Poemas neste tema
Vida e Existência
Pedro Tierra
Os Novos Materiais
Se Deus
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
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1
Angela Santos
Espelho
Olhei
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
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Angela Santos
Espelho
Olhei
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
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1
Angela Santos
O Beijo
aberta,
entreaberta
um risco só que seja,
a boca,
desenhando desejo
lábios, língua
sopro, saliva…..
vermelha
túrgida
húmida
a tua na minha
boca
desagua.
entreaberta
um risco só que seja,
a boca,
desenhando desejo
lábios, língua
sopro, saliva…..
vermelha
túrgida
húmida
a tua na minha
boca
desagua.
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1
Mariazinha Congílio
O Começo e o Fim
Certeza?
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
932
1
Mariazinha Congílio
O Começo e o Fim
Certeza?
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
932
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Mariazinha Congílio
O Começo e o Fim
Certeza?
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
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Angela Santos
Saudade do Futuro
Na
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
1 300
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Angela Santos
Saudade do Futuro
Na
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
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Fernando Fabião
Deixa que as Mãos
Deixa que
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
797
1
Fernando Fabião
Deixa que as Mãos
Deixa que
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
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Fernando Fabião
Estava à Tua Espera
Estava
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
986
1
Angela Santos
Odes de Luz
Ia pelas praças que inventava
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
893
1
Angela Santos
Odes de Luz
Ia pelas praças que inventava
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
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Angela Santos
Jogo de Palavras
Desatei
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
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1
Fernando Tavares Rodrigues
As Time Goes By
Como o
tempo passa
Enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
tempo passa
Enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
1 202
1
Fernando Tavares Rodrigues
As Time Goes By
Como o
tempo passa
Enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
tempo passa
Enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
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1
Fernando Pinto do Amaral
Á Chegada do Inverno
Nem sempre
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
2 167
1
Fernando Pinto do Amaral
Á Chegada do Inverno
Nem sempre
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
2 167
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Fernando Pinto do Amaral
Á Chegada do Inverno
Nem sempre
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
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1
Fernando Pinto do Amaral
Á Chegada do Inverno
Nem sempre
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
a vida acolhe ou alimenta
os nomes do passado, o seu abismo
repetido num sonho, na mais lenta
assombração, no mais íntimo sismo
Do que chamamos alma. Não existo
sem essa febre mansa que relembro
enquanto as nuvens cobrem tudo isto
com o frio escuro de um dezembro
Longe de mim, de ti, de qualquer lei
ou juízo a que dêmos um sentido:
o que finjo saber é o que não sei
e as palavras colam-se ao ouvido.
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Nauro Machado
Geografia Humana
Há em mim,
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
1 895
1
Nauro Machado
Geografia Humana
Há em mim,
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
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1
Angela Santos
Entre Margens
Acho-me,
desencontro-me
amaino se posso
os demónios
Aposso-me das espectrais
sombras que vagueiam
na antecâmara de mim
De sonhos e caminhos
é feito o mundo
o meu
o outro de que me aparto
de cacos e restos do velho
O novo teima
entre os escombros das implacáveis leis
do mais forte
da gravidade
da entropia
e da sua negação
E então?
Então o sonho é o que sobra
e o rasgo de alma por onde ele brota
E além - sonho
as cores, a luz, as palavras, o poema
as barreiras vencidas, a cabeça a prumo
a teimosia...acreditar ainda
E além de tudo o amor.. amar
amar-te
o que faz sentir-me
o que faz sentido
E o mar.....
o que sem ti
faz doer!
desencontro-me
amaino se posso
os demónios
Aposso-me das espectrais
sombras que vagueiam
na antecâmara de mim
De sonhos e caminhos
é feito o mundo
o meu
o outro de que me aparto
de cacos e restos do velho
O novo teima
entre os escombros das implacáveis leis
do mais forte
da gravidade
da entropia
e da sua negação
E então?
Então o sonho é o que sobra
e o rasgo de alma por onde ele brota
E além - sonho
as cores, a luz, as palavras, o poema
as barreiras vencidas, a cabeça a prumo
a teimosia...acreditar ainda
E além de tudo o amor.. amar
amar-te
o que faz sentir-me
o que faz sentido
E o mar.....
o que sem ti
faz doer!
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