de eleições
ia desfazendo o candidato
em cruéis, frenéticos rasgões.
E quando a noite desceu
um varredor indeciso,
sonâmbulo, varreu
os últimos detritos do sorriso.
1 276
Antunes da Silva
Quem Vem La?
- Quem vem lá
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
1 137
Antunes da Silva
Quem Vem La?
- Quem vem lá
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
que me chama?
O velho bufão
com faces de lama,
ou maltês perdido
sem casa nem cama?
- Quem vem lá
que me grita?
O ronco do grifo
que assusta e crocita,
ou a terra que geme,
minha irmã aflita?
- Quem vem lá
que me espanta?
A noite a nascer
que já se levanta,
ou eco de búzio
na minha garganta?
- Quem vem lá
que se esconde?
Larápio de jóias
disfarçado em conde,
ou rancho coral
ouvindo-se aonde?
1 137
Arthur Fortes
Mágoa Renitente
Há nesta vida instantes dulçurosos
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
920
Arthur Fortes
Mágoa Renitente
Há nesta vida instantes dulçurosos
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
920
Arthur Fortes
Mágoa Renitente
Há nesta vida instantes dulçurosos
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
Concedidos às almas desgraçadas,
Que são, bem como as claras madrugadas,
Alvos, meigos, brilhantes, luminosos!
Esquecidos da mágoa, descuidosos,
Vamos então a rir pelas estradas,
Vendo alegres nas flores orvalhadas
A miragem dos dias venturosos!
Foi-me cedido o dúlcido momento
De me não mais ralar esse tormento
Desta ausência cruel, nossa inimiga!
Mas, ai de mim! Depressa te partiste,
E invadiu-me de novo a dor antiga,
Escura e fria, pavorosa e triste.
920
Antônio de Oliveira
Décima
Tanto Pirene chorou
Que em fonte se converteu:
Mas Diana que a ofendeu
Por que em fonte a transformou?
Porque como desejou
Ter uma fonte perene
(Qual a famosa Hipocrene)
De Pirene a fonte faz:
Porque no nome já traz
O ser perene Pirene.
Que em fonte se converteu:
Mas Diana que a ofendeu
Por que em fonte a transformou?
Porque como desejou
Ter uma fonte perene
(Qual a famosa Hipocrene)
De Pirene a fonte faz:
Porque no nome já traz
O ser perene Pirene.
1 285
António Arnaut
O Comicio
Da tribuna envergonhada
por tanta demagogia
o orador prometia,
duma assentada,
a terra e o céu.
O povoléu,
incr´´dulo, sorvia
a fome de tanta fartura.
Porém, a certa altura
o orador entupiu
e caíu-lhe a dentadura.
Quando a assistência saíu,
pisou-lhe a faladura.
por tanta demagogia
o orador prometia,
duma assentada,
a terra e o céu.
O povoléu,
incr´´dulo, sorvia
a fome de tanta fartura.
Porém, a certa altura
o orador entupiu
e caíu-lhe a dentadura.
Quando a assistência saíu,
pisou-lhe a faladura.
1 404
Argemiro de Paula Garcia Filho
Pedido de Desligamento
Senhor CAlex,
por favor não me incomode,
meu correio
anda cheio
de tanta aporrinhação.
Senhor CAlex,
a poesia não me acode
o que eu quero e ter dinheiro
tanto assim que, em fevereiro,
eu trabalho pro patrão.
Senhor CAlex,
que vantagem o senhor leva
em mandar tanta poesia,
a tanta gente, todo dia,
sem receber um tostão?
Senhor CAlex,
quero a vida sempre em treva,
não quero trova,
a poesia não escova
meu bolso sempre sem tostão.
Salvador, 19/12/96
por favor não me incomode,
meu correio
anda cheio
de tanta aporrinhação.
Senhor CAlex,
a poesia não me acode
o que eu quero e ter dinheiro
tanto assim que, em fevereiro,
eu trabalho pro patrão.
Senhor CAlex,
que vantagem o senhor leva
em mandar tanta poesia,
a tanta gente, todo dia,
sem receber um tostão?
Senhor CAlex,
quero a vida sempre em treva,
não quero trova,
a poesia não escova
meu bolso sempre sem tostão.
Salvador, 19/12/96
1 034
Antonio Roberval Miketen
Night
A breeze ripples
huge leaves
in the depth
of my silence.
A wave floods
my conscience
that submerges
in the tense waters.
Memories shine
from a star
at no time traced.
Deep inside
roars the eternal scream
of earth covered by darkness.
huge leaves
in the depth
of my silence.
A wave floods
my conscience
that submerges
in the tense waters.
Memories shine
from a star
at no time traced.
Deep inside
roars the eternal scream
of earth covered by darkness.
899
Manuel Apolinario
Duas Panças de Respeito
Vinha a Rosa da igreja
Com seu passo ligeirinho,
Quando encontrou no caminho
O doutor da freguesia.
Sabia-se que o letrado
Gostava de caçoar
Ao ponto de abusar
As regras da cortesia.
- Com que então foste à Igreja?...
Ele assim disse prá Rosa.
- Até ficas mais formosa
Depois duma confissão.
Eu por mim, nunca lá vou
E não me falta abastança...
Esta minha rica pança
Prova que eu tenho razão.
- Oiça lá, senhor Doutor,
Disse a Rosa com desdém,
A pança que você tem
Não me faz nenhuma inveja...
Pois nós temos num curral
Um porco para a matança
Que também tem rica pança
E nunca vai à igreja!
Com seu passo ligeirinho,
Quando encontrou no caminho
O doutor da freguesia.
Sabia-se que o letrado
Gostava de caçoar
Ao ponto de abusar
As regras da cortesia.
- Com que então foste à Igreja?...
Ele assim disse prá Rosa.
- Até ficas mais formosa
Depois duma confissão.
Eu por mim, nunca lá vou
E não me falta abastança...
Esta minha rica pança
Prova que eu tenho razão.
- Oiça lá, senhor Doutor,
Disse a Rosa com desdém,
A pança que você tem
Não me faz nenhuma inveja...
Pois nós temos num curral
Um porco para a matança
Que também tem rica pança
E nunca vai à igreja!
960